Cultura Digital e Aprendizagem

Em 2009, a Ação Cultura Digital do Ministério da  fez o termo aditivo Projeto de Integração de Políticas de Inclusão Digital – Ação Cultura Digital do Programa Cultura Viva e Projeto Casa Brasil. Fui selecionada para realizar esta pesquisa e em Junho de 2009 assumi a coordenação deste aditivo de Projeto como coordenadora.

Para a entrega do II produto de pesquisa, definimos que seria interessante, juntar todas as conversas e construções já realizadas sobre o ensino e aprendizagem e apresentar um compilado de diretrizes interessantes sobre o Tema Cultura Digital dentro dos seguintes itens:

– Sustentabilidade;

– Comunicação;

– Formação; e

– Desenvolvimento.

Como educadora, me juntei ao grupo de formação, que apresentou o seguinte produto sobre aprendizagem. É importante registrar que este produto foi compartilhado com mais de 60 pessoas para contribuição, infelizmente mão na massa mesmo foram poucas, porém, as demais contribuíram historicamente pelo processo de construção do conhecimento, conversas, rodas, emails, chats e demais fontes que atuamos.

Proposta de Diretrizes e Ações de Aprendizado na Cultura Digital

Apresentação

Como Aprendizado na Cultura Digital, entende-se processos educativos em rede, considerando e valorizando as realidades locais, conhecimentos tradicionais e populares associados a processos e conhecimentos globais e contemporâneos, utilizando principalmente as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação para a formulação e fomento a redes sociais e culturais, na transformação social e política e a geração de autonomia das realidades locais. Afinal:

“a educação existe onde não há a escola e por toda parte podem haver redes e estruturas sociais de transferência de saber de uma geração a outra, onde ainda não foi sequer criada a sombra de algum modelo de ensino formal e centralizado. Porque a educação aprende com o homem a continuar o trabalho da vida. A vida que transporta de uma espécie para outra, dentro da história da natureza, e de uma geração a outra de viventes, dentro da história da espécie, os princípios através dos quais a própria vida aprende e ensina a sobreviver e a evoluir em cada tipo de ser.”(BRANDAO, 1981:13)BRANDAO, Carlos  Rodrigues. O que é educação. São Paulo: Brasiliense, 2007. –Coleção Primeiros Passos;20)

As relações de aprendizagem formais desconsideram os seres humanos e os oprime em suas práticas sociais, culturais e ambientais, como “nenhum povo é dono do seu destino se não é dono de sua cultura”(JOSE MARTI) este tipo de educação só legitima o que está posto.

Portanto, esta proposta sugere processos que estimulem o desenvolvimento das capacidades cognitivas e que valorizem a experiência cognitiva individual e comunitária, a generosidade intelectual, os auto-didatismos (se-virismo), a valorização do meio ambiente e das culturas ancestrais, a geração de autonomia pelos e dos “Pontos”, assim como a diversidade cultural e a descentralização das práticas de aprendizado, tanto dos seus conteúdos, espaços quanto dos sujeitos responsáveis por construir, trocar e vivenciar conhecimentos.

Introdução

Uma chama não perde nada ao acender outra chama”

(Provérbio Africano)
A presente proposta é resultado de seis meses de análises e intervenções  sobre o uso e apropriação de  tecnologias livres  pelos  Pontos de Cultura. É taambém uma construção colaborativa e um debate público junto a diversos atores de Cultura e tecnologia que tem como principal objetivo: viabilizar o planejamento de ações de aprendizagem utilizando ferramentas livres tendo como público alvo diversos setores da sociedade brasileira.

A Ação Cultura Digital do Ministério da Cultura – MinC, atua como catalizadora da rede formada pelos Pontos de Cultura para apropriação das ferramentas multimídia e sensibilização para o uso do software livre. Considerando o caráter experimental e inovador do trabalho de Cultura Digital do MinC,  qualquer pesquisa sobre novas tecnologias para usos sociais e culturais precisaria ser precedida de um estudo sobre novas formas de colaboração e cooperação, tendo como princípio  a generosidade intelectual. No Site da Ação Cultura Digital do MinCDisponibilidade em: <http://blogs.cultura.gov.br/cultura_digital/>. Acesso: 02/06/09 encontra-se um pronunciamento de 2004 do ex-ministro da Cultura Gilberto Gil:

