dez anos de cinema no meio da rua

Há dez anos, uma lona branca e um projetor reúnem centenas de expectadores ocasionais nas praças da periférica Marambaia. Quando a noite chega, é hora de oferecer arte aos distraídos, aos transeuntes, ao trabalhador que por ali passeia com sua família, aos jovens que se reúnem para paquerar, às crianças que brincam de pique – esconde. “É tirar o cinema das salas, daquela coisa sacralizada. É o cinema de graça, com temas provocadores. Queremos oferecer o cinema contestador e independente, que não é visto pelo grande publico, a um público que precisa ver as coisas de outra forma”, diz Francisco Weyl, coordenador do projeto Cinema de Rua.

“Ao projetar filmes de realizadores paraenses, da Amazônia e de outros rincões do país, desde que feitos com critérios que não o do lucro financeiro, o projeto estabelece canais de diálogos e parcerias artísticas e sociais comunitárias com o foco na produção crítica do pensamento e na execução radical das ações de intervenção artística e social”, defende.

Realizado pelo Cineclube Amazonas Douro em cooperação com a Rede Aparelho e o projeto Resistência Marajoara, o projeto concorre ao Prêmio Anu, promovido há uma década pela Central Única das Favelas (Cufa). A votação segue até o dia 31 de dezembro, via internet, pelo site www.premioanu.com.br.

Com média de uma projeção por mês em espaços abertos do bairro, a iniciativa promove também oficinas gratuitas de cineclubismo e produção de cinema de baixo orçamento. “A gente trabalha com a tecnologia do possível: com a ajuda de muita gente e com pouquíssimo recurso. Mas persistimos porque acreditamos no poder de transformação provocado pelo cinema. Com uma sessão, é capaz de atingirmos milhares de pessoas, porque é um público flutuante: gente que passa de carro, de bicicleta, que para, vai embora, gente que chega e fica”, diz Francisco, que recebe filmes independentes de associações sociais da África e de Portugal. “Esse material nos permite mostrar que as mazelas sofridas aqui se relacionam com as mazelas das periferias desses outros países, do outro lado do Atlântico. Então é uma discussão em escala global, que deve ser fortalecida”.

Na agenda de ações do Cinema de Rua, sessões temáticas que se propõe a debater temas como o preconceito e a discriminação. “Trabalhamos questões como a homofobia, a consciência negra, a liberdade religiosa. A intenção é trabalhar para construir uma comunidade formada por pessoas solidárias, criativas e generosas”, defende Weyl.

“O Cinema de Rua propõe a articulação da comunidade da periferia de Belém, através de diálogos e sessões cineclubistas centrados na solidariedade e na educação social, tornando-se dessa forma um instrumento de resistência e de organização social que aprofunda questões filosóficas de forma a que as pessoas que entram em contato com este projeto sejam instigadas a se apossar da natureza mítica, simbólica e dionisíaca da arte cinematográfica”, esclarece Weyl.

Prêmio

Criado em 2001, pela Central Única das Favelas, no Rio de Janeiro, o Prêmio Anu irá eleger três projetos sociais brasileiros. A última fase da competição será encerrada no dia 28 de fevereiro de 2012. A premiação acontece no mesmo dia, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Participe

Para votar no projeto Cinema de Rua, acesse o site www.premioanu.com.br até o dia 31 de dezembro.

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