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Arrecadação de direitos de autor cai 41% na Espanha
Segundo o Centro Espanõl de Derechos Reprográficos (CEDRO), o ano de 2009 terminou na Espanha com mais autores parceiros e com uma arrecadação 41% menor do que 2008, no campo dos direitos autorais.
Fonte: Com informações de CEDRO
Jornais e memória: qual o futuro?
Bons jornalistas são como aquele professor. Eles passam a noite trancados em suas composições, para que possamos ver ao levantar a imagem do local onde vivem. Ajudam-nos a compreender e ter um olhar atento e crítico sobre ele. Ou seja, transformam nosso mundo em palavras, que é o mesmo que dizer uma figura de nossos pensamentos.
Os jornais têm continuado a exercer este trabalho desde a sua fundação. Assim, o mundo real, em que estamos, são transportados por outro mundo que é o verbal, esse território dos nossos pensamentos e nossas memórias. Por trás desse esforço, há incontáveis noites sem dormir.
[...] Miguel Delibes disse que a missão do escritor foi a chamada de voz, e é exatamente isso que fazem os jornais, ligar todas as manhãs, as palavras que precisamos para avançar.
O texto é repleto de comparações e lembranças. Lembra-nos de um outro jornalismo, mais romântico (pode até ser chamado de pieguice!), mais ativo na vida social. Era uma outra época, uma época que fica na memória.
O design pode salvar os jornais?
Muitas propostas foram feitas para salvar os jornais. Essas incluem a redefinição do foco jornalístico, o redesenho de suas plataformas e até a mudança na forma como o fato é tratado. Todas, apesar de bem estruturadas, encontram o mesmo problema: menos leitores.
O grande problema, parece ter sido fidelizar os leitores e, dificilmente, neoleitores são agregados aos jornais de forma massiva. Mas a resposta pode estar em outro local. Pode estar na produção de imagens. Essa é a proposta de Jacek Utko, designer polonês, que tem trabalhado na Europa Oriental a mais de 20 anos em jornais.
Jacek Utko, especializou-se em designer de jornais. Ele reconhece que a crise dos jornais, em âmbito mundial, é resultado da mudança de nicho, do impressso para o virtual e, também, da forma como os leitores interagem com os diversos tipos de mídias. Porém, ele defende que, uma cultura visual, pode fazer a diferença e salvar os jornais.
Utko defende, de forma bem radical, um outro olhar, bem pessoal para a cultura visual dos jornais:
A primeira página virou nossa assinatura. Era meu canal pessoal para falar com os leitores. [...] Eu queria minha declaração artística, minha interpretação da realidade. Eu queria fazer pôsteres, não jornais, nem sequer revistas. Pôsteres. Experimentavámos com tipografia, com ilustrações, com fotos. E nos divertíamos. Logo começaram a aparecer os resultados. Na polônia, nossas páginas foram eleitas capas do ano por três vezes consecutivas. Mas o segredo não é só a capa. O segredo é que tratávamos o jornal como uma peça única, como uma composição – uma música. A música tem altos e baixos. O design é responsável por essa experiência.
Essa é uma proposta que parece nova (face às já defendidas em 2009): o jornal como criação individual, o jornal com cara de outra coisa, menos tradicional. Utko apresentou estatísticas de fazer qualquer dono de jornal sonhar: na Rússia, após o redesenho, o aumento foi de 11% em um ano, seguido de 19% no segundo ano e, de 29% no terceiro; na Polônia, o aumento foi de 13% no primeiro ano, de 22% no segundo e, de 35% no terceiro; e, na Bulgária, o aumento foi de 100% na circulação no primeiro ano.
É o design a salvação dos jornais? Utko reconhece que o design é parte do processo. É preciso mais. “Não basta apenas melhorar a aparência, mas melhorar o produto como um todo, mudando a rotina de trabalho dentro do jornal”, reforça.
Veja a apresentação feita por Jacek Utko no TED. A apresentação está traduzida para 14 idiomas, inclusive o português (basta clicar em subtítulos, se necessitar).
Clique aqui.
Jornalismo, formação e trabalho
[...] os dados sobre o emprego de pessoas com cursos de graduação de jornalismo revelam algumas estatísticas preocupantes. Uma pesquisa realizada com estudantes, após seis meses da formatura, verificaram que, com excepção dos licenciados de Bournemouth e Kingston [universidades inglesas], nenhum curso teve mais de 40 por cento dos formandos de jornalismo trabalhando em alguma mídia associada à profissão. Um quarto dos diplomados da University of the Creative Arts estavam trabalhando como assistentes ou caixas de vendas de varejo, em comparação com apenas 15 por cento que tinham emprego garantido na mídia ou em indústrias associadas.
