quarta-feira, 10 de março de 2010

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Preservação da memória da internet

A internet é acusada de ser efêmera devido ao fato de informações publicadas se perderem nas constantes atualizações. Não é de hoje, que todos nós já vivenciamos a decepção de encontrar uma sítio importante e, descobrir algum tempo depois, que ele sumiu ou mesmo não disponibiliza mais as informações que anteriormente tivemos acesso.
Um proposta nova, parece ter encontrado um solução de preservação da memória dos sítios da internet. A Biblioteca Britânica acaba de lançar o projeto UK Web Archive. Trata-se de um projeto que reúne  imagens de telas de sites coletadas desde 2004. A idéia é “coletar, preservar e garantir acesso permanente a sites importantes do Reino Unido para as próximas gerações”, afirma o projeto. 
A proposta é boa, mas tem encontrado resistências, já que nem todos os proprietários de sítios tem permitido a incorporação de suas produções ao projeto. Segundo a dica do sítio Jornalistas da WEB,o projeto tem tentado
[...] obter, junto ao governo, a autorização para capturar automaticamente todos os sites que estejam no domínio do Reino Unido. A Biblioteca Britânica e outras do mesmo gênero têm esse direito garantido pelo Legal Deposit Libraries Act, de 2003, porém, elas ainda precisam que a lei entre em vigor para prosseguirem com o trabalho.
O sítio é fácil de utilizar e permite pesquisas nas telas capturadas por datas de postagem do autor.Vale a pena pesquisar.

Jornalismo e mídias sociais

Mark Scott, diretor da Australian Broadcasting Corporation (ABC), anunciou novas diretrizes para a utilização de mídias sociais, por parte dos jornalistas da emissora e dos funcionários. Essa é uma tendência na maioria dos grandes jornais e redes, que tentam impedir que seus “furos” sejam veiculados antes. Esses “vazamentos” de informação, já custaram empregos de bons profissionais da mídia.
As regras são bem simples e diretas, mas permitem aos jornalistas e funcionários o trânsito nas mídias sociais, tais como Facebook, MySpace, Twitter e You Tube. São elas:

Não misturar o profissional e o pessoal, desencadeando formas/processos que possam trazer descrédito a ABC.
Não prejudicar a sua eficácia no trabalho.
Não implicar o endosso de suas opiniões pessoais à ABC.
Não divulgar informações confidenciais obtidas através do trabalho desenvolvido na ABC.

É uma pena que as “regras” sejam apresentadas no “imperativo negativo”. Ainda penso que isso faz parte da lógica e da ética do trabalho jornalístico. Nem precisava dizer. Mas, já deixa os profissionais mais tranquilos quanto a utilização.


Quão independente é o jornalista?

Essa é uma questão importante. O trabalho jornalístico, na modernidade, pressupõe a independência na produção da informação. Isso é tão evidente que, ao menor “ruído” de censura, as entidades representativas e os próprios profissionais já se manifestam.
De qualquer forma a pergunta intriga: quão independente é o jornalista? Se ele atuara em um grande jornal com uma linha editorial bem definida, como ele deve agir? E se, por outro lado, ele exerce suas funções em um pequeno veículo local, como responder aos anseios da comunidade e mesmo assim, ainda ser independente? Essas são situações que perpassam pela noção de ética.
É claro que, um código de ética, deve delinear essas questões limítrofes, permitindo aos profissionais da área, uma margem de atuação, dentro da Lei. É o que a França está fazendo, conforme noticiado pelo sítio Journalisme.com. Desde a eleição de Nicolas Sarkozy, a França passa por profundas modificações sociais. Segmentos antes “ignorados” (grupos minoritários, grupos religiosos e étnicos), são atualmente considerados “perigosos” ao convívio social democrático.
Com isso, a impresa e o jornalismo, precisam rever seus conceitos e a forma de atuação. É isso que Le Comité des Sages, composto por 11 jornalistas tem feito. Fazem parte desse comitê, figuras “ilustres” do  jornalismo francês: Marie-Laure Augry, Master Basile Ader, Alain Boulonne, Jerome Bouvier, Jean-Pierre Caffin, Olivier da Lage, Jean-Marie Dupont, Bruno Frappat Pascal Guenée, CatherineVincent Lorenzo Virgili.
O projeto francês do novo código de ética do jornalista, é bem curto. Compõe-se de apenas 4 temas e 15 artigos: 1. O Metier do Jornalista; 2. A recolha e o tratamento das informações; 3. A proteção da Lei às pessoas e, 4. A independência do jornalista. Apesar de bastante reduzido, ele estabelece bases amplas para a compreensão do fazer jornalístico.
O projeto de código tem algumas definições claras de atuação. Por exemplo, no artigo  1.2, deixa-se claro que o jornalista, quando atuar em uma editoria, com chefe definido e linha editorial clara, deve atuar conforme as regras definidas pela agência. Já no artigo 1.4, aponta-se para a liberdade do jornalista de veicular notícias, mas alerta o “jornalista deve sempre estar ciente das conseqüências, positivas ou negativas, das informações que divulga”.
No artigo 2.2 atesta-se para a importância da “análise com rigor e vigilância, de informações críticas, documentos, imagens ou sons que lhe chegaram”. É interessante que, mesmo em tempos de velocidade da informação, o código alerte para a importância de “não dispensar uma verificação prévia da credibilidade das fontes” e ser “sensível a críticas e sugestões do público”.
No artigo 4.2, achei algo bem interessante e, que não poderia ser diferente. O artigo diz: “O jornalista não confunde seu trabalho com o oficial de polícia ou juiz. Não se trata de um oficial de inteligência. Ele nega qualquer confusão entre informação e promoção ou publicidade”.
É, o novo código francês avança em algumas questões importantes. Agora resta saber, mesmo estando em lei própria, se os jornalistas conseguirão atuar nos moldes estabelecidos. Não por que eles sejam difíceis de serem atingidos, mas pela dificuldade de se definirem quais patamares discursivos servirão de base, para as decisões.
Leia o projeto do Código de Ética francês aqui.

