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Nem convidado, nem candidato: Mas tive um sonho…

João Baptista Pimentel Neto*

João Baptista Pimentel Neto. Perfil DiálogosInicio reafirmando o que já disse há muitos amig@s e companheir@s. Não fui convidado, nem tão pouco sou candidato à Secretaria do Audiovisual.  Aliás, por motivos familiares e profissionais, como já informado à quem de direito, neste momento, mesmo que convidado fosse, para este ou qualquer outro cargo no MinC, seria obrigado a agradecer a lembrança, reafirmar meu apoio ao companheiro Juca Ferreira e minha disposição de participar do processo coletivo que estou certo já foi restaurado. 

BastaReafirmo também que sou totalmente contrário a mobilizações com o objetivo de “indicar” nomes para cargos executivos de órgãos governamentais. Acredito que para além desta ser uma prerrogativa daqueles que foram eleitos ou por estes indicados para chefiar tais estruturas administrativas, a nomeação é de RESPONSABILIDADE dos mesmos. Ou trocando em miúdos, acertos e erros, devem ser creditados ou debitados nas contas daqueles que detêm a prerrogativa da escolha e nomeação, cabendo a sociedade um (desejável, mas nem sempre possível) papel participativo na elaboração das políticas públicas e fiscalizatório quanto a execução destas políticas e aplicação dos recursos públicos.

Reafirmo ainda que no que se refere a indicação e nomeação para cargos em Conselhos, Comissões, Grupos de Trabalho, enfim, para estruturas destinadas a garantir a participação popular na gestão pública, continuo sendo totalmente a favor de mobilizações públicas, amplas e democráticas. Mais que isso, acho profundamente lamentável que ainda existam políticos e gestores públicos contrários a existência destes canais de participação. Ou que apesar de admitir a existência destes canais, não acatem as indicações dos representantes indicados pela sociedade.

Feito estes esclarecimentos, informo que decidi escrever esta mensagem pelo desconforto e constrangimento que senti por conta das atuais “mobilizações” que objetivam indicar ao Ministro Juca Ferreira um nome para exercer a chefia da SAv – Secretaria do Audiovisual, um cargo para o qual Juca já teria recebido “367 indicações”, dentre as quais, surgiram como “favoritos” três pessoas pelas quais nutro não só respeito e admiração, mas carinho, amizade e companheirismo. E que portanto considero totalmente aptas e preparadas para exercer a função. Assim, neste contexto, comunico à eles que seja quem for o escolhido, podem desde já contar com meu apoio.

Por outro lado e diante da atual situação da SAv, quero aproveitar a ocasião (e a situação) para tornar público o sonho ao qual me referi no título desta matéria. Um sonho que sinceramente mais do que possível, julgo totalmente viável, bastando para tanto que tod@s nós decidamos seguir o conselho de um outro baiano genial, que para além de ter nascido a mil anos atrás, também há muito tempo já nos informou que “sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha JUNTO É REALIDADE”.

Vai daí que sonhei que (finalmente) tod@s nós, havíamos chegado ao consenso que não basta apenas que o Ministro faça uma boa escolha quanto ao nome do futuro Secretário do Audiovisual para que a SAv consiga minimamente atender a todas as demandas dos setores que lhe são afetos e assim alcançar ao menos algumas das metas fundamentais para que o audiovisual brasileiro venha a consolidar os inegáveis avanços coletivamente até aqui alcançados.

Para tanto – e até acho que sobre isso tod@s nós concordamos – é imperioso que a SAv passe por um processo de total restruturação, ampliação e fortalecimento. Isso porque, mais do que apenas um bom Secretário, será necessário que se monte uma boa equipe, que no meu sonho seria composta não só pelos três nomes acima referidos, mas por muitos outros que penso serem os mais preparados para tirar do papel um sem número de propostas e tornar realidade ações que vem sendo demandas por vários segmentos do audiovisual desde o histórico 8 CBC.

Daí – e sem medo de ser feliz – ouso tornar público alguns dos nomes que estavam no meu sonho, pedindo desde já desculpas a muitos companheir@s que apesar de não terem participado do meu sonho, estou certo estão também totalmente preparados para cumprir as tarefas relacionadas.

Assim é que digo que na equipe dos meus sonhos, as tarefas relacionadas ao intercâmbio internacional – logicamente focado da América Latina e diálogos sul-sul – seriam comandadas pelo mestre Orlando Senna e pelo Guigo Pádua. Já o amigo e companheiro Pola Ribeiro, auxiliado pelos compas Adriano de Angelis e James Gorgen seriam responsáveis pelas questões afetas as Tvs Públicas e Comunitárias e implantação do Canal da Cultura.

Carla Francine, Saskia Sá, Claudino de Jesus, Rodrigo Bouillet e Caio Cesario cumpriam as tarefas afetas a retomada do Programa Cine Mais Cultura, implantação do Projeto Cineclubismo e Educação e consolidação da Programadora Brasil. Para resolver e tirar do papel as propostas relacionadas aos festivais, foram convocados a dupla dinâmica Antonio Leal e Xikino.

Já a Cinemateca Brasileira era comandada pela nossa embaixadora Edina Fujji em parceria com o Carlos Magalhães e o CTAv pelos mestres paraibanos e pernambucanos que hoje representam o que de mais avançado conseguimos (Nós brasileiros) elaborar quanto as novas tecnologias.

Leopoldo Nunes e Cia estavam responsáveis pela retomada do DOC Tv, pela consolidação do Programa Olhar Brasil e pela almejada federalização dos editais de curta metragem. Luciana Druzina, Ale Machado e Cia cuidavam das questões relacionadas à animação, enquanto Newton Canitto e a Aninha tornavam possíveis o atendimento das legitimas e fundamentais demandas desde sempre apresentadas pelos roteiristas.

Fundamental era também a participação do amigo Silvio Da-Rin – que penso ser o melhor nome para coordenar o processo de implantação da tão sonhada Fundação do Cinema Brasileiro, assim como as presenças do Geraldo Moraes e do Jorge Alfredo Guimarães para definitivamente resolver as pendengas relacionadas aos direitos de autor.

Já o fortalecimento do relacionamento da SAv com os movimentos sociais, indígenas, quilombolas, minorias religiosas e com os brasileiros e brasileiros do Norte e do Nordeste estava sendo cuidado com amor e poesia pelos companheiros Rosemberg Cariry e Arthur Leandro, que conhecem como poucos a alma e as necessidades destas gentes. E cuidando da formação e pesquisa, estavam lá trabalhando André Gatti e Cia.