“Cultura digital é um conceito novo. Parte da idéia de que a revolução das tecnologias digitais é, em essência, cultural. O que está implicado aqui é que o uso de tecnologia digital muda os comportamentos. O uso pleno da Internet e do software livre cria fantásticas possibilidades de democratizar os acessos à informação e ao conhecimento, maximizar os potenciais dos bens e serviços culturais, amplificar os valores que formam o nosso repertório comum e, portanto, a nossa cultura, e potencializar também a produção cultural, criando inclusive novas formas de arte”. 2Disponível em: <http://blogs.cultura.gov.br/cultura_digital/sobre-2/>. Acesso: 04/05/09

Observa-se no pronunciamento do ex-ministro Gilberto Gil que a Ação Cultura Digital, antes de ser uma iniciativa governamental do MinC, já era uma cultura, entedida como conceito, difundido entre alguns grupos com fortes bases na ciberculturaA cibercultura é a relação entre as tecnologias de comunicação, informação e a cultura, emergentes a partir da convergência informatização/telecomunicação na década de 1970. Trata-se de uma nova relação entre tecnologias e a sociabilidade, configurando a cultura contemporânea. A cibercultura envolve hackers, ativistas políticos e da comunicação, artistas etc que buscam novas formas de se sociabilizar através das tecnologias digitais e de rede. .  A Ação Cultura Digital não é uma ação governamental verticalizada, mas uma Ação que aponta para a aproximação e simbiose entre sujeitos que estão interessados nas possibilidades da cibercultura e das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação – NTICs, para democratizar o acesso à informação e à comunicação.

O papel da Ação Cultura Digital e de políticas de acesso ao conhecimento e à diversidade cultural,  destaca-se no contexto econômico, político e social ocidental em que a produção e a distribuição de conteúdo cultural são importantes fatores para  constituição de ideologias e consensos na sociedade civil. O trabalho desenvolvido pela Ação – em parceria com a sociedade civil e organizações não governamentais – evidenciou e continua a evidenciar a diversidade das expressões da cultura brasileira de comunidades tradicionais, comunidades rurais, comunidades periféricas e segmentos da sociedade civil marginalizados culturalmente que tendo de fato se apropriado tecnologicamente passam a publicizar suas manifestações e tradições.

Na revelação de um Brasil que é uma grande colcha de retalhos constituído através de uma  bricolagem cultural, repleto de significados e significantes, de cultura diversa e híbrida por natureza,  que se resignifica no contato com o mundo globalizado mais uma vez se resignifica, e em alguma medida, dando voz aos que historicamente forem excluídos dos processos de decisão das políticas públicas culturais, se possibilitam novas formas de interações sociais e redefinições da esfera do público (Commons ou Bens Comuns), como ressaltam Yúdice (2004) e Canclini (1995), descrevendo a importância das políticas culturais inclusivas e de interação entre as minorias e a cibercultura, para mudanças na cultura política, necessárias no contexto global atual, de crise e adaptação das formas de governança e de rápidas transformações econômicas e sociais impulsionadas pelos avanços tecnológicos, como acentuam Hardt e Negri (2005).

A “Ação Cultura Digital” do MinC em seu histórico, vêm consolidando metodologias de aprendizado para apropriação das tecnologias para usos sociais que valorizam culturais com especial atenção áquelas marginais. Destacamos os Encontros de Conhecimentos Livres, as Oficinas Locais e Continuadas, processos de Aprendizado em Rede pela Internet como o Estúdio Livre.

Esse documento pretende sistematizar as atuais práticas educacionais da Ação Cultura Digital e apontar para novas práticas e conceitos, levando em consideração e mantendo a grande influência das teorias e práticas da educação popular, dos processos de aprendizado em rede, da cibercultura, da generosidade intelectual e considerando a Inteligência Coletiva, a Diversidade Cultural, a Cultura Livre e a própria Educação Popular como bases metodológicas para a construção deste documento e das futuras realizações no âmbito de ações de aprendizado pela Ação Cultura Digital.

Como Aprendizado na Cultura Digital, entende-se processos educativos em rede, considerando e valorizando as realidades locais, conhecimentos tradicionais e populares associados a processos e conhecimentos globais e contemporâneos, utilizando principalmente as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação para a formulação e fomento a redes sociais e culturais, na transformação social e política e a geração de autonomia das realidades locais.

