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Notícias gerais sobre o audiovisual brasileiro e global.

13º FIKE – Festival Internacional de Curtas Metragens

fike2Quarenta e oito filmes de 17 países estarão em competição na13º edição do FIKE – Festival Internacional de Curtas Metragens, que decorrerá entre os dias de 9 e 13 de junho nas cidades de Évora, Beja e Portalegre.

Segundo a organização, as curtas-metragens que disputam a competição internacional nas categorias de Ficção, Documentário e Animação, são provenientes da Argentina, Israel, Austrália, Tunísia, Vietnam, Camboja, Rússia, Polónia, Eslováquia, Alemanha, Bélgica, França, Suécia, Suíça, Itália, Espanha e Portugal, que conta este ano com onze curtas (5 filmes de animação, 1 documentário e 5 obras de animação) a disputar os troféus do festival.

O FIKE 2015 conta com cerca de 40 estreias internacionais. Ao todo, estarão em exibição mais de 100 filmes, em competição e nas mostras paralelas. As sessões decorrerão no Auditório da Universidade de Évora, no Teatro Pax Julia, em Beja, e no Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre.

O Júri Oficial do festival integra este ano a actriz portuguesa Adelaide Teixeira, o italiano Carlo Dessi, director artístico do SFF – Sardinia Film Festival, e o músico norte-americano e compositor de bandas sonoras Nik Phelps.

O FIKE tem como director João Paulo Macedo e é promovido pela SOIR – Sociedade de Instrução e Recreio Joaquim António de Aguiar, Associação “Lua aos Quadradinhos”, pelo Cine Clube da Universidade de Évora em parceria com a Estação Imagem e associação cultural bejense Lêndias d’Encantar.

“Fitas” públicas no cinema comercial

No final do mês em curso, a cidade ficou a saber que o cinema comercial pode estar de regresso. A Câmara Municipal de Évora aprovou (votos favoráveis da CDU e do PSD e abstenção do PS) duas propostas que, segundo a autarquia, permitem o retorno do cinema comercial à cidade. A primeira diz respeito à constituição de lote para instalação de um cinema em terrenos anexos ao Terminal Rodoviário e a segunda incide na atribuição desse lote à firma Algarcine – Empresa de Cinemas.

Diz a CME que “por forma a agilizar prazos para a fruição do equipamento pela população e atendendo à necessidade de ser garantida uma solução urbanística e arquitetónica de qualidade, tendo em conta a localização do terreno, irão os serviços municipais a elaborar o Projeto Base de Arquitetura (Ante Projeto) do edifício, naturalmente dando resposta aos requisitos técnicos e layout a definir pelo futuro adquirente”. A cedência do lote é exclusivamente destinada à construção de cinema, sob pena de reverter para a Câmara caso a finalidade seja alterada.

“Esta é a forma da autarquia procurar responder a um problema da cidade, uma vez que não dispõe de verba para recuperação ou construção de tal equipamento, prevendo o promotor que a breve prazo o cinema, constituído por três salas, entre em funcionamento”, pode ler-se num comunicado da CME.

A Algarcine possui quatro cinemas no Algarve e dois no Alentejo. Évora viu encerrar, em 2009, as únicas duas salas de cinema em funcionamento na cidade

A abstenção socialista teve direito a declaração de voto: «Abstivemo-nos nesta proposta de atribuição de um lote à empresa Algarcine para a construção de um cinema em Évora, partindo do princípio até de que se trata de cinema dito comercial que à data não existe em Évora, porque não queremos inviabilizar a possibilidade de os Eborenses usufruírem desta actividade de lazer. Esta proposta vem, aliás, comprovar que, ao contrário do que muito se quis fazer crer aos Eborenses, actualmente o cinema comercial só se pode constituir como uma actividade regular e consistente pela iniciativa privada. No entanto, a proposta enferma de algumas zonas menos claras e não suficientemente esclarecidas (…) Tratando-se de uma iniciativa privada, poderíamos enquanto responsáveis pela gestão pública de bens públicos não nos meter nesse assunto e deixar a preocupação com o futuro do negócio a quem vai fazer esse negócio. Ainda assim, a proposta pressupõe um apoio público que, se agora se constitui como apoio à iniciativa, importa equacionar no que pode acontecer no caso da iniciativa, privada, se gorar no futuro.”

