Comunicação digital: o que é?

  • A proposta do grupo de Comunicação Digital é trabalharmos em três grandes eixos até novembro, quando ocorrerá o Fórum da Cultura Digital Brasileira na Cinemateca, em São Paulo (ainda sem data definida, provavelmente na segunda quinzena):

    – delimitação do campo: o que é comunicação digital?
    – diagnósticos: quais são os problemas? quais as perguntas que precisamos fazer?
    – formulações e propostas: quais políticas públicas devem existir? que ações este grupo deveria tomar? quais pressões deveríamos fazer?

    Criamos um blog, o ComDigital, para publicar textos referentes ao grupo e discutir essas questões para além do fórum nesta página.

    Anote: http://www.culturadigital.br/comdigital

    Antes de começarmos a debater os problemas e as possíveis soluções relacionadas à comunicação digital é interessante definirmos sobre o que exatamente estamos falando. Comunicação digital é simplesmente a comunicação que se realiza através de bits e bytes? É uma outra comunicação ou é a mesma comunicação mais rápida, mais poderosa? Qual é o campo da comunicação digital e seus aspectos mais relevantes?

    O Ministério da Cultura, no documento que fundamente a criação deste Fórum, sustenta que fazem parte da discussão deste eixo:

    – Preservação da língua portuguesa e o incentivo à produção de conteúdos no ambiente da cibercultura;
    – Processos midiáticos e as implicações comunicacionais e culturais da convergência;
    – Transformações nos processos educacionais e o impacto das novas tecnologias de informação e comunicação nos espaços formais e informais de ensino;
    – Acesso ao conhecimento científico;
    – Padrões de disponibilização de bases de dados públicas, para permitir a sua apropriação e recombinação pela cidadania

    Língua

    O Fórum da Cultura Digital Brasileira pretende debater a produção, difusão e fruição de conteúdos digitais em língua portuguesa. Sem dúvida, o país necessita de uma política cultural que torne nossa sociedade não apenas consumidora, mas também produtora de conteúdo na Internet, partindo do princípio de que o upload é tão importante quanto o download.

    De acordo com uma pesquisa desenvolvida por Edward T. O´Neill, Brian F. Lavoie e Rick Benett, do Web Characterization Project13, e citada no texto Programa de Conteúdos Digitais em Cultura e Língua Brasileira, assinado por Nelson Simões (Rede Nacional de Pesquisa) e Hélio Kuramoto (IBICT), a participação brasileira em sites na web era de 2%, em 1999, e, em 2002, o país já não aparecia nas estatísticas. O inglês dominava 55% da participação em 2002.

    A mesma pesquisa, citada novamente no relatório apresentado por Simões e Kuramoto, aponta que os conteúdos em língua portuguesa representavam 2% em 1999, e 1% em 2002, tendo sido ultrapassados por conteúdos digitais em outras línguas como o coreano, o chinês e o holandês.

    A pesquisa pode ser obtida no endereço: http://www.oclc.org/research/projects/archive/wcp/default.htm

    É preciso considerar que de 2002 para cá o Brasil sofreu uma explosão de uso e assistiu ao processo de popularização do acesso à rede mundial de computadores. Porém, no mesmo período, a rede atingiu a marca de mais de 1,5 bilhão de usuários em todo o planeta., Portanto, é razoável considerar que, na ausência de uma política pública, a desproporção de conteúdos em língua portuguesa disponíveis na rede pode ter se mantido ao longo do tempo, ou até se aprofundado.

    Dois seminários, com participação de vários setores governamentais e da sociedade, foram realizados pelo Comitê Gestor da Internet do Brasil (CGI-Br) para debater esse problema, e algumas diretrizes já foram delineadas. Essa dimensão do debate sobre conteúdos em língua
    portuguesa ganha ainda mais importância se considerarmos o anúncio do projeto do governo Lula de conectar todas as escolas públicas brasileiras até 2010.