Enfim, neste meu sonho apareceram ainda muitas outras pessoas, mas acredito que já falei – até demais – sobre o tal sonho. E é melhor passar aos “finalmentes…”

Assim, devo confessar que acordei profundamente triste. E, angustiado, tive que encarar a realidade, de que, com ou sem equipe, alguém terá que ser o novo secretário do Audiovisual. E acabei lembrando de que no final do meu sonho, como se fora eu o Ministro havia feito o convite para aquele que julgo talvez fosse o melhor nome para assumir o cargo e coordenar toda esta incrível galera. E que, para minha infelicidade, meu convite, por motivos de força maior, não fora aceito pelo escolhido.

gustavo-dahlE mais uma vez chorei a precoce morte do Gustavo Dahl…

Finalmente quanto a minha participação no processo, sonhei que continuava exercendo o papel de “líder do Povo” – nomeado que fui para este cargo imaginário pelo Manoel Rangel – e desta forma continuar tentando convence-lo (o Manoel) de que para que este meu sonho se torne realidade, bastaria que a ANCINE repassasse à SAv mínimos dez por cento dos valores hoje disponíveis no Fundo Setorial do Audiovisual. E que isso talvez seja o melhor investimento que a ANCINE faria ao longo de toda a sua trajetória.

E é isso…

Quem sabe, agora com um baiano no comando do MinC, o Manoel entenda o Raul…

Sonho que se sonha junto, é mesmo realidade!

Pelos Direitos do Público!
Filmes São Feitos Para Serem Vistos!
Viva o Cinema e a Cultura Brasileira!

E seja muito bem vindo companheiro Ministro Juca Ferreira!

* João Baptista Pimentel Neto é jornalista, editor da revista Diálogos do Sul, cineclubista e presidente do CreC – Centro Rioclarense de Estudos Cinematográficos. Ex-Presidente e atual conselheiro do CBC – Congresso Brasileiro de Cinema

LDO2010 criminaliza entidades culturais brasileiras

Aprovada anualmente pelo Congresso Nacional, a LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias define normas, objetivos, prioridades e as metas macro econômicas que devem ser observadas e obedecidas na elaboração do orçamento geral da união do ano subseqüente.

Apesar de sua importância, infelizmente, sua tramitação e aprovação pelo Congresso Nacional, recebe pouca ou nenhuma cobertura por parte da mídia e, via de regra, ano após ano, conta com mínima ou nenhuma participação popular. Ou seja, a tramitação da LDO não recebe a devida atenção e acompanhamento dos cidadãos brasileiros, dos movimentos sociais e das entidades representativas da sociedade civil organizada, que dedicam atenção apenas a tramitação e aprovação da peça orçamentária, que nos possibilita inclusive a articulação de emendas parlamentares cujos recursos são por vezes fundamentais ao desenvolvimento de nossas atividades.

Pois bem. Acho que já é hora de todos nós, militantes e dirigentes de entidades culturais sem fins lucrativos, mudarmos de atitude e de também dedicarmos especial atenção ao processo de aprovação da LDO.

Pelo menos é isso que penso diante da leitura e das conseqüências causadas pelo texto da LDO 2010, aprovado pelo Congresso e sancionado pelo ex-presidente, Luís Ignácio da Silva.

Publicado na edição do Diário Oficial da União do dia 30 de dezembro de 2010, a versão final da LDO2010 reservou para as entidades civis sem fins lucrativos uma desagradável e inaceitável surpresa, que conforme disposto no inciso XIII do Artigo 20, da Lei nº 12.377, de 30 de Dezembro de 2010, simplesmente (e sem maiores justificativas) proíbe que os Ministérios do Turismo e da Cultura concretizem “a transferência de recursos a entidades privadas destinados à realização de eventos”.

Certamente aprovada sem qualquer reflexão mais aprofundada acerca de seu alcance e de suas conseqüências, este mero inciso, aprovado por nossos parlamentares, além de nos alertar sobre a real importância da LDO, talvez também nos apresente uma demonstração cabal de que precisamos dar a devida atenção ao acompanhamento, das atividades desenvolvidas pelo Congresso Nacional.

Sem isso, continuaremos a mercê de “nossos líderes políticos”, que sinceramente, cada vez se mostram menos preparados para nos representar e defender os interesses da grande maioria da população brasileira, que por outro lado, infelizmente também demonstra pouco ou nenhum interesse pelo que acontece no Congresso Brasileiro.

Conforme apurado, a absurda determinação foi incluída na LDO por recomendação do TCU – Tribunal de Contas da União visando sanar os problemas de corrupção e de desvios praticados com recursos repassados a algumas dezenas de “entidades civis sem fins lucrativos” através de emendas parlamentares.

Pois bem, apesar de tais fatos também nos deixarem indignados e serem merecedores de apuração, responsabilização e punição dos envolvidos, a solução encontrada para o problema é mais que absurda. É kafkiana, já que ao invés de buscar punir os verdadeiros culpados, nossos líderes (legislativos e executivos) ao que tudo indica fizeram um acordo buscando resolver seus problemas pela via mais fácil e aplicaram em todos nós uma canetada, que em última análise nos coloca a todos, no mínimo, numa constrangedora situação de suspeição. Sendo que na verdade estamos mesmo é vivendo uma situação de réus sem processo. E isso, repito, é kafkiano.

Merece registro que praticamente todos os crimes e escândalos apontados pelo TCU envolvem parlamentares, funcionários públicos e certamente, os famosos “laranjas”, recrutados dentre os alguns de milhões de analfabetos que ainda existem neste nosso Brasil, alçados à situação de dirigentes de entidades do terceiro setor.

Ou seja, os problemas apontados pelo TCU foram causados por meia dúzia de safados e, o que fizeram nossas autoridades?

Muito simples. Resolveram adotar uma solução simplista, equivocada e moralmente constrangedora determinando através da LDO que todas as entidades civis brasileiras devem ser tratadas pelo Estado como organizações criminosas e, portanto responsabilizadas e punidas pelos desvios e descaminhos de recursos públicos praticados por picaretas em conluio com agentes e funcionários públicos corruptos, que por outro lado curiosamente continuam impunes e livres para articular novos golpes e praticando suas atividades nefastas.

Isso é algo inaceitável, quer moralmente, quer juridicamente, enfim, sob qualquer ponto de vista. Ou será que, todos nós, dirigentes, agentes culturais, trabalhadores e militantes da sociedade civil e dos movimentos culturais brasileiros vamos aceitar e nos calar diante desta genérica e inapropriada acusação de desonestidade e corrupção?

Será que vamos continuar fingindo que isso nada tem a ver conosco e candidamente aguardar que a LDO2011 mantenha tal determinação, como já se articula pelos sombrios corredores do Congresso Nacional?

Será que nossos deputados e senadores conseguem perceber a importância – inclusive econômica – da cultura e do turismo para o desenvolvimento do nosso país?

De minha parte informo aos amigos e companheiros que, após mais de 30 anos de militância no audiovisual e na cultura brasileira, não consegui me calar, nem aceitar mansamente tal situação e resolvi tornar pública essa manifestação individual e ainda solitária.

