Tag "ciberativismo"

  • Ajude o Mega Não a conquistar o Prêmio Frida

    Neste ano o Prêmio FRIDA pretende reconhecer projetos e iniciativas que colaborem de forma significativa com o uso da Internet como catalisador para a mudança na América Latina e o Caribe. O movimento “Mega Não” tem participado intensamente na construção do processo democrático no Brasil através da luta pela liberdade na rede. O “Mega Não” como um meta manifesto atende e suporta esta luta e tem atuado fortemente através de estratégias de comunicação, suportes e subsídios e vem atuando junto ao Poder Legislativo e demais instituições e Empresas na busca dos ideais de liberdade.

    É muito importante lembrarmos sempre, que esta luta e as vitórias que temos obtido são frutos de um intenso trabalho das multidões e das redes de suporte com o “Mega Não” sendo a principal delas. Conquistar o Prêmio FRIDA será um grande passo para a nossa causa, ganharemos mais visibilidade e abrimos as portas para uma nova fase integrando a América Latina, para atuarmos em conjunto com outras redes na luta pela democracia e liberdade na rede.

    Contamos com seu voto, e é muito simples votar, basta acessar nossa página no Prêmio FRIDA e clicar no botão votar logo abaixo da foto, como ilustrado a seguir. Não é necessário fazer nenhum cadastro.

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  • Não alimente os trolls…

    Trolls são velhos conhecidos desde antes do advento da Internet, já existiam nos tempos do BBS, ou melhor sempre existiu na história da humanidade alguem à debochar das pessoas e provoca-las. A trollagem é uma característica inata da raça humana, tem gente dizendo até que o Inri Cristo é um excentrico que leva a vida em trollar a humanidade, vai saber né?

    Um troll, na gíria da internet, designa uma pessoa cujo comportamento tende sistematicamente a desestabilizar uma discussão, provocar e enfurecer as pessoas envolvidas nelas. O termo surgiu na Usenet, derivado da expressão trolling for suckers (lançando a isca para os trouxas), identificado e atribuído ao(s) causador(es) das sistemáticas flamewars e não os trolls, criaturas tidas como monstruosas no folclore escandinavo.

    Wikipedia

    Estamos sempre sujeitos à interferência dos trolls, a melhor forma de lidar com eles sempre foi a de não “alimenta-los”, sem “alimento” eles não proliferam e acabam indo buscar atenção em outra freguesia. Nos anos 90 eram comuns as trollagens nas listas de discussão que provocavam muitas vezes guerras inflamadas (flamewars) e era um “Deus nos acuda”, perdia-se o foco do debate e muitas vezes até amigos. No verbete sobre Trolls na Wikipedia você vai encontrar as principais técnicas que eles utilizam, e vai ver também que muitas vezes eles atacam em grupos e que os grupos podem ser compostos por vários avatares controlados por uma única pessoa ou grupo de pessoas.  As motivações que levam à trolagem são em geral: auto-afirmação, ideologia, fanatismo, sacanagem, simplesmente ociosidade. Muitos trolls buscam apenas diversão para combater o tédio, mas a maioria deles também porta alguma característica mal-resolvida de personalidade, como trauma, fracasso financeiro e amoroso e até patologias psicológicas.

    Os antigos trolls de lista migraram para as redes sociais, em especial o Orkut e o Twitter, sendo este último uma rede social com grande aderência à lógica da rede. O Twitter hoje é a ferramenta mais eficiente para articulações, em pouco tempo é possivel disseminar uma informação para milhares de pessoas.

    Não podemos deixar de registrar aqui os trolls políticos, que prefiro chamar de trolls profissionais, consolidados em abundância nas eleições de 2010. Estes trolls habilmente disseminavam inverdades, derrubavam trending topics, e provocavam a militância oposta com o intuito de desarticula-la. Como eles surgiram, e principalmente para onde foram são ainda perguntas sem respostas, será que foram para algum lugar ou ainda estão ai “vivinhos” da Silva? Uma coisa é certa, esta campanha teve uma participação fundamental da sociedade conectada, estrategistas éticos usavam as boas práticas da WOMMA, outros abusavam de scripts e subterfúgios condenáveis para atingir seus objetivos. O trabalho das multidões serviu à uma fantástica onda de desconstrução de factoides, foi uma campanha bem interessante, digna de ser documentada e registrada nos anais da história do país.