Marionetas adiadas para 2016

Noutros sectores da actividade cultural em Évora, o destaque pela confirmação recente do adiamento da edição deste ano da Bienal Internacional de Marionetas de Évora (BIME), prevista para Junho. Por de financiamento atempado de fundos comunitários, Centro Dramático de Évora (CENDREV) anunciou que a 13.ª edição será realizada apenas em 2016. “Os Bonecos de Santo Aleixo são os dignos anfitriões da festa das marionetas que a cidade Património Mundial já se habituou a viver, daí que não seria esta a notícia que gostaríamos de dar, mas os caminhos tortuosos porque passa a cultura no nosso país, determinados seguramente pela malfadada crise, empurraram-nos para esta decisão: não haverá BIME este ano, mas queremos anunciar simultaneamente a concretização da sua 13ª edição em 2016, de 31 de Maio a 5 de Junho e o acerto do calendário da BIME com a 14ª edição, de 30 de Maio a 4 de Junho de 2017. Este compromisso é possível devido ao acordo firmado entre o Cendrev, a Câmara Municipal de Évora, a Entidade Regional de Turismo e a Direcção Regional de Cultura do Alentejo”, refere um comunicado da organização da BIME

Nem convidado, nem candidato: Mas tive um sonho…

João Baptista Pimentel Neto*

João Baptista Pimentel Neto. Perfil DiálogosInicio reafirmando o que já disse há muitos amig@s e companheir@s. Não fui convidado, nem tão pouco sou candidato à Secretaria do Audiovisual.  Aliás, por motivos familiares e profissionais, como já informado à quem de direito, neste momento, mesmo que convidado fosse, para este ou qualquer outro cargo no MinC, seria obrigado a agradecer a lembrança, reafirmar meu apoio ao companheiro Juca Ferreira e minha disposição de participar do processo coletivo que estou certo já foi restaurado. 

BastaReafirmo também que sou totalmente contrário a mobilizações com o objetivo de “indicar” nomes para cargos executivos de órgãos governamentais. Acredito que para além desta ser uma prerrogativa daqueles que foram eleitos ou por estes indicados para chefiar tais estruturas administrativas, a nomeação é de RESPONSABILIDADE dos mesmos. Ou trocando em miúdos, acertos e erros, devem ser creditados ou debitados nas contas daqueles que detêm a prerrogativa da escolha e nomeação, cabendo a sociedade um (desejável, mas nem sempre possível) papel participativo na elaboração das políticas públicas e fiscalizatório quanto a execução destas políticas e aplicação dos recursos públicos.

Reafirmo ainda que no que se refere a indicação e nomeação para cargos em Conselhos, Comissões, Grupos de Trabalho, enfim, para estruturas destinadas a garantir a participação popular na gestão pública, continuo sendo totalmente a favor de mobilizações públicas, amplas e democráticas. Mais que isso, acho profundamente lamentável que ainda existam políticos e gestores públicos contrários a existência destes canais de participação. Ou que apesar de admitir a existência destes canais, não acatem as indicações dos representantes indicados pela sociedade.

Feito estes esclarecimentos, informo que decidi escrever esta mensagem pelo desconforto e constrangimento que senti por conta das atuais “mobilizações” que objetivam indicar ao Ministro Juca Ferreira um nome para exercer a chefia da SAv – Secretaria do Audiovisual, um cargo para o qual Juca já teria recebido “367 indicações”, dentre as quais, surgiram como “favoritos” três pessoas pelas quais nutro não só respeito e admiração, mas carinho, amizade e companheirismo. E que portanto considero totalmente aptas e preparadas para exercer a função. Assim, neste contexto, comunico à eles que seja quem for o escolhido, podem desde já contar com meu apoio.

Por outro lado e diante da atual situação da SAv, quero aproveitar a ocasião (e a situação) para tornar público o sonho ao qual me referi no título desta matéria. Um sonho que sinceramente mais do que possível, julgo totalmente viável, bastando para tanto que tod@s nós decidamos seguir o conselho de um outro baiano genial, que para além de ter nascido a mil anos atrás, também há muito tempo já nos informou que “sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha JUNTO É REALIDADE”.

Vai daí que sonhei que (finalmente) tod@s nós, havíamos chegado ao consenso que não basta apenas que o Ministro faça uma boa escolha quanto ao nome do futuro Secretário do Audiovisual para que a SAv consiga minimamente atender a todas as demandas dos setores que lhe são afetos e assim alcançar ao menos algumas das metas fundamentais para que o audiovisual brasileiro venha a consolidar os inegáveis avanços coletivamente até aqui alcançados.

Para tanto – e até acho que sobre isso tod@s nós concordamos – é imperioso que a SAv passe por um processo de total restruturação, ampliação e fortalecimento. Isso porque, mais do que apenas um bom Secretário, será necessário que se monte uma boa equipe, que no meu sonho seria composta não só pelos três nomes acima referidos, mas por muitos outros que penso serem os mais preparados para tirar do papel um sem número de propostas e tornar realidade ações que vem sendo demandas por vários segmentos do audiovisual desde o histórico 8 CBC.

