quinta-feira, 11 de março de 2010

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Eventos em Jornalismo 2010: programe-se!

Aos colegas que tenham interesse em participar, temos alguns eventos importantes para 2010 já em destaque e que merecem estar nas agendas:

1. II Congresso Internacional de Ciberjornalismo em Dezembro de 2010 em Porto (Portugal): O evento está marcado para 09 e 10 de Dezembro de 2010 na Universidade do Porto e terá como tema principal “Modelos de negócio para o jornalismo na Internet”. O call for papers deverá ser feito no primeiro trimestre.

2. FÓRUM SUL DE FOTOJORNALISMO: Ensino, Pesquisa e Extensão em Fotografia Jornalística nas Universidades do Sul do Brasil, Florianópolis (SC), 20 de maio de 2010. As inscrições podem ser feitas de 25 de fevereiro a 5 de abril de 2010, conforme orientações disponíveis no site www.floripanafoto.com . Para submeter comunicação ao FÓRUM SUL DE FOTOJORNALISMO o proponente deverá enviar o trabalho pronto através do e-mail: forum@floripanafoto.com, de acordo com as regras disponíveis no site do evento. O resultado será publicado em 30 de abril.

3. IX Ciclo de Pesquisa em Ensino de Jornalismo (FNPJ): O evento integra o 13º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, que acontece de 21 a 23 de abril em Recife (PE), na Universidade Católica de Pernambuco, e é promovido pelo FNPJ (Fórum Nacional de Professores de Jornalismo).O encontro recebe trabalhos nos formatos de comunicação científica, relatos e pôsteres, em seis grupos de pesquisa: atividades de extensão; ensino de ética e teoria do jornalismo; pesquisa na graduação, produção laboratorial – eletrônicos; produção laboratorial – impressos e projetos pedagógicos e metodologias de ensino. O envio de trabalhos deve ser feito por e-mail, diretamente aos coordenadores dos grupos de pesquisa. As normas de inscrição e endereços para envio podem ser encontradas no site do evento: http://www.unicap.br/encontro_prof_jor/inscricoes.html.

4. 13º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo terá como tema: O Ensino do Jornalismo: Novas Diretrizes e novos Cenários Jurídicos, Profissionais Tecnológicos e Econômicos. Além do ciclo de pesquisa, o evento também inclui as seguintes atividades: Pré-Fórum da Fenaj, Colóqui da Andi, 4º Encontro Nacional de Coordenadores de Curso de Jornalismo e o Colóquio Ibero-Americano de Jornalismo. Mais informações sobre a programação também podem ser encontradas no site do FNPJ: www.fnpj.org.br.


Preservação da memória da internet

A internet é acusada de ser efêmera devido ao fato de informações publicadas se perderem nas constantes atualizações. Não é de hoje, que todos nós já vivenciamos a decepção de encontrar uma sítio importante e, descobrir algum tempo depois, que ele sumiu ou mesmo não disponibiliza mais as informações que anteriormente tivemos acesso.
Um proposta nova, parece ter encontrado um solução de preservação da memória dos sítios da internet. A Biblioteca Britânica acaba de lançar o projeto UK Web Archive. Trata-se de um projeto que reúne  imagens de telas de sites coletadas desde 2004. A idéia é “coletar, preservar e garantir acesso permanente a sites importantes do Reino Unido para as próximas gerações”, afirma o projeto. 
A proposta é boa, mas tem encontrado resistências, já que nem todos os proprietários de sítios tem permitido a incorporação de suas produções ao projeto. Segundo a dica do sítio Jornalistas da WEB,o projeto tem tentado
[...] obter, junto ao governo, a autorização para capturar automaticamente todos os sites que estejam no domínio do Reino Unido. A Biblioteca Britânica e outras do mesmo gênero têm esse direito garantido pelo Legal Deposit Libraries Act, de 2003, porém, elas ainda precisam que a lei entre em vigor para prosseguirem com o trabalho.
O sítio é fácil de utilizar e permite pesquisas nas telas capturadas por datas de postagem do autor.Vale a pena pesquisar.

Cibercultura em destaque: e-book

Uma dica muito boa foi dada pelo blog do GJOL (UFBA): é o lançamento do livro sobre Cibercultura, fruto das atividades desenvolvidas pela ABCiber – Associação Brasileira de Cibercultura, intitulado A Cibercultura e seu espelho: campo de conhecimento emergente e a nova vivência humana na era da imersão interativa.
O livro reúne pesquisadores da área de comunicação e educação, tais como Elizabeth Saad Corrêa, Gilbertto Prado, André Lemos, Adriana Amaral e Marco Silva. A versão on-line é bem interessante, pois permite um passeio pelas seções e textos produzidos. Mas caso prefira o mais tradicional, é possível fazer o download aqui.