    Voltando à questão dos trolls profissionais, eles diferente do tradicional, seguem em geral uma estratégia e conhecem bem a dinâmica de rede. Para derrubar um trending topic no Twitter, por exemplo, basta configurar um perfil bot para retuitar tudo que encontrar em uma determinada hashtag. Com isto o Twitter percebe que o crescimento de uma hashtag não é orgânico, ou seja proveniente de vários usuários, e a penaliza retirando dos trend topics. Isto aconteceu recentemente com a tag #foraAnaDeHollanda, para atender à este objetivo basta monitorar determinada tag ou os trends no Twitter e ativar o bot como e quando for necessário, nada ético, mas bastante usado.

    A dinâmica da rede

    Para entender como os trolls profissionais conseguem se disseminar no Twitter, vamos entender um pouco da dinâmica da rede. Observe a figura abaixo, do lado esquerdo, em verde, temos um perfil forte. Este perfil em geral é seguido e segue outros perfis fortes (2º nível) e com eles possui uma boa interação e atingem facilmente os seguidores de 3º e 4º niveis, podemos dizer que este perfil é bastante influente e que possui um “capital social” elevado, a construção de sua rede de relacionamento é orgânica e se dá de forma gradual e sólida com base em uma relação de confiança. Do lado direito temos um perfil fraco, que possui muitos seguidores de 2º nível, que em geral foram adicionados por script e não possuem com ele nenhuma afinidade, estão ali apenas fazendo número. Poucos seguidores interagem com este perfil, e em geral eles não possuem um alcance significativo, mal chegam ao 3º nível e possuem um “capital social” muito baixo. Isto demonstra que o número de seguidores não é um indicador seguro de capital social, é bem possível por exemplo que um perfil com 1000 seguidores seja muito mais influente que um com mais de 100.000, reforçando a tese de que em mídias sociais a qualidade das relações é mais importante que a quantidade.

    Mas então como os fakes, que em geral são perfis fracos e inócuos fazem para atingir seus objetivos ? Eles contaminam os perfis fortes trolando-os, vamos tentar entender como isto funciona.

    Cada um de nos temos em termos de informação um “Twitter” diferente, a única forma de possuirmos a mesma timeline seria seguirmos exatamente as mesmas pessoas, mas isto não existe. Cada um de nos segue diversas pessoas e muitos seguem as mesmas pessoas, são estes que conectam os diferentes “clusters” no caso o meu e o seu. Da mesma forma as demais pessoas de sua timeline seguem pessoas em comum e pessoas diferentes e isto é que é sensacional, pois permite o transito de informações entre diferentes clusters. Quando uma mesma informação é comum em diversos clusters ela em geral tem relevância suficiente para se tornar um trending topic, e quando ela é repetida freneticamente também consegue aumentar a chance de ser vista. No Twitter que é baseado em uma timeline, mesmo sendo assincrono, uma mensagem tuitada há uma hora por alguém que você segue provavelmente não será mais vista por você, a não ser que ele o cite na mensagem ou que ela seja repetida pelo mesmo emitente ou retuitada por outro que você siga. Um tema muito retuitado por muitas pessoas vira um “meme” e transcende os clusters a ponto de invadir diversos outros, atingindo um público incomensurável. No Brasil a mídia tem se pautada muito pelo Twitter, em geral as redações de diversos veículos ficam monitorando os trending tópics e vão atrás da história para fazer a matéria, neste ponto o meme já transcendeu a comunicação em rede, e foi arrebatado pelo mainstream.

    O troll profissional que em geral possui um perfil fraco conhece esta dinâmica e provoca de forma agressiva, em geral com ofensas e crimes verbais diversos formadores de opinião que indignam-se e dão inicio ao meme esperado por ele. Transforma-lo em um meme, seja lá por que razão ou meio, é em linhas gerais o objetivo do troll, e denuncia-lo silenciosamente e comunicar aos seus peers de forma discreta é a melhor estratégia, um troll que não contamina, não se cria. Não alimente os trolls…

    UPDATE:

    1. Aparentemente não ficou claro no texto, então é importante ressaltar que nem todo troll é fake, e nem todo fake é um troll.
    2. Na figura que representa os perfis fracos e fortes, apesar de ser uma estrutura visivelmente vertical, esta relação se da de forma horizontal, a perfeita representação gráfica ser daria de forma radial, só não a fiz assim por falta de tempo e habilidade técnica.

    Postado originalmente no Trezentos e no Entropia.

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  • O Minc que queremos

    Ronaldo Lemos compartilhou o link de uma sensacional ferramenta, que prima pela simplicidade, facilidade de uso e poder, trata-se do All Our Ideias, um projeto patrocinado por bolsas do Google e do CITP da Universidade de Princeton. Com este projeto é possível criar enquetes comparativas e de forma colaborativa, e assim foi criada uma sobre as políticas públicas desejadas para o Minc. Neste projeto as pessoas podem colaborar com novos itens, de forma simples, só esperamos que a turma do ECAD & Cia não faça com ela o que fizeram com a consulta da Reforma da LDA, ou seja, que publiquem contribuições de forma intensiva e obviamente fraudulenta.