Ressalto, porém, que julgo tal situação merecedora de uma imediata, ampla e vigorosa reação do conjunto das entidades civis sem fins lucrativos relacionadas ao setor cultural, que como todos sabemos, em sua esmagadora maioria, sempre utilizaram os recursos públicos de forma honesta, transparente e em atividades que contribuem com o desenvolvimento artístico, cultural e sócio-econômico da população brasileira.

Diz o ditado popular que “quem cala consente”.

Acredito e respeito a sabedoria popular e conclamo todos a não calar.

Vamos reagir. Vamos dizer não à “criminalização” coletiva. E deixar claro que queremos, sim, que os verdadeiros criminosos sofram um justo processo legal e, caso condenados, sofram as punições previstas em lei.

É hora de união e de mobilização em defesa da cultura brasileira.

Finalmente, os convido à seguinte reflexão:

Será que qualquer cidadão brasileiro, medianamente educado, medianamente informado, medianamente politizado, enfim, que a maioria de todos nós, brasileiros ou brasileiras, que fazemos parte da nova (e pelo Príncipe tão cobiçado) “classe média” tupiniquim, acredita mesmo que os crônicos problemas de corrupção, de desvio e de mal uso de recursos públicos, serão resolvidos, como pretendem algumas lideranças parlamentares, apenas pela manutenção na LDO 2011 desta determinação que, reafirmo, é esdrúxula, equivocada, ilegal e, que começo até a achar, mal intencionada?

Será que insignificantes e parcos recursos destinados pelos Ministérios da Cultura e do Turismo ao patrocínio e apoio a eventos culturais e turísticos são mesmo o principal foco da ação dos desonestos e dos desvios de recursos públicos federais?

Não será verdade que, infelizmente, a ação destes ladrões de colarinho branco se espraia por todos os outros ministérios e estruturas governamentais federais, estaduais e municipais, como somos obrigados a constatar diariamente através do noticiário?

Quantas maracutaias e desvios de recursos públicos praticados por entidades sem fins lucrativos dos setores da educação, da saúde, do esporte, das comunicações, da reforma agrária, enfim, dos mais diversos setores, não são diariamente noticiados pela imprensa brasileira?

Não será o caso de perguntarmos aos nossos governantes do porque a LDO não determinou restrições e punições coletivas às entidades desses outros setores? Porque só a cultura e o turismo estão sendo penalizados? E que, se caso tal determinação for mantida na próxima LDO, será entendida também aos outros setores?

Qual será a justificativa legal para que seja oferecido tratamento diferenciado a entidades que têm seu funcionamento regido pelos mesmos códigos e normas legais?

Finalmente, se não seria mais justo e produtivo que, ao invés de adotarem medidas simplistas e absurdas, dedicassem suas energias e seus mandatos para exigir a apuração dos fatos e a punição dos verdadeiros culpados?

Vamos à luta? Ou vamos continuar parados, fingindo que nada está acontecendo?

João Baptista Pimentel Neto
Jornalista, gestor e produtor cultural

resposta a mister Greg, vice “capo” da MPAA

Conforme notícia divulgada no último dia 16, o cidadão norte americano, mister Greg Frazier, vice-presidente executivo da Associação Cinematográfica dos EUA (MPAA, na sigla em inglês), após visitar nossas “autoridades” em São Paulo e Brasília para pressionar autoridades locais por maior atenção no combate à pirataria, de forma que considero no mínimo desavergonhada, informou, ou melhor, confirmou, algo que nós brasileiros e brasileiras até já sabíamos, ou seja, que não faz parte do imenso rol de interesses do conglomerado: “Democratizar a cultura…

Diante da notícia, como militante do movimento cineclubista brasileiro e internacional, penso ser necessária uma manifestação sobre o que foi dito por este senhor e início registrando que acredito talvez ele jamais tivesse a coragem e ousadia de fazer um discurso com este teor em qualquer um dos outros quatro países participantes do tal BRICs, sob pena de ser convidado a se retirar de seus territórios nacionais.

Mas, estamos no Brasil e, parece que, mais uma vez veremos nossos “dirigentes”, engolirem a seco mais um sapo. Aliás, e o que é pior, no quadro atual muitos deles parece concordar com as idéias estapafúrdias e equivocadas do referido cidadão. E assim seguimos.

Confesso, porém que tendo apoiado, feito campanha voluntária e votado em Dilma, acreditando num discurso de continuidade, fortalecimento e aprimoramento das políticas públicas de cultura, de inclusão e acesso da imensa maioria da população brasileira totalmente excluída da fruição de arte e de acesso aos de bens culturais, estou no mínimo perplexo com a situação que desde sua posse estamos vivendo.

Afinal, a cada dia, infelizmente o que vejo, ao menos nas questões que dizem respeito ao setor cultural, é um continuo e cada vez mais virulento ataque aos legítimos interesses do povo e da nação brasileira. Ataques promovidos por gente que se diz brasileira, mas que na verdade representa interesses alienígenas. Interesses de conhecidas e poderosas corporações transnacionais, cujos objetivos são até mesmo mais nefastos do que aqueles assumidos de maneira escancarada, desavergonhada e tranqüila pelo “capo” Greg Frazier

E tudo isso num quadro de total complacência, frouxidão e inação, quer de nossas “lideranças políticas”, quer de nossos “gestores governamentais” e com total cumplicidade de alguns também conhecidos e poderosos “brasileiros e brasileiras” que sempre se sentiram alegres, satisfeitos e totalmente conformados, com o papel de capachos, de agentes a serviço dos interesses “imperialistas”.

Mas realmente, o que começo a sentir como ainda mais grave, é que para além do silêncio solene e suficientemente subserviente de “nossas” lideranças, sinto também que nossa surpresa e perplexidade diante do cenário que nos foi oferecido no pós Lula, determina entre nós um desânimo tal, suficiente até para que muitos se mostram dispostos a enrolar as bandeiras, deixar prá lá e ir cuidar da própria vida.

Enquanto isso, nossos algozes avançam mais e mais, se organizam, se fortalecem e, rapidamente, vão desconstruindo tudo aquilo que conquistamos ao longo dos últimos oito anos através de um contínuo processo de consulta, debate e verdadeira parceria que construímos entre o governo, a classe artística, autores, criadores e entidades da sociedade civil objetivando a  implantação de políticas públicas de cultura, verdadeiramente republicanas e democráticas, favoráveis à cultura e a criação de instrumentos de acesso a imensa maioria da multidão de brasileiros excluídos.

Assim, que me desculpem os desanimados. Mas não é hora de lamentações. Nem de “enrolar” as bandeiras. E muito menos de deixar prá lá, prá ver como é que fica.

É hora de reação. De união. De mobilização. De ação!

É hora de deixar muito claro prá essa gente que não vamos entregar tão fácil assim a rapadura. E que tudo o que está sendo agora feito, ou melhor, desfeito, terá sim conseqüências. E que elas serão bem maiores do que pensam ou que sequer imaginam.

