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Posted by João Baptista Pimentel Neto in Cineclubismo on 27 de janeiro de 2012
Entrevista ao Diário do Nordeste
João Baptista Pimentel Neto: A atividade cineclubista permeia a sociedade como um todo e alcança todas as camadas sociais´
2 de novembro de 2008
O que caracteriza um cineclube? Quais os tipos e a finalidade de um cineclube?
O cineclube é uma atividade e ação coletiva voltada, essencialmente, para a questão da exibição cinematográfica, ou, de maneira mais geral, audiovisual. O principal objetivo do movimento cineclubista, principalmente no Brasil, é promover a democratização do acesso da população à produção nacional. Em relação aos tipos de cineclube, uma coisa muito bacana do movimento é a sua diversidade. Hoje você tem desde cineclubes universitários, dentro da academia, nos quais a discussão, geralmente, é mais voltada para questões estéticas, de linguagem e da própria produção audiovisual, até cineclubes na periferia, favela, associações de moradores. O cineclube está presente em todo o tecido social. Eu costumo dizer que a atividade cineclubista permeia a sociedade como um todo, alcança todas as camadas sociais e, logicamente, em cada contexto social, se dá de forma e com um objetivo diferente.
Aproveitando a data comemorativa dos 80 anos de cineclubismo, o que ela representa para o movimento? Qual a conjuntura atual dos cineclubes?
Essa questão de data é uma muito cruel. As primeiras notícias que temos de cineclube no Brasil são anteriores a essa data. Mas resolveu-se que a data-chave para o movimento seria o nascimento do Chaplin Clube, em 1928, no Rio de Janeiro, quando um grupo de intelectuais se reunia para montar uma sessão de cinema mais voltada para a discussão da estética, da linguagem e da nascente indústria cinematográfica. De lá para cá, nesses 80 anos, o movimento cineclubista teve várias fases: estética, politizada, desarticulada. No começo dos anos 2000, com o Governo Lula, um companheiro cineclubista, Leopoldo Nunes, que hoje está na TV Brasil, vai para a Secretaria do Audiovisual. Diante do gargalo que ele encontra no cinema brasileiro, com o desmonte promovido pelo Governo Collor, por exemplo, ele resolve fazer alguma coisa em relação à distribuição e à exibição. A produção do cinema nacional volta com a Retomada, em meados da década de 1990, mas a ocupação das salas continua, predominantemente, sendo feita pelas “majors” e pelos filmes americanos. Leopoldo propõe a um grupo de antigos cineclubistas a reorganização do movimento. O cineclubismo volta nos anos 2000 com uma missão. Primeiro, democratizar o acesso, já que os números são pavorosos. Um dos nossos objetivos é fazer com que a produção do cinema brasileiro, basicamente paga pelo Estado e subsidiada com dinheiro público, chegue ao público. A idéia é promover cineclubes em todos os locais possíveis e imagináveis. Existe uma idéia, inclusive, de criar um grande circuito de pequenas salas digitais, com custo de manutenção bem menor. Junto com tudo isso, não podemos esquecer que a atividade audiovisual é uma questão de soberania nacional. É através dela que mantemos nossa identidade e garantimos a diversidade cultural.
Qual o papel do CNC no movimento cineclubista? E as políticas públicas atuais relacionadas ao cineclubismo?