Daí – e sem medo de ser feliz – ouso tornar público alguns dos nomes que estavam no meu sonho, pedindo desde já desculpas a muitos companheir@s que apesar de não terem participado do meu sonho, estou certo estão também totalmente preparados para cumprir as tarefas relacionadas.

Assim é que digo que na equipe dos meus sonhos, as tarefas relacionadas ao intercâmbio internacional – logicamente focado da América Latina e diálogos sul-sul – seriam comandadas pelo mestre Orlando Senna e pelo Guigo Pádua. Já o amigo e companheiro Pola Ribeiro, auxiliado pelos compas Adriano de Angelis e James Gorgen seriam responsáveis pelas questões afetas as Tvs Públicas e Comunitárias e implantação do Canal da Cultura.

Carla Francine, Saskia Sá, Claudino de Jesus, Rodrigo Bouillet e Caio Cesario cumpriam as tarefas afetas a retomada do Programa Cine Mais Cultura, implantação do Projeto Cineclubismo e Educação e consolidação da Programadora Brasil. Para resolver e tirar do papel as propostas relacionadas aos festivais, foram convocados a dupla dinâmica Antonio Leal e Xikino.

Já a Cinemateca Brasileira era comandada pela nossa embaixadora Edina Fujji em parceria com o Carlos Magalhães e o CTAv pelos mestres paraibanos e pernambucanos que hoje representam o que de mais avançado conseguimos (Nós brasileiros) elaborar quanto as novas tecnologias.

Leopoldo Nunes e Cia estavam responsáveis pela retomada do DOC Tv, pela consolidação do Programa Olhar Brasil e pela almejada federalização dos editais de curta metragem. Luciana Druzina, Ale Machado e Cia cuidavam das questões relacionadas à animação, enquanto Newton Canitto e a Aninha tornavam possíveis o atendimento das legitimas e fundamentais demandas desde sempre apresentadas pelos roteiristas.

Fundamental era também a participação do amigo Silvio Da-Rin – que penso ser o melhor nome para coordenar o processo de implantação da tão sonhada Fundação do Cinema Brasileiro, assim como as presenças do Geraldo Moraes e do Jorge Alfredo Guimarães para definitivamente resolver as pendengas relacionadas aos direitos de autor.

Já o fortalecimento do relacionamento da SAv com os movimentos sociais, indígenas, quilombolas, minorias religiosas e com os brasileiros e brasileiros do Norte e do Nordeste estava sendo cuidado com amor e poesia pelos companheiros Rosemberg Cariry e Arthur Leandro, que conhecem como poucos a alma e as necessidades destas gentes. E cuidando da formação e pesquisa, estavam lá trabalhando André Gatti e Cia.

Enfim, neste meu sonho apareceram ainda muitas outras pessoas, mas acredito que já falei – até demais – sobre o tal sonho. E é melhor passar aos “finalmentes…”

Assim, devo confessar que acordei profundamente triste. E, angustiado, tive que encarar a realidade, de que, com ou sem equipe, alguém terá que ser o novo secretário do Audiovisual. E acabei lembrando de que no final do meu sonho, como se fora eu o Ministro havia feito o convite para aquele que julgo talvez fosse o melhor nome para assumir o cargo e coordenar toda esta incrível galera. E que, para minha infelicidade, meu convite, por motivos de força maior, não fora aceito pelo escolhido.

gustavo-dahlE mais uma vez chorei a precoce morte do Gustavo Dahl…

Finalmente quanto a minha participação no processo, sonhei que continuava exercendo o papel de “líder do Povo” – nomeado que fui para este cargo imaginário pelo Manoel Rangel – e desta forma continuar tentando convence-lo (o Manoel) de que para que este meu sonho se torne realidade, bastaria que a ANCINE repassasse à SAv mínimos dez por cento dos valores hoje disponíveis no Fundo Setorial do Audiovisual. E que isso talvez seja o melhor investimento que a ANCINE faria ao longo de toda a sua trajetória.

E é isso…

Quem sabe, agora com um baiano no comando do MinC, o Manoel entenda o Raul…

Sonho que se sonha junto, é mesmo realidade!

Pelos Direitos do Público!
Filmes São Feitos Para Serem Vistos!
Viva o Cinema e a Cultura Brasileira!

E seja muito bem vindo companheiro Ministro Juca Ferreira!

* João Baptista Pimentel Neto é jornalista, editor da revista Diálogos do Sul, cineclubista e presidente do CreC – Centro Rioclarense de Estudos Cinematográficos. Ex-Presidente e atual conselheiro do CBC – Congresso Brasileiro de Cinema

A cultura e o audiovisual de luto

Encerramento do I Festival de Cinema de Triunfo
Encerramento do I Festival de Cinema de Triunfo

Mais do que a política, a Cultura e o audiovisual brasileiro lamentam profundamente a tragédia que vitimou o AMIGO da CULTURA, GOVERNADOR EDUARDO CAMPOS.

