Fonte: Caetano Ruas de Blog Ação Cultura Digital no Brasil Central
Visita ao Invenção Brasileira e conversa com o Chico Simões
Taguatinga – 26/03/2009
O Ponto de Cultura Invenção Brasileira tem sido protagonista na formação da redes de pontos do DF desde o inicio o programa cultura viva, além de ser a muito tempo referência nacional no teatro de bonecos.
Quando chegamos em Taguatinga, Chico estava lá arrumando o espaço sozinho, era um dia de chuva e ele estava lá naquele universo que é os 25mts quadrados da nova lojinha do invenção, é uma lojinha não comercial, na verdade é uma garagem.
O invenção tem passado por diversas mudanças , as frentes de ação cultural cresceram e buscam autonomia em relação ao ponto de cultura, ocupando novos espaços no velho mercado sul e em outras comunidades. Outro fator de reformulação da ação do Ponto foi a mobilização necessária para produção da TEIA BRASÍLIA 2008 que tirou do mercado a secretaria e boa parte dos integrantes do ponto, que só agora passado vários meses é que estão aos poucos retomando as atividades com a comunidade no ponto de cultura.
A enorme demanda de trabalho de produção em função da TEIA levou o Invençao a abrir um escritório no setor comercial sul, que ainda se mantém como um escritório de produção da instituição.
O Invenção , por sua grande capacidade de encantamento e mobilização, a sua vocação para promover a grande prosa na rede, abriu diversas frentes de trabalho apartir dos recursos recebidos pelo programa cultura viva. Chico esclarece que os recursos serviram para ampliar o diálogo e a integração com a comunidade e não para buscar a sustentabilidade na relação com o mercado, deixando bem claro que acredita mesmo ser de responsabilidade do estado o fomento das ações culturais que visam a inclusão social de setores marginalizados da sociedade como é o caso do trabalho que os pontos de cultura realizam.
Com o fim do convenio do ponto as frentes de trabalhos: cultura digital, cineclube motiró, e produção de vídeo e foto , estão buscando autonomia em relação ao ponto , espaços vizinhos foram alugados e formando novas associações e coletivos compostos também por membros do Invenção Brasileira, defindo novas identidades culturais e estabelecendo uma relação de colaboração independente entre estes atores na comunidade. Alguns equipamentos do Ponto de Cultura, como partes do kit multimidia, se encontram distribuídos entres estes coletivos e até já viajaram para outros pontos para somarem esforços no fortalecimento da rede.
Chico explica como o kit multimidia, à medida que se torna obsoleto, vira um problema para o ponto que o recebeu pois a burocracia não permite a doação para outras entidades nem a devolução dos equipamentos para o estado, e o concerto de peças é mais caro do que a aquisição de novas obrigando o ponto manter a sucata para não ser responsabilizado por extravio.
Chico explica que o processo do pontão escola viva também esta parado por problemas de interpretação inconclusa por parte do Ministério da Cultura sobre a utilização ou não de recursos do plano de trabalho (aprovado pelo MinC) para viagens para realização de oficinas e divulgação do edital do premio Escola Viva e outras questões de menor monta mais que vai transformando o projeto em um processo kafkaniano, chegando ao absurdo da gestora responsável pelo projeto no MinC exigir que o ponto conseguisse de três imobiliárias avaliações do valor do imóvel e logo em seguida (40 dias depois) mais três avaliações do valor do aluguel do imóvel. Sem considerar que as imobiliárias cobram até R$ 100 (cem reais) por cada declaração e que nem sempre vão ao local para realmente avaliar o imóvel.
Como exemplo do que funciona e deu certo no programa, Chico cita a Rede mocambos como uma rede altamente consistente , inclusive na vanguarda e protagonismos no uso de softwares livres.
Acredita que as redes de pontos de cultura popular e comunidades tradicionais, assim como as culturas indígenas, são o que há de essencial no programa cultura viva e é por ai que quer aproximar cada vez mais o seu trabalho, além, é claro, da sua própria comunidade em Taguatinga.
Chico, por ser de Brasília e a muitos anos militante do movimento cultural, fala com muita propriedade dos processos burocráticos e políticos dentro do programa cultura viva e do ministério da cultura, é mais um assunto que ele domina muito bem.
Apesar de fazer parte, admirar e apoiar diversas ações do MinC,
lamenta que o procedimento adotado tenha mudado em relação a prestação de contas do pontos de cultura. Se antes se falava em inovação, protagonismo e gestão compartilhada agora com a instalação da CPI das ONGs e a proximidade do ano eleitoral – gato escaldado tem medo de água fria – a prática tem sido de imputar aos pontos a responsabilidade e consequentemente a obrigação de ajustar o plano de trabalho (aprovado pelo MinC) e consequentemente a prestação de contas as novas exigências das novas comissões de análise de prestação de contas e as supostas novas interpretações (as vezes técnicas as vezes políticas) da corregedoria ou do tribunal de contas.