Um dos papéis do Conselho, além de articular todos os cineclubes em uma rede para trocar idéias e montar circuitos, é lutar por políticas públicas de fomento e fortalecimento da atividade. Nesse sentido, nos dois primeiros anos de reorganização do Conselho, que começou em 2003 e teve o auge em 2005, nós focamos muito na questão da regulamentação. E conseguimos uma instrução normativa da Ancine (número 63) que define claramente o que é cineclube. Ao mesmo tempo, essa instrução normativa tem uma série de exigências de institucionalização, que sabemos que não é a realidade do movimento cineclubista. Existem tanto cineclubes profundamente organizados, com estatuto, CNPJ, como aqueles de periferia, no qual as pessoas envolvidas nem sabem o que é efetivamente um cineclube. O papel do CNC é servir, de certa forma, de guarda-chuva e pára-raios para que essas atividades, principalmente as mais iniciantes e mais frágeis, possam florescer e se desenvolver. Fora isso, temos lutado muito, junto a governos municipais, estaduais e ao Governo Federal, para que se criem programas de fomento específico. O que vem a ser isso? Basicamente que o Estado ofereça equipamentos digitais para que se montem salas para o uso desses grupos, além da questão de formação mesmo, de você pegar essa garotada e fazer oficinas. Um terceiro ponto é a garantia de conteúdo legal, ou seja, que os detentores da licença de exibição liberem seus produtos audiovisuais para os cineclubes. Nesse sentido, já conseguimos do Governo Federal a criação da Programadora Brasil. Em relação à formação, conseguimos a criação do Circuito Brasil, uma ação da Programadora Brasil, em convênio com o CNC, que faz oficinas de formação cineclubista em todas as regiões do País.
Quais são as maiores dificuldades efetivas de se montar um cineclube?
A maior dificuldade que existe hoje, teoricamente, seria de conteúdo para exibição, por conta dessa história que é proibido exibir sem autorização dos detentores dos direitos autorais. Nós temos participado muito do Fórum Nacional de Direitos Autorais e temos visto que todos os setores envolvidos nessa discussão são muito sensíveis aos pleitos dos cineclubes, já que nosso trabalho, queira ou não, é de formação de platéia. Mais do que isso, é de organização de platéia. Temos visto, principalmente dos produtores, realizadores e cineastas brasileiros, uma vontade imensa de liberar os filmes para serem exibidos. Fora isso, eu costumo dizer que fazer cineclube hoje, perto do que era nas décadas de 1970 e 1980, é uma maravilha e uma delícia. Os equipamentos digitais são leves, portáteis e o custo deles é barato. O difícil é convencer alguns grupos de que fazer cineclube não é só passar filme. É mais do que isso, é organizar o público para fazer valer seus direitos. O movimento cineclubista é a base dessa luta, já que, dentro da cadeia produtiva do cinema, nós representamos o público.
Além de exibir filmes, o cineclube funciona como um elemento de formação cultural e política e, para muitos, possui um caráter alternativo. Como se dá isso?
Todo mundo costuma dizer que cineclube é bacana porque forma platéia. É óbvio que forma platéia. Se você habitua a pessoa a ir ao cinema, você está formando futuros consumidores para produtos audiovisuais. Mais do que formar platéia, o movimento cineclubista tem por objetivo organizar essa platéia para exercer seus direitos culturais e exigir do poder público o acesso que lhe é devido aos meios culturais enquanto cidadão. É mostrar que o Estado deve garantir o acesso à cultura. Aí entra o caráter educativo do cineclube. Criar salas de cinema na periferia, colocar na grade curricular disciplinas de audiovisual e abrir a discussão para as possíveis soluções de um mesmo problema. Em cada lugar, essa solução é diversa, em virtude do contexto social onde o problema é encontrado. Em relação a um caráter alternativo, o que nos interessa é a discussão de um novo modelo de distribuição e exibição que inclua os 92% do público brasileiro que não freqüentam o cinema, inclusive dando outras opções aos 8% que têm esse hábito. Ou seja, um modelo alternativo de exibição que seja auto-sustentável, passando a diminuir o preço do ingresso e aumentando o número de espectadores. Estamos preocupados em discutir o modelo vigente falido e criar um outro, alternativo, que discuta o papel das televisões educativas, da internet etc. O movimento cineclubista está pensando em uma alternativa para uma distribuição e exibição que respeite o direito do público de ter acesso à produção audiovisual, em especial a brasileira e as de curta e média-metragem, que não têm escoamento no circuito e ninguém vê.
Quem são as pessoas envolvidas nos cineclubes?