Neste momento de dor e consternação nacional, em meu nome e em nome do CBC – Congresso Brasileiro de Cinema apresento a toda família Arraes e também aos amigos e companheiros pernambucanos, nossas condolências e nossa irrestrita solidariedade.Contem conosco, pois a luta continua.

Viva a Cultura. Viva Pernambuco. Viva, eternamente, Eduardo Campos, suas idéias e seus compromissos.

João Baptista Pimentel Neto.
Presidente do CBC – Congresso Brasileiro de Cinema

Mulheres AfroDescendentes: Excluídas também no audiovisual

Mulheres negras2As mulheres negras e afrodescendentes não estão nas telas, nem atrás das câmeras dos filmes produzidos no Brasil. Pesquisa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) mostra que as mulheres negras e afrodescendentesn ão figuraram nos filmes nacionais de maior bilheteria.

Apesar de ser a maior parte da população feminina o país (51,7%), as negras apareceram em menos de dois a cada dez longas metragens que foram produzidos entre os anos de 2002 e 2012. Além disso, as atrizes negras e  pardas representaram apenas 4,4% do elenco principal de filmes nacionais. Nesse período, nenhum dos mais de 218 filmes nacionais de maior bilheteria teve uma mulher negra na direção ou como roteirista.

Influência de valores

Coordenada pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Uerj, um dos mais renomados centros de estudos de ciência política na América Latina, a pesquisa A Cara do Cinema Nacional sugere que as produções para as telonas não refletem a realidade do país, uma vez que 53% dos brasileiros se autodeclaram negros ou pardos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O prejuízo, na avaliação das autoras do estudo, é a influência de determinados valores sobre a audiência.

“Pelos dados, a população brasileira é diversa, mas essa diversidade não se transpõe para ambientes de poder e com maior visibilidade”, disse uma das autoras, a mestranda Marcia Rangel Candido. Ela acrescenta que, além da “total exclusão” nos cargos técnicos, a representação no elenco está limitada a estereótipos associadas à pobreza e à criminalidade. “As mulheres brancas exercem vários tipo de emprego, são de várias classes sociais, a diversidade é maior”, destaca.

A doutoranda Verônica Tofte, coautora da pesquisa, diz que a baixa representatividade de mulheres em postos mais altos do cinema – elas ocupam 14% dos cargos de direção e 26% dos postos de roteiristas entre os filmes mais vistos -, além da invisibilidade das negras no elenco, são distorções da sociedade. “A ausência de mulheres, principalmente as negras, nesses papéis gera baixa representação e reproduz uma visão irreal do Brasil.” De acordo com a pesquisa, nenhuma das diretoras ou das roteiristas entre os filmes pesquisados era negra.

Comparação de imagens

Para chegar ao perfil racial, a pesquisa comparou imagens de 939 atores, 412 roteiristas e 226 diretores de filmes, excluindo documentários e filmes infantis. “Usamos um modelo de identificação em que o pesquisador é que define o grupo racial ao qual pertence o sujeito”, esclareceu Marcia. Na classificação, para a comparação, foi utilizada uma escala de fotos de oito indivíduos, do mais branco para o mais preto, estabelecida em trabalhos científicos anteriores.

A lista dos filmes mais vistos no período é da Agência Nacional do Cinema (Ancine), organização que, na avaliação do premiado cineasta negro Joel Zito Araújo, deveria ter um papel ativo na promoção da diversidade no audiovisual. Ao avaliar a pesquisa do Iesp, ele disse que a agência precisa atuar. “Somente quem governa, que tem poder de criar políticas públicas, é que pode criar paradigmas para a nação e resolver essa profunda distorção”, disse.

Apesar de ter a função de fomentar e regular o setor, procurada, a Ancine informou que “não opina sobre conteúdo dos filmes, elenco ou qualquer coisa do tipo”.

Público 1 x 0 Multiplex

Freio de Arrumação>


públicoPermitida pela AnCine – que deveria zelar pelos direitos do público e respeito ao Código Nacional do Consumidor, a
pesar de ilegal, a prática de venda casada é comum nas salas de cinema localizadas em shopping centers de todo o país, quem impedem a entrada do público com alimentos comprados em outro lugar, acaba de sofrer uma derrota e está proibida, pelo menos, em Maracanaú (CE), onde a juíza Carla Susiany Alves de Moura determinou que o empreendimento São Luiz de Cinemas EPP (Centerplex) se abstenha da prática.

