Arquivo da categoria: Economia da Cultura

Notícias sobre economia da cultura.

Laboratórios de Desenvolvimento de Projetos

labANCINE credencia empresas para realização de laboratórios de desenvolvimento de projetos em ficção e animação

Empresas especializadas na prestação de serviço de desenvolvimento de projetos podem se inscrever no Edital de Credenciamento da ANCINE

O Edital de Credenciamento nº 03/2014 da ANCINE, para seleção de empresas especializadas na prestação de serviço de desenvolvimento de projetos, teve primeira demanda das empresas selecionadas já apresentada, com o resultado do PRODAV 04/2013 (http://ancine.gov.br/sala-imprensa/noticias/programa-brasil-de-todas-telas-investe-r-41-milh-es-em-desenvolvimento-de-pro), no último dia 18 de novembro. Essa primeira demanda implica a realização de laboratórios para  projetos de longas-metragens e obras seriadas de ficção e animação. Cada laboratório terá duração máxima de 18 meses, com dinâmica de encontros presenciais e supervisão à distância.

08_Centro de formacao desenvolvimento e inovacao para aplicativos moveis_24Foram selecionados pelo PRODAV 04/2013 44 projetos de seis estados e do Distrito Federal para recebimento de recursos a serem aplicados em sua fase de desenvolvimento. O investimento da linha totaliza R$ 4,01 milhões. As empresas especializadas na prestação de serviço de desenvolvimento de projetos devem atender às condições propostas pelo edital para estar habilitadas a realizar laboratórios dirigidos a projetos contemplados nessa linha e nas demais chamadas públicas do Programa Brasil de Todas as Telas que apresentem essa demanda.

Dentre as condições para a inscrição no Edital de Credenciamento destacam-se a indicação da metodologia, da estruturação dos laboratórios e supervisão a distância, bem como da equipe técnica, e a comprovação da experiência pela empresa proponente e pelo profissional designado como gestor. Estas informações devem guardar coerência com a indicação do perfil de laboratório, dentre as opções ‘obra seriada de ficção’, ‘obra seriada de animação’, ‘obra seriada de documentário’, ‘obra não seriada de ficção’, ‘obra não seriada de animação’ e ‘formato de obra audiovisual’.

As propostas de credenciamento poderão ser encaminhadas durante todo o prazo de vigência do edital, que é de 24 meses, contatos a partir do dia 13 de novembro de 2014. Uma vez credenciadas, as empresas estarão aptas a participar de sorteio que definirá o prestador de serviço selecionado na modalidade específica de desenvolvimento, para a qual houver demanda. As empresas firmarão contrato com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) (http://www.brde.com.br/fsa/). O valor global do contrato será de R$ 400 mil para cada serviço, acrescidos de R$ 10 mil por cada projeto participante, incluídas todas as despesas necessárias para a sua execução integral.

Para mais informações, clique aqui e consulte o Edital de Credenciamento nº 03/2014 e seus anexos.

Programa de Fomento ao Cinema Paulista 2014

Programa de Fomento ao Cinema Paulista e Prêmio Estímulo ao Curta-metragem destinam R$ 9,2 milhões para produção e finalização

editais-SP-2014

Estão abertas as inscrições para os editais do Programa de Fomento ao Cinema Paulista e do Prêmio Estímulo ao Curta-metragem, lançados pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. O valor total aportado pelos dois editais é de R$ 9,2 milhões.

Programa de Fomento ao Cinema Paulista 2014

fomeentoPrograma de Fomento ao Cinema Paulista 2014, cujo objetivo é o apoio à produção e finalização de longas-metragens por meio da Lei do Audiovisual, aceita inscrições até o dia 19 de agosto. Ao todo, serão investidos até R$ 8 milhões, sendo R$ 6 milhões em produção e R$ 2 milhões em finalização.

Podem ser inscritos projetos previamente aprovados pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), de empresas com sede no estado de São Paulo, comprovadamente, há mais de dois anos. Os projetos devem ser pensados, inicialmente, para exibição em salas de cinema comerciais, e devem ter duração superior a 70 minutos. Cada empresa poderá inscrever, no máximo, dois projetos.

Na linha Produção, aberta a projetos cujas filmagens ainda não tenham sido iniciadas, o aporte é de até R$ 800 mil para cada projeto de ficção ou animação, e até R$ 400 mil para documentários. Já na modalidade Finalização, para produções cujas filmagens já tenham sido concluídas, o valor máximo aportado será de R$ 300 mil.

Prêmio Estímulo ao Curta-metragem

curta-metragemAté o dia 13 de agosto, é possível inscrever projetos na chamada pública do Prêmio Estímulo ao Curta-metragem 2014, que concederá um apoio total de R$ 1,2 milhão, dividido entre 15 curtas-metragens (R$ 80 mil para cada filme).

As inscrições são abertas a produtoras registradas na Ancine, com sede no estado de São Paulo há mais de dois anos, e também a pessoas físicas residentes no estado. Aos projetos selecionados, será necessária a identificação de uma empresa produtora na fase de contratação, que não poderá realizar mais de dois projetos pelo presente edital. Proponentes que tenham dirigido longas-metragens e empresas inadimplentes com a Secretaria da Cultura estarão inabilitados.

A seleção será feita em duas etapas: a primeira será a análise do material encaminhado e, em seguida, a fase de entrevistas presenciais com 30 proponentes selecionados. Ao menos cinco dos 15 projetos contemplados devem ser inscritos por proponentes domiciliados fora da capital paulista.

Fonte:
Agência Nacional do Cinema

RS terá Centro de Produção e Pós-Produção de Conteúdos Digitais Criativos

Centro será instalado no Tecnopuc Viamão. Foto: Bruno Todeschini/ASCOM-PUCRS.
Centro será instalado no Tecnopuc Viamão. Foto: Bruno Todeschini/ASCOM-PUCRS.

A PUC-RS, a Feevale, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs) e o Ministério das Comunicações assinaram nesta quarta-feira, 2, um convênio que formaliza a implantação de um Centro de Produção e Pós-Produção de Conteúdos Digitais Criativos.

Serão mais de R$ 7,5 milhões investidos na compra de equipamentos para compor estúdios de cinema e televisão, de som e motion capture, além de laboratórios voltados a aplicativos, jogos digitais e animação.

São apoiadores a TVE/RS, a Fundacine e o Arranjo Produtivo Local Audiovisual do Estado.

Instalado no Tecnopuc Viamão, o espaço será integrado ao Centro Tecnológico Audiovisual do Estado (Tecna), iniciativa articulada com o governo do estado e a Fundacine para a criação de um cluster na área da indústria criativa, atendendo a setores como cinema, TV, jogos digitais, aplicativos, música e som.

Aletéia Selonk
Aletéia Selonk

Aletéia Selonk, coordenadora do Tecna, aponta que o Centro de Produção atuará de forma integrada às pesquisas das universidades e às práticas dos setores audiovisual e criativo.

“Além de ambientes muito bem equipados, estão previstos programas para a formação profissional e de desenvolvimento de novos conteúdos digitais. Com isso, espera-se promover um adensamento da cadeia produtiva dos setores econômicos envolvidos”, explica Aletéia.

 

A PUC-RS e a Feevale podem ser consideradas duas das univerisdades mais avançadas no Rio Grande do Sul em relação a iniciativas para Indústria Criativa. O conceito do segmento ainda está sendo moldado, mas abrange novos empreedimentos em áreas como arte digital, audiovisual, jogos eletrônicos e moda.

A Feevale ofecere desde 2013 um mestrado em Indústria Criativa. Para eles, “a indústria criativa caracteriza-se por ter na criatividade e no capital intelectual seus principais valores. Sua natureza interdisciplinar exige processos de colaboração e cooperação que articulem habilidades criativas e habilidades de gestão”.