Era digital?

É possível falarmos em “Era digital”? Essa é uma boa questão. Mas o que determina o uso da palavra “Era”? Em muitos casos, após passado um conjunto de tempo cronológico e, com um distanciamento histórico, é possível dizer que os impactos ocorridos durante um período específico, marcou profundamente o espaço.
Dizemos dessa forma, que houve uma “Era”, que variará conforme os impactos reais ou imaginários. Por exemplo, para os paleontólogos, a Era Glacial abrange um período de milhares de anos; já para os historiadores, como Eric Hobsbawn, a idéia de “era”, teve curtos e fragmentados espaços de tempo, tais como a Era das Revoluções (1789-1848), a Era do Capital (1848-1875) e a Era dos Extremos (1914-1991).
De qualquer forma, seja qual for a visão, a pergunta persiste: É possível falarmos em “Era digital”? Procurando na internet, algumas idéias surgem. Em uma artigo da Wikipedia, fala-se de Era Digital (ou Era da Informação), tendo por base Peter Drucker e Daniel Bell, colocando-se o início entre os anos de 1946 e 1956, com as modificações tecnológicas iniciais. O artigo é interessante e os autores basilares, mas ainda fico com dúvida sobre isso. Digo assim, porque me agrada mais a idéia de Hobsbawn das eras “curtas e fragmentadas”, profundamente marcadas no tempo.
Assim assumindo, a marca da “Era Digital” seria a presença da própria internet. É a partir dela que as noções de “globalização”, “mundialização” e “planetarização”  deixam de ser palavras rebuscadas de sociólogos da acadêmia, para serem vivenciadas no dia-a-dia da dona de casa que vê um produto “made in China” , assiste uma novela “made in México” e não grita mais “Fora FMI” como nos anos 1980, pois agora é o Brasil que empresta dinheiro a ele e “entende”, mesmo com uma série de limitações, o que isso é. É a internet e toda a “parafernália ferramental” desenvolvida por ela, que alimenta e é alimentada pela sociedade.
O infográfico a seguir, disponibilizado via Comunicadores, me faz pensar assim:
A comparação entre a propaganda nos anos 1980 e agora em 2009, me faz pensar que é a internet a “pedra de toque” para o início da “Era Digital”. Aonde ela nos conduzirá? Ninguém sabe ao certo. Não arrisco previsões, mas algo é certo: daqui a mais 30 anos, se formos comparar o avanço tecnológico, talvez rebatizemos a “Era Digital” como outro período, onde o que vivenciamos hoje como “tecnologia de ponta” será apenas um jogral de crianças.

