Ecossistema jornalístico, papel, internet e outros coisas mais
[...] há realmente dois cenários piores que nos preocupam agora, e é importante distinguir entre eles. Primeiro, há o pânico de que os jornais vão desaparecer como empresas. E, depois, há o pânico de que as informações cruciais vão desaparecer com eles, que nós vamos sofrer culturalmente, porque os jornais não serão, por muito tempo, capazes de gerar as informações que temos invocado por tantos anos.
[...] o novo ecossistema do jornalismo de investigação está em sua infância. Existem dezenas de projetos interessantes sendo encabeçados por pessoas muito inteligentes, algumas delas sem fins lucrativos, outras para alguns fins lucrativos. Mas elas são mudas.
Mudas? Embriões do quê? De um novo modelo de jornalismo. Um jornalismo híbrido, em que participam empresas jornalísticas, fundações sem fins lucrativos e blogueiros empreendedores. Esse é o novo modelo, ou pelo menos, é o que aparenta para Johnson. Ele afirma que esse ecossistema se parecerá com a figura a seguir:
Nesse ecossistema jornalístico, a produção de notícias não será exclusiva dos jornalistas, mas será o resultado de uma mescla de novos atores no espaço noticioso. É interessante a presença de um processo partilhado de edição (curadoria), onde haveria a presença de editores profissionais, mas não exclusivamente.
Comentando sobre essa proposta de Johnson, de um ecossistema jornalístico híbrido, Tim Kastelle escreveu no blog Innovation Leandership Network afirmou:
Parte da inovação, que nós estamos procurando, é como podemos criar uma combinação dessas funções em um único modelo, que vai ter alguma combinação de conteúdo livre, junto com um mecanismo de geração de renda. Porque eu continuo dizendo, em geral, as funções que parecem fazer o dinheiro ,neste tipo de sistemas, são agregação e filtragem – por isso, eu ainda acho, que o caminho para construir um modelo desse tipo de negócio é incluir uma ou ambas as funções.
Já para Mindy McAdams, jornalista que atua na área de ensino, o gráfico de Johnson,
[...] tenta representar o ambiente de notícia como ela é agora, sem se inclinar em direção a um modelo idealista, que não corresponde à realidade. O que eu não concordo é, com as setas de um caminho único – tudo neste modelo tem fluxos em dois sentidos agora.
Seja qual for o futuro, com ou sem empresas jornalísticas (arrisco a dizer que elas existirão em outros formatos), com ou sem papel, algo é certo: a internet será um dos atores mais importantes nessa construção da notícia, assim como o é nesse começo de século XXI.


