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Nem convidado, nem candidato: Mas tive um sonho…

João Baptista Pimentel Neto*

João Baptista Pimentel Neto. Perfil DiálogosInicio reafirmando o que já disse há muitos amig@s e companheir@s. Não fui convidado, nem tão pouco sou candidato à Secretaria do Audiovisual.  Aliás, por motivos familiares e profissionais, como já informado à quem de direito, neste momento, mesmo que convidado fosse, para este ou qualquer outro cargo no MinC, seria obrigado a agradecer a lembrança, reafirmar meu apoio ao companheiro Juca Ferreira e minha disposição de participar do processo coletivo que estou certo já foi restaurado. 

BastaReafirmo também que sou totalmente contrário a mobilizações com o objetivo de “indicar” nomes para cargos executivos de órgãos governamentais. Acredito que para além desta ser uma prerrogativa daqueles que foram eleitos ou por estes indicados para chefiar tais estruturas administrativas, a nomeação é de RESPONSABILIDADE dos mesmos. Ou trocando em miúdos, acertos e erros, devem ser creditados ou debitados nas contas daqueles que detêm a prerrogativa da escolha e nomeação, cabendo a sociedade um (desejável, mas nem sempre possível) papel participativo na elaboração das políticas públicas e fiscalizatório quanto a execução destas políticas e aplicação dos recursos públicos.

Reafirmo ainda que no que se refere a indicação e nomeação para cargos em Conselhos, Comissões, Grupos de Trabalho, enfim, para estruturas destinadas a garantir a participação popular na gestão pública, continuo sendo totalmente a favor de mobilizações públicas, amplas e democráticas. Mais que isso, acho profundamente lamentável que ainda existam políticos e gestores públicos contrários a existência destes canais de participação. Ou que apesar de admitir a existência destes canais, não acatem as indicações dos representantes indicados pela sociedade.

Feito estes esclarecimentos, informo que decidi escrever esta mensagem pelo desconforto e constrangimento que senti por conta das atuais “mobilizações” que objetivam indicar ao Ministro Juca Ferreira um nome para exercer a chefia da SAv – Secretaria do Audiovisual, um cargo para o qual Juca já teria recebido “367 indicações”, dentre as quais, surgiram como “favoritos” três pessoas pelas quais nutro não só respeito e admiração, mas carinho, amizade e companheirismo. E que portanto considero totalmente aptas e preparadas para exercer a função. Assim, neste contexto, comunico à eles que seja quem for o escolhido, podem desde já contar com meu apoio.

Por outro lado e diante da atual situação da SAv, quero aproveitar a ocasião (e a situação) para tornar público o sonho ao qual me referi no título desta matéria. Um sonho que sinceramente mais do que possível, julgo totalmente viável, bastando para tanto que tod@s nós decidamos seguir o conselho de um outro baiano genial, que para além de ter nascido a mil anos atrás, também há muito tempo já nos informou que “sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha JUNTO É REALIDADE”.

Vai daí que sonhei que (finalmente) tod@s nós, havíamos chegado ao consenso que não basta apenas que o Ministro faça uma boa escolha quanto ao nome do futuro Secretário do Audiovisual para que a SAv consiga minimamente atender a todas as demandas dos setores que lhe são afetos e assim alcançar ao menos algumas das metas fundamentais para que o audiovisual brasileiro venha a consolidar os inegáveis avanços coletivamente até aqui alcançados.

Para tanto – e até acho que sobre isso tod@s nós concordamos – é imperioso que a SAv passe por um processo de total restruturação, ampliação e fortalecimento. Isso porque, mais do que apenas um bom Secretário, será necessário que se monte uma boa equipe, que no meu sonho seria composta não só pelos três nomes acima referidos, mas por muitos outros que penso serem os mais preparados para tirar do papel um sem número de propostas e tornar realidade ações que vem sendo demandas por vários segmentos do audiovisual desde o histórico 8 CBC.