Quando se investiga corrupção: dicas para jornalistas

Durante o período de formação inicial na Universidade e/ou faculdade, quase todo estudante, já sonhou em fazer jornalismo investigativo. Porém, a medida em que mais conhece as áreas e as especificidades inerentes à elas, percebe que a fasceta do jornalismo investigativo é complexa e, muitas vezes, perigosa. Não raro, poucos acabam escolhendo esse campo como seu metiê de labuta diária.
Esses poucos, aqui no Brasil e no exterior, acabam por se tornar referência na área. É o caso de Don Ray, que é produtor, escritor, autor, jornalista e conferencista. Esse começou a carreira de jornalista de televisão com a equipe de investigação na antiga KNBC-TV, agora NBC4, em Burbank (Califórnia), nos idos de 1978. De lá para cá, participou produzindo reportagens tais como: a história da investigação de abuso infantil de Michael Jackson, o especial da NBC sobre Michael Jackson, entrevistas para o documentário “One Six Right” (2004), dentre outras. Atualmente é documentarista independente.
Ele escreveu para  o Media Helping Media, especializado em jornalismo, o que chamou de “10 dicas jornalísticas para investigar a corrupção“. Segundo Ray, o jornalista investigativo, deveria estar atento:
1. Abordagem ascendente: Essencial para identificar os resultados da corrupção e, de forma rápida para os níveis superiores – “as provas são sempre visíveis ao nível da rua”.
2. Mapeando a geometria da corrupção e da influência: A corrupção, sempre envolve mais de uma pessoa, ou um ponto ou uma linha simples, entre duas entidades. Compreender o fluxo da corrupção, influência e extorsão exige o mapeamento dos triângulos, trapézios, pentágonos, etc, de relações entre as partes.

3.Desenvolver e proteger fontes essenciais: Eles estão lá fora, desejando encontrar alguém de confiança para suas informações. O jornalista tem que aprender que o processo de sedução envolve a criação de confiança no nível máximo, um ambiente fértil de verificação factual e, uma compreensão das recompensas intrínsecas que exigem as fontes.

4. Determinar a moeda da influência: Por mais sofisticadas que sejam as leis e sua aplicação, mais sofisticadas são os veículos de suborno. É dinheiro que raramente muda de mãos. O jornalista deve aprender a seguir as trilhas da propriedade, promoção, proteção, privilégio, suborno e emprego (mesmo de familiares distantes!).

5. Documentar a fuga de “papel”: Os registros públicos são essenciais, mas sozinhos eles raramente mapeam o quadro completo. Eles são um princípio essencial. Eles podem fornecer sutis indícios reveladores de outros documentos, ou de pessoas que podem preencher os espaços em branco.

6. Obstáculos internos: O jornalista, independente do país, vai encontrar uma certa resistência dentro de seu próprio estabelecimento de comunicação. Infelizmente, os proprietários e gerentes de jornais e rádio / televisão e redes “estão à margem do crime organizado e à corrupção”, ou são “portadores de cartão de jogadores”. Estas situações exigem grande atenção e delicado planejamento.
7. Atenção nos registros: Mais do que qualquer outra área que trabalha com relatórios, as investigações de corrupção exigem verificação interminável e cruzamento de dados. Repórteres são alvos fáceis dos funcionários e agentes que estão empenhados na utilização, manipulação ou na desacreditação do trabalho jornalístico.
8.Unindo-se aos aliados confiáveis: Existem inúmeras maneiras de “escutas” em investigações existentes, e parcerias com grupos ou indivíduos, que já tenham obtido informação valiosa. A Internet oferece a jornalista uma rede mundial de peritos e de aliados em potencial. Além disso, existem as organizações locais que você encontrará, que já estão investigando as pessoas e instituições. 

9. Lidar com as ameaças e retaliações: Esta não é uma linha de trabalho para todos. O jornalista deve sempre estar ciente de como eles e seus familiares são vulneráveis.  É essencial saber como responder de forma rápida e direta à ameaças – sem jogar a toalha, ou imediatamente, se esconder.

10. Fazendo a história relevante para os leitores e telespectadores: Os repórteres, tendem a querer escrever sobre a elite, para a elite. As histórias devem, naturalmente, “dar atenção para os que estão em cima”, mas elas devem abordar as vítimas e os possíveis cúmplices em todos os níveis. No final, as histórias devem ser sobre as pessoas e, elas devem poder “pintar retratos dos resultados”, muitas vezes invisível.

Essas são dicas valiosas de quem tem experiência para partilhar e, com competência vivencial.


Liberdade de expressão, censura e jornalismo cidadão

Paula Gonzalo escreveu para o sítio Periodismo Ciudadano.com sobre ferramentas úteis ao jornalismo cidadão para driblar tempos de censura ou restrição de liberdades de divulgação. Segundo Gonzalo, um dos “princípios do Jornalismo Cidadão é a possibilidade de preservar o anonimato de fontes, em países em que a liberdade de imprensa está seriamente ameaçada”.

Essa é uma questão importante, já que, a internet tem facilitado a divulgação ampla de notícias sobre, particamente, tudo e todos, mesmo nos países em que há restrições ao jornalismo. Basta lembrar do episódio das eleições do Irã, desencadeado pelas notícias que foram divulgadas pelo Twitter. Praticamente foram as “únicas” notícias “não oficiais” durante um período turbulhento e de manifestações violentas.