A prefeitura de Porto Alegre tem se engajado para promover o conceito. Em outubro, por exemplo, foi lançado o Comitê Municipal de Economia Criativa. O organismo é formado por secretarias municipais, entidades privadas e representantes da sociedade civil para criar diretrizes para o desenvolvimento do setor.

Uma das iniciativas que está em curso é o Polo de Indústria Criativa, no qual a prefeitura doou um terreno de 7 mil metros quadrados para a ESPM investir R$ 10 milhões em uma iniciativa voltada para a área.

Em maio, o Baguete relatou que o Ulbratech, parque tecnológico da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) em Canoas, pretende focar em iniciativas de indústria criativa para impulsionar o crescimento do parque. O foco em atrair companhias da área é ancorado na presença das estruturas da UlbraTV e da Rádio Mix (ex-Pop Rock) dentro do parque.

O Centro de Produção atuará de forma integrada às pesquisas das universidades e às práticas dos setores audiovisual e criativo
O Centro de Produção atuará de forma integrada às pesquisas das universidades e às práticas dos setores audiovisual e criativo

A Unisinos também tem trabalhado o segmento. Em março, lançou a Escola da Indústria Criativa. A iniciativa inclui desde cursos de comunicação como jornalismo e publicidade até gastronomia, passando por uma série de formações em design e os cursos de comunicação digital e jogos digitais.

Enquanto isso, o Centro Universitário Metodista (IPA) conta com um polo de economia criativa instalado na sua unidade do shopping DC Navegantes, na área do quarto distrito de Porto Alegre, focando nas áreas de moda, design e arquitetura.

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SECULT/CE lança o XI Edital de Cinema e Vídeo

A QUE VAI PARA O BLOGA Secretaria de Cultura do Estado do Ceará – SECULT/CE, com o objetivo de contribuir para uma maior proximidade entre artistas e público e fomentar a produção, a formação e a difusão audiovisual na região, lançou o XI Edital de Cinema e Vídeo, destinado ao desenvolvimento de projetos audiovisuais.

O edital de 2014 terá um investimento total no valor de R$ 7,66 milhões, sendo R$ 4,45 milhões oriundos de recursos da SECULT/CE e R$ 3,21milhões do Fundo Setorial do Audiovisual. Interessados podem se inscrever até o dia 15 de agosto, por via postal ou presencialmente, na sede da Secretaria da Cultura.

Serão investidos mais de R$ 5 milhões em projetos audiovisuais cearenses independentes, em caráter de produção, desenvolvimento e difusão, nas modalidades de Desenvolvimento de Roteiro de Longa Metragem, Produção de Longas, Produção de Curtas-metragens, Projetos para TV e Novas Mídias; R$ 662 mil para a categoria Desenvolvimento de Cineclubismo; e mais de R$ 1 milhão para a categoria Projetos de formação em audiovisual, nas modalidades de técnico profissionalizante, eventos de formação em audiovisual, exibidores e cineclubistas.

Para se inscrever, o proponente deve residir no estado do Ceará, ser maior de 18 anos, e o projeto deve se enquadrar nos termos propostos pelo Fundo Setorial do Audiovisual.

Fonte:
Agência Nacional do Cinema

Film Finance Forum Latin America

Film Finance ForumO Rio de Janeiro recebe em 21 de agosto a primeira edição do Film Finance Forum Latin America, no Copacabana Palace, com mais de 30 conferencistas de diversos países. O evento é organizado pela RioFilme e pela empresa norte-americana Winston Baker, e integra uma rede internacional de conferências sobre financiamento de projetos audiovisuais, com edições anuais em Los Angeles, Nova York, Cannes, Shangai e Zurique. O prefeito Eduardo Paes fará a palestra de abertura.

O evento foi criado para discutir estratégias e tendências de investimentos no mercado audiovisual, oferecendo aos produtores abordagens eficazes para a captação de recursos e discutindo formas de gerar receita a partir da produção de conteúdo de qualidade.

O tema central é o financiamento de filmes e outros produtos voltados para o mercado audiovisual. Estão confirmados mais de 30 palestrantes brasileiros e estrangeiros, entre produtores, investidores, distribuidores, agentes e autoridades.

Os principais assuntos a serem abordados na primeira edição latina do Film Finance Forum são: oportunidades de investimento em audiovisual no Rio de Janeiro e no Brasil; novas fontes de financiamento: para além de subsídios governamentais e incentivos fiscais; desenvolvimento de projetos, identificação de elementos chave e a importância dos agentes; elaboração de projetos de coprodução internacional; novas oportunidades de distribuição local e global; e o impacto da TV e das novas mídias no financiamento de filmes.

O evento terá no início uma palestra com o tema “Geração de receita através da distribuição de conteúdo digital na América Latina”, por Antonio Barreto, CEO da DLA. Antonio Barreto é CEO da DLA desde dezembro de 2004, quando a empresa foi adquirida pelo Grupo Claxson Interactive. Pioneiro no negócio de distribuição eletrônica, Barreto tem colaborado como executivo de primeiro nível com alguns dos grupos de telecomunicações mais importantes da América Latina, entre eles Hughes (Directv), Disney (ESPN), Telefónica e HBO.

O Film Finance Forum Latin America conta com o apoio da Variety e da LATC (Latin American Training Center – Centro Latino Americano de Treinamento e Assessoria Audiovisual).

Inscrições e mais imformações no site www.filmfinanceforum.com.

SAv lança dois editais de fomento à produção

editais savA Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura lançou hoje, 19 de agosto, dois editais para produção de curtas-metragens; uma destinado à animações de até um minuto, e outro voltado à temática infantil, num total de 52 obras audiovisuais de curta-metragem que terão apoio à sua produção.

De acordo com a SAv, o lançamento dos editais está em consonância com a política da atual gestão da Secretaria, que tem o intuito de retomar seleções públicas que tiveram grande repercussão e impacto para o setor audiovisual e para o seu público.

O Edital Curta Animação 2013: Resíduos Sólidos em Um Minuto apoiará 40 obras audiovisuais brasileiras de animação, inéditas, de micrometragem, com duração de um minuto, no valor de R$ 15 mil reais cada. O período de inscrição é de 19 de agosto às 18h do dia 7 de outubro.

Já o Edital Curta Criança 2013 apoiará doze obras audiovisuais brasileiras inéditas, de curta-metragem, dos gêneros ficção, animação ou documentário, com temática voltada à infância, com duração de 13 minutos. O período de inscrição também é de 19 de agosto às 18h do dia 7 de outubro e o valor do apoio é de até R$ 60 mil reais para cada obra selecionada.

Deverá ser oferecido pelo proponente, a título de contrapartida, o montante de R$ 15 mil reais, que poderá ser apresentado em recursos financeiros ou bens e serviços economicamente mensuráveis, conforme disposto no art. 12 do Decreto nº. 5.761/2006.

savEm ambos os editais, as obras audiovisuais deverão ser inscritas por pessoas físicas, brasileiros natos ou naturalizados, que se apresentem obrigatoriamente como diretor ou produtor, sendo facultativo o acúmulo de outras funções.

Será permitida a inscrição em cada edital de apenas uma proposta por concorrente, seja diretor ou produtor. A proposta a ser considerada será a primeira inscrita no sistema SALICWEB.

O regulamento dos editais e informações para inscrições estão no site www.cultura.gov.br.

Editais impulsionam a produção do cinema gaúcho

Cinema GaúchoDez longas-metragens chegaram às salas de cinema nos últimos 12 meses graças ao edital de Finalização para Longas-Metragens Rio Grande do Sul Polo Audiovisual, lançado em 2011 pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura (Sedac). Na noite deste domingo, 11, durante o Festival de Cinema de Gramado, será anunciado um segundo edital neste formato.