    Fiz um instantâneo dos resultados em 03/04/11 às 11:47, que já contava com 458 votos e 27 idéias, e observe que a maioria quer mesmo é que o Minc dê continuidade às políticas públicas desenvolvidas na última gestão, e a última coisa que desejam é a cabeça da Ministra.

    Este post responde à chamada de convocação para blogagem coletiva convocada pelo Mega Sim

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  • Guerra ao crime na sociedade do espetáculo

    Eu como todo Carioca sou vitima do crime, somos todos prisioneiros numa das mais lindas cidades do Mundo e paradoxalmente uma das mais violentas. Esta violência tem altos e baixos, e por muito anos ela ficou restrita às áreas mais pobres da cidade, mas as áreas pobres não ficaram restritas à periferia da cidade, hoje o Rio de Janeiro tem mais de 1000 favelas, e basicamente não se anda por mais de vinte minutos na cidade sem avistar uma, a não ser que você vá de metrô, ou esteja atravessando a ponte Rio Niterói.

    Seguindo esta linha de raciocínio é fácil culpar as favelas por tudo isto, o inferno sempre são os outros já dizia Sartre, Maquiavel no seu estudo “O Principe” também ressalta que é sempre bom termos a mão alguem para colocar a culpa, e desviar a atenção de nos mesmos.  Na linha de Sartre pensa a sociedade hermética, aquela que vive no mundo fantástico da “umbigolândia”, a mesma que no caso recente da guerra ao crime no complexo do Alemão torceu por uma chacina, para muitos seria mais fácil bombardear logo a favela do que perder tempo tentando prender bandido.

    Este raciocínio imediatista e raso esta repleto de emoção ou de ignorância, existe dentro de nós uma forte tendência ao revanchismo e à prática da Lei de Talião do Código de Hamurabi: Olho por olho, dente por dente. A emoção subjuga a razão, e uma verdadeira caça às bruxas ganha corpo. Com picos de racionalidade muitos começam a desconstruir o mecanismo da violência e vão encontrando “culpados” por todos os lados, como se neste caso houvesse apenas um culpado. Depois de atacarem os traficantes varejistas e os pobres começam a atacar os consumidores das drogas, estão percorrendo o caminho da descontrução da violência.

    Pobre sociedade hermética, perdida dentro de seu limitado espaço ideológico aguardando o parecer do próximo comentarista e especialista na TV para fazer um “upgrade” na sua subjetividade e então repetirem os mantras da irracionalidade. Seria cretino de minha parte não reconhecer que a sociedade hermética esta dentro do seu processo cognitivo, mas que este está severamente contaminado com preconceitos, egoísmo e muita, mas muita ignorância.

    Esta é a sociedade que representa o público médio das TVs, uma média entre a completa estupidez e nivel médio escolar, nada além disto, um grupo social que não conseguem imaginar sistemas mais complexos do que o maniqueismo, a luta do bem contra o mau, do pobre contra o rico, dentro de uma diversidade que não supera um par. É a sociedade do espetáculo, de que a vida é um consumo, um espetáculo, a sociedade dos zoológicos humanos nas TVs, da espetacularização da desgraça alheia, da criminalização da pobreza e dos movimentos sociais.

    É uma sociedade vazia e que no seu espaço ideológico clama por maniqueismo, aqueles que amam ver a luta do bem contra o mau, e acreditam que o bem é bem porque é bem e o mau porque é mau, desconhecem a complexidade dos fatores que construíram estes atores na sociedade.

    É uma sociedade dita civilizada, trabalham, consomem, trabalham, consomem, num ciclo interminável e cada vez mais insano. Não perdem tempo com a aquisição de novos conhecimentos fora do seu escopo profissional e muito menos com relações pessoais fora de seu ciclo de networking. Trabalham não esta vendo? Estão construindo o País! Estão girando a roda da economia como hamsters na gaiola, estão cada vez mais egoístas, o consumo os torna assim, nada que não estiver dentro do seu espaço sócio ideológico tem importância, principalmente aqueles chatos e teóricos fracassados que pregam um novo paradigma ideológico. Idolatram grandes empreendedores e ignoram grandes pensadores, sonham com um futuro farto, onde poderão adquirir todos os seus mimos, e pouca importância dão a construção do seu eu, afinal o importante é ter, ou melhor parecer, ser é apenas um detalhe sem valor.