De acordo com a decisão a prática configura “venda casada”, o que é proibido pelo Código de Defesa do Consumidor. Segundo os autos, o Ministério Público do Ceará (MP-CE) ajuizou ação, com pedido de liminar, alegando que o Centerplex estava obrigando seus clientes a comprar os produtos vendidos em uma lanchonete mantida pela própria empresa. Argumentou que tal medida é prática abusiva, infringido o artigo 39 do CDC. Além disso, viola a liberdade de escolha.

A liminar foi deferida e o Centerplex a contestou. No último dia 7, no entanto, a magistrada confirmou a liminar. “A prática abusiva revela-se patente quando a empresa cinematográfica permite a entrada de produtos adquiridos nas suas dependências e proíbe os adquiridos fora”, aponta a juíza.

Além de permitir a entrada de quaisquer clientes, a empresa não poderá afixar qualquer aviso que iniba os expectadores de ingressar com produtos comprados em outros locais, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.

Diante da decisão aguarda-se que outros MPs Estaduais também protocolem ações visando assegurar os Direitos do Público.

Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-CE.

Cineclube de Arouca abre concurso para “Curtas Criativas”

CurtasCriativas_ObservaCine.
CurtasCriativas_ObservaCine.
O Cineclube de Arouca abriu as inscrições para o concurso “Curtas Criativas”, que pretende distinguir filmes originais e inovadores com a duração máxima de cinco minutos.
As candidaturas decorrem até 8 de agosto e as obras premiadas serão depois exibidas na 12.ª edição do Arouca Film Festival, a realizar entre 12 e 14 de Setembro

As candidaturas decorrem até 8 de agosto e as obras premiadas serão depois exibidas na 12.ª edição do Arouca Film Festival, a realizar entre 12 e 14 de setembro.

“Pelo quarto ano consecutivo, o concurso de curtas-metragens promovido pelo Cine Clube de Arouca pretende proporcionar um novo impulso aos jovens realizadores, dando espaço e voz aos novos talentos do audiovisual”, lê-se num comunicado da instituição.

“Através desta competição é criado um espaço privilegiado para que os jovens expressem as suas opiniões e ideias”, acrescenta o documento. “São desafiados a desenvolverem um filme de forma original e inovadora, e cujo único critério [de seleção] se prende com a duração máxima de cinco minutos”, explica.

A iniciativa pretende ainda desenvolver e fomentar o gosto pelo cinema, incentivar a produção nacional de obras cinematográficas e valorizar a capacidade criativa e espírito de iniciativa dos cineastas portugueses.

Os prémios serão atribuídos às três melhores produções. Consistirão numa “Geobox” composta por serviços e experiências a usufruir no território do Arouca Geopark.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa

Pelo menos 43 mil escolas brasileiras não têm equipamentos para exibir filmes

cinema na EscolaO número corresponde às instituições que não têm televisão, de acordo com o Censo Escolar de 2013.

Pelo menos 43 mil escolas brasileiras não estão preparadas para atender à nova lei que determina a exibição mensal de, pelo menos, duas horas de filmes produzidos no Brasil. O número corresponde às instituições que não têm televisão, de acordo com o Censo Escolar de 2013. O número aumenta quando se trata de aparelhos de DVD – do total de 190,7 mil colégios, mais de 48 mil não têm o equipamento. Em relação aos retroprojetores, que também podem ser usados na exibição de filmes, apenas um terço (63 mil) tem o equipamento.

A lei entrou em vigor no final do mês de junho. Pelo texto, a exibição de filmes de produção nacional constituirá componente curricular complementar integrado à proposta pedagógica da escola. “Infelizmente, a lei ainda vai permanecer como desafio, por mais que tenha a norma, ela não será implementada imediatamente. Somos um país gigante, com muita diversidade. Temos escolas que não dispõem de recursos mínimos como TV e vídeo. Elas terão que ser equipadas”, diz o vice-presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Alessio Costa Lima.

Cine escolasA maior deficiência está entre as escolas públicas, de acordo com a plataforma de dados educacionais QEdu, em que 74% têm TV e 71%, DVD. Entre as particulares as porcentagens aumentam para 90% e 88% respectivamente. As escolas municipais são a maioria no Brasil (119,9 mil) e são também as que apresentam as maiores deficiências. Entre esses centros de ensino, 69% têm TV e 66%, DVD.

Alessio Lima é também secretário de Educação de Tabuleiro do Norte (CE) e diz que no município o desafio de implementar o serviço está praticamente vencido. Das 23 escolas públicas do município, 22 têm TV e aparelho de DVD. “Já temos essa prática nas escolas, de exibir filmes. Mas, agora o incentivo será para planejar a aquisição de um acervo e orientar a prática de forma sistemática”. Uma das possibilidades é que os recursos transferidos para as escolas pelo Programa Dinheiro Direto na Escola sejam usados também para esse fim.