Com isto o Rio Grande do Sul terá, até 2014, cerca de 20 longas finalizados com recursos públicos. Numa iniciativa de valorização da produção cinematográfica gaúcha pelo Governo estadual, a execução destes editais é uma forma inédita de apoio público à realização audiovisual no Brasil.

Da mesma forma que a premiação realizada em 2011, o novo edital também terá um valor máximo (neste ano será de R$ 1 milhão), dividido entre dez projetos. O regulamento será publicado nas próximas semanas.

A produção audiovisual do Rio Grande do Sul recebe ainda recursos para a realização de minisséries, documentários e videoclipes. Em 2012, o investimento foi de R$ 1,2 milhão e agora, também em Gramado, mais um edital do mesmo valor será anunciado. Os recursos vêm do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e, por meio de acordo de cooperação técnica entre a Sedac e a Fundação Cultural Piratini Rádio e TV, as produções serão exibidas na TVE.

Estes editais, a exemplo dos outros já realizados, vêm suprindo demandas de cineastas e das entidades do audiovisual gaúcho. Para o secretário de Estado da Cultura, Assis Brasil, “os editais nos propiciam a condição de vermos o quanto se produz cinema no Rio Grande do Sul e ao mesmo tempo o quanto este cinema precisa ser apoiado”.

O Governo do Estado tem no desenvolvimento do audiovisual parte do seu plano de Governo. Os editais contribuem para o RS voltar a ocupar um lugar importante no cenário da produção nacional e internacional. “Também acabamos de divulgar os 5 vencedores de mais um prêmio Iecine, que teve 37 inscritos. É uma demonstração da capacidade de produção do nosso cinema” comenta o diretor do Instituto Estadual de Cinema (Iecine-RS), Luiz Alberto Cassol.

Para o secretário Adjunto da Cultura, Jéferson Assumção, a importância dos editais é compor mais uma forma de financiamento à cultura, e a circulação é fundamental para garantir os direitos culturais.” A diretora de economia da Cultura da Sedac, Denise Pereira, diz que apresentar justamente em Gramado essa segunda edição dos dois editais já oferecidos pelo FAC, “significa confirmar nossa responsabilidade para além do fomento à produção, também com a circulação e a exibição do nosso audiovisual. Nos dois editais e nas próprias reconquistas de espaços para a exibição da produção do sul no Festival, estão expressas essas preocupações: nossa criatividade e nossos filmes precisam de espaços, precisam ser vistos e valorizados.”

Festival valoriza o cinema produzido do Estado

41º-Festival-de-Cinema-de-GramadoO Festival de Cinema de Gramado dá continuidade, na edição de 2013, à Mostra Não Competitiva de Longas-Metragens Gaúchos, que será realizada de 12 a 16 de agosto, sempre às 16h, com entrada franca e curadoria do Iecine. São filmes de ficção e documentários produzidos no Rio Grande do Sul recentemente e que atestam o bom momento que vive a cinematografia gaúcha, principalmente por conta do incentivo que veio com o edital de Finalização para Longas-Metragens Rio Grande do Sul Polo Audiovisual.

Um destes filmes, Até que a Sbórnia nos Separe, da Otto Desenhos Animados, concorre na edição deste ano ao Kikito de melhor filme brasileiro. Simone, de Juan Zapata, também foi um projeto contemplado pelo edital de finalização. Alguns títulos já foram exibidos nos cinemas, mas alguns são inéditos e muito aguardados pelo público.

Os filmes da mostra neste ano são: Cinco Maneiras de Fechar os Olhos, de Abel Roland, Amanda Cosptein, Emiliano Cunha, Filipe Matzembacher e Gabriel Motta Ferreira; Danúbio, de Henrique de Freitas Lima; Dyonélio de Jaime Lerner; Mais Uma Canção, de René Goya Filho e Alexandre Derlam; Porto dos Mortos, de Davi de Oliveira Pinheiro; Sobre Sete Ondas Verdes Espumantes, de Bruno Polidoro e Cacá Nazário; e Simone, de Juan Zapata.

Lançamento histórico

Em 2012, o Festival de Gramado sediou a primeira edição da Mostra Não Competitiva de Longas-Metragens Gaúchos, apresentando principalmente os filmes contemplados no primeiro edital de Finalização para Longas-Metragens Rio Grande do Sul Polo Audiovisual. Os títulos exibidos foram: “A Casa Elétrica”, de Gustavo Fogaça; “Da Lua”, de Rodrigo Pesavento, Tiago de Castro e Fernanda Krumel; “Espia Só”, de Saturnino Rocha; “Referendo”, de Jaime Lerner; e “Xico Stockinger”, de Frederico Mendina.

Em Debate: O Lulismo Fora do Eixo

José ArbexOs defensores da política “pós-rancor” combinam a “mais pérfida prática reacionária com um discurso aparentemente libertário”.

José Arbex Jr.*

“Imaginem um liquidificador em que se possa colocar as ramificações da esquerda, com estraté­gias e lógicas de mercado das agências de publi­cidade, misturando rock, rap, artes visuais, teatro, um bando de sonhadores e outro de pragmáti­cos, o artista, o produtor, o empresário e o públi­co. Tudo junto e misturado. O caldo dessa batida é uma nova tecnologia de participação e engaja­mento que funciona de forma exemplar para a circulação e produção musical, mas que, acima de tudo, é um grande projeto de formação política. O Fora do Eixo cria, portanto, uma geração que se utiliza sem a menor preocupação ideológica de aspectos positivos da organização dos movimen­tos de esquerda e de ações de marketing típicas dos liberais. Ë, como disse o teórico da contracul­tura Cláudio Prado, a construção da geração pós-rancor, que não fica presa à questões filosóficas e mergulha radicalmente na utilização da cultura digital para fazer o que tem que ser feito.”

O fantástico liquidificador das ideologias é as­sim descrito por Alexandre Youssef, articulista da revista Trip (de onde foi extraído o trecho acima citado, publicado em 12 de maio de 2011), mem­bro do Partido Verde e coordenador do setor de Juventude durante a gestão de Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo. Ele tem o mérito indis­cutível da franqueza. Não é todo dia que alguém reúne graça e entusiasmo para cantar as virtudes de um “projeto de formação política” que combi­na, sem qualquer pudor ideológico, métodos or-ganizativos da esquerda com “ações de marketing típicas dos liberais”. Claro: tudo isso é feito sem rancor, sentimento ultrapassado e cultivado pe­las pessoas que teimam em se prender a “questões filosóficas” antigas, incapazes de perceber que a cultura digital mudou o mundo. Minai, não foi o FaceBook que provocou a revolução árabe?

fora do Eixo LogoNão. Não foi a mais moderna tecnologia que provocou a revolução árabe, mas os mais arcai­cos entre os problemas enfrentados pela humani­dade: a fome e a pobreza. A imensa maioria dos árabes nunca teve acesso à Internet, ao FaceBook e a nada que se pareça com “cultura digital”. Nem teve acesso a mesas fartas e empregos dignos. Se­ria melan-cômico presenciar o resultado de uma preleção contra o rancor endereçada aos milhões de manifestantes que, colocando em risco as pró­prias vidas, foram às ruas para derrubar ditado­res em algumas das principais capitais árabes. Em contrapartida, os soldados e oficiais da Otan que, historicamente, lançaram e ainda lançam milha­res de toneladas de bombas sobre uma população civil indefesa, esses não agem movidos pelo ran­cor, mas subordinados a frios interesses geopolí-ticos, e estão perfeitamente integrados à “cultura digital”. Os seus brinquedinhos de guerra são produtos da tecnologia de ponta, e incluem robôs e bombardeiros não pilotados. Tudo muito avançado.