    Há, por outro lado, a necessidade de discutir a relação da cultura digital como o processo de globalização, onde os conteúdos convergem em trocas transnacionais, e são majoritariamente produzidos em língua inglesa. Uma verdadeira experiência de cultura digital envolve trocas transnacionais e o dialogo entre diferentes povos. O território do ciberespaço reunifica a humanidade e exige uma língua destinada à troca e ao intercâmbio.

    Mídia

    Os tradicionais meios de comunicação de massa têm sido profundamente atingidos pelo processo de digitalização. No Brasil, no entanto, diferentemente da maioria do mundo ocidental, o mercado de comunicação descreve trajetória ascendente. Ainda assim, a “competição” promovida pela digitalização e pela rede mundial de computadores demonstra que o modelo industrial estruturado na oferta de informação de um para
    muitos não se sustentará a médio prazo.

    Nesse contexto, uma nova mídia, forjada na participação dos cidadãos, está
    surgindo. Do ponto de vista da cultura, é preciso recuperar o exemplo do Overmundo (http://www.overmundo.com.br), revista virtual colaborativa que reúne produções culturais e jornalísticas a qual se configura como um banco vivo da diversidade brasileira.
    Também vale observar a explosão da blogosfera cultural, que se constitui em um novo e importante ator cultural.

    Mapear esse novo circuito midiático, sua capilaridade e extensão, é um dos papéis do Fórum da Cultura Digital Brasileira. Também é necessário formular políticas públicas voltadas para o fomento dessa nova atividade midiática, como já vem ocorrendo com o Prêmio de Mìdia Livre, atividade da Secretaria de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura.

    Convergência

    A convergência tecnológica é um fenômeno cultural. Para Henri Jenkins (2008. p. 2728), professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology):

    A circulação de conteúdos -por meio de diferentes sistemas midiáticos, sistemas administrativos de mídias concorrentes e fronteiras nacionais -depende fortemente da participação ativa dos consumidores. Meu argumento aqui será contra a idéia de que a convergência deve ser compreendida principalmente como um processo tecnológico que une múltiplas funções dentro dos mesmos aparelhos. Em vez disso a convergência representa uma transformação cultural, à medida que consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdos midiáticos dispersos. Este livro é sobre o trabalho -e as brincadeiras -que os espectadores realizam no novo sistema de mídia.

    As pessoas anteriormente conhecidas como público (The People Formerly Known as The Audience), os novos produtores ativos de conhecimento e cultura, definem essa nova etapa da evolução dos meios de comunicação. São os cidadãos, antigamente sem acesso à voz no espaço público, que estão construindo uma nova cultura midiática na era digital, baseada na convergência tecnológica, mas principalmente de idéias.

    A web é um meio de comunicação que permite o diálogo de muitos para muitos. O que estamos vivendo não é um processo de substituição de mídias, mas sim de complementariedade melhorada.

    Uma vez que um meio se estabelece, ao satisfazer alguma demanda humana
    essencial, ele continua a funcionar dentro de um sistema maior de opções de
    comunicação. Desde que o som gravado se tornou uma possibilidade, continuamos a desenvolver novos e aprimorados meios de gravação e reprodução do som. Palavras impressas não eliminaram as palavras faladas. O cinema não eliminou o teatro. A televisão não eliminou o rádio. Cada antigo meio foi forçado a conviver com osmeios emergentes. É por isso que a convergência parece mais plausível como uma forma de entender os últimos dez anos de transformações dos meios de comunicação
    do que o velho paradigma da revolução digital. (JENKINS, 2008, p. 39)

    Neste campo, pretendemos debater a emergência de novas formas de cultura, como games, softwares, a produção para aparelhos móveis, fanfics, entre tantas outras expressões da cultura contemporânea que emergem com o processo de digitalização.

    Mas e aí? É isso?

    Curadoria de Comunicação Digital
    http://www.culturadigital.br/comdigital
    Andre Deak
    andredeak@gmail.com
    @andredeak
    http://www.andredeak.com.br

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