Entre os estados, o Acre é um dos que têm a pior infraestrutura para a exibição dos filmes. No estado, 41% das escolas têm TV e 37% DVD. “Não estamos preparados, não houve planejamento, até porque eles decidiram isso sem o conhecimento das escolas. O Parlamento brasileiro deveria ouvir mais a sociedade”, diz o diretor da Secretaria de Educação do Acre, Hildo Cézar Freire Montysuma. A maior dificuldade está nas escolas da área rural, onde não há equipamentos são muito antigos, conta o professor.

No Amazonas, 35% das escolas públicas têm televisão e 30% DVD. A Secretaria de Educação, por meio da assessoria, diz que está projetando estratégias para inserir a proposta no Plano Político Pedagógico nas escolas. “Por enquanto, as ações ainda estão sendo projetadas para futura execução”, informa o órgão.

O Ministério da Educação informa que desde 1996 tem políticas de disponibilização de conteúdos audiovisuais por meio da TV Escola, do Portal da TV Escola e do Portal do Professor, além da distribuição dos kits de DVDs da TV Escola, que poderão auxiliar as redes e escolas no cumprimento da lei.

Esses conteúdos audiovisuais, com exceção dos kits de DVD da TV Escola – que são enviados somente para as escolas –, estão disponíveis para livre acesso por todos os cidadãos brasileiros que tenham captação de imagem por meio de antena parabólica, TV a cabo e acesso à internet. Além disso, o MEC diz que vem articulando com o Ministério da Cultura mecanismos e orientações para ampliar o acervo de filmes nacionais, conforme as diretrizes curriculares nacionais.

Sobre os equipamentos, a pasta estimula a aquisição do Projetor Interativo Proinfo pelas licitações de registro de preços promovidas pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Por se tratar de uma compra nacional, os preços são inferiores aos praticados no mercado e aos obtidos em licitações em um único município ou estado. O projetor pode ser usado na exibição de películas.

Instituto Buriti promove atividades de “alfabetização” audiovisual no MS

Nas atividades, os alunos aprendem conceitos básicos de produção: roteiro, câmera, edição
Nas atividades, os alunos aprendem conceitos básicos de produção: roteiro, câmera, edição

O Instituto Buriti, idealizado por Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi com objetivo de promover a integração entre o audiovisual e a educação, começa as atividades em Campo Grande (MS), na Escola Estadual General Malan, de hoje (12) a quarta-feira  (14), das 18h às 22h.

Nas atividades, os alunos aprendem conceitos básicos de produção (roteiro, câmera, edição, entre outros), além de orientação para dividir grupos e tarefas para criação de curtas-metragens ao longo do ano.

Esse primeiro módulo tem como objetivo apresentar novos formatos de ensino e, ainda, engajar e aproximar alunos e professores para desenvolvimento de filmes de curta duração. A equipe do Instituto vai mostrar pra eles que é possível fazer isso com uma câmera fotográfica com filmadora ou até com telefone celular”, afirma o cineasta Luiz Bolognesi sobre as oficinas presenciais, que serão realizadas durante o primeiro módulo do projeto. 

Após esse período, todo o acompanhamento das atividades será realizado à distância, por meio do Portal Tela Brasil, onde alunos e professores poderão dar continuidade ao aprendizado, além de poder trocar experiências com educadores de outros estados. “O maior desafio do Instituto é manter as atividades e o engajamento dos alunos e professores. Por isso, a web é fundamental”, completa Luiz.

No segundo semestre, de agosto a novembro, as escolas públicas voltam a receber a equipe do Instituto Buriti por mais quatro dias para um novo ciclo de palestras e para finalização dos filmes produzidos nesse período. Para que todos possam conferir o resultado dos meses de trabalho de produção, será organizado um dia para exibição dos curtas-metragens, que será aberto para toda comunidade ao redor da escola.  

Com patrocínio da CCR e Fundação Telefonica Vivo, o programa do Instituto Buriti tem como meta atingir cerca de 250 alunos e professores até o final de dezembro de 2014.

ABD Nacional lança Carta Aberta

Carta da ABD Nacional para a Sra. Ministra da Cultura, Marta Suplicy e o atual Secretário do Audiovisual, João Batista da Silva

Excelentíssimos Senhores,

ABDn 40 anosAo tempo em que apresentamos nossos votos de consideração e respeito, manifestamos que foi com surpresa que recebemos a notícia, publicada no Diário Oficial da União, sobre as mudanças efetuadas nos quadros da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, a começar pela titularidade da pasta.