O texto de Youssef não teria a menor impor­tância, se ele não fosse expressão de um processo em curso, no Brasil e em todo o planeta, de coop-tação de amplos setores da juventude e da es­querda para políticas de conciliação e abandono da guerra ao capital. Toda essa conversa de “su­peração do rancor” está a serviço de uma ideolo­gia (embora, obviamente, Youssef afirme o con­trário) segundo a qual já não é mais possível falar em luta de classes. Os grandes cenários de em­bates, agora, são os circuitos culturais, não mais o chão de fábrica, o campo e as praças públicas. Ou melhor: todos servem de palco para a grande guerra simbólica.

E como isso aconteceu? É simples. O capitalis­mo pós-fordista, desenvolvido no pós-guerra, te­ria superado a divisão entre trabalho intelectual e manual, para integrar funcionários cada vez mais qualificados a funções que combinam gerência e produção. Além do mais, o vasto acesso ao ensi­no superior, franqueado às populações de baixa renda, teria mudado radicalmente o perfil da for­ça de trabalho, em particular nos países de capi­talismo mais desenvolvido. Essas transformações teriam sido fundamentais para a “culturalização” das classes médias urbanas, para o surgimento da contracultura (incluindo o movimento hippie, en­tre outros) e de novas demandas, que não se limi­tam mais a emprego, salário e conquistas sociais. Do ponto de vista dos novos “setores urbanos mé-‘ dios”, nas palavras do ativista Pablo Ortellado, “as demandas são crescentemente ‘pós-materiais’ para usar um jargão sociológico.”

Desgraçadamente, as manifestações de cente­nas de milhares de jovens e trabalhadores desem­pregados na Grécia, Portugal, Espanha e, mais re­centemente, Itália mostram que as reivindicações são bastante “materiais”. Assim como são “ma­teriais” as demandas de trabalhadores franceses, que não aceitam os contínuos ataques promovi­dos pelo capital às suas conquistas históricas ou as de alguns setores do movimento sindical es­tadunidense, que começa a dar crescentes sinais de vida. E mais “materiais” ainda as necessida­des de cerca de l bilhão de seres humanos famin­tos (segundo dados da própria ONU) e outro tan­to de subnutridos. Alguém teria que avisá-los de que eles poderiam saciar a própria fome a carên­cia de nutrientes com bus virtuais. É fantástico o show da vida.

POLÍTICA “PÓS-RANCOR”

roland-topor-3-300x289Para outros advogados da política “pós-rancor”, o proletariado teria sido substituído pelo “precaria-do”, uma massa difusa, formada pêlos milhões de trabalhadores e jovens que habitam as imensas fa­velas e bairros da periferia. Tais “multidões” (para usar um conceito proposto pelo italiano Toni Negri, segundo quem não existe mais imperialismo, em­bora haja império) já não se identificariam como classe, mas como grupos que defendem interesses específicos (género, raça, opção sexual, sujeitos de direitos difusos etc.), e que ganham força a partir do momento em que adquirem visibilidade social. Para tanto, podem e devem se valer das novas tec-nologias de comunicação e produção de bens sim­bólicos e culturais. A “antiga” e “superada” luta de classes passaria a ser travada nos circuitos midiáti-cos, em que mesmo os protestos de rua viram espe-táculo e “performance”. A “vanguarda”, agora, se­ria formada pêlos “gestores culturais”, justamente os mais capacitados a articular os esquemas desti­nados a dar visibilidade a determinados eventos e grupos (e a captação de recursos e patrocínios, ob­viamente, ganha um papel estratégico e, como tal, regiamente remunerado nesse processo).

No Brasü, especificamente, a política “pós-ran­cor” ganhou um impulso formidável em 2002, com a campanha do “Lulinha paz e amor”. O sindicalis­ta barbudo foi substituído por um senhor modera­do e sorridente, trajando terno e gravata e juran­do respeito ao capital, mediante o compromisso firmado pela Carta ao Povo Brasileiro. Com a ser­vil capitulação ideológica petista, a avenida para o “vale tudo” estava escancarada.

No admirável novo mundo do lulismo, tor­nou-se particularmente emblemática a história do grupo Fora do Eixo (FDE), mencionada por Yous-sef como um exemplo fulgurante de como se faz política nos novos tempos. O FDE foi criado em 2005, pelo publicitário cuiabano Pablo Santiago Capilé, como um “coletivo de gestores da produ­ção cultural”, inicialmente com pólos em Cuiabá, Rio Branco, Uberlândia e Londrina (portanto, fora do eixo tradicional formado por São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília). Com a proposta de revelar no­vos valores culturais “independentes”, e adotan-do o modelo organizativo baseado na formação de “coletivos” (núcleos orgânicos sem patrões nem empregados), o FDE conseguiu o apoio do progra­ma Cultura Viva do Ministério da Cultura, durante a gestão de Gilberto Gil e depois sob Jucá Ferreira. Ao mesmo tempo, trabalhou com o patrocínio de empresas e grupos privados vinculados aos circui­tos cultural e digital, espelhando-se na experiên­cia de grupos semelhantes, como o Creative Com-mons estadunidense.

Como resultado, hoje, segundo os dados da pró­pria organização, o FDE é uma próspera empresa de gestão cultural que agrega 57 coletivos em todo o país, com capacidade para realizar 5 mil shows em 112 cidades. Teoricamente, os “gestores” não são assalariados, mas, claro, recebem pelo seu tra­balho, o que transforma a participação nos “co­letivos” em meio de vida (os “coletivos” adotam moedas próprias e normas internas de distribuição de recursos). A retórica dos “gestores” é, aparente­mente, combativa, com alguns vernizes de rebel­dia: evoca o estímulo à arte independente, o direito de usar drogas, a luta contra o racismo e todo tipo de discriminação etc etc etc. Seu “público alvo”, portanto, são os milhões que formam o “precaria-do”. Coerente com tal retórica, o FDE, em contato com outros grupos assemelhados, participa da or­ganização de atos e manifestações, mas tudo de­vidamente “enquadrado” e delimitado pela conve­niência política.

Um exemplo foi a sua atuação na organização da “Marcha da Liberdade”, realizada no dia 28 de maio, em protesto contra a repressão feroz que se abatera sobre a “Marcha da Maconha”, no começo do mês. Capilé, um dos organizadores, agora nega, mas durante a reunião que preparou o ato de 28 de maio mencionou a possibilidade de patrocínio da Coca-Cola à marcha, sem necessariamente ter que expor a marca (a empresa estaria apenas cul­tivando “boas relações” com os ativistas). A pro­posta foi vetada pelo coletivo Desentorpecendo a Razão (DAR) e Movimento Passe Livre, segundo re­latos divulgados pelo coletivo Passa Palavra. Além disso, o FDE e grupos congéneres posicionaram-se contra a proposta de incluir, como pauta da mar­cha, a reivindicação de proibir aos policiais o uso de armas de fogo para reprimir manifestações. Não haveria mesmo razão para uma proposta tão ran­corosa: liberdade é apenas uma calça velha, azul e desbotada, certo?

A experiência do FDE é o próprio retraio do lu­lismo: combina a mais pérfida prática reacionária com um discurso aparentemente “libertário”. Suas ações são motivadas por interesses pecuniários próprios, mas apresentadas como se fossem ges­tos de altruísmo. Na lógica mercantüista tão bem apresentada por Yousseff, mesmo as manifestações são transformadas em happenings e oportunidades de bons negócios com patrocinadores interessados em vender uma imagem dinâmica e “progressista”. As “antigas” e “rancorosas” reivindicações dos tra­balhadores e jovens pelo acesso real e material ao mundo da cultura e das artes são açambarcadas, administradas e domesticadas por um vasto em­preendimento, que envolve fundos públicos, pa­trocínios de corporações e de empresas privadas e “gestores culturais” que se encarregam de encon­trar os artistas e promover os eventos. Finalmente, a técnica da “gestão cultural” é transportada para o ativismo militante e justificada com um discur­so “pós-rancoroso”, o mais adequado ao mundo das reivindicações “pós-materiais”. O FDE e con-gêres constituem a expressão Mista do movimen­to “cansei”.