[...] há “muitos cursos de ‘jornalismo no Reino Unido e é preciso haver um” debate sério “sobre o futuro do ensino de jornalismo”. Algumas universidades estão olhando apenas para o rendimento dos estudantes e, universidades sem escrúpulos, podem ser desonestas a respeito de perspectivas de emprego. Seria irresponsável para nós fingimos que uma graduação é uma porta de entrada para um emprego.
Independente do que pensemos, é importante sermos honestos: um diploma não é, necessariamente, sinônimo de emprego. Isso acontece lá nos Estados Unidos e aqui também no Brasil. É claro que, as chances aumentam para aqueles que possuem competências e habilidades adquiridas no espaço acadêmico, mas não implicam em sucesso, necessariamente.
O que temos de fazer? Como formadores nas universidades, assumir o que defendi a 10 anos atrás: o mercado modifica-se rapidamente e, a universidade precisa entender isso e, proporcionar aos alunos, condições de competitividade, sobretudo, as que dizem respeito ao jornalismo digital. Não estou aqui fazendo “apologia ao mercado”, queria poder não depender dele, mas a verdade é “nua e crua”: somos peças de uma jogo bem elaborado nessa máquina capitalista. Ela sabe bem as regras, e nós?
O futuro do jornalismo: especialistas fazem suas apostas
Em 2009, a expressão “O futuro do jornalismo” foi utilizado largamente em artigos e palestras pelo mundo acadêmico. A utilização da expressão, chama atenção para algo “novo”, que existe no campo discursivo e, que, dia-a-dia, parece criar um “pânico” em quem a lê. Digo isso, porque em conversa com colegas da área e acadêmicos, quando fala-se em “futuro do jornalismo”, a expressão aparentemente foi ressignificada para “crise”, “fim”, “desemprego” e palavras afetas a essas.
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Mídia nos Estados Unidos: estado da arte em 2009
O Projeto Pew Research Center for Excellence in Journalism divulgou os resultados de sua pesquisa – The State of News Media – sobre a mídia americana em 2008/2009. A pesquisa é desenvolvida desde 2004, permitindo uma série estatística dos indicadores, sendo financiada pelo Pew Charitable Trusts.
[...] é ajudar os jornalistas que produzem as notícias e, os cidadãos que a consomem a desenvolver uma melhor compreensão do que a imprensa está entregando, como os meios de comunicação estão mudando, e as forças que estão moldando essas mudanças. Temos enfatizado a pesquisa empírica na crença de que, quantificar o que está ocorrendo na imprensa, em vez de simplesmente oferecer a crítica, é a melhor abordagem para a compreensão.
O que os dados de 2009 revelam? Novamente o que outros estudos tem apontado: uma crise generalizada no atual modelo de negócios da mídia. Segundo Tom Rosenstiel, jornalista que assina a pesquisa e coordena o projeto, os resultados “parecem assustadores”, pois
“as receitas de publicidade em jornais caíram 23% nos últimos dois anos. Alguns jornais estão em processo de falência e outros perderam 75% de seu valor. Estimamos que, cerca de um em cada cinco jornalistas, que trabalhavam em jornais, em 2001, não estavam mais nesse mercado no final de 2008 e 2009. [...] Ocorre uma migração acelerada do público para a Internet. O número de americanos que utilizam regularmente a Internet para acesso à notícias, de acordo com um levantamento, aumentou 19% nos últimos dois anos, sendo que em 2008, o tráfego para sites de notícias importantes aumentou 27%;
Apesar da sobrevida que as eleições americanas proporcionaram ao jornalismo impresso, a pesquisa foi enfática:
No ano passado, aconteceram duas coisas importantes que, efetivamente, reduziram o tempo restante no ‘relógio’. Em primeiro lugar, a migração acelerada da audiência para a Web, significando que a indústria da notícia deve se reinventar, mais cedo do que pensávamos, embora a maioria dessas pessoas estejam visitando os destinos tradicionais de notícias na web. Pelo menos, no curto prazo, o crescimento da audiência online tem piorado e não ajuda a situação de sites de notícias tradicionais.
Depois, veio o colapso da economia. Os números são apenas suposições, mas os executivos acreditam que a recessão, pelo menos, ocasionará o dobro de perdas de receitas no setor de mídia imprensa em 2008, e talvez ainda mais sobre as redes de televisão. Ainda mais importante, é o fato de que a recessão afetou os esforços para encontrar novas fontes de receita. Em uma tentativa de reinventar o negócio, 2008 parece ter sido um ano perdido e, 2009 ameaça ser a mesma coisa.
