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Ignácio Lyonel Lucini (1942 – 2005)
Ignácio Lyonel Lucini (1942 – 2005)
Por: Zezé Pina em: Seg 04 de Apr, 2005 15:51 PDT (1073 Leituras)
“Não faço cinema como quem produz lingüiça. Dispenso a temática do tédio burguês ou os populares filmes-piada. Cinema é uma arte especial, na qual busco uma reflexão profunda.”
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Lucini dedicou-se a projetos como Cinema na Praça, em Santa Maria, Recanto das Emas e Gama. Presidiu a Associação Brasileira de Documentaristas, neste momento dedicava especial carinho à revitalização do cineclubismo no País, através do Centro de Estudos Cineclubistas de Brasília-CECIBRA, do qual foi um dos fundadores.
Em dezembro de 2004, participou ativamente do 1° Encontro Ibero-americano de Cineclubes em Rio Claro e da 25ª Jornada Nacional de Cineclubes na qual foi um dos homenageados.
Sobre cineclubismo dizia:
O cineclube para funcionar, ou para sua criação, necessita de um elemento fundamental, quase único, mítico possivelmente, em extinção entre os humanos: A PAIXÃO.
Neste caso, no nosso caso, a paixão pela vida e pela magia esta entendida como levitação do real: voar sem sair do lugar.
O privilégio de ter o cinema como a forma mais acurada e coerente para refletir a vida, nos leva à necessidade imperiosa de desejar compartilhá-lo, de degustar comunitariamente, como num rito sacro, iniciático, a grandeza luminosa de um caminho que não tem fim. É isso que nos emociona ao penetrar num universo sem limites, aberto.
(Artaud dizia que a vida é a imitação de alguma coisa essencial, com a qual a arte nos põe em contato).
Então, paixão, cinema e magia formam o tripé onde se apóia o cineclube. E mais o desejo de dividi-lo, de comparti-lo (como o pão, simbólico) com todos, e não somente com os que podem ir ao shopping.
Sua produção foi permeada por temas ambientais, como em Antártida (1983), Babaçu (1994) e Eu sou o cerrado (2001).
Eu Sou o Cerrado, 2001
Documentário dramático, porque é esta situação que se encontra o Cerrado, apesar do reconhecimento mundial como Patrimônio Natural da Humanidade O Cerrado agoniza e ninguém percebe, embalados que estamos pelo doce (?) canto da globalização. Realizado em 35mm com 7 minutos de duração.
Babaçu, 1994
Documentário em 16 mm, de características etnográficas, mostra como as comunidades maranhenses que moram no babaçal fazem o aproveitamento integral da palmeira.
Antártida, 1983
Com 45 min de duração este é o único documentário realizado sobre a primeira expedição brasileira à Antartida, em janeiro de 1983, revela, quase sem palavras, a riqueza da vida animal ali presente e a impressionante beleza das geleiras, baías, ilhas, mares e penínsulas de um continente ainda desconhecido, que é patrimônio comum da humanidade.
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