    Em linhas gerais nossa sociedade esta em um acelerado processo de imbecilização, quanto menos pensarem e mais consumirem e se consumirem, melhor para os grandes empreendedores que sabem que estes imbecis nunca chegarão além do fantasioso mundo do ter, mesmo sonhando em ganhar na loteria e por epifania atingir a tão almejada posição, quem sabe não participar do próximo reality show? São escravos dentro do próprio sistema que ajudam a construir e correm atrás de um futuro artificial e egoista como o jumento corre atrás da cenoura presa à sua cabeça.

    Não é surpreendente agora entender porque queriam ver um espetáculo na TV, o Tropa de Elite 3 como muitos falaram. Lutas armadas com grandes baixas nos caras maus, mesmo que alguns inocentes fossem mortos, afinal eram pobres e não fariam muita falta à roda da economia, assim devem pensar eles… Sorte que emergiu a Voz da Comunidade, mostrando à esta gente que na favela tem gente de valor, chegaram como uma semente de esperança e foram logo acolhidos pela grande mídia, se tornaram parte do espetáculo, uma parte boa, que trouxe um sopro de esperança.

    Membros da sociedade hermética são incapazes de entender uma diversidade maior do que dois e jamais entenderiam a complexa ação que deve ser desenrolada para realmente resolver o problema do crime organizado, uma ação com diversas forças em diversas camadas que devem ser coordenadas para um sucesso provável. Não são apenas as forças que relacionam fornecedores e consumidores, mas também as que facilitam ambos, as que constroem os atores do bem e do mau, os beneficiados em todos os níveis, é um trabalho intenso, mas que não dará muito espetáculo, e principalmente porque poderá mexer no “establishment” de poderes e poderosos que poderão sair prejudicados. Por estas e por outras, optam pelo espetáculo, pela imbecilização da sociedade, para que esta não venham clamar por uma solução efetiva para o crime organizado, que vá além da militarização das favelas pelas chamadas UPPs.

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  • Tirem os olhos da Internet!

    Há mais de três anos estamos fazendo um intenso ativismo contra o AI5Digital, ou PL 84/99 e também conhecido por projeto de Cibecrimes. A sociedade organizada gritou, protestou e disse um Mega Não ao AI5Digital, e até mesmo o Presidente Lula chamou o projeto de censura,  e ele ficou paralisado na Câmara dos Deputados desde março do ano passado. Conseguimos vencer mais uma batalha, mas sabíamos que ainda não havíamos vencido a guerra, até porque não é só o AI5digital que é nocivo à Internet, existem dezenas de outros projetos com esta mesma ótica vigilantista e controladora tramitando no Senado e na Câmara. Inclusive um da CPI da Pedofilia que é um rival em monstruosidade e ineficiência ao AI5Digital, e por isto longe de ajudar no combate da monstruosidade que é a Pedofilia.

    No lançamento do Marco Civil perguntei ao Deputado Julio Semeghini (PSDB) qual seria o futuro do PL84/99 e ele falou que se retirassem os artigos críticos, pouca coisa sobraria para ser votada, e completou dizendo que ele e outros projetos ligados à Internet só seriam apreciados após a tramitação do Marco Civil. Entretanto o Marco Civil ainda nem entrou em tramitação e o “ilustre” Deputado Pinto Itamaraty (PSDB) deu parecer favorável colocando o AI5digital em tramitação depois de quase um ano e meio paralisado. Não me surpreendi quando seis dias depois uma matéria publicada no site da Câmara dos Deputados dizia que Deputados buscarão acordo para votar lei de crimes na Internet. Na minha opinião o único acordo plausivel é enterrar de vez o AI5Digital.

    O problema não para ai, a motivação da blogagem coletiva foi a de retornar a militância contra o AI5Digital que já esta claro que será usado como moeda de troca para a votação do Marco Civil, e este tem de ser aprovado tal qual foi consolidado no final da consulta pública, para isto um grupo de ativistas criou o Twitter Vigias do Marco, que tem por objetivo fiscalizar a tramitação do Marco Civil. Mas tem cenário pior, depois das eleições uns Deputados continuarão, outros não, e nada mais perigoso para o processo democrático do que um Deputado desiludido com os seus eleitores, e neste clima ainda tem um risco do Ai5Digital entrar em pauta, não gosto nem de pensar…