Nossa visão, opõe-se a padronização do ensino, ao senso comum de que só se aprende numa relação hierárquica e padronizada de transferência de conhecimentos.  Opõe-se a visão de que educação é apenas a baseada na repetição, obrigatoriedade e no estímulo a competição como práticas para o aprendizado e de que existem “responsáveis específicos por passar o conhecimento” ou “donos da verdade”, o que sugere que uma pessoa ou grupo possa deter o conhecimento ou que existe somente um conhecimento “certo”, uma verdade absoluta, sendo este conhecimento “certo” ou verdade absoluta de base desenvolvimentista-industrialista e etnocêntrica. É uma imoralidade constatar que os interesses do mercado se sobrepõe aos interesses humanos(FREIRE, 1996). Nossa visão é oposta a visão de que lugar de aprender é apenas em “caixas de concreto”, pois:

[...] Não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar onde ela acontece e talvez nem seja o melhor; o ensino escolar não é a sua única prática e o professor profissional não é o seu único praticante.” (BRANDÃO, 1981: 09)

As relações de aprendizagem formais desconsideram os seres humanos e os oprime em suas práticas sociais, culturais e ambientais, como “nenhum povo é dono do seu destino se não é dono de sua cultura”(JOSE MARTI) este tipo de educação só legitima o que está posto.

Portanto, esta proposta sugere processos que estimulem o desenvolvimento das capacidades cognitivas e que valorizem a experiência cognitiva individual e comunitária, a generosidade intelectual, os auto-didatismos (se-virismo), a valorização do meio ambiente e das culturas ancestrais, a geração de autonomia pelos e dos “Pontos”, assim como a diversidade cultural e a descentralização das práticas de aprendizado, tanto dos seus conteúdos, espaços quanto dos sujeitos responsáveis por construir, trocar e vivenciar conhecimentos. Como referência para a construção desta proposta utilizamos o projeto pedagógico da Escola da Ponte, o Anexo III é parte do projeto educativo da Escola onde é trabalhada a relevância do aprendizado e do conhecimento.

Sendo assim, a Ação Cultura Digital apóia e realiza aprendizado em rede virtual e/ou presencialmente, de muitos “com” muitos, junto a multidão, uma rede aberta em expansão na qual todas as diferenças podem ser expressas livre e igualitariamente, uma rede que proporciona os meios da convergência para que possamos trabalhar e viver em comum. A multidão que é composta de inúmeras diferenças internas que nunca poderão ser reduzidas a uma unidade ou identidade única – diferentes culturas, raças, etnias, gêneros e orientações sexuais; diferentes formas de trabalho; diferentes maneiras de viver; diferentes visões de mundo; e diferentes desejos. A multidão é uma multiplicidade de todas estas diferenças singulares, assim, compõe-se potencialmente de todas as diferentes configurações da produção social (HARDT e NEGRI, 2005).

Justificativa

As ações de Cultura Digital do MinC são reconhecidas no mundo pelo fato de que, além de discutir as questões e implicações culturais da revolução provocada pelas tecnologias digitais, coloca todos estes conceitos e novos paradigmas em prática, através da ação junto aos ponto de cultura.

A construção do conhecimento para a autonomia com a utilização de tecnologias livres depende de uma série de ações concomitantes e integradas. Historicamente o processo de aprendizado da forma que acontece nas escolas e no modelo hierárquico e arquitetônico utilizado nas escolas são contemporaneos dos presídios e dos hospitais (Foucault). Só este fato já seria o bastante para refutarmos este modelo, porem é sabido que no aprendizado da cultura digital  esse modelo também não é eficaz, levando a grande maioria dos frequentadores desse tipo de curso a pouco tempo depois esquecer o que aprendeu devido a falta de oportunidade e necessidade real de colocar em prática aquilo que lhes foi transmitido.

Nosso trabalho visa gerar compreensão e autonomia em tecnologia digital para que esta se transforme numa ferramenta de democratização de acesso ao conhecimento.

Para a realização das atividades de aprendizado na cultura digital precisa-se aprimorar cada vez as ferramentas e  estimular a compreensão técnica e cultural através da convivência em rede com as comunidades de pontos de cultura.

A ação Cultura Digital do Programa Cultura Viva, como parte fundamental das ações de Cultura Digital do MinC, precisa ainda de um enorme esforço de desenvolvimento de softwares livres, das plataformas e das metodologia de implantação, para que possamos garantir a irreversibilidade desta autonomia. Acreditamos que estamos no caminho de uma verdadeira política auto-sustentável, tão falada no meio político / acadêmico. Acreditamos ter começado o que pode vir a ser uma verdadeira revolução sócio-cultural que viabilize uma nova realidade econômica-social para o Brasil.