Portanto: Mobilização e Ação, JÁ!

Quanto ao dito pelo “capo” Greg Frazier, minha resposta é curta e grossa. Resume-se a imagem abaixo, já acima publicada, republicada em formato ainda maior:

Afinal continuo concordando com o genial Paulo Emílio Salles Gomes que dizia mais ou menos o seguinte:

“O pior filme brasileiro me diz muito mais do que qualquer filme hollywoodiano!”

Viva a cultura brasileira.

Viva o cinema e o cineclubismo brasileiro!

E vamos à luta.

Saudações Cineclubistas

João Baptista Pimentel Neto
Observatório Cineclubista Brasileiro

resposta a mister Greg, vice “capo” da MPAA

Conforme notícia divulgada no último dia 16, o cidadão norte americano, mister Greg Frazier, vice-presidente executivo da Associação Cinematográfica dos EUA (MPAA, na sigla em inglês), após visitar nossas “autoridades” em São Paulo e Brasília para pressionar autoridades locais por maior atenção no combate à pirataria, de forma que considero no mínimo desavergonhada, informou, ou melhor, confirmou, algo que nós brasileiros e brasileiras até já sabíamos, ou seja, que não faz parte do imenso rol de interesses do conglomerado: “Democratizar a cultura…

Diante da notícia, como militante do movimento cineclubista brasileiro e internacional, penso ser necessária uma manifestação sobre o que foi dito por este senhor e início registrando que acredito talvez ele jamais tivesse a coragem e ousadia de fazer um discurso com este teor em qualquer um dos outros quatro países participantes do tal BRICs, sob pena de ser convidado a se retirar de seus territórios nacionais.

Mas, estamos no Brasil e, parece que, mais uma vez veremos nossos “dirigentes”, engolirem a seco mais um sapo. Aliás, e o que é pior, no quadro atual muitos deles parece concordar com as idéias estapafúrdias e equivocadas do referido cidadão. E assim seguimos.

Confesso, porém que tendo apoiado, feito campanha voluntária e votado em Dilma, acreditando num discurso de continuidade, fortalecimento e aprimoramento das políticas públicas de cultura, de inclusão e acesso da imensa maioria da população brasileira totalmente excluída da fruição de arte e de acesso aos de bens culturais, estou no mínimo perplexo com a situação que desde sua posse estamos vivendo.

Afinal, a cada dia, infelizmente o que vejo, ao menos nas questões que dizem respeito ao setor cultural, é um continuo e cada vez mais virulento ataque aos legítimos interesses do povo e da nação brasileira. Ataques promovidos por gente que se diz brasileira, mas que na verdade representa interesses alienígenas. Interesses de conhecidas e poderosas corporações transnacionais, cujos objetivos são até mesmo mais nefastos do que aqueles assumidos de maneira escancarada, desavergonhada e tranqüila pelo “capo” Greg Frazier

E tudo isso num quadro de total complacência, frouxidão e inação, quer de nossas “lideranças políticas”, quer de nossos “gestores governamentais” e com total cumplicidade de alguns também conhecidos e poderosos “brasileiros e brasileiras” que sempre se sentiram alegres, satisfeitos e totalmente conformados, com o papel de capachos, de agentes a serviço dos interesses “imperialistas”.

Mas realmente, o que começo a sentir como ainda mais grave, é que para além do silêncio solene e suficientemente subserviente de “nossas” lideranças, sinto também que nossa surpresa e perplexidade diante do cenário que nos foi oferecido no pós Lula, determina entre nós um desânimo tal, suficiente até para que muitos se mostram dispostos a enrolar as bandeiras, deixar prá lá e ir cuidar da própria vida.

Enquanto isso, nossos algozes avançam mais e mais, se organizam, se fortalecem e, rapidamente, vão desconstruindo tudo aquilo que conquistamos ao longo dos últimos oito anos através de um contínuo processo de consulta, debate e verdadeira parceria que construímos entre o governo, a classe artística, autores, criadores e entidades da sociedade civil objetivando a  implantação de políticas públicas de cultura, verdadeiramente republicanas e democráticas, favoráveis à cultura e a criação de instrumentos de acesso a imensa maioria da multidão de brasileiros excluídos.

Assim, que me desculpem os desanimados. Mas não é hora de lamentações. Nem de “enrolar” as bandeiras. E muito menos de deixar prá lá, prá ver como é que fica.

É hora de reação. De união. De mobilização. De ação!

É hora de deixar muito claro prá essa gente que não vamos entregar tão fácil assim a rapadura. E que tudo o que está sendo agora feito, ou melhor, desfeito, terá sim conseqüências. E que elas serão bem maiores do que pensam ou que sequer imaginam.

Portanto: Mobilização e Ação, JÁ!

Quanto ao dito pelo “capo” Greg Frazier, minha resposta é curta e grossa. Resume-se a imagem abaixo, já acima publicada, republicada em formato ainda maior:

Afinal continuo concordando com o genial Paulo Emílio Salles Gomes que dizia mais ou menos o seguinte:

“O pior filme brasileiro me diz muito mais do que qualquer filme hollywoodiano!”

Viva a cultura brasileira.

Viva o cinema e o cineclubismo brasileiro!

E vamos à luta.

Saudações Cineclubistas

João Baptista Pimentel Neto
Observatório Cineclubista Brasileiro

ParaCine

Registro: paraenses já contam com Federação Estadual de Cineclubes

Foi-se o tempo em que Belém ficava vazia nas férias de julho. Bastou um breve passeio, neste último domingo, 25, para ver que as pessoas estavam nas ruas e nas praças aproveitando o dia de sol intenso, próprio do verão paraense.

Mas enquanto a cidade fervilhava, neste final de semana, com trocentas programações, incluindo aí as apresentações de teatro e debates do IDEA 2010, pessoas ligadaa ao audiovisual se reuniam para fundar a PARACINE – Federação Paraense de Cineclubes.

O encontro de cineclubistas, vindos de vários outros municípios paraenses, aconteceu de sexta, 23 a domingo, 25, no Colégio Pablo Mufarrej, durante a Jornada Paraense de Cineclubes. Participaram, entre outros, representantes de cineclubes de Belém (20); Oeiras (01); Ananindeua (03); Santa Bárbara (01); Redenção (01); Colares (02) ; Soure (03); Altamira (02); Santarèm (02); Marabá (01); Parauapebas (01).

Além dos cineclubistas, a jornada contou com a presença do secretário de educação do estado do Pará, o professor Luíz Cavalcante; do secretário geral do Conselho Nacional dos Cineclubes Brasileiros, o senhor João Batista Pimentel Neto; do representante do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Pará, responsável pelo serviço de refeição aos participantes; do presidente da Fundação Curro Velho, Valmir Bispo; da sacerdote afro-religiosa Mãe Nangetu, e da presidente da Associação Brasileira dos Documentaristas e Curta-Metragistas do Pará, Dani Franco.