Daí – e sem medo de ser feliz – ouso tornar público alguns dos nomes que estavam no meu sonho, pedindo desde já desculpas a muitos companheir@s que apesar de não terem participado do meu sonho, estou certo estão também totalmente preparados para cumprir as tarefas relacionadas.

Assim é que digo que na equipe dos meus sonhos, as tarefas relacionadas ao intercâmbio internacional – logicamente focado da América Latina e diálogos sul-sul – seriam comandadas pelo mestre Orlando Senna e pelo Guigo Pádua. Já o amigo e companheiro Pola Ribeiro, auxiliado pelos compas Adriano de Angelis e James Gorgen seriam responsáveis pelas questões afetas as Tvs Públicas e Comunitárias e implantação do Canal da Cultura.

Carla Francine, Saskia Sá, Claudino de Jesus, Rodrigo Bouillet e Caio Cesario cumpriam as tarefas afetas a retomada do Programa Cine Mais Cultura, implantação do Projeto Cineclubismo e Educação e consolidação da Programadora Brasil. Para resolver e tirar do papel as propostas relacionadas aos festivais, foram convocados a dupla dinâmica Antonio Leal e Xikino.

Já a Cinemateca Brasileira era comandada pela nossa embaixadora Edina Fujji em parceria com o Carlos Magalhães e o CTAv pelos mestres paraibanos e pernambucanos que hoje representam o que de mais avançado conseguimos (Nós brasileiros) elaborar quanto as novas tecnologias.

Leopoldo Nunes e Cia estavam responsáveis pela retomada do DOC Tv, pela consolidação do Programa Olhar Brasil e pela almejada federalização dos editais de curta metragem. Luciana Druzina, Ale Machado e Cia cuidavam das questões relacionadas à animação, enquanto Newton Canitto e a Aninha tornavam possíveis o atendimento das legitimas e fundamentais demandas desde sempre apresentadas pelos roteiristas.

Fundamental era também a participação do amigo Silvio Da-Rin – que penso ser o melhor nome para coordenar o processo de implantação da tão sonhada Fundação do Cinema Brasileiro, assim como as presenças do Geraldo Moraes e do Jorge Alfredo Guimarães para definitivamente resolver as pendengas relacionadas aos direitos de autor.

Já o fortalecimento do relacionamento da SAv com os movimentos sociais, indígenas, quilombolas, minorias religiosas e com os brasileiros e brasileiros do Norte e do Nordeste estava sendo cuidado com amor e poesia pelos companheiros Rosemberg Cariry e Arthur Leandro, que conhecem como poucos a alma e as necessidades destas gentes. E cuidando da formação e pesquisa, estavam lá trabalhando André Gatti e Cia.

Enfim, neste meu sonho apareceram ainda muitas outras pessoas, mas acredito que já falei – até demais – sobre o tal sonho. E é melhor passar aos “finalmentes…”

Assim, devo confessar que acordei profundamente triste. E, angustiado, tive que encarar a realidade, de que, com ou sem equipe, alguém terá que ser o novo secretário do Audiovisual. E acabei lembrando de que no final do meu sonho, como se fora eu o Ministro havia feito o convite para aquele que julgo talvez fosse o melhor nome para assumir o cargo e coordenar toda esta incrível galera. E que, para minha infelicidade, meu convite, por motivos de força maior, não fora aceito pelo escolhido.

gustavo-dahlE mais uma vez chorei a precoce morte do Gustavo Dahl…

Finalmente quanto a minha participação no processo, sonhei que continuava exercendo o papel de “líder do Povo” – nomeado que fui para este cargo imaginário pelo Manoel Rangel – e desta forma continuar tentando convence-lo (o Manoel) de que para que este meu sonho se torne realidade, bastaria que a ANCINE repassasse à SAv mínimos dez por cento dos valores hoje disponíveis no Fundo Setorial do Audiovisual. E que isso talvez seja o melhor investimento que a ANCINE faria ao longo de toda a sua trajetória.

E é isso…

Quem sabe, agora com um baiano no comando do MinC, o Manoel entenda o Raul…

Sonho que se sonha junto, é mesmo realidade!