Surpresa pelo pouco tempo desde a última mudança, mas também por se tratar de mais uma ocasião na qual o Ministério da Cultura não se comunicou claramente com a sociedade civil, sobretudo conosco do setor audiovisual.

Se, desde o início da gestão da Presidente Dilma, já apontávamos a necessidade de continuidade das políticas públicas implementadas ao longo dos oito anos de governo do Presidente Lula – o que, infelizmente, não ocorreu -, agora nos cabe, mais ainda, apontar o imperativo de um diálogo mais próximo entre o MinC e a sociedade civil e, particularmente, entre a SAv e o setor audiovisual.

Da surpresa à preocupação; esta é a dinâmica que impulsiona esse nosso pronunciamento. Explicamos: recentemente, no dia 07 de outubro de 2013, a Secretaria do Audiovisual publicou seu Relatório de Gestão em boletim eletrônico – http://www.cultura.gov.br/noticias-sav – dando conta de programas e ações passadas, presentes e futuras. Citamos:

Reestruturação do CTAV; reestruturação da Cinemateca, com a implementação do Plano Nacional de Preservação; qualificação do núcleo para gestão dos programas de preservação, fomento a produção, difusão, formação, como: Programa Olhar Brasil; Núcleos de Produção Digital; Programadora Brasil; Central de Acesso ao Cinema Brasileiro; Cine Mais Cultura; e os novos projetos: Programa Ver Brasil; Sistema Brasileiro de Exibição Digital Sem Fins-Lucrativos e o Curso de Dramaturgia. Assim como a continuidade/retomada dos Editais: DocTV Brasil, DocTV Latinoamérica, por exemplo.

Sobre os editais, é de se lamentar o fato das minutas não terem sido apreciadas pelo Comitê Consultivo da SAv. Ou enviadas às entidades, para colaborações. Assim como a não realização de Consultas Públicas ou mesmo Audiências Públicas em busca de cooperações que poderiam evitar imprecisões, entre as quais destacamos:

1. Prazo de apenas 30 dias de inscrição, quando a Lei 8.666/93 exige que qualquer concurso tenha o seu edital publicado na imprensa oficial com antecedência mínima de 45 (quarenta e cinco) dias antes do prazo final para recebimento das propostas;

2. Metodologia de seleção sem previsão de encontro e debate do corpo de jurados ao final do processo;

3. Metodologia que possibilita a concentração regional por meio da seleção de projetos de apenas três das cinco regiões geográficas (caso do edital de curta-metragem) e de apenas duas das cinco regiões geográficas brasileiras (caso do edital de longa Documentário);

4. Redução do valor individual para cada projeto no edital de curta-metragem, a despeito da manutenção do mesmo número de contemplados do edital anterior;

5. A pouca clareza do texto que trata da disponibilização das obras contempladas para a exibição por TVs públicas, pois não determina a partir de quando se daria esse uso, nem a janela de tempo para a veiculação de cada filme, também a quantidade de vezes que poderão reexibir cada filme, entre outras possibilidades de exploração;

6. Os duvidosos critérios que determinaram pontuação extra para um grupo de estados em detrimento de outros, privilegiando unidades da federação com superior índice de IDH, maior produção audiovisual e superior captação de recursos via incentivos fiscais federais do que estados que não foram contemplados com a pontuação extra.

Afora as questões elencadas, salientamos a existência de pautas ABDistas já encaminhadas à SAv, que urgem por continuidade e definições: o projeto Curta em Todas as Telas, os Seminários Regionais ABD 40 Anos e a edição do Livro sobre os 40 anos da ABD.

Por estes motivos, além de clamarmos pela convocação da reunião do Comitê Consultivo da SAv – que ainda não se reuniu em 2013 -, solicitamos audiência com vossa senhoria em uma data existente nas próximas semanas, dado o pouco tempo que a gestão dispõe para implementar as ações que se fazem necessárias para o desenvolvimento do setor.

Com o objetivo e disposição de construirmos conjuntamente as políticas públicas para o cinema e audiovisual do Brasil, nos despedimos no aguardo de um breve retorno.

Cordialmente,
ABD NACIONAL – Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas

Curso de graduação em audiovisual da UEA pode ser extinto em Manaus

UEACaso a graduação seja extinta, a UEA trabalha com a alternativa de usar os equipamentos e estrutura do curso de audiovisual para a produção das aulas do ensino a distância.

Manaus – A graduação tecnológica em audiovisual da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), oferecida em caráter especial para este ano, pode ser extinta. Segundo o pró-reitor de Ensino de Graduação da UEA, Luciano Balbino, por enquanto não há previsão de uma nova oferta do curso até que a universidade tenha plena condição de ofertá-lo novamente.