Parar o desenvolvimento deste processo agora, seria jogar fora o dinheiro público gasto até aqui, além de perder a oportunidade de avançarmos num projeto inédito e que tem reconhecimento local de muitos pontos de cultura que já entenderam este processo e que já foram “contaminados”.

O sucesso que conseguimos e a escala que precisamos atingir para termos a segurança de poder construir uma política pública de Cultura Digital, requer para 2009 e 2010 um aumento de ações e conseqüente de recursos.

Quando falamos em softwares livres destinados à apropriação tecnológica e aprendizagem, estamos falando de arquiteturas complexas que viabilizam o acesso, produção e documentação de informações provenientes de várias fontes e localidades e que foram construídas com as mais diversas linguagens.

Para entender isso, pensemos em tomadas para ligar nossas ferramentas elétricas (barbeadores, secadores de cabelo, ferro elétrico e computadores). Hoje isso só é possivel se tivermos conversores de voltagem (110 e 220 volts) e adaptadores de tomadas, já que cada continente adotou tomadas e voltagens diferentes. No mundo digital, que é de natureza de extrema complexidade, estas diferenças entre arquiteturas tecnológicas correm o risco de criar uma grande babel onde as informações deixam de ser acessíveis a todos.

Nosso trabalho é a construção de uma arquitetura que possibilite acesso, produção e documentação a qualquer informação independentemente da tecnologia utilizada. É uma arquitetura que viabiliza a democratização da informação à todos. É a entrada no paradigma da era digital e é a revolução digital que elimina a intermediação que não agrega valor.

Este é o cerne do conceito de cultura livre que norteia o Programa de Cultura Digital que estamos construindo. E é por isso que o uso de softwares livres é imprescindível, já que programas proprietários objetivam exatamente “ilhas” rentáveis de conhecimento.

As arquiteturas abertas devem ser vistas pelo viés político: o uso pleno das possibilidades de acesso à informação e a real democratização do acesso e produção de conhecimento.

Objetivo Geral

Fomentar práxis libertadoras de metodologias e aprendizagem na Cultura Digital, num processo educativo de universalização e difusão do acesso a cultura com atores culturais diversos, principalmente os históricamente oprimidos, integrando cultura popular e erúdita num desenvolvimento sustentável de ações educativas utilizando ferramentas livres para inovação e experimentação da realidade brasileira.

Objetivos Especificos

  • Apoiar a valorização da cultura local e a ampliação do universo simbólico dos indivíduos e da cultura brasileira;
  • Identificar novos usos da tecnologia no âmbito da Cultura Digital;
  • Mapear, regionalmente, as experiências educacionais e de apropriação das NTICs nos “Pontos”, assim como experiências de trabalho colaborativo entre os “Pontos”;
  • Potencializar os trabalhos dos “Pontos” e suas interfaces junto às comunidades;
  • Trabalhar criticamente as interações tecnológicas e estéticas, a generosidade intelectual, a educação lúdica digital, a economia da Cultura Digital e a fruição midiática, utilizando-se de ferramentas e conhecimentos livres;
  • Fomentar, apoiar e realizar ações e produções nas áreas de memória, abertura do Estado e contole social (e-gov e gov 2.0), mídia-ativismo, publicização e documentação da Cultura Digital, valorização das tradições culturais, produção artítisca, alfabetização digital, gênero e metareciclagem, assim como realizar a crítica e a reflexão sobre essas ações e produções.
  • Promover fóruns presenciais e virtualmente (culturadigital.br) de ampla discussão acerca da Cultura Digital, criando canais de aproximação entre governo e sociedade civil;
  • Promover encontros,oficinas, fóruns, seminários e ações virtuais que possibilitem trocas de experiências, planejamento de ações e debate de temas relevantes a essa proposta;
  • Fortalecer e fomentar redes de produção colaborativa e solidarias;
  • Fomento a pesquisa, registro, documentação e sistematização das ações em Cultura digital em atividades transversais e integradas por instituições educativas, institutos de pesquisas em NTICs e na Cultura Digital, grupos autônomos, movimentos sociais etc;
  • Produção de Conteúdo multimídia para inovação e experimentação tecnológica e estética, assim como fomentar a interação entre a cibercultura e as culturas populares;
  • Propor canais de comunicação e de produção de conteúdos culturais, fomentando o repertório simbólico comum;
  • Formação e manutenção de acervos livres da cultura popular brasileira;
  • Pesquisa e Administração de servidores livres e pesquisas sobre governabilidade na internet;
  • Formular políticas de aprendizagem na Cultura Digital, em permanente diálogo com a sociedade civil;
  • Participação e realização de fóruns, seminários, grupos de estudos que tratem de questões pertinentes a Cultura Digital, como: direito autoral, governança da internet, economia criativa, acesso a informação como direito, política pública de banda larga, etc.
  • Buscar construir uma metodologia de avaliação e pesquisa que detectem os novos processos de aprendizado na Cultura Digital e seus resultados, permitindo uma crítica sobre os processos educacionais implementados em Cultura Digital no Brasil sabendo que, por obedecerem a novos paradigmas, os velhos métodos de avaliação não funcionam.

