O artigo de Carr, apresentava uma discussão sobre o tiroteio ocorrido em Fort Hood, Texas, quando um soldado americano, o Major Nidal Malik, abriu fogo contra outros soldados aquartelados.
A crítica apresentada por Carr, consistia na ausência de informações iniciais “confiáveis” sobre o ocorrido. Essas informações não vieram por meio da mídia tradicional, nem por meio de especialistas ou blogs militares, mas sim por uma conta de
Twitter. É que Tearah Moore, um soldado de Linden (Michigan), que estava em Fort Hood na ocasião, vez vários tweets sobre o que se passava no interior do forte, inclusive divulgando uma foto de um soldado ferido (que estava no endereço http://twitpic.com/oejh5 e foi retirada). Rapidamente a foto e as notícias do Twitter se espalharam na rede como a “informação mais qualificada”. Problema? A princípio, seria uma informação de uma fonte ocular, como tantas outras que já circularam pelo Twitter, mas era “mentira ou boato” (ou pelo menos, não era o que estava descrito).
Com isso, críticas ao uso do Twitter ecoaram nos meios tradicionais. Jarvis, entusiático do jornalismo cidadão, veio em defesa do uso das mídias sociais e, apontou que essas deram uma grande contribuição na divulgação e fortalecimento do jornalismo. É claro, que Jarvis não é partidário da utilização de qualquer informação indiscriminadamente. Ele defende a utilização das técnicas jornalísticas (averiguação da veracidade, confirmação de fontes, etc.), aplicadas as mídias sociais.
O embate dos dois, no programa de Brian Lehrer, consistia na defesa de Carr de “quem faz tweets, não o faz para si mesmo e seus amigos, mas para o mundo” e que exige que “quem escreve tweets, o saiba fazer corretamente”. Já Jarvis, defendeu a própria postura do que é jornalismo cidadão. Ele disse
[...] o jornalismo cidadão é uma estrutura diferente, em que as testemunhas podem compartilhar o que vêem, e que vai mudar a notícia. Costumava ser, que a notícia não acontecia até o repórter chegar lá … e publicar as fontes. Agora, isso confunde os jornalistas, porque a história começa antes de os jornalistas chegarem. O que os jornalistas precisam se perguntar, é como adicionar o jornalismo a estas informações já existentes. [...] a notícia não é um produto, é um processo.
Pensando nos dois posicionamentos, não é possível dizer que ambos sejam antagônicos ou mesmo que um seja melhor do que o outro. Realmente, o uso do Twitter – um uso dado pelos próprios usuários – mudou. Não é mais o simples “estou em casa”, “estou na escola” ou mesmo “fui ao cinema ver o filme do…”, é um espaço de informação individual e, quanto maior a exposição do autor, maior será a credibilidade atribuída ao que se está veiculando em 140 caracteres. Mas também, não podemos nos dar ao luxo de obrigar a todos a repensarem um espaço – o Twitter – que surgiu sem regras, a assumirem o “seu espaço”, como espaço coletivo.
É aqui que o argumento de Jarvis é bem interessante: “os jornalistas precisam se perguntar, é como adicionar o jornalismo a estas informações já existentes”. Antes de publicar ou mesmo citar – e isso é uma regra simples que aprendemos na formação universitária – confirmem-se as fontes! Foi um equívoco da mídia publicar e dar crédito, sem verificar e investigar. E aqui, volta-se a um antigo problema: vou perder o furo?
Muitas propostas foram feitas para salvar os jornais. Essas incluem a redefinição do foco jornalístico, o redesenho de suas plataformas e até a mudança na forma como o fato é tratado. Todas, apesar de bem estruturadas, encontram o mesmo problema: menos leitores.
O grande problema, parece ter sido fidelizar os leitores e, dificilmente, neoleitores são agregados aos jornais de forma massiva. Mas a resposta pode estar em outro local. Pode estar na produção de imagens. Essa é a proposta de Jacek Utko, designer polonês, que tem trabalhado na Europa Oriental a mais de 20 anos em jornais.
Jacek Utko, especializou-se em designer de jornais. Ele reconhece que a crise dos jornais, em âmbito mundial, é resultado da mudança de nicho, do impressso para o virtual e, também, da forma como os leitores interagem com os diversos tipos de mídias. Porém, ele defende que, uma cultura visual, pode fazer a diferença e salvar os jornais.
Utko defende, de forma bem radical, um outro olhar, bem pessoal para a cultura visual dos jornais:
A primeira página virou nossa assinatura. Era meu canal pessoal para falar com os leitores. [...] Eu queria minha declaração artística, minha interpretação da realidade. Eu queria fazer pôsteres, não jornais, nem sequer revistas. Pôsteres. Experimentavámos com tipografia, com ilustrações, com fotos. E nos divertíamos. Logo começaram a aparecer os resultados. Na polônia, nossas páginas foram eleitas capas do ano por três vezes consecutivas. Mas o segredo não é só a capa. O segredo é que tratávamos o jornal como uma peça única, como uma composição – uma música. A música tem altos e baixos. O design é responsável por essa experiência.
Essa é uma proposta que parece nova (face às já defendidas em 2009): o jornal como criação individual, o jornal com cara de outra coisa, menos tradicional. Utko apresentou estatísticas de fazer qualquer dono de jornal sonhar: na Rússia, após o redesenho, o aumento foi de 11% em um ano, seguido de 19% no segundo ano e, de 29% no terceiro; na Polônia, o aumento foi de 13% no primeiro ano, de 22% no segundo e, de 35% no terceiro; e, na Bulgária, o aumento foi de 100% na circulação no primeiro ano.
É o design a salvação dos jornais? Utko reconhece que o design é parte do processo. É preciso mais. “Não basta apenas melhorar a aparência, mas melhorar o produto como um todo, mudando a rotina de trabalho dentro do jornal”, reforça.
Veja a apresentação feita por Jacek Utko no TED. A apresentação está traduzida para 14 idiomas, inclusive o português (basta clicar em subtítulos, se necessitar).