Se existe algo de real nas alegações dos “pós-rancorosos”, incluindo os “lulinhas paz e amor”, é a afirmação de que a batalha ideológica trava­da nos “circuitos culturais” adquiriu importância muito maior e central do que à época de Karl Marx. Isso é óbvio, já que as tecnologias de comunicação experimentaram um desenvolvimento vertiginoso no século 20. E, além disso, a humanidade sofreu as experiências de génios do mal da comunica­ção, como é o conhecido caso de Joseph Goebbels, cujas técnicas de propaganda passaram a ser ado-tadas e aprimoradas por Hollywood e outros cen­tros produtivos da indústria cultural (outro concei­to “rancoroso” e ultrapassado, aliás).

Mas nada disso autoriza a afirmação de que o proletariado foi dissolvido no “precariado” e que desapareceu a luta de classes, agora substituída por uma difusa batalha cultural, se tanto. A ex-tração da mais valia continua sendo o “segredo” do capital, e o imperativo do crescimento da taxa de lucro a sua lei compulsória. Isto é, não há re­produção do capital sem a exploração cada vez maior do trabalho humano livre. Mudaram os pa­râmetros que condicionam a luta de classes, as circunstâncias culturais e ideológicas em que ela se desenvolve, assim como as formas de articula­ção entre as várias classes exploradas e oprimidas. Mas nenhum “circuito cultural” aboliu as classes, que não podem ser sociologicamente quantifica­das (classes não constituem um mero dado esta­tístico), mas que dão o ar da graça em momentos de crise e de ameaças às conquistas sociais, como demonstram a revolução árabe e a Zona do Euro.

Bastaram duas semanas de mobilizações em Barcelona e Madri para desarticular três décadas de retórica conciliadora de Luiz Zapatero e com­panhia. Os “precariados” do Oriente Médio, Nor­te da África e Zona da Euro mostram que não é nos circuitos digitais que se trava a guerra con­tra o capital, mas nas ruas. Nas barricadas. Estas sim, são as mesmas que se erguiam nos tempos de Marx, assim como é o mesmo rancor que se ex­pressa nas palavras de ordem contra a miséria e os gestores do neoliberalismo.

Nenhum liquidificador abolirá a luta de classes.

* José Arbex Jr. é jornalista.

http://www.controversia.com.br/index.php?act=textos&id=9741

Revelando os Brasis 2013

revelando-os-brasis-2013Estão abertas as inscrições para o Concurso Nacional de Histórias do Revelando os Brasis – Ano V. O projeto seleciona histórias criadas para produções audiovisuais e oferece suporte para a realização dos projetos. Podem ser inscritas histórias criadas por pessoas com mais de 18 anos e que morem cidades com até 20 mil habitantes.

As histórias podem ser verdadeiras ou inventadas. Os autores selecionados participarão de oficinas preparatórias de roteiro, direção, produção, direção de arte, fotografia, som, edição, mobilização comunitária e direitos autorais, no Rio de Janeiro, com todas as despesas pagas pelo projeto. Na etapa seguinte, os diretores contarão com o apoio da estrutura de produção oferecida pelo Revelando os Brasis para gravar os vídeos com até 15 minutos nos pequenos municípios.

Criado em 2004, o Revelando os Brasis tem por objetivo geral promover inclusão e formação audiovisuais através do estímulo à produção de vídeos digitais. O projeto é uma realização do Instituto Marlin Azul, com parceria do Canal Futura, parceria estratégica da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet.

Nas quatro primeiras edições do projeto foram produzidas 160 obras, entre ficções e documentários. Os vídeos são lançados em DVD com distribuição gratuita entre organizações sociais e culturais, bibliotecas, universidades e cineclubes de todo o Brasil, além disso, participam de festivais e mostras audiovisuais de âmbito local e nacional.

Serviço

revelando os brasisRevelando os Brasis – Ano V
Concurso Nacional de Histórias

Inscrições: 22 de julho a 30 de setembro de 2013
Público: Pessoas acima de 18 anos moradoras de municípios com até 20 mil habitantes.
Ficha de inscrição e regulamento através do www.revelandoosbrasis.com.br / revelando@imazul.org

Fora do Fora do Eixo

Beatriz Seigner*

Beatriz SeignerConheci um representante da rede Fora do Eixo durante um trajeto de ônibus do Festival de Cinema de Gramado de 2011, onde eu havia sido convidada para exibir meu filme “Bollywood Dream – O Sonho Bollywoodiano” e ele havia sido convidado a participar de um debate sobre formas alternativas de distribuição de filmes no Brasil.

Meu filme havia sido lançado naquele mesmo ano no circuito comercial de cinemas, em mais de 19 cidades brasileiras, distribuído pela Espaço Filmes, e o rapaz me contava de como o Fora do Eixo estava articulando pela internet os cerca de 1000 cineclubes do programa do governo Cine Mais Cultura, assim como outros cineclubes de pontos de cultura, escolas, universidades, coletivos e pontos de exibição alternativos, que estavam conectados à internet nas cidades mais longínquas do Brasil, para fazerem exibição simultânea de filmes com debate tanto presencialmente, quanto ao vivo, por skype. Eu achei a idéia o máximo. Me disponibilizei, a mim e ao meu filme para participar destas exibições, pois realmente acredito na necessidade de democratizar o acesso aos bens culturais no país, e sei como é angustiante, nestas cidades distantes, viver sem acesso à cultura alternativa e mais diversas artes.

Foi então organizado o lançamento do meu filme nos cineclubes associados à rede Fora do Eixo durante o Grito Rock 2012, no qual eu também me disponibilizei a participar de uma tournée de debates no interior de São Paulo, na cidade do Rio de Janeiro, e por skype com outros cineclubes que aderissem à “campanha de exibição”, como eles chamam.

Selo Cubo Card moeda financiadoraCom relação à remuneração eles me explicaram que aquele ainda era um projeto embrionário, sem recursos próprios, mas que podiam pagá-lo com “Cubo Card”, a moeda solidária deles, que poderia ser trocada por serviços de design, de construção de sites, entre outras coisas. Já adianto aqui que nunca vi nem sequer nenhum centavo deste cubo card, ou a plataforma com ‘menu de serviços’ onde esta moeda é trocada.

E fiquei sabendo que algumas destas exibições com debate presencial no interior de SP seriam patrocinadas pelo SESC – pois o SESC pede a assinatura do artista que vai fazer a performance ou exibir seu filme nos seus contratos, independente do intermediário. E só por eles pedirem isso é que fiquei sabendo que algumas destas exibições tinham sim, patrocinador. Fui descobrir outros patrocinadores nos posters e banners do Grito Rock de cada cidade. Destes eu não recebi um centavo.

No entanto, foi realmente muito animador ver a quantidade de pessoas sedentas por cultura alternativa em todas as cidades de pequeno e médio porte pelas quais passei. Foi também incrível conversar com cinéfilos por skype de cidadezinhas do Acre, Manaus, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia, Paraíba, Mato Grosso, Goiania, Santa Catarina, Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, entre outras cidades. Pelo que eu via, tinha entre 50 a 150 pessoas em cada sessão. Eu perdi a conta de quantos debates e exibições foram feitas, mas o Fora do Eixo havia me prometido como contra-partida uma foto de cada exibição onde fosse visível o número de público destas, e uma tabela com as cidades e quantidades de exibições que foram feitas. Coisa que também nunca recebi.