É um universo muito diverso. Tem muito estudante, óbvio. Mas tem também dezenas de atividades de cineclube relacionadas à terceira idade, formada por aquele pessoal que freqüentava as salas de cinema no passado e que, agora, está retomando o gosto e organizando cineclubes. Existe clube de mãe, sindicalistas, muitos curtas-metragistas, documentaristas. E gente que apenas gosta de cinema e se reúne para discutir e debater a arte. Gente de todas as idades. Muitos dos grandes cineastas brasileiros nasceram em cineclubes. Enfim, todo mundo que gosta de cinema e entende que o audiovisual é uma coisa importante tem um pé no cineclubismo.
Ainda existe espaço, hoje em dia, para um conceito romântico da atividade cineclubista?
Atualmente, a atividade cineclubista é romântica e cibernética. As novas tecnologias facilitaram o acesso. Esse é o barato: pegar esse acesso facilitado e transformá-lo em uma energia que seja romântica o suficiente para lembrar que, apesar de o acesso estar facilitado, a luta não está ganha. Existe muito ainda para ser lutado ainda.
FÁBIO FREIRE
Repórter
Foto: JOSÉ LEOMAR
Fonte url: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=586089
o mercado de cinema, lá e cá
Posted by João Baptista Pimentel Neto in artigos on 6 de janeiro de 2012
“Cena de “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2″: os filmes de série dominaram mais uma vez os cinemasspandiv Hollywood teve uma boa e uma má notícia nos balanços mercadológicos da virada do ano. Os estúdios americanos atingiram em 2011 um novo recorde de arrecadação – no mercado internacional. Nas salas dos Estados Unidos, contudo, o tombo foi feio. As produções americanas arrecadaram US$ 13,6 bilhões pelo mundo afora no ano recém-encerrado, um avanço de cerca de 7% em comparação a 2010.
por Amir Labaki
06/01/2012 |Valor Online
Os campeões mundiais foram “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2″, “Transformers, o Lado Oculto da Lua”, “Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas”, “Kung Fu Panda 2″ e “A Saga Crepúsculo – Amanhecer: Parte 1″. Sim, os filmes de séries dominaram mais uma vez os cinemas. Já o desempenho no mercado americano conheceu uma queda de cerca de 3,5% em faturamento, com um total de US$ 10,2 bilhões. Em número de ingressos, o tropeço foi ainda maior, com uma redução de cerca de 5,3%, num total de 1,28 bilhão de entradas vendidas, o resultado mais negativo desde 1995. Sim, confirma-se a tendência: o cinema americano faturou mais fora (57,1%) do que dentro de suas fronteiras (42,8%).
O repórter especializado David Germain, da Associated Press, a partir de entrevistas com executivos da indústria audiovisual, arriscou quatro razões para o retrocesso interno. A crise econômica, em primeiro lugar. Em seguida, a elevação dos preços dos ingressos, impulsionados pelo custo extra de US$ 3 a US$ 5 das sessões em 3D. O excesso de continuações e refilmagens, apesar de as principais ainda liderarem as bilheterias, viria em terceiro lugar. Por fim, destaca-se o crescimento da competição, entre o público majoritariamente jovem, por meio das diversões portáteis e domésticas.
Um dos principais críticos americanos, Roger Ebert, ofereceu sua interpretação na coluna que assina no “Chicano Sun-Times”. Em sua lista de seis possíveis causas, ele passa ao largo do cenário econômico desfavorável e repete duas das explicações de Germain, quanto ao aumento do custo da entrada e ao crescente consumo audiovisual por outras mídias (com destaque para a nova janela via internet). Quanto à oferta de títulos, Ebert torna mais complexa a questão. Para ele, e em primeiro lugar em sua lista, foi fundamental para o retrocesso a ausência de um título arrasa-quarteirão como “Avatar”, numa leitura algo similar à feita no mercado brasileiro para o impacto negativo da ausência de um “Tropa de Elite 2″ sobre a participação nacional, declinante de 2011 em relação a 2010. O crítico de Chicago acredita ainda que o virtual monopólio do circuito de salas pelo rodízio de um pequeno número de títulos, ao reduzir a oferta de filmes, tem também lá sido pernicioso para as bilheterias. “O ponto brilhante em 2011 foi o desempenho de filmes independentes, estrangeiros ou documentários”, escreve Ebert, ressaltando, porém, que o difícil acesso, sobretudo fora dos grandes centros, tem evitado resultados mais robustos para essas produções.