28 Jornada Nacional de Cineclubes

Ponto de encontro

Em setembro, o Recife será ponto de encontro de cineclubes do mundo inteiro. Cerca de 500 pessoas estarão reunidas em torno de dois eventos: a 28ª Jornada Nacional de Cineclubes e um encontro da Federação Internacional de Cineclubes, da qual participam mais de 30 países. Segundo João Batista Pimentel Neto, secretário do Conselho Nacional de Cineclubes, esta será a primeira assembleia do gênero em um país não-europeu.

Pimentel diz que o encontro nacional coroa a retomada do processo de articulação do movimento cineclubista, iniciado em 2004. Hoje, o Brasil conta com aproximadamente 1.200 cineclubes. “O foco será na educação e na democratização do acesso aos bens audiovisuais. Vamos fazer um balanço dos últimos anos, eleger uma nova diretoria e estabelecer novas perspectivas”. O local dos encontros deve ser definido com a Fundarpe, que ao lado do Ministério da Cultura, apoia os eventos. (A.D.)                        

Jornada Paraense de Cineclubes 2010

De 23 a 25 de julho, Belém recebe a I Jornada Paraense de Cineclubes (JOPACINE), evento que promoverá o encontro dos Cineclubes do Estado do Pará.

A proposta é discutir políticas públicas de incentivo aos cineclubes e estratégias de desenvolvimento da atividade cineclubista no estado.

A JOPACINE é convocada por trinta e três (33) organizações cineclubistas reunidas nos “II DIÁ-logos Cineclubistas – Construindo a Jornada Paraense de Cineclubes”, evento realizado no último dia 15 de maio, no Instituto Nangetu de Tradição Afro-Religiosa e Desenvolvimento Social. Sem orçamento e ao mesmo tempo sem economia de esforços, o evento vem sendo estruturado em rede, de forma colaborativa, com os seus passos sendo permanentemente publicitados de forma a que a sociedade possa acompanhá-los.

Estão convidadas a participar da programação todas as organizações cineclubistas atuantes no Estado do Pará, filiadas ou não ao Conselho Nacional de Cineclubes (CNC), assim como os representantes de instituições públicas e particulares, entidades da sociedade civil e outras nas quais sejam desenvolvidas atividades de caráter cineclubista.

Os interessados devem apresentar documentos que comprovem o caráter democrático da entidade ou grupo informal; o compromisso cultural e ético da organização; o plano de desenvolvimento de ações cineclubistas e, quando for o caso, relatório de atividades. As inscrições podem ser feitas até a véspera do evento, 22 de julho.

O secretário geral do Conselho Nacional de Cineclubes, João Batista Pimentel Neto, foi a primeira pessoa a confirmar presença na Jornada que vai fundar a Federação Paraense de Cineclubes, dias 23, 24 e 25 de julho, em Belém.


Segue abaixo, texto enviado pelo evento.

“Honrado pelo convite, conforme e-mail endereçado á comissão organizadora, o secretário do CNC vai arcar com a viabilização da própria passagem aérea para garantir a sua participação em toda a Jornada, propondo-se, inclusive, em aceitar acomodações disponibilizadas através da hospedagem e alimentação solidárias”.

Além do estímulo ao movimento cineclubista, a presença de Pimentel, segundo a comissão organizadora do encontro, confirma que a articulação de eventos em rede, de forma aberta, transparente e democrática, fortalece o sentimento e a sinestesia colaborativa dos participantes. A comissão organizadora avalia que a presença de Pimentel, assim posta, poderá estimular a militância cineclubista para a o entendimento de que a JOPACINE, por resultar de um esforço coletivo e por ser organizada com enormes dificuldades estruturais, os seus participantes serão convocados a assumir eles próprios diversas responsabilidades com este evento, histórico pela sua própria natureza.

Assim sendo, a presença de Pimentel em Belém na Jornada Paraense de Cineclubes é sem dúvida a primeira de uma série de confirmações que estão se desenhando e que devem estar consolidadas até meados da próxima semana. Até o presente momento, o evento conta com apoios do IDEA 2010, Rede Norte de Cineclubes, Secretaria de Educação, Casa Civil, Prodepa, Fapespa, Sedect e Secult.

Objetivamente, estão garantidos o espaço de realização do evento (Cinema Olímpia), o alojamento dos participantes (que será em escola próxima ao local da JOPACINE), transporte dos participantes entre o local do evento e a escola onde ficarão alojados.

Para mais informações, acesse os links abaixo.

Poesia e ancestralidade: J.Triste, poeta e homem do povo

Localizada na Rua 14 com a Avenida 52, na Vila Olinda, a praça que guarda o nome do poeta rio-clarense João Baptista Pimentel – J Triste é bem arborizada, conta com uma banca de jornais e é usada como local de encontro de moradores próximos e também usada por diversos comerciantes e carroceiros como ponto de parada.

A praça é uma das poucas que ainda guardam a placa com o nome do homenageado. O local recebeu o nome do poeta a partir de um pedido do então vereador Sérgio Guilherme. “Lembro que na festa tinha uma pessoa que sabia de cor as poesias do meu pai, foi uma festa muito bonita com música”, lembra o filho João Baptista Pimentel Júnior.

João Baptista Pimentel ficou conhecido por seu pseudônimo J Triste, embora o próprio filho afirme que o pai era uma pessoa alegre e brincalhona. “Na verdade, nunca soube por que meu pai usava o pseudônimo J Triste, pois ele era muito alegre, além de um grande charadista, cronista e dramaturgo”, fala.

O poeta nascido em Rio Claro atuou como gerente da Cooperativa dos Empregados da Companhia Paulista e, após uma cirurgia quando tinha cerca de 40 anos, ele perdeu a voz.

J Triste escreveu peças teatrais e publicou dois livros: No Meu Silêncio e Simplicidade. “Meu pai era um homem muito simples e humilde e os versos dele eram feitos para o povo. Ele tinha os versos bem lapidados”, lembra o filho.

João Júnior fala que fica feliz por saber que o pai recebeu essa homenagem. “Fico feliz não só por ser meu pai, mas por ser um homem simples, pobre, que não deixou fortuna, mas deixou os versos, e essa homenagem demonstra que Rio Claro também dá valor a isso”, fala.

“Essa homenagem foi um prêmio que envaidece, pois ele é o símbolo do homem humilde que foi exaltado”, fala.

O filho de J Triste conta que o pai gostava que lesse as poesias para que ele pudesse ouvir. “Ele tinha inspiração fácil, fazia muitas crônicas e tinha o prazer de escrever”, fala.

J Triste teve cinco filhos e morreu aos 82 anos.

