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memóri@s da re@rticulação

E DE REPENTE…TUDO (RE) COMEÇOU

por João Baptista Pimentel Neto

João Baptista Pimentel Neto

Após comemorar a eleição de Luís Ignácio Lula da Silva para a Presidência da República, num contexto marcado por intensas disputas entre militantes das diversas tendências partidárias existentes no PT – Partido dos Trabalhadores e de tantas outras especulações acerca do nome que seria escolhido para assumir o Ministério da Cultura, foi com alívio, entusiamo e muita esperança que recebi, “em primeira mão”, a informação de que o companheiro de partido, Gilberto Gil havia sido escolhido e seria nomeado pelo Presidente Lula.

Tinha participado ativamente do grupo de trabalho que formulou o programa de governo defendido e assumido por Lula durante a campanha e, naquele momento, nutria a maior esperança de que sua eleição determinaria uma profunda mudança no nas políticas públicas de cultura desenvolvidas pelo Governo Federal, fato que ao longo dos anos das gestões de Gilberto Gil e de Juca Ferreira, acabaram se confirmando.

Nesta época, final de 2002 e início de 2003, exercia o cargo de Diretor de Difusão Cultural e Eventos da Secretaria Municipal de Cultura de Rio Claro e de “presidente de honra” do CREC – Centro Rio Clarense de Estudos Cinematográficos, entidade cineclubista fundada em 1986 e que desde então, apesar da crise e da total desarticulação sofrida pelo movimento cineclubismo brasileiro se mantinha em atividade.

Foi neste contexto, que por volta dos meses de abril ou maio de 2003, recebi o primeiro telefonema de Leopoldo Nunes, velho companheiro cineclubista, informando que estava trabalhando na assessoria do Ministro e que estava disposto em articular à reorganização do movimento cineclubista, o que, segundo ele, seria fundamental dentro da nova política que se pretendia implantar para o audiovisual brasileiro.

Para isso, solicitou meu apoio e, já de cara, repassou a tarefa de ajudar no mapeamento de cineclubes que por acaso, assim como o CREC, haviam resistido e se mantinham em atividade, especialmente, mas não só, no estado de São Paulo. Queria também saber por onde andavam e o que estavam fazendo vários de nossos antigos companheiros de movimento cineclubistas.

Inicialmente relutei em aceitar mais esta tarefa, já que além das atividades desenvolvidas pela Secretaria de Cultura de Rio Claro serem intensas, ocupava ainda cargos e cumpria tarefas relacionadas a várias redes e articulações do setor cultural de caráter regional, estadual e nacional, como, o Corredor Intermunicipal da Cultura, o Fórum Regional de Políticas Culturais, o Fórum Intermunicipal de Cultura, a Rede Cultural de Mercocidades, a Rede Cultural Mercosul, a Rede de Produtores Culturais da América Latina e do Caribe, a Rede Mundial de Artistas em Aliança, o Grupo de Trabalho do Fórum Social Mundial, enfim, já me faltava tempo para dar conta de tantas tarefas.

Por outro lado, cineclubista convicto e apaixonado que sempre fui, sabia muito bem que se aceitasse a tarefa, acabaria me envolvendo profundamente no processo. Seria um caminho sem volta. Tentando tirar o corpo fora, usei todos estes argumentos com o Leopoldo e lhe disse que precisava pensar. Ele, porém, foi mais rápido no gatilho e usou todos meus argumentos “contra” mim. Era justamente por tudo isso que tinha me procurado. E por isso eu não podia me negar a dar pelo menos algum tipo de contribuição. Assim não aceitaria um não e me mandaria os contatos das pessoas da SAV – Secretaria do Audiovisual que estavam conduzindo o processo. Que aguardava uma visita minha a Brasília. E ponto. Foi assim que acabou aquele primeiro telefonema.

Passados alguns dias e quando eu já tinha até “esquecido” o tal telefonema. Recebi primeiro um e-mail e depois um telefonema de Simone Norberto me informando que ela e a Soraya Segall eram as pessoas indicadas por Leopoldo Nunes para manter contato comigo e, logicamente, me “cobrar” o cumprimento das tarefas que me seriam repassadas.

Neste e-mail, recebi, como anexo, uma tabela com um mapeamento inicial de cineclubes “em funcionamento” e de pessoas que deveriam ser contatadas. E me foi também solicitado novas indicações de pessoas e cineclubes que participariam de um Encontro Nacional objetivando à retomada do CNC / Conselho Nacional de Cineclubes.

Datada de novembro de 2003, publico abaixo a versão final desta tabela:

TABELA CINNECLUBE Simone Norberto. novembro 2003

Foi a partir deste e-mail que voltei a me envolver com o movimento cineclubista. Iniciei imediatamente o trabalho de mapeamento e acabei indicando à SAV vários cineclubes e pessoas que julgava deveriam ser contatados.

Neste processo inicial registro ainda a realização de uma reunião em Brasília, com a participação de cerca de uma dezena de “cineclubistas históricos”. Realizada no gabinete do ex-ministro Gilberto Gil, a reunião foi articulada pelo Leopoldo Nunes e, até onde tenho conhecimento, nela se discutiu como, quando e quem seriam os convidados que participariam de um Encontro Nacional de Cineclubes.