Metodologias

Oficina

O termo “oficina” aqui é utilizado como espaços de troca de conhecimento, criações, invenções e construções orientadas por atividades “transformadoras” entre um ou mais “oficineiros” e os “oficinandos”. As oficinas pretendem estimular ações de produção de conteúdos, distribuições, produtos, serviços e criar e/ou fomentar redes colaborativas/coletivas de conhecimento.

No desenvolvimento das atividades, a diversidade e diferenças existentes no país são consideradas, pois os projetos culturais apresentam objetivos distintos de transformação e contribuição para a sociedade. Não é possível desconsiderar as características das comunidades atendidas, necessitando de metodologias que respeitem a realidade regional e local dos Pontos e os interesses de formação das comunidades e sujeitos envolvidos.

As oficinas serão locais e construídas coletiva e colaborativamente com os sujeitos envolvidos nesta ação. É necessário, para otimizar ações, o envolvimento dos parceiros nacionais, regionais e locais na Cultura Digital na construção das propostas formativas em apropriação tecnológica. A atuação ocorrerá de maneira a favorecer e otimizar o constante aperfeiçoamento das ações em Cultura Digital.

No decorrer das atividades da “Ação Cultura Digital” foram desenvolvidas, realizadas e consolidadas as oficinas continuadas, locais e residentes:

  • Oficinas Locais: São oficinas realizadas diretamente nos Pontos de Cultura aonde a equipe de Cultura Digital conjuntamente com pessoas ligadas ao  PdC elaboram a metodologia que será utilizada para a troca de conhecimentos e realizam uma série de atividades visando a apropriação tecnológica do PdC dos seus próprios recursos (equipamentos adquiridos pelo PdC), protagonizando nas oficinas os temas locais.
  • Oficinas Continuadas: São oficinas locais realizadas com uma certa periodicidade, visando acompanhar e fomentar o processo de apropriação tecnológica do PdC no tempo. Nesse processo a equipe de Cultura Digital se torna parte do PdC interagindo com o seu cotidiano, levantando questões e se envolvendo nos problemas do PdC, criando uma relação mais próxima e afetiva com o PdC e seus integrantes.
  • Oficinas Residentes: São oficinas realizadas num espaço próprio dos atores da Cultura Digital, chamados esporos. Tais oficinas pretendem ser um processo contínuo e longo em dado conhecimento, contando com a presença das mesmas pessoas desde o início do ciclo ao final.
  • Imersão: Pequenos encontros com a presença de alguns dos “Pontos” da região por alguns dias consecutivos, durante os quais serão realizadas oficinas no “Ponto” hóspede. As imersões propõem a reunião das pessoas para um estudo ou trabalho mais focado, trabalhando com demandas específicas dos “Pontos”, integrando e criando relações afetivas entre os membros da rede, o que promoverá uma maior colaboração entre os “Pontos” para a solução de seus problemas comuns.

Encontros de Conhecimentos Livres:

São momentos  de trocas entre os Pontos e coletivos culturais da região. A organização do Encontro  é feita de forma coletiva e colaborativa. Os Pontos convidados propunham atividades conjuntas. Os trabalhos e discussões esãp organizados em rodas – as “Rodas de Prosa”. A pré-programação, estabelecida em considerando os objetivos dos pontos. é revisitada num movimento sinérgico de abordar os conteúdos e atividades propostas pelos sujeitos presentes no Encontro. Em geral, a programação contempla oficinas, rodas de prosa, atividades culturais e conceituais.

Estes encontros trabalharam com atividades de trocas de habilidades técnicas e discussões conceituais sobre cultura livre e colaborativa, mas também contaram com eventuais atividades propostas pelos pontos ou pelos demais parceiros, estimulando a criação e fortalecimento da rede, a multiplicação dos saberes e protagonismo. As oficinas envolveram diferentes projetos e atores locais de diferentes faixas etárias dos Pontos de Cultura.