Pré-Conferência do Audiovisual: Notícias de Roraima

Pré-Conferência Setorial do Audiovisual

Ministro diz que este é um momento excepcional para a cultura brasileira

Juca Ferreira_CBC“Não basta melhorar a renda do brasileiro. É preciso oferecer educação de qualidade e dar acesso a cultura”. Estas foram as palavras do ministro da Cultura, Juca Ferreira, durante a cerimônia de abertura da Pré-Conferência Setorial de Audiovisual, etapa da II Conferência Nacional de Cultura (II CNC).

A Pré-Conferência Setorial de Audiovisual iniciou oficialmente nesta quarta, às 9h30,  no auditório Hotel Nacional, em Brasília. Estavam presentes na cerimônia 75 delegados de vários estados brasileiros, divididos em sociedade civil organizada e poder público.

A mesa de abertura da Pré-Conferência foi composta pelo ministro da Cultura, Juca Ferreira; o secretário de Audiovisual, Sílvio Da-Rin; o diretor da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Manoel Rangel; o secretário-geral do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), Gustavo Vidigal; o coordenador geral das Pré-Conferências Setoriais de Cultura, Mauricio Dantas e o presidente do Congresso Brasileiro de Cinema (CBC), cineasta Rosemberg Cariri.

silvio-da-rin_CBCSilvio Da-Rin, secretário do Audiovisual, pasta vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), disse que sua expectativa é que a Pré-Conferência produza uma agenda positiva, uma vez que foram protocoladas 160 propostas pelos estados. As propostas foram dividas por eixos temáticos, com os quais os grupos de trabalho deverão se basear e redigir duas propostas finais por cada eixo. As propostas serão encaminhadas à II CNC. Segundo o secretário, os encontros setoriais e a própria Pré-Conferência mobilizaram cerca de 50 entidades do segmento audiovisual.

“A II CNC ocorrerá entre os dias 11 e 14 de março, mas o trabalho não se esgotará. Este será apenas um passo importante para produzirmos o Plano Nacional do Audiovisual e o Plano Nacional de Cultura, que será encaminhado ao Congresso Nacional”, explicou Da-Rin.

MinC – Juca Ferreira, ministro da Cultura, iniciou seu discurso destacando a importância da produção de filmes brasileiros que contemplem conteúdos densos e que tenham como fundamento a dimensão simbólica. Esta baseia-se na idéia de que é inerente, a todo o ser humano, a capacidade de simbolizar, expressa por meio das diversas línguas, valores, crenças e práticas. Dotar a arte desta dimensão possibilita instituir uma política cultural que enfatiza, além das artes consagradas, toda a gama de expressões que caracterizam a diversidade cultural brasileira. “Vivemos um momento excepcional da cultura brasileira. Já anunciamos o Vale Cultura, que dispõe de um recurso de R$ 7 milhões e que vai beneficiar 14 milhões de brasileiros diretamente. Sendo assim, os realizadores do audiovisual deverão produzir e dialogar com o universo simbólico da sociedade para atrair este público”, alerta.

Juca criticou a forma de reivindicação baseada em interesses pessoais que muitas vezes é feita junto ao MinC, sem a preocupação de pensar na riqueza e complexidade da cultura brasileira. “É um momento de ouvir. O Brasil não tem a tradição de refletir sobre processos complexos. No entanto, na produção cultural brasileira, infelizmente, o ‘umbigo’ tem maior importância que a coletividade. Temos que avançar nisso. O conceito de participação tem que ir até o cidadão e a consulta é estratégica”, disse.

Ele afirmou que o século XXI tem outro alinhamento, no qual não deve haver a necessidade de imposição por parte do Estado na aplicação das políticas culturais. “Desde a queda do muro de Berlim, a desconstituição do Estado é um realidade, mas o Brasil resistiu a isso, porque o Estado ainda determina as dinâmicas da sociedade. É preciso, portanto, que ocorra a revitalização do Estado com a participação da sociedade”, ponderou.

Juca também apontou números importantes para contrapor os discursos de especialistas econômicos que especulam que o Brasil se tornará, em cinco ou dez anos, a quinta economia mundial e será um país rico. “Como avançar se ainda temas altas taxas de desigualdade e individualismo excessivos? Existem no Brasil, monopólios internos prejudiciais a cultura, assim como externos e temos que ter coragem de dizer isso. Outro fator é que 80% dos recursos da cultura vão para dois estados brasileiros. Destes, 60% vão para duas cidades e apenas 3% dos proponentes sempre ficam com estes recursos. A  mediocridade é um crime”, avaliou.

O ministro ainda colocou outros índices para reflexão do público presente. Ele afirmou que apenas 5% dos brasileiros já foram ou vão aos museus; 13% vão aos cinemas por mês; 17% compram livros e 90% dos municípios não tem cinema ou centro cultural. “Não basta melhorar a renda do brasileiro. É preciso ter uma educação de qualidade e dar acesso à cultura. Temos aqui o maior laboratório cultural do mundo”, explanou.

Juca Ferreira disse em tom otimista que, este ano, a Cultura contabiliza R$ 2,5 bilhões para investimentos. “Quando chegamos ao MinC havia R$ 3 milhões. Hoje há R$ 1,6 bilhão em renúncia fiscal, antes não havia 300 milhões. Mas ainda não chegamos a excelência de financiamento temos que melhorar muito”, apontou. O ministro finalizou dizendo que conversou como presidente Lula sobre os desafios do segmento do audiovisual, quando na oportunidade Lula afirmou que se houver consenso entre os agentes do setor ele está disposto a apoiar.

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“Sem a Região Norte, o cinema está incompleto no Brasil”, diz Rosenberg Cariri, da CBC

rosemberg-cariryO cineasta Rosemberg Cariri, eleito presidente do Congresso Brasileiro de Cinema (CBC), em janeiro de 2009, durante as atividades da entidade no 4º Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual, participou de reunião com representantes de várias entidades ligadas ao audiovisual brasileiro, na noite de terça-feira (23), um dia antes de iniciar as discussões da Pré-conferência Setorial de Audiovisual, em Brasília (DF).

Cariri mantém o discurso voltado ao consenso de propostas e cooperação das entidades representações do segmento do audiovisual para obterem melhor resultado nas propostas a serem encaminhadas. Logo após a reunião informal, o presidente concedeu entrevista ao jornalista Éder Rodrigues, da delegação de Roraima. Confira.

O que o senhor tem a dizer desta breve reunião com cerca de 50 delegados que vão participar da Pré-Conferência?

Rosemberg Cariri Considero da maior importância por conta da diversidade. Todas as regiões estão aqui contempladas. Eu acho que só podemos falar em cinema brasileiro quando todas as regiões desse país começarem a produzir também o seu cinema, porque isso vai representar a diversidade, a riqueza e a profundidade da cultura brasileira.

O senhor chegou a falar sobre os resultados de uma reunião ocorrida entre o ministro da Cultura e diversas entidades do segmento, recentemente, na qual foi anunciado um aporte de 80 milhões para o audiovisual. Qual foi a finalidade do encontro?