Pelos Direitos do Público!
Filmes São Feitos Para Serem Vistos!
Viva o Cinema e a Cultura Brasileira!

E seja muito bem vindo companheiro Ministro Juca Ferreira!

* João Baptista Pimentel Neto é jornalista, editor da revista Diálogos do Sul, cineclubista e presidente do CreC – Centro Rioclarense de Estudos Cinematográficos. Ex-Presidente e atual conselheiro do CBC – Congresso Brasileiro de Cinema

Cultura Para Todos, Pela Aprovação da PEC 150!

Em defesa da cultura e da PEC150A Câmara dos Deputados acaba de – finalmente – aprovar o Procultura. Mais que isso, generosamente nossos deputados, ampliaram o limite de renúncia fiscal para até 8%. A regra valerá tanto para pessoas físicas como para pessoas jurídicas.

João Baptista Pimentel Neto*

túnel do tempoSem dúvida um avanço, mesmo que ainda falte a aprovação do Senado e a promulgação pela Presidenta Dilma Roussef. E que como não sabemos se esta ampliação foi “combinada” com a Fazenda e o Planalto, concretamente nada temos ainda para comemorar.

Assim a aprovação do PROCULTURA foi apenas mais um pequeno avanço na pauta legislativa da cultura, já que o principal projeto relacionado ao setor, a PEC 150, continua tramitando a passos de tartaruga pelo Congresso e sua não aprovação inviabiliza a implementação e pleno funcionamento das políticas públicas de cultura aprovadas e reaprovadas com ampla participação popular nas Conferências Nacionais de Cultura.

Fruto de consensos estabelecidos entre os diversos segmentos da cultura as propostas e ações previstas nas referidas políticas públicas tinham – têm – por alicerce apenas três projetos, cuja ordem de votação, curiosamente, mas não sem motivos, tiveram sua ordem lógica de votação completamente invertidas.

Este é o entendimento quando constatamos que, após quase uma década de tramitação destes três projetos, dois já foram aprovados e sancionados.

O primeiro determina a criação do PNC / Plano Nacional de Cultura, que estabelece as metas para o setor para os próximos dez anos e o segundo, dispõem sobre a criação e funcionamento do SNC – Sistema Nacional de Cultura, disciplinando o funcionamento e responsabilidades das diversas esferas governamentais e não governamentais no processo de implantação e consolidação das políticas públicas do setor.

arteNeste contexto e como já referido, curiosamente, mas não sem motivos, resta a votação da PEC 150, que estabelece a obrigatoriedade de aplicação de percentuais mínimos dos recursos orçamentários da união, dos estados e dos municípios nas atividades relacionadas à cultura. Assim é que sem a aprovação do projeto que torna obrigatório e garante recursos mínimos para o financiamento do setor, as metas e o sistema já aprovados, na prática, as políticas públicas de cultura continuam mancas e sem a menor possibilidade de se transformar em realidade.

Alvo dos poderosos lobbys exercidos pelos Governos Estaduais e pela CNM / Confederação Nacional dos Municípios a PEC 150 continua com sua tramitação paralisada no Congresso e este é o maior problema do setor. Portanto, é fundamental e urgente a votação e aprovação desta PEC.

Neste contexto, considerando que já vivemos o clima do processo eleitoral que em outubro próximo determinará a eleição daqueles que durante os próximos quatro anos serão responsáveis pelo comando dos executivos e legislativos estaduais e federal é que propomos que todas as entidades representativas, trabalhadores e militantes da cultura, a partir de agora busquem comprometer os candidatos, independentemente de suas colorações ou filiações partidárias, com a votação e aprovação da PEC 150 pelo Congresso Nacional.

Somente a votação e aprovação da PEC 150 garantirá que as políticas públicas de cultura funcionem de verdade e possibilitem aos brasileiros o pleno exercício de sua cidadania cultural.

João Baptista Pimentel Neto é jornalista, cineclubista, gestor e produtor cultural e atual presidente do CBC / Congresso Brasileiro de Cinema.