    Já conhecemos o tripé do atraso, que é o responsável pelo atravancamento no progresso do país, a começar pela Internet. Os grande grupos de intermediação e controle como o PIG, os Bancos, a Mafia Autoral, e outros não querem de jeito nenhum uma Internet livre estão se esforçando ao máximo para que a sociedade repita os seus mantras da irracionalidade e através da técnica do FUD (Fear, Uncertainty and Doubt) querem nos fazer crer que o preço da segurança é a intensa vigilância. Trata-se de um enorme cinismo, primeiro porque não existe tamanha insegurança na rede, os números relativos dos cibercrimes são insignificantes, assim como a Pedofilia na Internet praticamente não existe, o que existe é um grande mito criado. A cultura da vigilância é falha em todos os aspectos, primeiro por não sabermos quem esta nos vigiando, e nem o que se passa na cabeça destas pessoas. Crime se resolve com prevenção e não com vigilância e punição. A politica da bisbilhotice não para por ai, querem implantar RFID nos carros e até mesmo nas nossas identidades com o RIC. A tecnologia é ambigua, ao mesmo tempo que serve para a liberdade serve para a vigilancia, temos de gritar sempre e repetir o novo mantra: O preço da liberdade é nenhuma vigilância!!!

    http://entropia.blog.br/2010/08/31/tirem-os-olhos-da-internet/

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  • Reunamos, a internet a favor dos portadores de necessidades especiais

    Quem não lembra do Jorge Carcavallo Picho, o diretor dos projetos de realidade virtual e inteligência artificial como Webbie Tookay, a primeira modelo virtual do mundo (julho 1999) e Sete Zoom, a ferramenta de inteligência artificial criada em 2001 por Ogilvy para Unilever Brasil. Jorge fechou a Davinci New Media e voltou para Buenos Aires, e surge agora com um fantástico mega projeto que será realizado simultaneamente em 195 países, para facilitar a vida de portadores de necessidades especiais, trata-se do projeto Reunamos.

    REUNAMOS é um empreendimento sustentável de comunicação inovadora e interação com fim social. Resultado de uma pesquisa de mais de 6 anos. Tem por objetivo transformar significativamente a dramática e injustificável situação em que se encontram todas as pessoas com discapacidade (portadoras de necessidades especiais), através de inovadoras ferramentas de comunicação e informação desenvolvidas de forma coletiva, utilizando a vanguarda em conceitos e tecnologias. As propostas de interação buscam integrar plenamente toda a comunidade relacionada com a discapacidade.

    REUNAMOS tem por objetivo, por exemplo, que a pessoa que enfrenta uma discapacidade em si mesma ou em alguém próximo, ao colocar somente alguns dados pessoais e o diagnóstico, tenha IMEDIATAMENTE TODAS as informações atualizadas que necessita sobre assistências tecnológicas, temas legais, saúde, trabalho, educação, arquitetura, organizações sociais e voluntários, entretenimento, etc a nível local, nacional e internacional.

    Um inovador serviço centrado no usuário e não na informação, onde a pessoa recebe todo o conhecimento disponível e não tem que, em meio ao choque, pesquisar dentre informações dispersas, e muitas vezes em diversos idiomas.

    “Parece incrível que em 2010, em pleno século 21 e terceiro milênio, todos os días milhões de mães dediquem muitíssimas horas em peregrinações físicas e virtuais buscando alguma informação que as ajude a que seus filhos superem os sofrimentos de suas discapacidades. Assim como eu fiz, muitas chegam a se passar por estudantes de medicina para frequentar bibliotecas especializadas e até conferências internacionais.” Afirma Cris Posada uma das Parceiras Fundadoras de REUNAMOS.

    O projeto, que utiliza o conceito Rumo ao TriCentenário, está sendo desenvolvido no marco dos Bicentenários da Argentina (2010-2016) e de outros países das Américas; o Decênio das Américas pelos Direitos e Dignidade das Pessoas com Discapacidade (2006-2016) e a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Discapacidade das Nações Unidas, entre outros.

    Em plena Era da Informação e do Conhecimento, a falta ou dificuldade de acesso ao Conhecimento e aos recursos disponíveis para superar e/ou minimizar suas discapacidades e continuar suas vidas é uma das principais causas porque mais de 80% dos seres humanos com discapacidades ainda CAEM por debaixo da linha da pobreza e indigência.

    “Quantos Stephen Hawking a Humanidade está perdendo? As tecnologias solidárias e as assistências tecnológicas serão as grandes contribuições para o bem da Humanidade no Século 21 e no Terceiro Milênio.” Disse o reconhecido especialista Rafael Kohanoff.

    O sistema e base de dados serão oferecidos como Patrimônio Mundial da Humanidade, uma vez que serão desenvolvidos por especialistas de 195 países e terão os dados atuais e da evolução de mais de 650.000.000 de seres humanos.