De qualquer maneira, empolgada com esta quantidade de pessoas que não querem consumir cultura de massa, em todas estas cidades, entrei em contato com colegas cineastas e distribuidores para que também disponibilizassem seus filmes, pois via o potencial de fortalecimento destes pontos de exibição em todos estes lugares, de crescimento do número de cinéfilos, e de pessoas que têm o desejo de desfrutar coletivamente de um filme, ou de outra obra de arte, de discuti-la, pesquisá-la, e se possível debatê-la com seus realizadores. Estava realmente impressionada com a quantidade de pessoas em todas estas cidades sedentas por arte. Se eu tivesse nascido em uma delas, via que seguramente seria uma delas, e mal conseguia imaginar como deve ser insuportável viver em uma cidade onde não há teatro, cinema alternativo, e muitas vezes nem sequer bibliotecas.

A idéia seria então de fazer um projeto para captar recursos para viabilizar estas exibições. Pensamos em algo como cada cineclube ou ponto de exibição que exibisse um filme receberia 100 reais para organizar e divulgar a sessão, e cada cineasta receberia o mesmo valor pelos diretos de exibição de seu filme naquele lugar. E caso houvesse debate presencial receberia mais cerca de mil reais de cachê pelo debate, e por skype ao vivo cerca de 500 reais pelo debate de até 3 horas.

Pensando em rede, se mil cineclubes exibissem um filme, o cineasta poderia receber, no mínimo, 100 mil reais por estas exibições. Eu ainda acho que é um projeto que deve ser realizado. E que esta ligação entre os cineclubes deveria ser feita por uma plataforma pública online do governo, onde ficaria o armazenamento destes filmes para download com senha e crédito paypal para estes pontos de exibição (sejam eles cineclubes, escolas, universidades, pontos de cultura etc).

Assim como também acho que os “Céus das Artes” que estão sendo construídos no país todo deveriam ter salas de cinema separadas dos teatros, com programação diária, constante, aumentando em 15% o parque exibidor brasileiro, e capacitando o governo de fazer políticas de exibição de filmes gratuitas ou com preços populares, em lugares onde simplesmente não há cinemas, muito menos, de arte.

Mas isso já é outra história. Voltemos ao Fora do Eixo.

fora do Eixo LogoE quando foi que o projeto degringolou? ou quando foi que me assustei com o Fora do Eixo?

Meu primeiro susto foi quando perguntaram se podiam colocar a logomarca deles no meu filme – para ser uma ‘realização Fora do Eixo’, em seu catálogo. Eu disse que o filme havia sido feito sem nenhum recurso público e que a cota mínima para um patrocinador ter sua logomarca nele era de 50 mil reais. Eles desistiram.

O segundo susto veio justamente na exibição com debate em um SESC do interior de SP, quando recebi o contrato do SESC, e vi que o Fora do Eixo estava recebendo por aquela sessão, em meu nome, e não haviam me consultado sobre aquilo. Assinei o contrato minutos antes da exibição e cobrei do Fora do Eixo aquele valor descrito ali como sendo de meu cachê, coisa que eles me repassaram mais de 9 meses depois, porque os cobrei, publicamente.

O terceiro susto veio quando me levaram para jantar na casa da diretora de marketing da Vale do Rio Doce, no Rio de Janeiro, onde falavam dos números fabulosos (e sempre superfaturados) da quantidade de pessoas que estavam comparecendo às sessões dos filmes, aos festivais de música, e do poder do Fora do Eixo em articular todas aquelas pessoas em todas estas cidades. Falavam do público que compareciam a estas exibições e espetáculos como sendo filiados à eles. Ou como se eles tivessem qualquer poder sobre este público.

Foi aí que conheci pela primeira vez o Pablo Capilé, fundador da marca/rede Fora do Eixo, um pouco antes deste jantar. Até então haviam me dito que a rede era descentralizada, e eu havia acreditado, mas imediatamente quando vi a reverência com que todos o escutam, o obedecem, não o contradizem ou criticam, percebi que ele é o líder daqueles jovens, e que ao redor dele orbitavam aqueles que eles chamam de “cúpula” ou “primeiro escalão” do FdE.

O susto veio, não apenas por conta de perceber esta centralidade de liderança, mas porque o Pablo Capilé dizia que não deveria haver curadoria dos filmes a serem exibidos neste circuito de cineclubes, que se a Xuxa liberasse os filmes dela, eles seguramente fariam campanha para estes filmes serem consumidos pois dariam mais visibilidade ao Fora do Eixo, e trariam mais pessoas para ‘curtir’ as fotos e a rede deles – pessoas estas que ele contabilizaria, para seus patrocinadores tanto no âmbito público, quanto privado. “Olha só quantas pessoas fizemos sair de suas casas”. E que ele era contra pagar cachês aos artistas, pois se pagasse valorizaria a atividade dos mesmos e incentivaria a pessoa ‘lá na ponta’ da rede, como eles dizem, a serem artistas e não ‘DUTO’ como ele precisava. Eu perguntei o que ele queria dizer com “duto”, ele falou sem a menor cerimônia: “duto, os canos por onde passam o esgoto”.

Eu fiquei chocada. Não apenas pela total falta de respeito por aqueles que dedicam a maior quantidades de horas de sua vida para o desenvolvimento da produção artística (e quando eu argumentava isso ele tirava sarro dizendo ‘todo mundo é artista’ ao que eu respondia ‘todo mundo é esportista também – mas quantos têm a vocação e prazer de ficar mais de 8 horas diárias treinando e se aprofundando em determinada forma de expressão? quantas pessoas que jogam uma pelada no fim de semana querem e têm o talento para serem jogadores profissionais?” “mas se pudesse escolher todo mundo seria artista” “não necessariamente, leia as biografias de todos os grandes compositores, escritores, cineastas, coreógrafos, músicos, dançarinos – quero ver quem gostaria de ter aquelas infâncias violentadas, viver na miséria econômicas, passar horas de dedicando-se a coisas consideradas inúteis por outros – vai ver se quem é artista, se pudesse escolher outra forma de vocação se não escolheria ter vontade de ser feliz sendo médico, advogado, empresário, cientista social.”).

Enfim, o fato é que eu acreditava e continuo acreditando que se a pessoa na ponta da rede, seja no Acre ou onde quer que seja, se esta pessoa tiver vontade de passar a maior quantidade de tempo possível praticando qualquer forma de expressão artística, seja encarando páginas em branco, lapidando textos, lapidando filmes, treinando danças, coreografias, teatro, seja praticando um instrumento musical (e quem toca instrumentos musicais sabe a quantidade de horas de prática para se chegar à liberdade de domínio do instrumento e de seu próprio corpo, os tais 99% de suor para 1% de inspiração), quem quer que seja que encontre felicidade nestas horas e horas de prática cotidiana artística deve produzir tais obras e não ser DUTO de coisa alguma.

Pois existem pessoas no mundo que não têm este prazer de produção artística, mas têm prazer em exibir, promover, e compartilhar estas obras. E tá tudo certo. Temos diversos exemplos de pessoas assim: vejam a paixão com que o Leon Cakof e a Renata de Almeida produziam e produzem a Mostra de São Paulo. O pessoal da Mostra de Tiradentes. E de tantas outras. Existe paixão pra tudo. E não, exibidores, programadores, curadores, professores, críticos de cinema ou de arte não são artistas frustrados – mas pessoas cuja a paixão deles é esta: analisar, comentar, debater, ensinar, deflagrar e ampliar o pensamento e a reflexão sobre as diversos âmbitos de atuação humanos. Que bom que tem gente com estas paixões tão complementares!

