terça-feira, 16 de março de 2010

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Arrecadação de direitos de autor cai 41% na Espanha

Segundo o Centro Espanõl de Derechos Reprográficos (CEDRO), o ano de 2009 terminou na Espanha com mais autores parceiros e com uma arrecadação 41% menor do que 2008, no campo dos direitos autorais.

O centro que conta com 17.687 membros entre escritores, editores e tradutores, registrou a cifra de 18 milhões de euros distribuídos entre autores e editores para a reprodução de suas obras (a partir do valor arrecadado em 2008). Some-se a esse valor 24,46 milhões de euros levantados pela utilização das obras de autores e editores de cópia privada (21.981.800,81 euros), as licenças (1.653.407,15 euros) do valor arrecadado em estrangeiro (546.422,01 euros) e os honorários de comodato (279.805,07 euros).
Apesar desses valores parecem muito, após os descontos previstos pelo Centro, registra-se um decréscimo de 41% em relação à arrecadação de 2008. Segundo o Centro, essa queda na arrecadação foi ocasionada “quase inteiramente pela redução das tarifas para a cópia privada, aprovado pelo Governo [espanhol] em 2008”.
Pelo menos, dessa vez a “culpa” não foi atribuída a internet e a cultura da licensas livres pela utilização e divulgação de livros e revistas.

Fonte: Com informações de CEDRO


Jornalismo, formação e trabalho

Trabalho e emprego. Essas são duas palavras quase mágicas para todo recém-formado. O egresso acostumou-se a viver trabalhando (bicos, free, etc) e, na maioria dos casos, emprego que é bom nada! Essa é uma realidade em todos os campos de formação. A diferenciação entre as duas palavras, nem sempre, é facilmente entendida: trabalho não significa emprego. Com reestruturação do trabalho nos anos 1990, as duas palavras foram descoladas e, hoje, vivenciamos “trabalho” enquanto categoria que não significa necessariamente emprego. Entenda-se aqui emprego, como uma categoria que pressupõe carteira assinada, “direitos” (mesmo que poucos) assegurados, estabilidade, etc.
Lembro-me que, a uns 10 anos atrás já discutia com alunos da graduação a “formação para o desemprego”. Defendia na época, que o mercado modificava-se rapidamente e, a universidade também precisava entender isso e, proporcionar aos alunos, condições de competitividade. Recordo-me que foi uma guerra: fui chamado na coordenação de curso e acusado de “terrorismo”, de fazer fazer alunos desistirem da área, pois alertava os acadêmicos para a possibilidade do desemprego e da necessidade de abertura de novos espaços laborais, sob pena de ficarmos “ultrapassados” para um mercado flutuante e em constante mutação.
O que esse tempo todo mostrou? Que essa é uma certeza inegável: diversas áreas encontram-se em “crise” de identidade, por não atualizarem seu cabedal de conhecimento e suas técnicas e/ou metodologias. Novas habilidades são exigidas diariamente e, nossos acadêmicos, devem ser alertados para as potencialidades de uma mercado em mutação, que exige novas competências a todo instante.
Nessa linha de pensamento, Dina Rickman escreveu uma reflexão bem interessante no Journalism.co.uk, site especializado em jornalismo. Sob o título What does a jobs crisis mean for journalism education?, Rickman alertou para a necessidades dos futuros jornalistas serem informados sobre a “crise de emprego”. Por que esse alerta é importante? Porque tem-se um aumento, segundo ela, de 15,7% ao ano no Reino Unido no ingresso de novos acadêmicos nas faculdades. Esses tem “sonhos” ( como qualquer acadêmico de aparecer na “telinha” ou ser um editor de algum grande jornal), porém encontram a realidade de um mercado saturado.
Segundo Rickman, citando as estatísticas divulgadas pela untistats.com’s,

[...] os dados sobre o emprego de pessoas com cursos de graduação de jornalismo revelam algumas estatísticas preocupantes.  Uma pesquisa realizada com estudantes,  após seis meses da formatura, verificaram que, com excepção dos licenciados de Bournemouth e Kingston [universidades inglesas], nenhum curso teve mais de 40 por cento dos formandos de jornalismo trabalhando em alguma mídia associada à profissão.  Um quarto dos diplomados da University of the Creative Arts estavam trabalhando como assistentes ou caixas de vendas de varejo, em comparação com apenas 15 por cento que tinham emprego garantido na mídia ou em indústrias associadas.

O que pensam os formadores nas universidades? Sara McConnell, que dirige o curso de jornalismo na  Kingston University apontou que

[...] há “muitos cursos de ‘jornalismo no Reino Unido e é preciso haver um” debate sério “sobre o futuro do ensino de jornalismo”. Algumas universidades estão olhando apenas para  o rendimento dos estudantes e, universidades sem escrúpulos,  podem ser desonestas a respeito de perspectivas de emprego. Seria irresponsável para nós fingimos que uma graduação é uma porta de entrada para um emprego.