RC – Esta ação pretende criar um fundo para o cinema cultural. Seria um fundo criado para os festivais, para a pesquisa, para a memória, para o curta metragem e acreditamos que é também um fundo que vai contemplar todas as regiões brasileiras, uma vez que é um fundo federativo, ou seja, tem a idéia da nação brasileira com um todo.

Como iniciou o diálogo para a criação do fundo?

RC – A ação iniciou-se a partir da própria necessidade das entidades. Como existe atualmente todo um convite voltado para o cinema mundial, ou dito de mercado, era preciso também que houvesse um fundo voltado para o cinema dito popular, para que este outro espaço seja integrado.

Como está o diálogo como o Ministério sobre este tema?

RC – Está muito bom. Logo será formado um Conselho Gestor, com representações das diversas entidades do cinema brasileiro.

O senhor falou sobre a importância das diversas regiões do Brasil estarem presentes aqui em Brasília. Que considerações o senhor tem a fazer sobre a região norte do país?

RC – O Nordeste a partir da década de 80 despertou e disse “vamos produzir”, e começamos a produzir um cinema significativo que tem conquistado espaço nacional e até mesmo internacional. Isso foi uma vontade e um resposta da região. O Centro Oeste também. O sul tem uma grande produção. Então a região que estão faltando integrar nesse esforço produtivo brasileiro é exatamente a Região Norte. Está faltando um pedaço do cinema: não sei se é a cabeça, o braço ou o coração, mas estamos incompletos. Daí esta grande luta para que o Norte esteja presente. Eu defendo, por exemplo, num primeiro momento, editais somente para aquela região, como forma de incentivar o surgimento local de curta e longa metragem. É muito importante que o Norte se agregue neste grande esforço brasileiro.

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Secretário-geral da CNC, João Baptista Pimentel Neto fala sobre expectativas para a Pré-Conferência Setorial do Audiovisual

Pimentel_200_CBCO secretário-geral do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros (CNC) e diretor de articulação e comunicação do Congresso Brasileiro de Cinema (CBC), João Baptista Pimentel, convidou os diversos delegados e representantes do segmento de audiovisual que participam da Pré-Conferência Setorial do Audiovisual , para uma conversa informal na noite desta terça-feira (23), na qual foram explanadas expectativas em relação aos trabalhos na Pré-Conferência.

Nesta entrevista ping pong, Pimentel, que é jornalista e produtor cultural, fala um pouco da importância de avançar nas discussões e avaliou o clima inicial da Pré-Conferência.

Como o senhor avaliou a conversa com cerca de 50 delegados, além de representantes de entidades do audiovisual e poder público, antes de iniciarem os trabalhos?

João Pimentel – A reunião foi muito produtiva. A gente conseguiu ter uma noção de quem está presente e quem somos nós aqui. Acredito que o nosso diálogo não tem muitos ruídos. A maioria das pessoas se propõe no mesmo caminho. Agora temos que nos organizar porque a metodologia e o processo que nós estamos vivendo vai nos fazer ter um grande exercício de criatividade, já que, por exemplo, pelo regimento interno da Pré-Conferência vai sobrar uma proposta de cada eixo (são cinco). Então precisamos ter criatividade para que, ao construir as propostas, colocá-las no documento, até elas virarem uma só proposta. Todo mundo foi muito bacana neste primeiro contato. Não ouvi nenhuma voz dissonante na reunião. Acho que o encontro começa bem.

Em termos institucionais, temos que representações presentes?

JP – Nessa conversa nós tivemos muito forte a presença do Congresso Brasileiro de Cinema (CBC), Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros (CNC), da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD Nacional), do Fórum de Festivais, da Coalizão da Diversidade Cultural Brasileira e a presença de representantes do poder público de vários estados, o que reforça muito as propostas. A sociedade civil deve entender que é a maioria nesta reunião e tem que fazer valer as suas propostas.

Foi comentado nesta conversa a importância da articulação e mobilização de estados mais distantes dos grandes centros, situados na reunião norte do país. O que o senhor tem a dizer desta participação?

JP – Bom, nós vivemos num país chamado Brasil, que é uma república federativa que tem 27 estados e que tem que tem uma política que deve ser justa. É óbvio que ela não deve ser igual para todo mundo, porque as realidades são diferentes: a realidade do Amapá é uma, a de Roraima é outra, a de São Paulo é outra. E isso em termos, porque alguém pode dizer “ah, o sul foi contemplado, São Paulo está uma maravilha”, mas eu digo que as periferias das grandes cidades não são contempladas.

Então, acho que nós temos que criar uma política de estado, não só para o audiovisual, mas de cultura, que respeite a constitucionalidade de vivermos numa república federativa, que respeite a diversidade cultural brasileira, a identidade cultura e as vocações locais também.

Não adianta você achar que a indústria do audiovisual é uma coisa que nasce no campinho de futebol da casa vizinha, Você não cria uma indústria cinematográfica como você cria craque de futebol no Brasil. Eu acho que o Governo Federal até tem construído políticas públicas de regionalização, equalização, respeito por essa diversidade. Mas temos muito que avançar, porque isso é um jogo pesado que envolve, no campo do audiovisual, interesse econômicos que são muitos claros e nem todos são tupiniquins. Tem muito interesse econômico estrangeiro que vai querer trazer seu ponto de vista aqui.

Então temos que ficar atentos. Eu costumo dizer que se para o império (americano) o audiovisual é uma questão de soberania e segurança nacional, e se a gente quer ser um país de primeiro mundo, buscar assento no Conselho de Segurança da ONU, etc e tal… se a gente quer sair realmente do subdesenvolvimento de terceiro mundo, nós temos que fazer o audiovisual ter o mesmo peso dentro da política de estado do Brasil.

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“A Conferência acorda um Brasil adormecido em 20 anos de ditadura”, diz presidente da ABD Nacional

Solange Lima_CBCA Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas Nacional (ABDN) está presente nas 27 unidades da federação e articulou-se para enviar seus representantes como delegados organizados por estados na Pré-conferência Setorial de Audiovisual.

A presidente da entidade, Solange Lima, conversou na terça-feira (23), um dia antes de iniciar as discussões, em Brasília (DF), com jornalista Éder Rodrigues, da delegação de Roraima. Confira.

Que expectativas a ABD Nacional têm a partir das articulações e das conversas que antecederam a Pré-Conferência, uma vez que houve uma breve conversa com cerca de 50 delegados e a ABDN?

Solange Lima – Em primeiro lugar, como presidente de entidade que representa os documentaristas e curta-metragistas, eu senti que estamos bem representados na Pré-Conferência.