    “…Temos os conhecimentos, existem os recursos, só precisamos de determinação e persistência…” comenta Jorge Carcavallo Picho, diretor do projeto – especialista em comunicação inovadora com mais de 30 anos de experiência.

    Entre 1990-1995 ajudou a criar e desenvolver os mercados HOME-SOHO no Brasil, um dos pilares da internet atual. Até 2001 dirigiu projetos interativos que foram relatados em mais de 700 reportagens em 30 países, incluindo a revista Wired e a The Tech del MIT. Está voltando ao mercado TICs depois de uma investigação de 9 anos no setor social para analisar os principais desafios e potenciais soluções. É membro e fundador de diversas redes de organizações locais, nacionais e internacionais que trabalham em temas relacionados a novas formas de comunicação, meio-ambiente, desenvolvimento sustentável, discapacidade e educação para a cultura de paz.

    A tecnologia atual e a que está sendo desenvolvida podem e devem ser usadas prioritariamente para os mais necessitados.
    Estima-se que 2 por cento da população mundial sofre de alguma discapacidade devido a lesões produzidas por algum acidente. Só na Argentina, cerca de 15.000 pessoas por ano ficam com alguma discapacidade permanente, como conseqüência de acidentes de trânsito.

    650.000.000 de seres humanos no mundo tem alguma discapacidade, de acordo com dados das Nações Unidas; 80.000.000 deles vivem nas Américas, segundo dados das OEA; Mais de 2.000.000 na Argentina tem alguma discapacidade, habitando 1 entre cada 5 lares.

    Isto seriam só estatísticas mundiais, continentais e locais, se não fosse o fato de que mais de 80% de todos eles ainda CAEM por debaixo da linha da pobreza e da indigência. Este sofrimento evitável chega a afetar mais de metade da humanidade, uma vez que dificuldades superáveis alcançam suas famílias, inclusive obrigando-as a mudar de cidade ou país.

    Se 1 de cada 10 no mundo tem alguma discapacidade, 9 de cada 10 somos afetados e responsáveis porque eles são nossos familiares, amigos, vizinhos, companheiros de estudos e trabalho. É com este grupo de pessoas que REUNAMOS trabalhará para otimizar ao máximo a qualidade de vida das pessoas com discapacidade.

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  • A espetacularização do combate à pirataria

    Confesso que estava torcendo para que o processo movido contra o The Pirate Bay fosse um tiro na água, a industria de intermediação cultural precisava encontrar um freio, mas infelizmente a justiça Sueca considerou os donos do site culpados. Na verdade, conforme Ronaldo Lemos, a decisão aumenta o escopo dos direitos autorais e assim começa a passar por cima de direitos individuais, como a privacidade.

    Assim como no caso do Napster, os resultados são muito mais negativos para a Industria de intermediação cultural do que os benefícios diretos de uma ação como esta, mesmo que os valores extorsivos e utópicos cobrados nestas ações fossem exequiveis, ainda sim, a balança penderia contra ela. Na verdade a intenção dos representantes da industria de intermediação cultural não é ressarcir-se do pseudo e majorado prejuizo, e sim a prática secular da execução em praça pública:

    Execução em praça pública

    Execução em praça pública

    O objetivo de FOUCAULT, em Vigiar e Punir[bb], é descrever a história do poder de punir como história da prisão, cuja instituição muda o estilo penal, do suplício do corpo da época medieval para a utilização do tempo no arquipélago carcerário do capitalismo moderno. Assim, demonstrando a natureza política do poder de punir, o suplício do corpo do estilo medieval(roda, fogueira etc.) é um ritual público de dominação pelo terror: o objeto da pena criminal é o corpo do condenado, mas o objetivo da pena criminal é a massa do povo, convocado para testemunhar a vitória do soberano sobre o criminoso, o rebelde que ousou desafiar o poder. O processo medieval é inquisitorial e secreto: uma sucessão de interrogatórios dirigidos para a confissão, sob juramento ou sob tortura, em completa ignorância da acusação e das provas; mas a execução penal é pública, porque o sofrimento do condenado, mensurado para reproduzir a atrocidade do crime, é um ritual político de controle social pelo medo.
    Juarez Cirino dos Santos (PDF)

    É uma prática repressiva comumente utilizada pela Indústria de intermediação cultural, os “alvos” são criteriosamente escolhidos levando-se em conta o impacto e o potencial de marketing, dentro  desta estratégia a escolha do The Pirate Bay foi perfeita.