Independente do que pensemos, é importante sermos honestos: um diploma não é, necessariamente, sinônimo de emprego. Isso acontece lá nos Estados Unidos e aqui também no Brasil. É claro que, as chances aumentam para aqueles que possuem competências e habilidades adquiridas no espaço acadêmico, mas  não implicam em sucesso, necessariamente.

O que temos de fazer? Como formadores nas universidades, assumir o que defendi a 10 anos atrás: o mercado modifica-se rapidamente e, a universidade precisa entender isso e, proporcionar aos alunos, condições de competitividade, sobretudo, as que dizem respeito ao jornalismo digital. Não estou aqui fazendo “apologia ao mercado”, queria poder não depender dele, mas a verdade é “nua e crua”: somos peças de uma jogo bem elaborado nessa máquina capitalista. Ela sabe bem as regras, e nós?


Rádio, jornalismo e difusão de notícias

Alguns afirmam que o rádio, em tempos de internet, é coisa obsoleta. Em certo sentido, isso até poderia ser afirmado, mas a realidade de alguns locais tem mostrado que ele continua forte como um veículo de difusão de notícias.

É o que o estudo realizado por Michael W. Link, da The Nielsen Company, mostrou. Ele disponibilizou o relatório intitulado How U.S. Adults Use Radio and Other Forms of Audio.O estudo aponta para o rádio como o mais importante meio de difusão de notícias entre os adultos norte-americanos.

O estudo foi realizado com base em 752 dias de programação. Os resultados são bem interessantes. Entre esses, o estudo concluiu:

• 90% dos adultos estão expostos a algum tipo de mídia de áudio em uma base diária, com transmissão, tendo no rádio a maior parte de tempo de audição;

• A exposição ao “áudio” se dá em quatro níveis de uso, entre os ouvintes:
(1) Usa a transmissão de rádio via satélite (atingiu 79,1% diariamente; sendo 122 minutos diários entre os usuários);
(2) CDs e fitas (chegou a 37,1% diariamente; 72 minutos);
(3) Áudio portátil, tais como iPods/MP3 (chegou a 11,6% diariamente; 69 minutos), áudio digital armazenado em um computador, tais como arquivos de música transferidos e utilizados em um computador (alcance de 10,4% diariamente; utilização média de 65 minutos), streaming de áudio digital em um computador (atingir 9,3% ao dia; 67 minutos) e;
(4) Áudio em celulares (chegou a 2% diariamente; 9 minutos).

• O papel dos dispositivos de áudio portátil:
i) Importância dos players de MP3 e iPod, com média de 8 minutos de escuta por dia entre toda a amostra observada;
ii) entre os ouvintes (11,6%), o maior alcance estava entre aqueles com idade de 18-34 anos (20,8%), solteiros (18,5%), e aqueles que tendem a ser mais esclarecidos quanto ao uso da tecnologia (18,2%);
iii) Mesmo entre aqueles que usam outras formas de mídia de áudio, a transmissão de rádio ainda tem um amplo alcance. Por exemplo, entre aqueles que também ouviram o áudio portátil, tais como dispositivos leitores de MP3 ou iPod, o rádio teve um alcance diário de 81,6% e, 97 minutos de média de tempo de audição.

• A exposição ao áudio na mídia tem o maior alcance entre aqueles com níveis mais elevados de educação e renda;

• A radiodifusão é a forma dominante de mídia de áudio em casa, no trabalho e no carro;

• O “Broadcast” do rádio atinge a faixa etária entre 18-34 anos, com taxas equivalentes às de adultos em geral, ficando na faixa de 79,2% dos ouvintes, com uma média de 104 minutos por dia;

• Entre as plataformas de mídia, a televisão ao vivo foi a mais elevada do alcance e uso diário entre os pesquisados (95,3%, 331 minutos), seguida pela transmissão de rádio (77,3% alcance, 109 minutos), Web / Internet [excluindo o uso do e-mail] (63,7%, 77 minutos), jornais (34,6%, 41 minutos) e revistas (26,5%, 22 minutos); 

• Em média, as pessoas gastam quase idêntico tempo durante a semana (454 minutos) e nos finais de semana (458 minutos), usando um das cinco principais fontes de mídia.

 Nos gráficos a seguir, provenientes do Nielsen Wire, esses dados são melhor visualizados:

Outro dado que “salta aos olhos”, é referente ao tempo, nos dias úteis, de audição aos meios. O rádio é o segundo colocado, perdendo apenas para a Televisão:

Longe de estar aposentado, o rádio continua a ser um veículo importante de difusão de notícias. Mas ,é importante, pensar em como ele será reinventado e se articulará com a própria web e com o jornalismo digital.

Você pode ler o estudo completo aqui.


Mídia nos Estados Unidos: estado da arte em 2009

O Projeto Pew Research Center for Excellence in Journalism divulgou os resultados de sua pesquisa  – The State of News Media – sobre a mídia americana em 2008/2009. A pesquisa é desenvolvida desde 2004, permitindo uma série estatística dos indicadores, sendo financiada pelo Pew Charitable Trusts.