Jornais e memória: qual o futuro?

Gustavo Martín Garzo, escritor espanhol, publicou um artigo interessante intitulado Elogio de la prensa impresa, no jornal El País (Espanha). 
Nele, Garzo tenta “recuperar” um pouco do significado que o jornal impresso tinha na sociedade. É o típico esforço de trazer da memória sentimentos associados ao hábito de ler, que aqui no Brasil, foi tido como “um obituário do jornalismo impresso“. 
Bem verdade que, todo o esforço saudosista de nossa memória, pode ser tido como um obituário de um passado já há muito esquecido, mas é também o reflexo de uma “experiência dos sentidos”. É um pouco o que vejo nesse texto de Garzo: uma reminiscência de um outro jornal, de um outro jornalismo. É como ele afirma:

Bons jornalistas são como aquele professor. Eles passam a noite trancados em suas composições, para que possamos ver ao levantar a imagem do local onde vivem. Ajudam-nos a compreender e ter um olhar atento e crítico sobre ele. Ou seja, transformam nosso mundo em palavras, que é o mesmo que dizer uma figura de nossos pensamentos.
Os jornais têm continuado a exercer este trabalho desde a sua fundação. Assim, o mundo real, em que estamos, são transportados por outro mundo que é o verbal, esse território dos nossos pensamentos e nossas memórias. Por trás desse esforço, há incontáveis noites sem dormir.
[...] Miguel Delibes disse que a missão do escritor foi a chamada de voz, e é exatamente isso que fazem os jornais, ligar todas as manhãs, as palavras que precisamos para avançar.

O texto é repleto de comparações e lembranças. Lembra-nos de um outro jornalismo, mais romântico (pode até ser chamado de pieguice!), mais ativo na vida social. Era uma outra época, uma época que fica na memória.


Ferramentas digitais ao alcance de todos

Já tinha lido o trabalho da jornalista argentina Sandra Crucianelli, que foi disponibilizado pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas por ocasião do anúncio, mas tive tempo de disponibilizá-lo somente agora. O material intitulado Ferramentas digitais para jornalistas (em espanhol) é bem interessante. A versão em português, segundo o  Centro Knight ,estará disponível em breve. 
Entre os diversos pontos positivos do livro, encontram-se as discussões sobre a utilização de marcadores sociais, das redes sociais, da web semântica e, uma introdução sobre jornalismo cidadão e novos postos de trabalho, assunto na pauta geral dos cursos de formação.
Por certo, será um livro que figurará nas referências de cursos de formação, principalmente por ser totalmente free.

Como está o ensino e a investigação em jornalismo em Portugal e na Espanha?

Essa foi a proposta da Jornadas da OBCiber, que foram realizadas nos dias 4 e 5 de dezembro de 2009, com o foco na temática “O jornalismo nos novos media: ensino e investigação”. Participaram diversos professores e profissionais, alguns já conhecidos aqui pelo Brasil, quer por seus trabalhos, quer por partilharem experiências no ensino e na pesquisa.

Entre os participantes, duas apresentações julgo essenciais (já que a finalidade do que escrevo aqui no Blog Ensino de Jornalismo e no blog do Gipo é o ensino e a pesquisa): a primeira, do prof. Javier Díaz Noci, da Universitat Pompeu Fabra, em Barcelona, que apontou para a temática Pesquisa em ciberjornalismo: tendências, e, a segunda proferida pelo Prof. António Granado, da Universidade Nova de Lisboa, intitulada 10 coisas que as universidades precisam fazer para melhorar o ensino do jornalismo.
Caso prefira assistir as apresentações, coloca-as no Blog do Gipo (clique aqui para assistir). Encaro como essenciais para quem está estudando o ensino de jornalismo.

Efeitos imaginados da mídia?