E o meu choque ao discutir com o Pablo Capilé foi ver que ele não tem paixão alguma pela produção cultural ou artística, que ele diz que ver filmes é “perda de tempo”, que livros, mesmo os clássicos, (que continuam sendo lidos e necessários há séculos), são “tecnologias ultrapassadas”, e que ele simplesmente não cultiva nada daquilo que ele quer representar. Nem ele nem os outros moradores das casas Fora do Eixo (já explico melhor sobre isso).

Ou seja, ele quer fazer shows, exibir filmes, peças de teatro, dança, simplesmente porque estas ações culturais/artísticas juntam muita gente em qualquer lugar, que vão sair nas fotos que eles tiram e mostram aos seus patrocinadores dizendo que mobilizam “tantas mil pessoas” junto ao poder público e privado, e que por tanto, querem mais dinheiro, ou privilégios políticos.

Pablo CapiléVejam que esperto: se Pablo Capilé dizer que vai falar num palanque, não iria aparecer nem meia dúzia de pessoas para ouvi-lo, mas se disserem que o Criolo vai dar um show, aparecem milhares. Ou seja, quem mobiliza é o Criolo, e não ele. Mas depois ele tira as fotos do show do Criolo, e vai na Secretaria da Cultura dizendo que foi ele e sua rede que mobilizou aquelas pessoas. E assim, consequentemente, com todos os artistas que fazem participação em qualquer evento ligado à rede FdE. Acredito que, como eu, a maioria destes artistas não saibam o quanto Pablo Capilé capitaliza em cima deles, e de seus públicos.

Mesmo porque ele diz que as planilhas do orçamento do Fora do Eixo são transparentes e abertas na internet, sendo isso outra grande mentira lavada – tais planilhas não encontram-se na internet, nem sequer os próprios moradores das casas Fora do Eixo as viram, ou sabem onde estão. Em recente entrevista no Roda Viva, Capilé disse que arrecadam entre 3 e 5 milhões de reais por ano. Quanto disso é redistribuído para os artistas que se apresentam na rede?

O último dado que tive é que o Criolo recebia cerca de 20 mil reais para um show com eles, enquanto outra banda desconhecida não recebe nem 250 reais, na casa FdE São Paulo.

Mas seria extremamente importante que os patrocinadores destes milhões exigissem o contrato assinado com cada um destes artistas, baseado pelo menos no mínimo sindical de cada uma das áreas, para ter certeza que tais recursos estão sendo repassados, como faz o SESC.

Depois deste choque com o discurso do Pablo Capilé, ainda acompanhei a dinâmica da rede por mais alguns meses (foi cerca de 1 ano que tive contato constante com eles), pois queria ver se este ódio que ele carrega contra as artes e os artistas era algo particular dele, ou se estendia à toda a rede. Para a minha surpresa, me deparei com algo ainda mais assustador: as pessoas que moram e trabalham nas casas do Fora do Eixo simplesmente não têm tempo para desfrutar os filmes, peças de teatro, dança, livros, shows, pois estão 24 horas por dia, 7 dias por semana, trabalhando na campanha de marketing das ações do FdE no facebook, twitter e demais redes sociais.

E como elas vivem e trabalham coletivamente no mesmo espaço, gera-se um frenesi coletivo por produtividade, que, aliado ao fato de todos ali não terem horário de trabalho definido, acreditarem no mantra ‘trabalho é vida’, e não receberem salário, e portanto se sentirem constantemente devedores ao caixa coletivo, da verba que vem da produção de ações que acontecem “na ponta”, em outros coletivos aliados à rede, faz com que simplesmente, na casa Fora do Eixo em São Paulo, não se encontre nenhum indivíduo lendo um livro, vendo uma peça, assistindo a um filme, fazendo qualquer curso, fora da rede. Quem já cruzou com eles em festivais nos quais eles entraram como parceiros sabem do que estou falando: eles não entram para assistir a nenhum filme, nem assistem/participam de nenhum debate que não seja o deles. O que faz com que, depois de um tempo, eles não consigam falar de outra coisa que não sejam eles mesmos.

Sim, soa como seita religiosa.

Eu comecei a questionar esta prática: como vocês querem promover a cultura, se não a cultivam? Ao que me responderam “enquanto o povo brasileiro todo não puder assistir a um filme no cinema, nós também não vamos”. Eu perguntei se eles sabiam que havia mostras gratuitas de filmes, peças de teatro, dança, bibliotecas públicas, universidades públicas onde pode-se assistir a qualquer aula/curso – ao que me responderam que eles não têm tempo para perder com estas coisas.

Pode parecer algo muito minimalista, mas eu acho chocante eles se denominarem o “movimento social da cultura”, e não cultivar nem a produção nem o desfrute das atividades artísticas da cidade onde estão, considerando-se mártires por isso, orgulhando-se de serem chamados de “precariado cognitivo” (sem perceber o tamanho desta ofensa – podemos nos conformar em viver no precariado material, mas cultivar e querer espalhar o precariado de pensamentos, de massa crítica, de sensibilidade cognitiva, é algo muito grave para o desenvolvimento de seres humanos, e consequentemente da humanidade).

Concomitantemente a isso, reparei que aquela massa de pessoas que trabalham 24 horas por dia naquelas campanhas de publicidade das ações da rede FdE, não assinam nenhuma de suas criações: sejam textos, fotos, vídeos, pôsters, sites, ações, produções. Pois assinar aquilo que se diz, aquilo que se mostra, que se faz, ou que se cria, é considerado “egóico” para eles. Toda a produção que fazem é assinada simplesmente com a logomarca do Fora do Eixo, o que faz com que não saibamos quem são aquele exercito de criadores, mas sabemos que estão sob o teto e comando de Pablo Capilé, o fundador da marca.

E que não, a marca do fora do Eixo não está ligada a um CNPJ, nem de ONG, nem de Associação, nem de Cooperativa, nem de nada – pois se estivesse, ele seguramente já estaria sendo processado por trabalho escravo e estelionato de suas criações, por dezenas de pessoas que passaram um período de suas vidas nas casas Fora do Eixo, e saem das mesmas, ao se deparar com estas mesmas questões que exponho aqui, e outras ainda mais obscuras e complexas.

Me explico melhor: existem muitos dissidentes que se aproximam da rede pois vêem nela a possibilidade de viver da criação e circulação artística, de modificar suas cidades e fortalecer o impacto social da arte na população das mesmas, que depois de um tempo trabalhando para eles percebem, tal qual eu percebi, as incongruências do movimento Fora do Eixo. Que aquilo que falam, ou divulgam, não é aquilo que praticam. É a pura cultura da publicidade vazia enraizada nos hábitos diários daquelas pessoas.

E além disso, o que talvez seja mais grave: quem mora nas casas Fora do Eixo, abdicam de salários por meses e anos, e portanto não têm um centavo ou fundo de garantia para sair da rede. Também não adquirem portfólio de produção, uma vez que não assinaram nada do que fizeram lá dentro – nem fotos, nem cartazes, nem sites, nem textos, nem vídeos. E, portanto, acabam se submetendo àquela situação de escravidão (pós)moderna, simplesmente pois não vêem como sobreviver da produção e circulação artística, fora da rede. Muitas destas pessoas são incentivadas pelo próprio Pablo Capilé a abandonar suas faculdades para se dedicarem integralmente ao Fora do Eixo. Quanto menos autonomia intelectual e financeira estas pessoas tiverem, melhor para ele.

E quando algumas destas pessoas conseguem sair, pois têm meios financeiros independentes da rede FdE para isso, ficam com medo de retaliação, pois vêem o poder de intermediação que o Capilé conseguiu junto ao Estado e aos patrocinadores de cultura no país, e temem serem “queimados” com estes. Ou mesmo sofrer agressões físicas. Já três pessoas me contaram ouvir de um dos membros do FdE, ao se desligarem da rede, ameaças tais quais “você está falando de mais, se estivéssemos na década de 70 ou na faixa de gaza você já estaria morto/a.” Como alguns me contaram, “eles funcionam como uma seita religiosa-política, tem gente ali capaz de tudo” na tal ânsia de disputa por cada vez mais hegemonia de pensamento, por popularidade e poder político, capital simbólico e material, de adeptos. Por isso se calam.

