Manual Input Sessions by Zachary Lieberman

Manual Input Sessions

Contribuição enviada por Paula Perissinotto, curadora geral do FILE (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica), para o debate sobre Arte e Tecnologia Digital no Fórum da Cultura Digital Brasileira.

1) Delimitação do campo: o que é arte e tecnologia digital?
Arte e tecnologia, arte digital, novas mídias, novos meios, multimeios, tudo quer dizer a mesma coisa: uma área das artes que ainda luta pela sua legitimação no Brasil. Estamos falando de um gênero de arte que engloba obras de arte criadas com base computacional, incluindo arte digital, computação gráfica, animação por computador, arte virtual, arte de Internet, arte interativa, robótica, informática, arte e biotecnologia, software arte, inteligência artificial etc.
Na Wikipedia o termo arte e novos meios se diferencia pela sua resultante que são objetos culturais, que podem ser vistos em oposição aos que decorrem das artes tradicionais (ou seja, pintura, escultura, gravura, etc.) e isto deve ser enfático, pois de fato são referencias incompatíveis.

Seja qual for o termo que o Brasil adotará o importante é que ele represente produções que não incluam Vídeo Digital ou qualquer formato de produção analógica, mas inclua sim: arte para Internet, robótica, realidade virtual, realidade aumentada, biotecnologia, inteligência artificial, software, genética, celular, GPS ou que aborde tecnologias que ainda não conseguimos mencionar neste momento porque ainda não existem ou porque simplesmente estejam em processo. A base desta arte em questão deve ser impreterivelmente computacional. Se houver consenso neste aspecto será um grande passo.

2) Diagnósticos: quais são os problemas? Quais as perguntas que precisamos fazer?
Em 2002 enviamos uma carta ao então Presidente da FUNARTE Antonio Carlos Grassi e a Chefe de Gabinete Myrian Lewin Redinger com o relatório do New Media Arts- New Funding Models produzido no ano 2000 pela Fundação Rockefeller. Sabemos que não convém adotar modelos estrangeiros, mas uma das vantagens do mundo de hoje é a sua acessibilidade, simplesmente não olhar para caminhos traçados significa desconsiderar o desenvolvimento alheio e repetir equívocos grotescos. O documento poderia ter ajudado (principalmente na época ) a responder muitas das questões aqui levantadas.
Seguem algumas questões e respostas:
a) Quem deveriam ser as pessoas que constituirão os quadros de conselheiros ou de decisão desta nova categoria?
É importante considerar que não podemos contar com profissionais que tenham formação meramente analógica ou que não tenham alguma pratica com produções e problemáticas das linguagem algorítmicas. Este grupo de conselheiros deve ter interesses múltiplos e conhecimentos em áreas diversificadas do universo digital para garantir que agregarem a categoria em si e não a seus próprios interesses.
b) Como selecioná-los? Quem faria esta seleção? Quais seriam os requisitos para esta seleção?
Talvez uma estratégia de indicação e convites possa ser uma opção, mas com o zelo de não construir um gueto que trabalhe para interesses únicos. Este grupo de profissionais atuantes da área deve criar estratégias para lidar com a resistência dos procedimentos tradicionais em investimento na arte e tecnologia e lutar contra os procedimentos tradicionais e analógicos que atravancam a evolução desta área.

c) Como divulgar e promover a produção Nacionalmente e Internacionalmente?
Em todo o Mundo o mais eficaz para a divagação e promoção das produções são eventos como o ARS eletronica, Japan media art e o FILE (iniciativa brasileira de abrangência internacional), como foram e são os festivais de cinema. Outra possibilidade são revistas especializadas nacionais que conquistem visibilidade internacional, podem ser blogs porem com visibilidade global, estas são estratégias complexas que devem ser responsabilidade da sociedade civil, porem subsidiadas pelo governo.
d) Como criar uma política cultural Nacional e Internacional para esta nova categoria?
Antes de tudo a questão pressupõe outra questão: Como sairmos do aprender para o aprender fazendo, uma política cultural sem esta disponibilidade de ação implica uma grande dificuldade em suas estratégias, onde as soluções se darão apenas no plano exógeno e localizado daquela cultura. As soluções das políticas têm que se dar numa relação conjuntural bem mais ampla, veja o exemplo da Inglaterra, onde os ministérios da educação, da economia, da cultura, da ciência e do turismo operam em uníssono para a realização de políticas publicas.

e) Formulações e propostas: quais políticas públicas devem existir? que ações este grupo deveria tomar? Quais pressões deveriam fazer?
Medida emergencial 1-
O Brasil deve oferecer pelo menos em 4 ou 5 universidades publicas(1 em cada região do Pais) um curso de graduação nesta nova área Arte e tecnologia ( um curso inter e transdisciplinar com formação genérica das artes e da estética tradicional e com opções especificas aos novos meios durante o restante do curso. Esta graduação deve ter laboratórios , técnicos e programadores integrados ao curso de arte em questão. Se não temos os profissionais, eles devem ser importados. Já existem excelente modelos no mundo que poderiam ser estudados para desenvolver um parâmetro especialmente Brasileiro.
Se for difícil existir uma universidade em cada região, que exista pelo menos duas inicialmente, ou que pelo menos uma esteja seriamente nos planos. A Argentina já esta com 3 Universidades (Universidade Nacional Três de fevereiro, Universidade Nacional Mar del Plata e Universidade de Buenos Aires).
Nada pode se desenvolver sem formação. Não podemos passar uma década com as mesmas referencias artística, a produção deve ser constante e múltipla, os quadros de conselheiros devem se diversificar e para isto temos que formar profissionais competentes da área em questão.

Não há desenvolvimento sem formação.
22 de setembro de 2009.
Paula Perissinotto