Ignácio Lyonel Lucini (1942 – 2005)

Ignácio Lyonel Lucini (1942 – 2005)

Por: Zezé Pina em: Seg 04 de Apr, 2005 15:51 PDT (1073 Leituras)

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Lyonel Lucini durante o 1º Encontro Ibero-americano de Cineclubes.

“Não faço cinema como quem produz lingüiça. Dispenso a temática do tédio burguês ou os populares filmes-piada. Cinema é uma arte especial, na qual busco uma reflexão profunda.”
Cineasta, cineclubista, documentarista e professor morreu no dia 1° de abril aos 63 anos, de câncer, Lyonel Lucini. Argentino radicado no Brasil desde 1962, foi professor de Comunicação da Universidade de Brasília. “Não faço cinema como quem produz lingüiça. Dispenso a temática do tédio burguês ou os populares filmes-piada. Cinema é uma arte especial, na qual busco uma reflexão profunda”, enfatizou, ano passado, quando anunciou a pré-produção do curta Corre, Marvin!, com filmagens previstas para setembro no Paranoá e no Pólo de Cinema do DF.

Lucini dedicou-se a projetos como Cinema na Praça, em Santa Maria, Recanto das Emas e Gama. Presidiu a Associação Brasileira de Documentaristas, neste momento dedicava especial carinho à revitalização do cineclubismo no País, através do Centro de Estudos Cineclubistas de Brasília-CECIBRA, do qual foi um dos fundadores.

Em dezembro de 2004, participou ativamente do 1° Encontro Ibero-americano de Cineclubes em Rio Claro e da 25ª Jornada Nacional de Cineclubes na qual foi um dos homenageados.

Sobre cineclubismo dizia:

O cineclube para funcionar, ou para sua criação, necessita de um elemento fundamental, quase único, mítico possivelmente, em extinção entre os humanos: A PAIXÃO.

Neste caso, no nosso caso, a paixão pela vida e pela magia esta entendida como levitação do real: voar sem sair do lugar.

O privilégio de ter o cinema como a forma mais acurada e coerente para refletir a vida, nos leva à necessidade imperiosa de desejar compartilhá-lo, de degustar comunitariamente, como num rito sacro, iniciático, a grandeza luminosa de um caminho que não tem fim. É isso que nos emociona ao penetrar num universo sem limites, aberto.

(Artaud dizia que a vida é a imitação de alguma coisa essencial, com a qual a arte nos põe em contato).

Então, paixão, cinema e magia formam o tripé onde se apóia o cineclube. E mais o desejo de dividi-lo, de comparti-lo (como o pão, simbólico) com todos, e não somente com os que podem ir ao shopping.

Sua produção foi permeada por temas ambientais, como em Antártida (1983), Babaçu (1994) e Eu sou o cerrado (2001).

Filmografia como diretor

Eu Sou o Cerrado, 2001
Documentário dramático, porque é esta situação que se encontra o Cerrado, apesar do reconhecimento mundial como Patrimônio Natural da Humanidade O Cerrado agoniza e ninguém percebe, embalados que estamos pelo doce (?) canto da globalização. Realizado em 35mm com 7 minutos de duração.

Babaçu, 1994
Documentário em 16 mm, de características etnográficas, mostra como as comunidades maranhenses que moram no babaçal fazem o aproveitamento integral da palmeira.

Antártida, 1983
Com 45 min de duração este é o único documentário realizado sobre a primeira expedição brasileira à Antartida, em janeiro de 1983, revela, quase sem palavras, a riqueza da vida animal ali presente e a impressionante beleza das geleiras, baías, ilhas, mares e penínsulas de um continente ainda desconhecido, que é patrimônio comum da humanidade.

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