Rodas de conversa:

Momentos horizontais de construção, significação, ressignificação de conhecimentos, conceitos, idéias e ações. É  uma roda de sujeitos baseada no respeito mútuo aos seus saberes e não saberes. Pretende considerar os seres em seus desejos, necessidades e desafios. É um exercício de escuta elaborante e fala livre, afinal, a palavra é algo vivo e possui relações fortes com os pensamentos – a relação entre ambos é um processo vivo. É dado voz,  pois a palavra é representativa do suniversos dos sujeitos – as expressões dos sujeitos – construções subjetivas de seres.

Grupos de estudos:

São atividades abertas, onde os participantes têm a oportunidade de estudar e debater temas da Cultura Livre. Objetiva pesquisar e estudar, compartilhando conhecimentos.

Fóruns:

Objetiva propiciar espaço de intercomunicação entre organismos, entidades, instituições e expressões. Possibilita maior conhecimento das respectivas ações e visões, mas também para aprofundar reflexões sobre temáticas específicas relativas à sociedade, à cultura, ao diálogo e aos direitos humanos. Podem ser realizados presencial e virtualmente.

Virtualmente – O Fórum da Cultura Digital Brasileira é o “espaço público e aberto voltado para a formulação e a construção democrática de uma política pública de cultura digital, integrando cidadãos e insituições governamentais, estatais, da sociedade civil e do mercado.”

Festivais:

Os Festivais possuem carater de integração, sensibilização e publicização das ações e riquezas desenvolvidas dentro dos Conceitos da Cultura Digital. Esses Festivais, Além do caráter supracitado. possuen caráter artistico, no sentido que servirá também como espaço de mostras e trocas de tudo o que está sendo produzido continuadamente pelos Pontos e por comunidades artíticas/culturais na regiao do Ponto que atuem de acordo com a filosofia da cultura digital. É importante estimular prêmios por categorias em apropriação tecnológica para conhecer, documentar, divulgar e interligar os “nós digitais” pulsantes do Brasil em suas atividades e produções.

Seminário:

Promoção de conversas e debates, festivais de instalação de softwares livres (install fest), mostras de vídeo e pequenos eventos para o fomento das idéias sobre cultura e tecnologia, que trabalhem questões conceituais sobre a Cultura Digital de forma a enriquecer o discurso dos “Pontos” e aquecer o processo de formação e manutenção das redes e convidar parceiros e governos a integrarem as ações de Cultura Digital.

Esporos:

Locais de pesquisa, formação e documentação que funcionem como espaços públicos de referência técnica e discussão conceitual, onde o trabalho possa basear-se e onde também os integrantes de “Pontos” e de demais movimentos relacionados à cultura livre possam realizar intercâmbios. Servem como espaço de troca e interação entre os diversos atores e interessados na Cultura Digital, também podem ser chamados Hacklabs. Os esporos são e podem ser desenvolvidas pesquisas, grupos de estudo, oficinas residentes, seminários e suporte remoto. É um espaço importante para realização de intercâmbios – formação e troca de habilidades.

Aqui está implicado tudo o que está relacionado as ações de Cultura Digital, sua permanência e replicação auto-sustentável, desde as práticas até as pesquisas conceituais, tecnológicas e metodológicas.

Os laboratórios podem ser desenvolvidos em conjunto com parceiros e os Pontos de Cultura e sua infra-estrutura deve ser reforçada com a redistribuição e a aquisição de equipamentos para montagem de estúdios multimídia. A estrutura deve prever a realização de atividades de pesquisa técnica, como instalação e teste de aplicativos livres, suporte à produção de mídias, contribuição com comunidades de desenvolvimento dos softwares livres utilizados e confecção de tutoriais de uso, e também de reflexão conceitual, como eventos públicos para troca de idéias e apresentação de pesquisas, intercâmbios com universidades e pesquisa sobre o local e as pessoas envolvidas no processo, no sentido de mapear e cruzar dados.

