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festival cinema na floresta
Festival de Alta Floresta
Por: João Baptista Pimentel Neto em: Qua 04 de Jul, 2007 05:24 PDT (1081 Leituras)
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Os números mostram, o quanto foi acertada, essa iniciativa de fazer em Alta Floresta, um Festival de Cinema. Quase 4.000 pessoas assistiram aos filmes, entre vídeos, curta e longas metragens, sem esquecer documentários e animação, que foram exibidos em 7 dias de Festival.
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A resposta do público à programação foi o indicador mais importante para esta conclusão. Todos os dias, a sala de cerca de 220 lugares do Teatro Oficina, que foi transformada em cinema nesses 7 dias, ficou invariavelmente lotada, nas 3 sessões diárias que exibiram filmes com a maior diversidade de assuntos. Vídeos e curtas mato-grossenses, além de longas brasileiros e ainda convidados estrangeiros, como Bolívia e Portugal integraram esta primeira edição, promovida pelo Teatro Experimental de Alta Floresta em parceria com a Cia D’Artes do Brasil.
As expectativas da organização foram francamente ultrapassadas e é impressionante constatar o interesse da população pelos filmes convidados.
Além disso, o chamado à votação, feito pela organização do festival, para o público que compareceu em massa as sessões, foi impressionante. As pessoas demonstraram incrível interesse em expressar sua predileção pelas produções.
Os vencedores foram:
Vídeo – “Vanguarda Hip Hop” – do coletivo Próxima Cena
Curta – “Comprometendo a Atuação” de Bruno Bini
Longa – “Narradores de Javé” de Eliane Caffé
Outro ponto forte do festival, foi a oficina de realização, com o cineasta Amauri Tangará. Foram sorteados dois temas, propostos por Amauri, e cada grupo de 10 pessoas desenvolveu um deles, pondo em polvorosa a população da cidade, que esbarrava constantemente com as equipes de filmagem pelas esquinas. Os dois vídeos resultantes desta experiência, foram exibidos na cerimônia de encerramento, debaixo das palmas e gritos da platéia, que se reconhecia em cada cena.
As palestras foram bastante esclarecedoras.
A de Eduardo Ferreira – sobre mídias alternativas, indicando novas formas de divulgação dos produtos culturais. Mostrando que já não existe mais aquele papo de capital e interior, pois o conhecimento está em todo o lugar e as oportunidades de divulgação estão abertas a quem as queira aproveitar.
Falou sobre o site Overmundo – uma iniciativa para popularizar a internet, que já tem mais de um milhão de “page viwers” por mês e defende a tese de que cada um deve editar sua própria notícia.
Falou também sobre as “creative commons” e todo o movimento dos software livres, que permitem a divulgação de obras como livros, filmes e músicas, para consultas e cópias, sem nenhum pagamento autoral (desde que utilizado sem fins lucrativos), que permite imensa gama de consulta.
Geraldo Moraes, falando sobre o cinema fora do eixo, foi irado. Já que o eixo não nos reconhece, nada mais justo que nós nos unamos para buscar junto às platéias o reconhecimento para os trabalhos audiovisuais feitos com mais suor e lágrimas do que exatamente dinheiro. Geraldo afirmou que o cinema “underground” ou alternativo, vem ganhando adeptos e o movimento cresce francamente, pois a descoberta deste nicho de expressão para comunicar vem sendo cada vez mais usado.
Aquele papo de alguns, do Rio e São Paulo, de que subsídio para filmes sem condições de mercado, é besteira, precisa mudar e a proposta que nos trás Geraldo é a da recente criação de uma organização chamada “diversidade cultural brasileira” cujo site www.diversidade culturalbrasileira.com.br permitirá que cada produtor ou cineasta, mostre qual é o verdadeiro público que tem visto suas produções, através da inserção contínua dos públicos, conforme a participação dos trabalhos em festivais, mostras, cineclubes ou circuitos, por mais alternativos que sejam estes.
Está afinal provado, que o público que assiste aos filmes, de qualquer das formas possíveis, é tão passível de ser considerado integrante do “mercado” consumidor de audiovisual, quanto àqueles que frequentam as parcas salas de cinema existentes no país, muitas delas, completamente de costas às produções nacionais. De fato, este movimento pretende provar, que legitimamente, os filmes que circulam nos circuitos alternativos, devolvem ao público, de forma muito mais plena, o recurso por eles investido, no ato do pagamento de seus impostos, já que o subsídio à maioria destes filmes vem mesmo de recursos públicos.
Geraldo, que prepara as filmagens de seu próximo longa-metragem “O Homem Mau Dorme Bem” em Mato Grosso, e que pretende utilizar muita mão de obra mato-grossense, aprovou a iniciativa do festival em Alta Floresta e definiu a atitude, como a mais correta, para se criar uma demanda de público crítico, que busque cada vez mais conhecer o que vem sendo produzido em termos audiovisuais no Brasil.
Na sexta, à tarde, na oficina de cineclubismo, ministrada por João Baptista Pimentel Neto, foi proposta a criação do cineclube de Alta Floresta, para que se possa ver cinema com muito mais frequência por essas bandas. E no próprio Sábado, o estatuto foi discutido e assinado, de modo que na cerimônia de encerramento já se pode anunciar a criação do Cineclube de Alta Floresta, com o apoio do Conselho Nacional de Cineclubes, do qual João Baptista Pimente Neto?l é Secretário Geral.
Por essas e por outras, é que o balanço geral do 1º Festival de Cinema na Floresta é extremamente favorável. A comunidade participou de forma expressiva e a personalidade mais frequente, foi a Prefeita de Alta Floresta Maria Izaura, que não perdeu nenhuma das sessões noturnas do Festival, provando que o poder público também aprova e subscreve a iniciativa.
O patrocínio do Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Cultura, além dos apoios da CSDR e da Prefeitura Municipal de Alta Floresta, juntamente com a AMAV/ABD-MT e o MISC, é que tornaram possível este importante evento e esperamos que as próximas edições venham cada vez mais solidificar o movimento audiovisual em Mato Grosso.
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