    Entretanto esta prática tem surtido cada dia menos efeito, questões como ética e honestidade vem sendo colocadas em xeque por quem deveria dar o exemplo, e como já previa o Manifesto Cluetrain, as pessoas juntas estão ficando mais sabidas que as corporações, e consequentemente menos sujeitas às suas manipulações. As corporações já parecem saber disto, mas como os duendes de Quem mexeu no meu queijo[bb], tentam sobreviver no seu super ultra lucrativo modelo de negócios, que há muito faz água, na esperança de que um dia tudo voltará a ser como antes, nem que eles tenham de dar uma “ajudazinha”.

    Curioso mesmo é o tamanho do poder que a Indústria de intermediação cultural possui, poder este que pretende ser ampliado pelo secretissimo ACTA. Mesmo levando-se em conta que quanto maior o mito midiático, maior a subserviência da sociedade e consequentemente maior o poder em combate-lo, ainda assim acho o poder da Industria de intermediação cultural desproporcional.

    Na verdade existe um tremendo discurso hipócrita que começa no conceito de direito autoral, enquanto a manipulada sociedade acredita que o pobre músico passará fome se suas músicas forem pirateadas na Internet, o que ocorre é que há muito o pobre músico cedera seus direitos à gravadora. E dependendo do quanto “leonino” é este contrato, o músico deixa de ter qualquer autoridade sobre a sua obra intelectual. Pergunto ai quem é o maior vilão da história?

    Na verdade a Industria de Intermediação cultural quer, além dos lucros imorais, é evitar que a sociedade se dê conta de que ela se tornara obsoleta, ou pior, quer na verdade eliminar o seu principal concorrente: Nós mesmos.

    Publiquei este artigo também no Xô Censura e no Trezentos

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  • Manifesto da cultura livre

    Tomei a liberdade de fazer uma tradução à “toque de caixa” do Manifesto da Cultura Livre, publicado originalmente pelo coletivo Free Culture, como segue:

    A missão do movimento da Cultura Livre é construir uma estrutura participativa para a sociedade e para a cultura, de baixo para cima, ao contrário da estrutura proprietária, fechada, de cima para baixo. Através da forma democratica da tecnologia digital e da internet, podemos disponibilizar ferramentaas para criação, distribuição, comunicação e colaboração, ensinando e aprendendo através da mão da pessoa comum – e através da verdadeiramente ativa , informada e conectada cidadania: injustiça e opressão serão lentamente eliminadas do planeta.

    Nos acreditamos que a Cultura deve ser uma construção participativa de duas mãos, e não meramente  de consumo. Não nos contentaremos em sentar passivamente na frente de um tubo de imagem de midia de mão única. Com a Internet e outros avanços, a tecnologia existe para a criação de novos paradigmas, um deles é que qualquer um pode ser um artista, e qualquer um pode ser bem sucedido baseado em seus méritos e não nas conexões da industria.

    Nos negamos a aceitar o futuro do feudalismo digital, onde nos não somos donos dos produtos que compramos, mas nos são meramente garantidos uso limitado enquanto nos pagamos pelo seu uso. Nos devemos parar e inverter a recente e radical expansão dos direitos da propriedade intelectual que ameaçam chegar a um ponto onde se sobreporão a todos os outros direitos do indivíduo e da sociedade.

    A liberdade de construir sobre o passado é necessária para a prosperidade da criatividade e da inovação. Nós iremos usar e promover o nosso patrimônio cultural, no domínio público. Faremos, compartilharemos, adaptaremos e promoveremos conteúdo aberto. Iremos ouvir a música livre, apreciar a arte livre, assistir filmes livres, e ler livros livres. Todo o tempo, iremos contribuir, discutir, comentar, criticar, melhorar, improvisar, remixar, modificar, e acrescentar ainda mais ingredientes para a “sopa” da cultura livre.

    Ajudaremos todo mundo à entender o valor da nossa abundância cultural, promovendo o software livre a o modelo open source. Vamos resistir à legislação repressiva que ameaça as liberdades civis e impede a inovação. Iremos nos opor aos dispositivos de monitoramento à nivel de hardware que impedirão que os usuários tenham controle de suas próprias máquinas e seus próprios dados.

    Não permitiremos que a indústria de conteúdo se agarre à seus obsoletos modelos de distribuição através de uma legislação ruim. Nós seremos participantes ativos em uma cultura livre de conectividade e produção, que se tornou possível como nunca antes pela Internet e tecnologias digitais, e iremos lutar para evitar que este novo potencial seja destruído por empresas e controle legislativo. Se permitirmos que a estrutura participativa, e de baixo para cima, da Internet seja trocada por um serviço de TV a cabo – Se deixarmos que paradigma estabelecido para criação e distribuição se reafirme – Então a janela de oportunidade aberta pela Internet terá sido fechada, e  teremos perdido algo bonito, revolucionário e irrecuperável.