Os Esporos são locais onde os integrantes dos “Pontos” irão conhecer e trocar conhecimentos sobre os temas da Cultura Digital com outras pessoas fortalecendo o espirito de colaboração, a rede de conhecidos que utilizam as mesmas ferramentas ou conhecer novas pessoas, ferramentas e conceitos, assim como participar de um formato de encontro de troca de conhecimentos e aprendizagem horizontalizado. As pessoas envolvidas nos Esporos serão incentivadas a fazer visitas constantes aos Estúdios Multímidia de Cultura Digital distribuídos aos Pontos de Cultura para desta forma aprimorarem ainda mais seus conhecimentos além de poder participar de uma estrutura de troca de conhecimentos com os diversos atores da Cultura Digital.

Publicação:

Como exemplo de publicações realizados pela “Ação Cultura Digital” se tem o almanaque da Cultura Digital publicado em 2006 contendo tutoriais, manuais, atividades e ações realizadas pela “Ação Cultura Digital”, textos conceituais etc.

Os boletins da Cultura Digital que continham as atividades realizadas pela Ação, o Estúdio Livre aonde eram agregados os tutoriais dos softwares utilizados pela Ação, assim como o site institucional do MinC, tais publicações são de extrema importância para a geração de autonomia tecnológica dos “Pontos”, pois trazem consigo todo o conhecimento agregado pelos Atores da Cultura, assim como possibilitam a divulgação das atividades que estão sendo realizadas pelos diversos Atores da Cultura Digital informando interessados na Cultura Digital e os “Pontos” do universo da Cultura Digital brasileira, fomentando assim a articulação e a formação/manutenção das redes de solidariedade. Como publicação entende-se a documentação das ferramentas utilizadas e dos processos realizados pelos Atores da Cultura Digital, sejam essas publicações materiais ou imateriais.

Caravana Multimídia:
Considerando que os “Pontos” já realizam diversos eventos em suas localidades, propõe-se que uma equipe de Cultura Digital esteja nestes eventos realizando uma série de oficinas com o intuito de facilitar o registro dos mesmos.

Haverá junto aos “Pontos” o “Levantamento de Problemas”: através da construção de um calendário de eventos ou atividades dos “Pontos”. Essa estratégia visa criar uma conexão e um compromisso mutuo com base no trabalho real a ser realizado pelo “Ponto”, além de possibilitar uma articulação com outros órgãos do governo no sentido de divulgar e incluir nos seus calendários as atividades dos “Pontos”.

Aprendizado em rede e pela rede:

A construção do conhecimento na sociedade da informação precisa de uma escola em que os professores e os alunos “atuem como parceiros, desencadeando um processo de aprendizagem cooperativa para buscar a produção do conhecimento” (Behrens, 2000).

Considerando a grande demanda por aprendizado pelos “Pontos”, acredita-se que uma ótima forma de promover a apropriação tecnológica é através da aprendizagem à distância ou aprendizado em rede. A cibereducação potencializa a inteligência coletiva em ambientes interativos, fomentando a diversidade ecológica do conhecimento e promovendo a adaptação da educação à nova relação que está sendo instaurada com o saber.

Tendo isso em vista, é importante desenvolver ou apoiar uma plataforma piloto de ensino à distância e ministrar através dela alguns cursos e possibilitar a interação com o propósito unicamente educacional dos “Pontos”.
Cada curso trabalhará uma série de textos, tutoriais e exercícios que serão dados em ordem cronológica. Os participantes deverão comentar os textos trabalhados através de uma lista de discussão, além da sugestãode  dois chats semanais entre e os participantes. Também haverá um canal aberto 24h de discussão entre os participantes.

Aconselha-se que a plataforma seja aberta a qualquer pessoa e que permita que os integrantes ingressem nos cursos a qualquer momento, sem necessidade de se fechar uma turma e que os próprios integrantes que irão atualizar os conteúdos da plataforma.

Live DVD e Repositório:

No caso do aprendizado com Sistemas e Softwares Livres existe ainda mais um agravante: no Brasil e na grande maioria dos países em desenvolvimento os computadores domésticos são de posse familiar, normalmente do chefe da família, seja ele o pai ou a mãe, e utilizado pelos irmãos e demais agregados. Esse fato impossibilita mudanças, como a instalação de sistemas operacionais livres para a continuidade do aprendizado nos domicilios, tornando o conteúdo, idéias e ideais que acompanham as tecnologias livres, mesmo que utilizando uma plataforma de Educação a Distância, distante da vida cotidiana e da autonomia buscada.

A partir destas constatações propõe-se um DVD Live – voltado para o aprendizado – isso possibilitará a utilização de um Sistema Operacional Livre sem que seja necessário qualquer tipo de alteração no computador utilizado pela família, na idéia de que autonomia se conquista.