Fiquei sabendo de uma menina que produziu o Grito Rock 2012 em Braga, em Portugal, no qual exibiram meu filme. Ela me contou que estava de intercâmbio da universidade lá, e uma amiga dela que havia sido “abduzida pelo Fora do Eixo” entrou em contato perguntando se ela e um amigo não queriam exibir o filme em Braga, produzir o show de uma banda na universidade, fazer a divulgação destas ações nas redes sociais. Ela achou boa a idéia e qual não foi sua surpresa quando viu que em todos os materiais de divulgação do evento que lhe enviaram estava escrito “realização Fora do Eixo”. “Eu nunca fui do Fora do Eixo, não tenho nada a ver com eles, como assim meu nome não saiu em nada? Não vou poder usar estas produções no meu currículo? E pior, eles agora falam que o Fora do Eixo está até em Portugal, e em sei lá quantos países. Isso é simplesmente mentira. Eu não sou, nem nunca fui do Fora do Eixo.”

O que leva a outro ponto grave das falácias do Fora do Eixo: sua falta de precisão numérica. Pablo Capilé, quando vai intermediar recursos junto ao poder público ou privado, para capitalizar a rede FdE, fala números completamente aleatórios “somos mais de 2 mil pessoas em mais de 200 cidades na America Latina”. Cadê a assinatura destas pessoas dizendo que são realmente filiadas à rede? Qualquer associação, cooperativa, partido político, fundação, ONG, ou movimento social tem estes dados. Reais, e não imaginários.

Quando visitei algumas das casas Fora do Eixo, estas pessoas morando e trabalhando lá não chegavam a 10% daquilo que ele diz a rede conter. E estas pessoas são treinadas com a estratégia de marketing da rede, de “englobar” no facebook e twitter alguém que eles consideram estrategicamente importante para o Fora do Eixo, seja um vereador, um intelectual, um artista, um secretário da cultura, e replicam simultaneamente as fotos e textos dos eventos do qual produzem, divulgam, ou simplesmente se aproximam (já vou falar dos outros movimentos sociais que expulsam o Fora do Eixo de suas manifestações – pois eles tiram fotos de si no meio destas ações dos outros e depois vão ao poder público dizer que as representam), ao redor daquelas pessoas estratégicas, política e economicamente para eles, que as adicionaram ao mesmo tempo, criando uma realidade virtual paralela que eles manipulam ao redor desta pessoa. Pois, se esta pessoa ‘englobada’ apertar ‘ocultar’ nas cerca de150 pessoas que trabalham nas casas Fora do Eixo, verá que muito raramente estas informações chegam por outras vias. Ou seja, eles simulam um impacto midiático muito maior de suas ações, apara aqueles que lhes interessam, do que o impacto real das mesmas nas populações e localizações onde aconteceram.

E com isso vão construindo esta realidade falsa, paralela. Controlada por eles, sob liderança do Pablo Capilé.

Dos movimentos sociais que começaram a expulsar os Fora do Eixo de suas manifestações e ações, pois estes, como os melhores mandrakes, ao tentar dominar a comunicação destas, iam depois ao poder público dizer representá-las, estão o movimento do Hip Hop em São Paulo, as Mãe de Maio (que encabeçam o movimento pela desmilitarização da PM aqui), o Cordão da Mentira (que une diversos coletivos e movimentos sociais para a passeata de 1º de Abril, dia do golpe Militar no Brasil, escrachando os lugares e instituições que contribuíram para o mesmo), a Associação de Moradores da Favela do Moinho, o coletivo Zagaia, o Passa-Palavra, o Ocupa Mídia, O Ocupa Sampa, o Ocupa Rio, Ocupa Funarte, entre outros. Até membros do Movimento Passe Livre tem discutido publicamente o assunto dizendo que o Fora do Eixo não os representam, e não podem falar em seu nome.

Sobre a transmissão de protestos e ocupações, são milhares de pessoas em diversos países que transmitem as manifestações no mundo todo, em tempo real, e acredito que os inventores que fizeram os primeiros smartphones conectando vídeo com internet, são realmente tão importantes para a comunicação na atualidade quanto os inventores do telégrafo foram em outra época.

Já o Fora do Eixo, agora denominados de Mídia Ninja, (antes era Mídia Fora do Eixo, mas como são muito expulsos de manifestações resolveram mudar de nome) utilizar os vídeos feitos por centenas de pessoas não ligadas ao Fora do Eixo, editá-los, subí-los no canal sob seu selo, e querer capitalizar em cima disso – sem repassar os recursos para as pessoas que realmente filmaram estes vídeos/fizeram estas fotos e textos – inclusive do PM infiltrado mudando de roupa e atirando o molotov – eu já acho bastante discutível eticamente.

Sobre a questão do anonimato nos textos e fotos, acredito que esta prática acaba fazendo com que eles façam exatamente aquilo que criticam na grande mídia: espalham boatos anônimos, sem o menor comprometimento com a verdade, com a pesquisa, com a acuidade dos dados e fatos.

Mas enfim, acho que a discussão é muito mais profunda do que a Midía Ninja em si, apesar deles também se beneficiarem do trabalho escravo daqueles que vivem nas casas Fora do Eixo.

Acredito com este relato estar dando minha contribuição pública à discussão de o que é o Fora do Eixo, como se financiam e sustentam a rede, quais seus lados bons e seus lados perversos, onde é que enganam as pessoas, dizendo-se transparentes, impunemente.

Contribuição esta que acredito ser meu dever público, uma vez que, ao me encantar com a rede, e haver vislumbrado a possibilidade de interagir com cinéfilos do rincões mais distantes do país, que não têm acesso aos bens culturais produzidos ou circulados por aqui, incentivei outros colegas cineastas a fazerem o mesmo. Já conversei pessoalmente com todos aqueles que pude, explicando tudo aquilo que exponho aqui também. Dos cineastas que soube que também liberaram seus filmes para serem exibidos pela rede, nenhum recebeu qualquer feedback destas exibições, sejam em fotos com o número de pessoas no públicos, seja com a tabela de cidades em que passaram, seja de eventuais patrocínio que os exibidores receberam. E como talvez tenha alguém mais com quem eu não tenha conseguido falar pessoalmente, fica aqui registrado o testemunho público sobre minha experiência com a rede Fora do Eixo, para que outras pessoas possam tomar a decisão de forma mais consciente caso queiram ou não colaborar com ela.

Espero que os patrocinadores da rede tomem também conhecimento de todas estas falácias, e cobrem do Fora do Eixo o número exato de participantes, com assinatura dos mesmos, os contratos e recibo de repasse das verbas que recebem aos autores das obras e espetáculos que eles dizem promover. E que jornalistas que investigam o trabalho escravo moderno se debrucem também sobre estas casas: pois acredito que as pessoas que estão lá e querem sair precisam de condições financeiras e psicológicas para isso.

Espero também que mais pessoas tomem coragem para publicar seus relatos (e sei que tem muita gente que poderia fazer o mesmo, mas que tem medo pelos motivos que expliquei a cima), e assim teremos uma polifonia importante para quebrar a máscara de consenso ao redor do Fora do Eixo.

E que, mesmo vivendo em plena era da cultura da publicidade, exijamos “mais integridade, por favor”, entre aquilo que dizem e aquilo que fazem aqueles que querem trabalhar, circular, exibir, criar, representar, pensar ou lutar pelo direito fundamental do Homem de produção e desfrute da diversidade artística e cultural de todas as épocas, em nosso tempo.