quinta-feira, 18 de março de 2010

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Caminhos para o jornalismo do século XXI?

Web 2.0, Twitter, Blogs, P2P, Wikipedia, MySpace, Facebook, Youtube, Orkut, Iphone, Wi-Fi, jornalismo participativo… Nenhuma dessas expressões existia no dia 1º. de janeiro de 2000. Mais que termos com inspiração geek, essas palavras materializam uma modificação na relação das pessoas com o mundo e como se conformam as articulações do que se acessa, do que se produz.(Editorial Revista Ícone)

Concorda com essa idéia? Pois é, a Revista Ícone, editada pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Pernambuco, disponibilizou o seu mais recente número, intitulado “Jornalismo no início do século XXI“.
O número problematiza as tecnologias e possíveis simbioses com a prática jornalística, entrecruzado com a prática dialógica existente. E neste aspecto, os editores tem razão: as tecnologias amplificaram a relação comunicativa nas práticas jornalísticas. Quem de nós pode fechar os olhos a isso, sem deixar de fora o futuro da comunicação? Você pode até discordar, mas vale a pena a leitura das considerações deste número!

Eventos em Jornalismo 2010: programe-se!

Aos colegas que tenham interesse em participar, temos alguns eventos importantes para 2010 já em destaque e que merecem estar nas agendas:

1. II Congresso Internacional de Ciberjornalismo em Dezembro de 2010 em Porto (Portugal): O evento está marcado para 09 e 10 de Dezembro de 2010 na Universidade do Porto e terá como tema principal “Modelos de negócio para o jornalismo na Internet”. O call for papers deverá ser feito no primeiro trimestre.

2. FÓRUM SUL DE FOTOJORNALISMO: Ensino, Pesquisa e Extensão em Fotografia Jornalística nas Universidades do Sul do Brasil, Florianópolis (SC), 20 de maio de 2010. As inscrições podem ser feitas de 25 de fevereiro a 5 de abril de 2010, conforme orientações disponíveis no site www.floripanafoto.com . Para submeter comunicação ao FÓRUM SUL DE FOTOJORNALISMO o proponente deverá enviar o trabalho pronto através do e-mail: forum@floripanafoto.com, de acordo com as regras disponíveis no site do evento. O resultado será publicado em 30 de abril.

3. IX Ciclo de Pesquisa em Ensino de Jornalismo (FNPJ): O evento integra o 13º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, que acontece de 21 a 23 de abril em Recife (PE), na Universidade Católica de Pernambuco, e é promovido pelo FNPJ (Fórum Nacional de Professores de Jornalismo).O encontro recebe trabalhos nos formatos de comunicação científica, relatos e pôsteres, em seis grupos de pesquisa: atividades de extensão; ensino de ética e teoria do jornalismo; pesquisa na graduação, produção laboratorial – eletrônicos; produção laboratorial – impressos e projetos pedagógicos e metodologias de ensino. O envio de trabalhos deve ser feito por e-mail, diretamente aos coordenadores dos grupos de pesquisa. As normas de inscrição e endereços para envio podem ser encontradas no site do evento: http://www.unicap.br/encontro_prof_jor/inscricoes.html.

4. 13º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo terá como tema: O Ensino do Jornalismo: Novas Diretrizes e novos Cenários Jurídicos, Profissionais Tecnológicos e Econômicos. Além do ciclo de pesquisa, o evento também inclui as seguintes atividades: Pré-Fórum da Fenaj, Colóqui da Andi, 4º Encontro Nacional de Coordenadores de Curso de Jornalismo e o Colóquio Ibero-Americano de Jornalismo. Mais informações sobre a programação também podem ser encontradas no site do FNPJ: www.fnpj.org.br.