Em segundo, acredito que esta é uma Conferência única, que é ímpar porque é a primeira vez em que o Estado convoca a população, mas a população já vem trabalhando com o Estado, não só com a representação do Estado, mas com sua própria mobilização e que aqui vai encontrar a diversidade cultural brasileira justamente para a Pré-Conferência do Audiovisual para que em março tenhamos propostas muito mais coerentes na Conferência Nacional de Cultura (CNC) como um todo e que na balança não pese nem mais teatro, nem só a música ou a dança ou o cinema, mas que pese a cultura como um todo, sabendo que o audiovisual e outros segmentos da cultura são fundamentais para construir um Brasil mais forte.

Esta conferência acorda um Brasil que ao longo de 20 anos de ditadura militar adormeceu e que agora se levanta para lutar. Está de certa forma, meio solto por que não estava acostumado com estas discussões, mas a partir do momento em que temos este encontro, a gente consegue ver que o país é pulsante, está pensando e que os estado estão fazendo um trabalho de cultura que falta agora ser reconhecido no Congresso Nacional.

A nossa briga forte vai ser esta: elaborar propostas que sejam plurais e que vão atender nos cinco eixos, o Brasil como um todo. Isso é difícil. Sabemos que nosso papel principal é construir propostas para a formação de mão de obra, a distribuição, a exibição, a produção, temos que divulgar a cultura no mundo e o audiovisual, eu sempre digo, é o que congrega todas as vertentes da arte, como a dança, música, o teatro e outros. Ele apreende aquele momento do tempo e do espaço para posteridade, para outras gerações que estão vindo por aí.

O ex-presidente da CBC, Geraldo Morais disse que, quanto ao audiovisual, é hora de construir uma política de estado e não só de governo. O secretário-geral da CNC, João Pimentel também disse que é hora de redesenhar a sustentabilidade do audiovisual no Brasil com a mudança do modelo atual. Você acredita que há um alinhamento no discurso das representações?

SL – Sim, este grupo vem trabalhando em conjunto. O CNC, CBC, a ABDN e fechamos um convênio com o Fórum de Festivais. Este grupo está se encontrando em várias reuniões. Este momento é de refinar o discurso que temos nas entidades politizadas com  a massa. Temos que falar com o todo. Esse afinamento vai ficar mais claro nos grupos de trabalho. Vamos avaliar na noite seguinte o que foi discutido nos GTs e o que teremos que defender no Congresso e que o Congresso aprove. A sociedade tem que ficar vigilante com o Congresso. Muitas vezes o Congresso faz o que quer e não o que a sociedade quer. O alinhamento já existe com as entidades que são politizadas e estamos neste processo com os outros representantes e há um grande caminho pela frente.

Éder Rodrigues

Jornalista, abedista,

Delegação de Roraima na Pré-Conferência Setorial de Audiovisual

Ainda sobre a Pré-Conferência

Amig@s cineclubistas e do audiovisual brasileiro,

Agradeço inicialmente a atenção, empenho, seriedade, carinho e amizade demonstradas por tod@s durante a realização da Pré-Conferência Setorial do Audiovisual.

Guardarei para sempre dentre minhas melhores memórias. Afinal, vivemos momentos que considero vitoriosos para a cultura; o audiovisual; o cineclubismo; enfim, momentos vitoriosos do povo brasileiro.

Escrevo esta mensagem à tod@s, mas em especial, aos amig@s cineclubistas, cineclubista que sou!

Nela expresso meu entendimento e sentimentos em relação aos resultados alcançados pelo cineclubismo brasileiro.

Se isso lhe interessar leia. Se achares necessário, critique…se achares que vale a pena, elogie…se achares qualquer outra coisa, me diga….rsrsrrs

Vamos lá?

Entonces, considero como muito positivos os resultados da Pré-Conferência e, como ainda mais positivos e significativos os alcançados pelo CNC – Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros.

Após o encerramento do evento, tomando por base o pouco que ouvi e compartilhei, estou convicto de que tal avaliação é compartilhada pela grande maioria daqueles que também participaram e ofereceram suas contribuições ao evento.

Afinal, me parece consensual que, graças a nossa clareza de objetivos, organização e intensa participação de tod@s os companheir@s presentes, obtivemos a aprovação de nossas principais teses e propostas. E obtivemos várias outras vitórias que nos serão muito úteis no futuro.

Assim, creio que inicialmente merece registro o fato de termos sido diretamente contemplados em todas as cinco propostas aprovadas pela Pré-Conferência.

Aliás, tais propostas, no meu entendimento, atendem plenamente nossas principais teses e, em especial, as relacionadas ao direito de amplo acesso e garantia da difusão cultural sem fins lucrativos dos conteúdos audiovisuais (em especial os financiados com recursos públicos), ao fortalecimento e expansão dos circuitos cineclubistas e de exibição alternativa, à necessidade de ampliação da destinação de recursos e democratização do acesso aos acervos de cinematecas, filmotecas, etc, e finalmente, da viabilização da contabilidade do público do circuito não-comercial de exibição, que como era esperado, encontrou grande resistência por parte da ANCINE, mas que ao final foi vitoriosa.

Vou ainda mais longe. Acredito que o conteúdo integral de todas as 5 propostas aprovadas contemplam teses e objetivos perseguidos pelo movimento cineclubista e portanto, são merecedoras de total apoio da parte do movimento cineclubista. Mas confiram vocês mesmos e mandem suas opiniões.

Propostas GTs Prioritárias

Propostas GTs Complementares

Por outro lado, avalio que a atuação política do CNC foi competente e eficaz, como comprova a eleição de mais de um terço dos delegados à II Conferência Nacional de Cultura, bem como, a eleição do Vice-Presidente da entidade, Luis Alberto Cassol para a lísta tríplice de indicados ao CNPC – Conselho Nacional de Cultura.

Confira a lista de delegados e suplentes.

Gostaria ainda de registrar meu entendimento, de que nossas conquistas não se deram apenas pela força, organização e empenho demonstrados pelos cineclubistas presentes, mas também graças ao mútuo apoio e entendimento que coletivamente construímos junto à direção e aos representantes do CBC – Congresso Brasileiro de Cinema, da CBDCCoalizão Brasileira Pela Diversidade Cultural, da ABDn – Associação Brasileira de Documentaristas, do Fórum dos Festivais e da maioria esmagadora dos representantes da sociedade civil e dos órganismos governamentais participantes do evento.

Creio que sem tais apoiamentos, entendimentos e alianças, os resultados certamente poderiam ter sido outros.

Entonces, gostaria de poder agradecer em nome do CNC e dos cineclubes brasileros a todos os nossos parceiros….

Finalmente gostraia de dizer a tod@s que tais fatos me comprovam apenas meu entendimento e sentimento de que tod@s nós, representantes do verdadeiro audiovisual brasileiro, estamos no caminho certo. Que entendemos que a união faz a força. Que o caminho é longo e a luta apenas começou. Mas que existe esperança.

Como diria meu Mestre Rosemberg Cariri: “sonhar é preciso e por isso, não nos é dado o direito siquer de abrir mão desta possibilidade”.

Pelos Direitos do Público e pelo cineclubismo!

Pimentel