A pesquisa utiliza métodos empíricos para avaliar e estudar o comportamento da imprensa. Segundo a organização, o objetivo da realização das pesquisas na área jornalística:

[...] é ajudar os jornalistas que produzem as notícias e, os cidadãos que a consomem a desenvolver uma melhor compreensão do que a imprensa está entregando, como os meios de comunicação estão mudando, e as forças que estão moldando essas mudanças. Temos enfatizado a pesquisa empírica na crença de que, quantificar o que está ocorrendo na imprensa, em vez de simplesmente oferecer a crítica, é a melhor abordagem para a compreensão.

O que os dados de 2009 revelam? Novamente o que outros estudos tem apontado: uma crise generalizada no atual modelo de negócios da mídia. Segundo Tom Rosenstiel, jornalista que assina a pesquisa e coordena o projeto, os resultados “parecem assustadores”, pois

“as receitas de publicidade em jornais caíram 23% nos últimos dois anos. Alguns jornais estão em processo de falência e outros perderam 75% de seu valor. Estimamos que, cerca de um em cada cinco jornalistas, que trabalhavam em jornais, em 2001, não estavam mais nesse mercado no final de 2008 e 2009. [...] Ocorre uma migração acelerada do público para a Internet. O número de americanos que utilizam regularmente a Internet para acesso à notícias, de acordo com um levantamento, aumentou 19% nos últimos dois anos, sendo que em 2008, o tráfego para sites de notícias importantes aumentou 27%;

Apesar da sobrevida que as eleições americanas proporcionaram ao jornalismo impresso, a pesquisa foi enfática:

No ano passado, aconteceram duas coisas importantes que, efetivamente, reduziram o tempo restante no ‘relógio’. Em primeiro lugar, a migração acelerada da audiência para a Web, significando que a indústria da notícia deve se reinventar, mais cedo do que pensávamos, embora a maioria dessas pessoas estejam visitando os destinos tradicionais de notícias na web. Pelo menos, no curto prazo, o crescimento da audiência online tem piorado e não ajuda a situação de sites de notícias tradicionais.
Depois, veio o colapso da economia. Os números são apenas suposições, mas os executivos acreditam que a recessão, pelo menos, ocasionará o dobro de perdas de receitas no setor de mídia imprensa em 2008, e talvez ainda mais sobre as redes de televisão. Ainda mais importante, é o fato de que a recessão afetou os esforços para encontrar novas fontes de receita. Em uma tentativa de reinventar o negócio, 2008 parece ter sido um ano perdido e, 2009 ameaça ser a mesma coisa.

Alguns outros dados da pesquisa ajudam a visualizar o tamanho da crise:

1. Variação percentual da audiência de 2007 a 2008, por setores da mídia.

 

2. Variação percentual da receita de anúncios de 2007 a 2008, por setores da mídia.

3. Declínio percentual de circulação durante seis meses, período de 2003-2008.

4.  Edições impressas vs. Receita de publicidade online no período 2003-2007.

5. Visitantes únicos por mês para sites selecionados de revistas (Novembro de 2006, novembro de 2007 e novembro 2008).
Longe de assustar, eles representam a migração para uma novo modelo, que ainda é “nascedouro”, mas que dá sinais de força. Vamos esperar para ver os resultados. O relatório está disponível completo em inglês e, um resumo executivo, em espanhol.

Profissão perigo: mortos em serviço

Já são 42 trabalhadores da comunicação mortos até o momento em serviço. Esse dado foi computado pelo Press Freedom & Media Development, mantido pela World Association of Newspapers.
A série estatística mantida pela entidade, apresenta desde 1998, a média anual de trabalhadores da comunicação mortos. As listas são compostas de jornalistas, câmeras, correspondentes, editores, bloggers e outros envolvidos no processo de produção da notícia em muitos países.
O último registrado em 2009 no sítio, foi o caso do jornalista de rádio Godofredo Linao, nas Filipinas. Nesse respeito, o diretor-geral da UNESCO, Koichiro Matsuura condenou o assassinato do jornalista e, acrescentou uma realidade que ocorre nas Filipinas e nos diversos países aonde os direitos humanos não são respeitados:
Os jornalistas nas Filipinas têm sido obrigados a pagar um preço intoleravelmente pesado para o exercício do direito humano básico da liberdade de expressão e de informar a todos os cidadãos Filipinas de acontecimentos que afetam a sociedade. Espero que as autoridades não poupem esforços para trazer à justiça os culpados destes crimes, que põem em causa os direitos e liberdades de todos os cidadãos das Filipinas “.

O gráfico a seguir, disponibilizado pela  Press Freedom & Media Development, mostra esses dados que assustam:

As relações dos profissionais, seus perfis e os respectivos países podem se acessados a seguir:

Browse by year Total
2009 42
2008 70
2007 95
2006 110
2005 58
2004 72
2003 53
2002 46
2001 60
2000 53
1999 70
1998 28
Vale a pena refletir, após ler sobre cada um dos assassinados, qual o custo da notícia e da liberdade de expressão no mundo. Já pensou sobre isso?