Alguns outros dados da pesquisa ajudam a visualizar o tamanho da crise:
1. Variação percentual da audiência de 2007 a 2008, por setores da mídia.
2. Variação percentual da receita de anúncios de 2007 a 2008, por setores da mídia.
3. Declínio percentual de circulação durante seis meses, período de 2003-2008.
4. Edições impressas vs. Receita de publicidade online no período 2003-2007.
Ecossistema jornalístico, papel, internet e outros coisas mais
[...] há realmente dois cenários piores que nos preocupam agora, e é importante distinguir entre eles. Primeiro, há o pânico de que os jornais vão desaparecer como empresas. E, depois, há o pânico de que as informações cruciais vão desaparecer com eles, que nós vamos sofrer culturalmente, porque os jornais não serão, por muito tempo, capazes de gerar as informações que temos invocado por tantos anos.
[...] o novo ecossistema do jornalismo de investigação está em sua infância. Existem dezenas de projetos interessantes sendo encabeçados por pessoas muito inteligentes, algumas delas sem fins lucrativos, outras para alguns fins lucrativos. Mas elas são mudas.
Mudas? Embriões do quê? De um novo modelo de jornalismo. Um jornalismo híbrido, em que participam empresas jornalísticas, fundações sem fins lucrativos e blogueiros empreendedores. Esse é o novo modelo, ou pelo menos, é o que aparenta para Johnson. Ele afirma que esse ecossistema se parecerá com a figura a seguir:
Nesse ecossistema jornalístico, a produção de notícias não será exclusiva dos jornalistas, mas será o resultado de uma mescla de novos atores no espaço noticioso. É interessante a presença de um processo partilhado de edição (curadoria), onde haveria a presença de editores profissionais, mas não exclusivamente.
Comentando sobre essa proposta de Johnson, de um ecossistema jornalístico híbrido, Tim Kastelle escreveu no blog Innovation Leandership Network afirmou:
Parte da inovação, que nós estamos procurando, é como podemos criar uma combinação dessas funções em um único modelo, que vai ter alguma combinação de conteúdo livre, junto com um mecanismo de geração de renda. Porque eu continuo dizendo, em geral, as funções que parecem fazer o dinheiro ,neste tipo de sistemas, são agregação e filtragem – por isso, eu ainda acho, que o caminho para construir um modelo desse tipo de negócio é incluir uma ou ambas as funções.
Já para Mindy McAdams, jornalista que atua na área de ensino, o gráfico de Johnson,
[...] tenta representar o ambiente de notícia como ela é agora, sem se inclinar em direção a um modelo idealista, que não corresponde à realidade. O que eu não concordo é, com as setas de um caminho único – tudo neste modelo tem fluxos em dois sentidos agora.
Seja qual for o futuro, com ou sem empresas jornalísticas (arrisco a dizer que elas existirão em outros formatos), com ou sem papel, algo é certo: a internet será um dos atores mais importantes nessa construção da notícia, assim como o é nesse começo de século XXI.
Jornais nos Estados Unidos: alguns dados
Pedro Fonseca, do blog português ContraFactos & Argumentos, disponibilizou algumas estatísticas sobre os jornais nos Estados Unidos, que dão muito em que pensar. Eles reforçam a idéia de crise que se alastra entre os jornais impressos. Mas ao mesmo tempo, já registram o que estamos cansados de saber: a internet cresce rapidamente e ganha o espaço da preferência dos leitores e neoleitores. Bem, vamos aos dados.
Fonte: The Business Insider, US Advertising Spending, By Medium
Jornais no Brasil: retratos e contornos
Dados estatísticos sempre colaboram com a reflexão dos rumos que serão tomados. Na situação dos jornais no Brasil não é diferente. A Associação Nacional dos Jornais (ANJ) disponibilizou dados sobre os jornais brasileiros.
Também é interessante que, na tabela 1 – circulação média diárias de jornais, podemos observar os “picos” negativos, começando em 1994, depois em 1996 e 2001 a 2003, com uma pequena recuparação após esse período. Mesmo com essas variações negativas, se vê que a tiragem média diária desde 2007 ultrapassa a marca dos 8 milhões de exemplares. Parece muito, mas comparando-se com os mais de 40 milhões de brasileiros economicamente ativos e, com os mais 80 milhões de brasileiros leitores, é muito pouco a inserção do jornal na vida do brasileiro. Veja a seguir outros dados do recorte:
(clique nas tabelas para aumentar a visualização)




