Segundo algumas versões, nesta reunião teria também ficado acordado entre as “lideranças” cineclubistas presentes, que o encontro teria a maior amplitude nacional possível e deveria resultar na imediata reorganização do CNC / Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros. Ou seja, durante o encontro, conforme previsto nos estatutos da entidade, deveriam ser realizadas duas Assembléias Gerais destinadas respectivamente a aprovar as necessárias (e reconhecidas por todos) reformas estatutárias e eleger uma “nova” diretoria.

Como não participei desta reunião, além não poder registrar a data exata de sua realização e listar com a devida precisão o nome das lideranças presentes, não posso também afirmar se tal “acordo” foi mesmo firmado. Sei apenas que se existiu, não foi cumprido, como poderemos verificar no relato dos resultados finais do encontro.

Após esta reunião iniciou-se, em vários estados, mas principalmente naqueles que historicamente lideraram e/ou tiveram grande peso político nos processos eleitorais do CNC realizados do final dos anos 70 até a total desarticulação da entidade ocorrida em 1989, um processo de intensa articulação, mobilização de “bases” e “eleição” de delegados para o Encontro.

Historicamente “dividido”, tais movimentações, articulações e mobilizações, se mostraram, desde o princípio, especialmente conflituosas no estado de São Paulo, onde remanescentes dos “grupos liderados” por Diogo Gomes dos Santos e por Felipe Macedo, mesmo após 15 anos, ainda mantinham o mesmo antagonismo, divergências e desconfianças mútuas.

Em 6 de setembro de 2003, o Centro Cineclubista de São Paulo lança o Manifesto Olhar Sobre Telas que aponta as teses que seriam defendidas por este grupo de cineclubes e cineclubistas paulistas durante o Encontro Nacional.

Manifesto Olhar Sobre Telas

Neste contexto, foi que, finalmente, entre os dias 20 e 23 de novembro, aconteceu o Encontro Nacional de Cineclubes ou a 24 Jornada Nacional de Cineclubes. Realizado no Hotel Nacional, dentro da programação do Festival de Cinema Brasileiro de Brasília, o evento contou com a participação de cerca de 120 pessoas, que na prática, porém, representavam cerca de apenas 50 cineclubes organizados e em atividade.

O Encontro/ 24 Jornada Nacional de Cineclubes foi marcado por intensos conflitos provocados especialmente pela divergência entre os defensores de duas teses:

Uma que defendia à realização imediata (ainda durante o encontro) de Assembléias Gerais de Reforma dos Estatutos e de Eleição de Diretoria para o CNC / Conselho Nacional de Cineclubes, defendida especialmente pelo grupo liderado pelo Centro Cineclubista de São Paulo;

E outra, que defendia que à reorganização e (re) institucionalização da entidade necessitava passar por um processo mais orgânico e neste sentido propunham a eleição de uma Comissão Nacional de Rearticulação visando organizar, ainda em 2004, uma Pré Jornada Nacional de Cineclubes e a 25 Jornada Nacional de Cineclubes durante a qual se realizariam Assembléias de Reforma Estatutária e Eleição de Diretoria.

Esta segunda tese acabou prevalecendo e foi aprovada por aclamação pela plenária do Encontro / 24 Jornada Nacional de Cineclubes, que também elegeu os membros da Comissão Nacional de Reorganização do Movimento Cineclubista Brasileiro que ficou assim composta:

Comissão Nacional de Reorganização do Movimento Cineclubista Brasileiro

Diogo Gomes dos Santos /SP;
Antonio Claudino de Jesus /ES;
Antenor Gentil Júnior /DF;
Débora Butruce /RJ;
Luiz Orlando da Silva /BA;
Hermano Figueiredo /AL;
Luiz Alberto Cassol /RS;

Coordenador Executivo da Pré-Jornada 2004:

João Baptista Pimentel Neto / SP;

Foram aprovadas também as propostas de realização de uma Pré Jornada Nacional de Cineclubes e da 25 Jornada Nacional de Cineclubes.

Tais eventos seriam coordenados pela Comissão Nacional de Reorganização do Movimento Cineclubista Brasileiro e seriam sediadas e organizadas respectivamente em Rio Claro, pelo CREC / Centro Rio Clare e em São Paulo, pelo Centro Cineclubista de São Paulo.

A plenária aprovou finalmente o conteúdo do documento final da 24 Jornada Nacional de Cineclubes denominado Carta de Brasília.

Carta de Brasília

Para finalizar o relato deste primeiro ano do processo de rearticulação do Movimento, posto abaixo link para a mensagem inicial da lista de discussão Cineclubismo, que foi criada pelo CREC / Centro Rio Clarense de Estudos Cinematográficos poucos dias após o encerramento da Jornada visando promover o diálogo entre os membros da Comissão Nacional de Reorganização e iniciar os preparativos para a realização da Pré Jornada Nacional de Cineclubes.

Datada de 29 de novembro, após sua publicação foram postadas nesta lista até o dia 31 de dezembro de 2003, 74 outras mensagens.

Lista Cineclubismo.
http://br.groups.yahoo.com/group/cineclubismo

Mensagem inicial

Saudações Cineclubistas

João Baptista Pime…
pimentel43 Online agora Enviar e-mail
29 de Nov de 2003
9:41 pm

Aqui termino um primeiro relato, ainda pouco detalhado, sobre os fatos e acontecimentos referentes a 2003.

Pimentel

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