Quando o assunto é teoria, não faltam possibilidades para se estudar o jornalismo. A hipótese do efeito da terceira pessoa é uma delas e, parte do pressuposto de efeitos imaginados.
A idéia é que esses efeitos ocorrem (ou podem ocorrer) sobre o “outro” e não sobre o “eu”. Essa hipótese foi cunhada por W. Phillips Davison em 1983, no artigo intitulado “The Third-Person Effect in comunication” onde ele aponta a possibilidade de que uma pessoa exposta à comunicação persuasiva na mídia massiva vê isso como de grande efeito nos demais (outros) do que em si mesmo (eu).
Ela pode ser aplicada a diversas situações, tais como política, programação, vendas ou mesmo para se assumir uma conduta censurante. Você poderá ler mais sobre essa teoria no artigo que publiquei na revista Estudos em Jornalismo e Mídia, vol.6, n° 2, mantida pelo Programa de Pós-Graduação da UFSC, editada em 2009, sob o título “Entre fronteiras: explorando o efeito da terceira pessoa”.

Aprendizado em 2009: 100 ferramentas para uso em sala de aula e nas redações

Nunca é demais saber como anda a “cotação” das tecnologias quanto a sua usabilidade. Foi o que Jane Hart, consultora da The Centre for Learning & Performance, disponibilizou. Trata-se de um Top 100 de mídias sociais e assemelhados.

Como era de se esperar, o Twitter ficou em 1º lugar na pesquisa. É importante entender que, em 2007 o microblogging Twitter ocupava a 43ª posição, subindo em 2008 para a 11ª e, agora em 2009, para o 1º lugar.

Já o Delicious, um serviço de compartilhamento de links favoritos, caiu para o 2º lugar em 2009. Ele vem mantendo a preferência, já que desde 2007 oscila entre 1º e 2º lugares.

Esse Top 100 é um bom guia e termômetro de como andam as diversas ferramentas, úteis na sala de aula e também nas redações. A grande questão é se, de fato, a amostra representa a realidade de usabilidade. Não consegui localizar a metodologia, nem o quantitativo dos pesquisados nesse ranking. Se alguém souber, contribua nos comentários.

De qualquer forma, vale a visualização dos resultados a seguir.


Um pouco de “I dreamed a dream”, ou o jornalismo no ano 2000

Circula em vários sites a reprodução de um texto supostamente (digo isso, pois não consegui encontrar um banco de dados com a cópia fac-símile da edição, quem souber avisa) publicado no jornal português “Jornal do Comércio”, de 25 de Fevereiro de 1868, intitulado “O jornalismo no ano 2000″.

O texto é muito interessante, pois reflete o sonho de um outro jornalismo, mais engajado (se é que ainda podemos esperar que isso aconteça de fato). Algumas “predições” são interessantes. Por exemplo, a de que o jornal

Daqui a 50 anos, os jornais publicarão uma folha, inteiramente nova, de hora a hora, e, daqui a 100 anos, de minuto a minuto, de instante a instante. Será um moto-contínuo e ainda não satisfará a curiosidade pública. Cada cidadão fará um jornal: o artigo de fundo constará sempre das notícias da sua vida pública e íntima.

Essa idéia, longe de ser a realidade no meio impresso, o é no mundo virtual da web. A cada instante temos centenas de novas informações circulando. Em poucas horas, milhões transitam freneticamente. E que dizer do jornal pessoal, que “constará sempre das notícias da sua vida pública e íntima”? Não serão os blogs, Twitter e outras comunidades sociais a resposta a essa idéia? Bem, leia e tire suas conclusões.

A seguir reproduzo o artigo que circula. Agradeço a Nuno Costa e Gabriel Silva, ambos de Portugal, pela dica.

«O Jornalismo no ano 2000

Considerando no que é hoje, observando as suas tendências, pode conjecturar-se, aproximadamente, o que virá a ser. Um curioso aprofundou esta questão e lisonjeia-se de ter descoberto, com plausibilidade, as condições em que há-de achar-se o jornalismo no ano 2000.

Há fome e sede de notícias: todos querem saber tudo – o que pode e deve saber-se e o que não pode nem deve saber-se -, a máquina reproduz em minutos o pensamento, para ser transmitido a todos os pontos da terra, e já não é só a máquina para estampar o jornal, é também a máquina para compor; inventou-se o tipógrafo-máquina e deve esperar-se, portanto, que venha a idear-se o redactor-máquina.

O jornal é hoje diário e o mais é que chega a reproduzir a mesma folha em duas ou três edições, com alguns aditamentos ou notícias. Isto será atraso e fossilismo no ano 2000. Daqui a 50 anos, os jornais publicarão uma folha, inteiramente nova, de hora a hora, e, daqui a 100 anos, de minuto a minuto, de instante a instante. Será um moto-contínuo e ainda não satisfará a curiosidade pública. Cada cidadão fará um jornal: o artigo de fundo constará sempre das notícias da sua vida pública e íntima.

