Debate sobre Arte Digital no Fórum da Cultura Digital em São Paulo

Debate sobre Arte Digital no Fórum da Cultura Digital em São Paulo

Após vários debates e encontros presenciais, além de inúmeras contribuições das mais variadas esferas da sociedade, o eixo de Arte Digital (anteriormente denominado Arte e Tecnologia Digital) formulou e organizou algumas questões pautadas nas demandas elaboradas ao longo do Fórum. Os principais temas tratados e as questões que foram abordadas estão listadas em quatro grandes áreas, que desdobram cada uma delas uma série de categorias que, em sua maioria, se entrecruzam transversalmente em vários aspectos sendo, nesse sentido, um eixo basicamente interdisciplinar. Os tópicos abaixo listados são uma primeira análise dos resultados e das demandas apresentadas. Em resumo, foram vários debates no Fórum on-line e três debates presenciais, um na Unicamp, um em São Paulo no Mackenzie, um em Juiz de Fora na UFJF e um ainda agendado para acontecer no mês de novembro na UFPA em Belém, no Pará.

As grande áreas listadas são:

1. Formação

Eixo tido como “essencial” na maioria dos debates sobre Arte Digital. Considera-se de extrema importância o surgimento de novos cursos que introduzam conceitos de “arte digital” em seus currículos para a compreensão das novas expressões artísticas contemporâneas. A formação é a base para uma ampliação da produção e circulação da arte e da cultura digital.

1.1 Criação de grupos de trabalho para formular um programa de ensino-aprendizagem na área de Arte Digital;

1.2 Metodologias de ensino da arte digital: softwares, processos, criação em mídias digitais;

1.3 Padronização de algumas ferramentas: utilização de softwares livres em sala de aula, ampliação do uso de instrumentos Open Source: linguagem “processing”, “openframeworks”, entre outros, para o ensino da arte digital;

1.4 Sistematização de um currículo para cursos de arte que queiram inserir disciplinas na área de “arte digital”

1.5 Implementação de cursos ou centros de “arte digital” ou “arte computacional” em Universidades no país com apoio do Ministério da Cultura em parceira com o MEC.

2. Produção

A produção é considerada um ponto nevrálgico pela maior parte dos artistas envolvidos no processo de criação. Um dos pontos sensíveis é o fomento à produção artística em suportes computacionais, que demandam infraestrutura de redes, hardwares e softwares.

2.1 Fomento: a forma de se auxiliar um artista nem sempre precisa ser via doação de recursos diretos, mas pode ser também através do provimento de espaços de criação, experimentação e produção, como Mídia Labs, uma experiência que vem sendo amplamente criada em países como Espanha, Portugal, Áustria e Holanda.

2.2 Formulação de uma política de criação de Mídias Labs. Local sugerido: FUNARTE, CFAVs ou em algum espaço a ser criado para esse fim, como centros em universidades.

2.3 Apoio à criação artística digital: bolsas de pesquisa para acadêmicos que atuam na área de artes e comunicações e que queiram produzir no campo da arte digital. Propostas: bolsas com valores mensais, para estudantes com vinculação comprovada em curso de arte ou comunicação, com ênfase na temática “arte digital”, “arte e tecnologia”, “arte computacional”, “cultura digital”, “comunicação digital”, “cultura computacional”, entre outras.

2.4 Apoio à produção de centros de pesquisa na área de arte digital.

3. Difusão

Uma questão que envolve várias áreas da cultura digital é a difusão dos acervos ou das obras em suportes digitais. A exibição de obras que utilizam muitas vezes aparatos complexos, linguagens de programação avançadas e conexões às redes, como no caso da net-art, precisam de um apoio específico na sua montagem e conservação.

3.1 Apoio à apresentação de obras artísticas em formatos digitais: criação de um mecanismo de apoio à artistas direcionado especificamente à exibição de suas obras, em um circuito específico a ser delineado no projeto ou mesmo em exibições em espaços de arte no Brasil e no exterior;

3.2 Sistematização de exibição de obras em suportes computacionais, com a criação de metodologias de conservação, para a utilização por parte de exibidores não especializados;

3.3 Promoção de exposições que tenham como foco as “artes digitais”;

3.4 Formas de patrocínio para a exposição de obras em suportes computacionais com apoio incentivado para esse fim.

4. Inserção da Arte Digital na cultura

4.1 Criação de áreas de “arte digital” em museus;

4.1.1 Museologia

4.1.2 Arquivologia

4.1.3 Conservação

4.2 Mecanismos de apoio e suporte para circulação das obras de arte digitais;

4.3 Formulação de uma política de criação de circuitos para a arte digital

4.4 Metodologias de ensino da arte digital no currículo escolar, em âmbito fundamental e médio;

4.4.1 Conceitos de arte digital

4.4.2 Obras

4.4.3 Artistas

4.4.4 Ferramentas

4.4.5 Processos

4.5 Apoio à publicação dos resultados e das obras em sites especializados no campo da arte digital.