“Este curso é de oferta especial e tem características diferentes dos cursos regulares. Para ele, não haverá vestibular este ano, nem ano que vem, até que a UEA tenha fundamentos e convicções de que pode torná-lo regular”, disse Balbino.

Nascido de uma parceria entre a UEA e a Secretaria de Estado da Cultura (SEC), com a qual laboratórios de informática e softwares seriam oferecidos pela Universidade e os equipamentos necessários às produções disponibilizados pela Secretaria, Balbino afirmou que atualmente a UEA tem assumido todas as responsabilidades do curso.

“Tanto a responsabilidade da parte técnica quanto a estrutural, a UEA tem assumido sozinha. Este curso nasceu de um acerto e uma parceria com a SEC e de lá para cá, não sei porque, não tivemos as respostas que esperamos e estamos assumindo”, enfatizou o pró-reitor.

O secretário de Cultura Robério Braga, através de sua assessoria, informou que a SEC criou todas as condições para que o convênio de cooperação com a UEA fosse firmado e, portanto, a infraestrutura de laboratórios existisse. Destacou, entre elas, parcerias com as universidades Uninorte e Martha Falcão e ainda com a Rede Amazônica de Rádio e Televisão. No entanto, não recebeu resposta positiva da UEA.

Segundo o coordenador do curso de audiovisual, Abrahim Baze Júnior, não existem parcerias com as universidades Uninorte e Martha Falcão. Porém, conforme Baze, o curso está em fase de fechamento de parcerias com institutos de cinema para dupla certificação.

“Estamos fechando vínculos, via reitoria, com o Forcine (Forúm Brasileiro de Cinema), ao Socicom (Federação Brasileira das Associações Científicas e Academicas de Comunicação), ao Instituo Darcy Ribeiro de Cinema e a ECA-USP (Escola de Comunicação e Artes – Universidade de São Paulo) visando formação profissionalizante e até uma especialização paralela ao curso”, disse Baze.

Atualmente a UEA destina R$ 1 milhão para aquisição de equipamentos e estruturação dos laboratórios e R$500 mil para pagamento dos professores, que assumem as disciplinas em módulos, conforme Balbino. Porém, segundo ele, os processos estão em trâmite no âmbito da UEA e a previsão é que, até dezembro de 2013, os alunos do curso já tenham condições efetivas para as aulas práticas.

Caso a graduação seja extinta, a UEA trabalha com a alternativa de usar os equipamentos e estrutura do curso de audiovisual para a produção das aulas do ensino a distância. “Até o momento, a UEA não tem domínio pleno do trabalho instrumento que ela utiliza nos cursos via televisão. Então, contratamos uma prestadora de serviço para estas aulas televisionadas acontecerem. Por essa razão, mesmo que o curso de Audiovisual não tenha uma nova turma, os equipamentos jamais serão perdidos”, explicou Balbino.

Segundo Baze, o Plano Pedagógico do Curso (PPC), o Plano de Diretrizes Institucionais (PDI) e um Festival Universitário de Cinema e Fotografia (UniCINE) estão em fase de planejamento.

“Este festival terá a curadoria feita pelo cineasta Willian Honestrosa, que é curador do Festival de Curtas de São Paulo. Fizemos reuniões com o mercado e vamos criar um calendário de oficinas para os alunos e para o mercado. Estamos ainda criando dois projetos do Núcleo de Produção Digital (NPD) e o Núcleo de Pesquisa em Audiovisual (Nupac)”, disse Baze.

Balbino ressaltou ainda que a UEA está buscando formas para que se encontre as “melhores” maneiras para oferecer ao curso. “Nós recentemente transformamos o curso especial em Tecnologia de Construção Naval em um curso regular deengenharia naval. Estudamos e vimos que tinha possibilidade de ser regular. É possível que aconteça com audiovisual, mas não posso firmar esse compromisso agora”, disse.

Para João Pedro Ribeiro, 17 anos, aluno de audiovisual da UEA, há uma expectativa que o curso seja reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) e que haja outras turmas. “É preciso sim que haja outras turmas, pois o Estado precisa de produtores audiovisuais. Seria importante também que o mercado de trabalho em Manaus se expandisse e com o curso pode haver esta contribuição”.

Hoje o curso de audiovisual tem 39 alunos matriculados. A reitoria da UEA, através de sua assessoria, informou ainda que a instituição está estudando a possibilidade de ofertar um curso em nível de especialização Lato Sensu em parceria com outras instituições de ensino.

Em nota, a SEC informa ainda que a secretaria continua à disposição de viabilizar condições para que o curso de audiovisual seja implantado, como também “irá lutar para que isso aconteça”.

12 Set 2013 . 09:29 h . Nathane Dovale . portal@d24am.com