Preservação da memória da internet

A internet é acusada de ser efêmera devido ao fato de informações publicadas se perderem nas constantes atualizações. Não é de hoje, que todos nós já vivenciamos a decepção de encontrar uma sítio importante e, descobrir algum tempo depois, que ele sumiu ou mesmo não disponibiliza mais as informações que anteriormente tivemos acesso.
Um proposta nova, parece ter encontrado um solução de preservação da memória dos sítios da internet. A Biblioteca Britânica acaba de lançar o projeto UK Web Archive. Trata-se de um projeto que reúne  imagens de telas de sites coletadas desde 2004. A idéia é “coletar, preservar e garantir acesso permanente a sites importantes do Reino Unido para as próximas gerações”, afirma o projeto. 
A proposta é boa, mas tem encontrado resistências, já que nem todos os proprietários de sítios tem permitido a incorporação de suas produções ao projeto. Segundo a dica do sítio Jornalistas da WEB,o projeto tem tentado
[...] obter, junto ao governo, a autorização para capturar automaticamente todos os sites que estejam no domínio do Reino Unido. A Biblioteca Britânica e outras do mesmo gênero têm esse direito garantido pelo Legal Deposit Libraries Act, de 2003, porém, elas ainda precisam que a lei entre em vigor para prosseguirem com o trabalho.
O sítio é fácil de utilizar e permite pesquisas nas telas capturadas por datas de postagem do autor.Vale a pena pesquisar.

Uma tempestade na mídia

É dessa forma que a TVE de Espanha, apresentou o cenário da mídia impressa na Espanha. Somente nos primeiros dois meses de 2010, a queda no consumo da mídia impressa caiu em 30% em relação a 2009. 
O video, de um pouco mais de 14 minutos, intitulado La tormenta de papel apresenta entrevistas com os diretores dos maiores jornais espanhóis: ABC, El País, El Mundo, 20 minutos, Elconfidencial.comShow. 
A que se atribui a crise nesses meios impressos? Já era de se esperar: boa parte é atribuída aos periódicos gratuitos e as novas tecnologias de plataforma web. É interessante que se apresentam possíveis caminhos de superação, desde que passem por modelos híbridos de negócio.
Via: E-periodistas.weblog

Cibercultura em destaque: e-book

Uma dica muito boa foi dada pelo blog do GJOL (UFBA): é o lançamento do livro sobre Cibercultura, fruto das atividades desenvolvidas pela ABCiber – Associação Brasileira de Cibercultura, intitulado A Cibercultura e seu espelho: campo de conhecimento emergente e a nova vivência humana na era da imersão interativa.
O livro reúne pesquisadores da área de comunicação e educação, tais como Elizabeth Saad Corrêa, Gilbertto Prado, André Lemos, Adriana Amaral e Marco Silva. A versão on-line é bem interessante, pois permite um passeio pelas seções e textos produzidos. Mas caso prefira o mais tradicional, é possível fazer o download aqui.

Arrecadação de direitos de autor cai 41% na Espanha

Segundo o Centro Espanõl de Derechos Reprográficos (CEDRO), o ano de 2009 terminou na Espanha com mais autores parceiros e com uma arrecadação 41% menor do que 2008, no campo dos direitos autorais.

O centro que conta com 17.687 membros entre escritores, editores e tradutores, registrou a cifra de 18 milhões de euros distribuídos entre autores e editores para a reprodução de suas obras (a partir do valor arrecadado em 2008). Some-se a esse valor 24,46 milhões de euros levantados pela utilização das obras de autores e editores de cópia privada (21.981.800,81 euros), as licenças (1.653.407,15 euros) do valor arrecadado em estrangeiro (546.422,01 euros) e os honorários de comodato (279.805,07 euros).
Apesar desses valores parecem muito, após os descontos previstos pelo Centro, registra-se um decréscimo de 41% em relação à arrecadação de 2008. Segundo o Centro, essa queda na arrecadação foi ocasionada “quase inteiramente pela redução das tarifas para a cópia privada, aprovado pelo Governo [espanhol] em 2008”.
Pelo menos, dessa vez a “culpa” não foi atribuída a internet e a cultura da licensas livres pela utilização e divulgação de livros e revistas.

Fonte: Com informações de CEDRO


Jornais e memória: qual o futuro?