Marcas da Memória e Curtas CreC no retorno das atividades do CreC

crec28500Após um período de inatividade, o CreC – Centro Rioclarense de Estudos Cinematográficos – CineVídeo Roberto Palmari voltará a promover atividades cineclubistas em Rio Claro. A retomada das atividades do cineclube rioclarense, que este ano comemora 28 anos da sua fundação, será marcada pela realização da Mostra Marcas da Memória prevista para acontecer no período de  07 a 13 de abril. A Mostra será promovida pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e em Rio Claro terá também apoio da Secretaria Municipal da Cultura, da Tv Cidade Livre – Canal Comunitário e da Revista Diálogos do Sul. 

Durante este período também acontecerá a retomada do projeto “Curtas CreC” através da exibição de um programa semanal dentro da grade de programação da Tv Cidade Livre – Canal Comunitário e de uma sessão semanal na Sala de Cinema Antonio Padula Netto no Centro Cultural “Roberto Palmari”. O projeto também conta a parceria da Secretaria Municipal de Cultura e da Tv Cidade Livre e com apoio cultural da SAv – Secretaria do Audiovisual do MinC – Ministério da Cultura, do CNC – Conselho Nacional de Cineclubes e do CBC – Congresso Brasileiro de Cinema.

túnel do tempoResponsável pela coordenação desta atividades, o jornalista e ativista cultural João Baptista Pimentel Neto, que atualmente exerce a presidência do CBC – Congresso Brasileiro de Cinema afirmou que a retomada de ações e projetos pelo CreC, tem por principal objetivo democratizar o acesso dos rioclarenses à produções audiovisuais que de não encontram espaço de exibição dentro do circuito comercial de exibição cinematográfica. Desta forma, segundo Pimentel, a programação privilegiará a exibição de filmes brasileiros, que por conta do reduzido e insuficiente número de salas de cinema em funcionamento no país, não conseguem concorrer e ser programados nas salas do circuito comercial, que historicamente são “dominadas” pela exibição de filmes americanos.

“Pouca gente sabe, mas atualmente são produzidos no Brasil cerca de 120 filmes de longa metragem e milhares de curtas e médias metragens, que por conta das deficiências da infraestrutura do circuito exibidor e da dominação exercida pela indústria do audiovisual estadunidense no nosso mercado, nunca foram vistos pela maioria da população brasileira. Nem mesmo filmes brasileiros da melhor qualidade e premiados nos mais importantes festivais de cinema e audiovisual do mundo, conseguem remover as barreira e driblar os obstáculos existentes à exibição dos filmes realizados no nosso próprio país. Assim, a maior parte dos filmes de longa metragem e com certeza a totalidade dos filmes produzidos nas últimas décadas no Brasil, acabam sendo exibidos apenas nos circuitos formados por festivais e cineclubes, o que até do ponto de vista econômico esconde uma absoluta contradição, já que tais filmes, via de regra, são realizados com recursos públicos. Ou seja, mesmo pagando a conta, é negada ao povo brasileiro a possibilidade de acesso a esta enorme produção audiovisual”.

“Depois de ficar por quase uma década afastado de Rio Claro, para minha surpresa, ao retornar, constatei que as atividades do cineclube, estavam praticamente paralisadas, o que não fazia o menor sentido, já que o CreC durante toda a sua história, além de sempre ter sido considerado como um dos mais atuantes e importantes cineclubes do país, também faz parte do Circuito Cine+Cultura e portanto, possuí todo o equipamento necessário para a realização de suas atividades. Neste contexto, e como continuo mantendo minha militância cultural, em especial, em temas relacionados ao audiovisual, decidi conversar com o pessoal da Tv Cidade Livre para me informar sobre o que estava acontecendo e constatei que os problemas existentes para uma imediata retomada das atividades eram muito pequenos e simples de resolver. Depois conversei também com o Secretário Municipal de Cultura, Sergio Desiderá que imediatamente se mostrou, mais do que disposto, entusiasmado com a proposta da retomada das atividades do cineclube. E daí ficou ainda mais fácil concretizar a proposta. E é isso que coletivamente vamos fazer.”. – concluiu.