Como o jornalismo assume tais proporções, talvez se pense que faltará papel, porque é necessário advertir que de cada jornal se tirarão, de minuto a minuto, milhares de folhas; mas a isto há-de ocorrer-se com facilidade, porque, assim como o jornal é instantâneo, instantânea há-de ser a leitura; e o papel vai, minutos depois de lido, para a fábrica, a fim de se reproduzir [...] apenas o superfino será reservado para os brindes aos assinantes, os quais, ao cabo da sua assinatura, já possuirão uma biblioteca de 525 000 volumes, pois tantos são os minutos que tem o ano; já se vê que a cada folha acompanhará um brinde.

O telégrafo eléctrico generalizar-se-á, cada cidadão terá o seu telégrafo em correspondência mútua, de maneira que em um minuto se saberá o que se passa nos pontos mais afastados e, em Lisboa, se poderá saber, de instante a instante, até à vida caseira do mais boçal esquimó; com o que os povos hão-de folgar, deleitar-se e instruir-se.

O jornal caseiro será alheio à política; para esta haverá jornais especialíssimos e os seus redactores nem serão amigos, nem distintos, quando não forem da mesma parcialidade; quando, porém, comungarem na mesma pia (também em 2000 se darão destas), então serão inteligências robustas, caracteres provados… no que forem.

Mas como é de crer que no ano 2000 já exista a paz universal e a união entre todos os homens, acabará a política, os governos governarão sempre conforme… à nossa vontade, portanto, serão inúteis os jornais políticos; não haverá, pois, nem turibulários, nem oposicionistas; todos serão amigos e distintíssimos cavalheiros, unidos no pensamento comum de amarem a sua pátria. Assim seja.»


Entre letras e palavras, constrói-se o jornalismo

Letras, palavras, frases, sentenças bem elaboradas… Não faltam possibilidades no fazer jornalístico. Mas achar que esse “fazer” reduz-se apenas a contar uma boa história, é um ledo engano.
O trabalho de escrita jornalística compara-se ao trabalho de historiar. Não é de hoje que digo isso. Já declarei anteriormente que “existe uma linha muito tênue entre história e jornalismo” (Pôrto Jr, Gilson (Org). História do Tempo Presente, Edusc, 2007). O historiador tem seu objeto de cientificidade no tempo passado (não tão distante como normalmente se assume) e, o jornalista, no tempo presente (o ontem, não tão distante, mas também no agora).
É nessa construção passado-presente, que emaram-se palavras, criando histórias de um presente efêmero, que encantam e informam. Mas o trabalho do jornalista e do próprio jornalismo, é mais do que apenas a escrita de uma boa história publicável.  Jeff Javis, que é professor na Universidade de Nova York, aponta para outras possibilidades no trabalho jornalístico. Ele defende o trabalho jornalístico como processo e não apenas como produto

Por que é esse posicionamento importante? Javis argumenta que o trabalho do jornalismo no presente assume diversas possibilidades que vão desde a construção de dados e algoritmos, até escrita em colaboração e o crowdsourcing. Todos esses são vistos por ele enquanto processo.

O contar histórias não. Ele é produto, está acabado. E, nesse aspecto, o escritor de uma história “reinvidica para si o papel de centro da história”, de criador e do “tom” que ele deve assumir. É como ele afirma: “contador de histórias está no controle”.Não é esse o papel do jornalista? Também o é. Mas não deveria ser apenas esse.

Javis resume bem sua defesa de um jornalismo centrado nos processos e não apenas no produto:

Mas se continuarmos a assumir que o nosso papel é o do contador de histórias, e nos limitar a isso, então corremos o risco de fechar-nos às formas de captação e partilha de informações que não acabem sob a forma de histórias, que não estão organizados dessa forma. Quando nos abrimos, podemos pensar nos jornalistas como catalisadores, como organizadores da comunidade (e não apenas de informação, mas de uma comunidade, com habilidade para organizar as suas próprias informações), como professores, como curadores (como eu poderia passar por isso sem usar a palavra pelo menos uma vez?), como filtros, como fabricantes de ferramentas, como escritores de algoritmos.

Penso que essa defesa de Jarvis, indica bem quais os caminhos, ou melhor, que competências e habilidades devem fazer parte de qualquer  processo de formação. É claro que não descartamos a construção de histórias, mas não podemos reduzir o fazer jornalístico a apenas histórias efêmeras, quando temos pela frente um “rio de possibilidades” nesse século que apenas está começando.