Gustavo Martín Garzo, escritor espanhol, publicou um artigo interessante intitulado Elogio de la prensa impresa, no jornal El País (Espanha). 
Nele, Garzo tenta “recuperar” um pouco do significado que o jornal impresso tinha na sociedade. É o típico esforço de trazer da memória sentimentos associados ao hábito de ler, que aqui no Brasil, foi tido como “um obituário do jornalismo impresso“. 
Bem verdade que, todo o esforço saudosista de nossa memória, pode ser tido como um obituário de um passado já há muito esquecido, mas é também o reflexo de uma “experiência dos sentidos”. É um pouco o que vejo nesse texto de Garzo: uma reminiscência de um outro jornal, de um outro jornalismo. É como ele afirma:

Bons jornalistas são como aquele professor. Eles passam a noite trancados em suas composições, para que possamos ver ao levantar a imagem do local onde vivem. Ajudam-nos a compreender e ter um olhar atento e crítico sobre ele. Ou seja, transformam nosso mundo em palavras, que é o mesmo que dizer uma figura de nossos pensamentos.
Os jornais têm continuado a exercer este trabalho desde a sua fundação. Assim, o mundo real, em que estamos, são transportados por outro mundo que é o verbal, esse território dos nossos pensamentos e nossas memórias. Por trás desse esforço, há incontáveis noites sem dormir.
[...] Miguel Delibes disse que a missão do escritor foi a chamada de voz, e é exatamente isso que fazem os jornais, ligar todas as manhãs, as palavras que precisamos para avançar.

O texto é repleto de comparações e lembranças. Lembra-nos de um outro jornalismo, mais romântico (pode até ser chamado de pieguice!), mais ativo na vida social. Era uma outra época, uma época que fica na memória.


Ferramentas digitais ao alcance de todos

Já tinha lido o trabalho da jornalista argentina Sandra Crucianelli, que foi disponibilizado pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas por ocasião do anúncio, mas tive tempo de disponibilizá-lo somente agora. O material intitulado Ferramentas digitais para jornalistas (em espanhol) é bem interessante. A versão em português, segundo o  Centro Knight ,estará disponível em breve. 
Entre os diversos pontos positivos do livro, encontram-se as discussões sobre a utilização de marcadores sociais, das redes sociais, da web semântica e, uma introdução sobre jornalismo cidadão e novos postos de trabalho, assunto na pauta geral dos cursos de formação.
Por certo, será um livro que figurará nas referências de cursos de formação, principalmente por ser totalmente free.

Como está o ensino e a investigação em jornalismo em Portugal e na Espanha?

Essa foi a proposta da Jornadas da OBCiber, que foram realizadas nos dias 4 e 5 de dezembro de 2009, com o foco na temática “O jornalismo nos novos media: ensino e investigação”. Participaram diversos professores e profissionais, alguns já conhecidos aqui pelo Brasil, quer por seus trabalhos, quer por partilharem experiências no ensino e na pesquisa.

Entre os participantes, duas apresentações julgo essenciais (já que a finalidade do que escrevo aqui no Blog Ensino de Jornalismo e no blog do Gipo é o ensino e a pesquisa): a primeira, do prof. Javier Díaz Noci, da Universitat Pompeu Fabra, em Barcelona, que apontou para a temática Pesquisa em ciberjornalismo: tendências, e, a segunda proferida pelo Prof. António Granado, da Universidade Nova de Lisboa, intitulada 10 coisas que as universidades precisam fazer para melhorar o ensino do jornalismo.
Caso prefira assistir as apresentações, coloca-as no Blog do Gipo (clique aqui para assistir). Encaro como essenciais para quem está estudando o ensino de jornalismo.

Efeitos imaginados da mídia?

Quando o assunto é teoria, não faltam possibilidades para se estudar o jornalismo. A hipótese do efeito da terceira pessoa é uma delas e, parte do pressuposto de efeitos imaginados.
A idéia é que esses efeitos ocorrem (ou podem ocorrer) sobre o “outro” e não sobre o “eu”. Essa hipótese foi cunhada por W. Phillips Davison em 1983, no artigo intitulado “The Third-Person Effect in comunication” onde ele aponta a possibilidade de que uma pessoa exposta à comunicação persuasiva na mídia massiva vê isso como de grande efeito nos demais (outros) do que em si mesmo (eu).
Ela pode ser aplicada a diversas situações, tais como política, programação, vendas ou mesmo para se assumir uma conduta censurante. Você poderá ler mais sobre essa teoria no artigo que publiquei na revista Estudos em Jornalismo e Mídia, vol.6, n° 2, mantida pelo Programa de Pós-Graduação da UFSC, editada em 2009, sob o título “Entre fronteiras: explorando o efeito da terceira pessoa”.