Mas o principal argumento de Roger Ebert ecoa um mal-estar levantado modestamente neste espaço durante o ano passado, num texto sobre o declínio do cinéfilo público. “É a sala de cinema que está perdendo seu charme”, metralha o crítico. Entre os aborrecimentos, o falatório incessante e o uso de telefones celulares, com suas conversas a qualquer tempo e a distração insuportável das luzes dos aparelhos. Ebert acrescenta mais um item, de fundo econômico: o preço extorsivo de pipocas, refrigerantes e guloseimas.
Como se insere o mercado brasileiro nesse contexto? Em primeiro lugar, o país contribuiu para o novo recorde internacional do cinema americano, com um aumento de 4% no público e de 16% na arrecadação, sendo hollywoodianas as dez maiores bilheterias de 2011. O topo da lista no Brasil é compreensivelmente ocupado pela animação “Rio”, apenas o 10º no ranking planetário (e o 16º no americano). Seguem-se “Amanhecer – Parte 1″, o episódio final da série “Harry Potter”, a animação “Os Smurfs” e “Piratas do Caribe 4″. Uma característica comum: todos os títulos acima foram lançados em duas versões, a original e a dublada, estratégia de mercado cada vez mais corrente. Adoraria que um especialista do Filme B (o site dedicado ao mercado fílmico brasileiro) pesquisasse a porcentagem arrecadada em cada uma delas.
Esse levantamento ajudaria a responder à pergunta: além do impacto positivo da expansão do parque exibidor, já se poderia falar numa espécie de inclusão cinematográfica, com uma ampliação da base social do público de cinema no Brasil, baseado no recente desenvolvimento econômico?
* é diretor-fundador do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários.
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mostra cine mpb / ccbb-sp
Posted by João Baptista Pimentel Neto in Festivais SP, Mostras&Festivais on 6 de janeiro de 2012
Mostra de cinema reúne documentários sobre música brasileira
O Centro Cultural Banco do Brasil começa o ano em São Paulo com uma mostra de documentários sobre a música brasileira. Desta quarta-feira (4) a 15 de janeiro, serão exibidos 17 filmes com grandes personagens do rock, do samba e da MPB.
Estão presentes produções sobre nomes como Cartola, Elza Soares, Riachão e Vinícius de Moraes, ao lado de outras com Tom Zé, Jards Macalé, Itamar Assumpção e Arnaldo Baptista.
Logo na inauguração da mostra, o filme O Milagre de Santa Luzia traz Dominguinhos conduzindo o expectador por uma viagem à cidade em que nasceu Luiz Gonzaga.
Titãs, a Vida até Parece uma Festa, dirigido por Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves, e Botinada!, filme de Gastão Moreira sobre o punk no Brasil são os destaques de sábado (7).
Documentários sobre Paulinho da Viola, Wilson Simonal e Os Novos Baianos também fazem parte da programação que tem longas produzidos nos últimos dez anos.
Serviço
Mostra Cine MPB
Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo
De 4 a 15 de janeiro
Exibições de quartas a domingos, entre 15h e 19h
Rua Álvares Penteado, 112 ¿ Centro
Ingressos na bilheria de terça a domingo, das 9h às 21h
Preço: R$ 4 (inteira); R$ 2 (meia-entrada)
Programação completa em klaxon.art.br/cinempb
viaMostra de cinema reúne documentários sobre música brasileira – Terra – Cultura.