    O futuro esta em nossas mãos, devemos construir um movimento tecnológico e cultural para defender o comum digital.

    Leia, divulgue, replique, traduza, republique mas não fique ai parado!

    Publicado também no Xô Censura e Trezentos

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  • A revolução não esta sendo televisionada

    Nunca antes na historia deste pais, a sociedade se organizou, mobilizou e pressionou as entidades públicas em prol de seus direitos de forma tão efetiva e pacifica como estamos fazendo agora no ciberativismo contra o PL 84/99, o AI5 digital.

    Não podemos deixar esta constatação passar em branco, não se trata de um fato corriqueiro, mas sim de uma verdadeira revolução, uma revolução que não esta sendo televisionada, uma revolução que não tem mais volta, uma revolução plenamente democrática, o real exercício da cidadânia.

    Contrariando todos os criticos, a Internet não nos transformou em alienados, muito pelo contrário nos libertamos das forças alienantes das mídias mono emitidas. Os “alienados” foram os primeiros a enxergar os malefícios do PL 84/99, os “alienados” foram os primeiros a divulgarem estes malificios. Chamar a sociedade conectada de alienada é ignorância ou cretinismo, sabe-se muito bem que a Internet com a sua riqueza e diversidade é um eco-sistema de pessoas, um eco-sistema social, onde a comunicação é apenas uma parte do contexto.

    A informação das mídias de massa é extremamente volátil, é preciso um caro processo de repetição para que uma mensagem “média” para um “cidadão médio” ganhe dimensão.  A midia de massa, em especial o radio e a televisão, possuem uma representativa capilaridade no Brasil, de forma que a mensagem volatil chega rapidamente à uma parcela significativa da população, e pronto! Vai ser bom não foi? O povo tem memória curta, não é verdade?

    A Internet por outro lado possui características diferentes, sua capilaridade vem aumentando consideravelmente, mesmo com todo esforco despendido por autoridades e legisladores para inviabilizarem os centros involuntários de inclusão digital, as Lan Houses, ela continua crescendo. Computador e acesso estão ficando cada dia mais baratos. Por outro lado, na Internet a informação não é volátil, muito pelo contrário, ela é praticamente permanente, o que a transforma no habitat perfeito para o conhecimento. Estas características são os alicerces do sólido conhecimento colaborativo, construido por todos para todos, numa metáfora natural para o que chamamos de democracia: O poder emana do povo para o bem do povo.

    Dentro deste cenário, construiu-se um ativismo diferente, um ativismo eficiente, o ativismo da cibercultura, da nossa cultura, o ciberativismo. Podemos citar diversos movimentos ciberativistas, mas vamos nos ater ao movimento contra o AI5 digital, que não se sabe exatamente quando ele iniciou, eu ao menos entrei nele em 2006, você pode estar entrando agora, isto não faz a menor diferença. O movimento ciberativista contra o AI5 digital é o mais espetacular de todos os movimentos democráticos, é o exercício pleno da democracia, não existe distinção de raça, orientação sexual, posicionamento político, ideologia, credo, e nem mesmo as limitações físicas impostas aos portadores de deficiência são barreiras para que exercamos nossa cidadânia, estamos todos juntos trabalhando para um bem comum!

    Estamos pensando e agindo coletivamente, estamos nos “alfabetizando politicamente”, estamos reconhecendo nossos direitos, aprendendo a valorizar o próximo e, estamos aprendendo, como diz Dalai Lama que: uma enorme jornada começa com um pequeno passo. Podemos não perceber isto agora, mas nunca mais seremos os mesmos, estamos reconstruindo a história da democracia no Brasil, somos os agentes de mudança, dificilmente seremos enganados novamente, somos os revolucionários digitais, estamos fazendo a revolução mediada por computador, a revolução da era da participação. Alias por falar em participação, pouco importa o quanto ou como você participa, todos são igualmente importantes, seja aquele que divulga as informações, evangeliza novos ciberativistas, promove mobilizações, escreve a respeito, ou até mesmo aquele que participa dos atos, é um trabalho coletivo.  A assinatura na petição, um post, uma twittada, uma mensagem no Orkut, tudo é importante, pois quando muitos fazem isto estamos disseminando a informação e estamos construindo uma atmosfera positiva para os parlamentares que estão do nosso lado defenderem nossos intereses na Câmara, para que o Ministro da Justiça se posicione de nosso lado, para que personalidades se posicionem de nosso lado, é importante que você olhe no espelho, bata no peito e diga orgulhosamente: Eu sou um ciberativista, estou reescrevendo a história da democracia no Brasil!!!

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