Propõe-se também a criação e manutenção de um repositório da “Ação Cultura Digital”, o que facilitaria a instalação dos programas utilizados pela Ação por interessados na Cultura Digital, o repositório facilita também a atualização dos programas, possibilitando que os “Pontos” estejam sempre com as últimas versões dos programas de uma maneira extremamente simples, exigindo somente algus cliks no mouse ou apenas uma simples linha de comando.

Referências:

  • AÇÃO CULTURA DIGITAL. Wiki dos Articuladores – CNPq. Disponível em: <http://acao.culturadigital.org.br>. Acesso: 10/08/2009.
  • AÇÃO CULTURA DIGITAL. Cultura Digital 2007-2010. Disponível em: <http://docs.google.com/View?docid=ddc6knb_5cvjm7j&revision=_published>. Acesso: 01/08/2009
  • AMADEU, S. Software Livre: A luta pela liberdade do conhecimento. 1. ed. São Paulo: Fundação Perseu Abramo. 2004.
  • BRANDAO, Carlos Rodrigues. O que é educação popular. São Paulo: Brasiliense, 2006. (Coleção Primeiros Passos; 318)
  • BRANDAO, Carlos Rodrigues. O que é educação. São Paulo: Brasiliense, 2007. –Coleção Primeiros Passos;20)
  • CANCLINI, N, G. Consumidores e Cidadões: Conflitos Multiculturais da Globalização. 1 ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ. 2006
  • CASTELLS, M. A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura V.1, A Sociedade em Rede. 11 ed. São Paulo: Editora Paz e Terra S/A. 1999.
  • CASTELLS, M. A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura V.2, O Poder da Identidade. 5 ed. São Paulo: Editora Paz e Terra S/A. 1999.
  • CUÉLLAR, J.P. Nossa Diversidade Criadora: Relatório da Comissão Mundial de Cultura e Desenvolvimento. 1 ed. Brasília: UNESCO/Papirus Editora. 1997.
  • ESCOLA DA PONTE. Projeto Educativo. Portugal, 2003.
  • FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.
  • FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 15. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
  • HARDT, M; NEGRI, A. Multidão: Guerra e Democracia ne Era do Império. 1 ed. Rio de Janeiro: Record. 2005.
  • LEVY, P. Cibercultura. 2 ed. Sao Paulo: Ed 34. 2000.
  • LESSING, L. Cultura Livre: Como a Grande Mídia Usa a Tecnologia e a Lei para Bloquear a Cultura e Controlar a Criatividade. 1 ed. São Paulo: Trama. 2005. Cibercultura. 2 ed. Sao Paulo: Ed 34. 2000.
  • Ministério da Cultura do Brasil. Direitos Autorais, Acesso à Cultura e Novas Tecnologias: Desafios em Evolução à Diversidade Cultural. Rio de Janeiro, 2006.
  • Ministério da Cultura do Brasil; CNPC; Comissão Permanente de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados. Plano Nacional de Cultura. Brasília, 2008.
  • ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA (UNESCO). Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais. 2006.
  • PIOVESAN, F. Direitos Humanos e Propriedade Intelectual. 2007. Disponível em: <http://www.culturalivre.org.br>. Acesso: 28/05/09.
  • Projeto de Integração de Políticas de Inclusão Digital – Ação Cultura Digital do Programa Cultura Viva e Projeto Casa Brasil. Remix da Cultura Digital. 2009. Disponível em: <http://acao.culturadigital.org.br/wikka.php?wakka=PaginaInicial>. Acesso: 8/06/09.
  • REIS, Renato Hilário dos. A constituição do sujeito político, epistemológico e amoroso na alfabetização de jovens e adultos. Tese de doutorado. Universidade Estadual de Campinas,Campinas – SP. 2000.
  • YÚDICE, G. A Conveniência da Cultura: Usos da Cultura na Era Global. 1 ed. Belo Horizonte: Editora UFMG. 2004.
Esta entrada foi publicada em Sem categoria. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Uma resposta a Cultura Digital e Aprendizagem

  1. valeria disse:

    Josiane, muito legal esse seu texto. Acho que seria interessante vc colocar seu relatorio de gestao, para documentar e registrar o tempo q vc esteve a frente do programa. Assim q mudar os ares eu vou postar o meu relatorio de gestao, pq acho importante publicizar o que foi feito, as prioridades, etc.
    Bj val

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *


*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Please leave these two fields as-is:

Protected by Invisible Defender. Showed 403 to 16 bad guys.