Gonzalo listou um conjunto de ferramentas, capazes de preservar o “anonimato” de seus usuários no processo de divulgação da informação, mesmo sob censura:

- Blog por una Causa!: La Guía de Global Voices para el Activismo Blog, explica cómo utilizar los blogs como parte de las campañas contra la injusticia en todo el mundo. este maunal se centra en temas como: eludir el filtrado de Internet, el anonimato de blogs y la utilización eficaz de instrumentos basados en la Internet.

- “Anonymous Blogging with Wordpress and Tor“, es una guía escrita por Ethan Zuckerman para enseñar a los internautas a bloguear anonimamente con Wordpress y Tor. Recientemente han publicado una versión en árabe.

- Geo-Bombardeo: Guía de Global Voices para la distribución de campañas de vídeo en YouTube a través de las aplicaciones de mapeo de Google.

- ‘Access Denied Map’ (Mapa de acceso denegado) es otro magnífico proyecto contra la censura en la Red de Global Voices. Permite a los lectores interesados apoyar movimientos anti censura, mantiene a los lectores al día de la situación de filtros en varias partes del mundo. También facilita la colaboración entre activistas, permitiéndoles encontrarse entre ellos, compartir tácticas, estrategias y experiencias.

- “Psiphon”, es una herramienta de software gratuito que permite a los internautas vigilados, conectarse a un servidor que les da acceso seguro a páginas web en cualquier lugar, evitando las restricciones gubernamentales.

- BlogSafer, ofrece una serie de guías específicas de distintos países para bloguear de forma anónima. Una opción para, como dicen ellos mismos, colaborar con aquellos que han cometido “el delito de hablar críticamente sobre sus gobiernos” y no quieren acabar en la cárcel o algo peor.

- Herdict, es un proyecto del Centro Berkman, en la Universidad de Harvard. Se trata de una Iniciativa OpenNet, creada por el profesor Jonathan Zittrain, que pretende dar a conocer lo que los usuarios de todo el mundo están experimentando en términos de accesibilidad a la web, a través del crowdsourcing. Otra propuesta dedicada a vigilar, informar y contribuir a evitar la censura en la red.

- Reporteros sin Fronteras sacó a la luz su Manual para bloggers y ciberdisidentes, que también puede resultar de utilidad. ¿Cómo hacer un blog de manera anónima?, es una especie de guía en donde los “consejos no se destinan a expertos en criptografía, más bien a personas que viven en países donde no se respeta la libertad de expresión y que temen por su seguridad y quieren proteger su vida privada.

As dicas são úteis. Nunca se sabe quando estaremos em uma situação semelhante, durante o desenvolvimento profissional. Vale a pena visitar os sítios indicados e conhecer cada uma delas.

Código de autorregulação de e-mail marketing

Quem já não recebeu mensagens indesejadas? Diariamente centenas dessas tentam lotar nossas caixas de e-mail. Mas, parece que isso terá “um fim”(?), ou pelo menos, será amenizado.
É que o Comitê Gestor da Internet no Brasil disponibilizou o Código de autorregulamentação para prática de e-mail marketing para utilização no Brasil.
O código, segundo seu artigo 1º,

[...] tem por objeto definir as regras a serem seguidas para a utilização de email como ferramenta de marketing, de forma ética, pertinente e responsável, sem prejuízo da concomitante aplicação da legislação vigente aplicável

O código, que passa a definir padrões do uso do e-mail marketing, indica que é “considerado eticamente correto” as mensagens que “enviado para bases de Destinatários, que sejam permissionários tipo Opt-in ou Soft-Opt-in”. O Opt-in, segundo o artigo 2º, inciso X, é “a permissão prévia concedida pelo Destinatário e comprovável pelo Remetente, autorizando o envio de E-mail Marketing por um determinado Remetente”.
Vamos esperar para ver se o “código” tem força de Lei para superar a falta de educação das empresas no envio de e-mail marketing.


Jornalismo: olhando para o futuro, mas qual?

Howard Tumber, professor da  City of London University, no Reino Unido e, Barbie Zelizer, professora da University of Pennsylvania, nos Estados Unidos, exercitaram a difícil tarefa de pensar, em poucas linhas, sobre o futuro do jornalismo. No editorial da revista Journalism, intitulado “Special 10th anniversary issue – the future of journalism“, apresentaram uma visão ponderada, para não dizer filosófica, da idéia do futuro do jornalismo.
Falando sobre a problemática da idéia de futuro, os professores apontaram para a influência que o futuro tem sobre o presente. Como assim? Bem, a idéia dos autores é que em práticas jornalísticas amplas, tais como a previsão do clima, a projeção de risco de um determinado evento ou mesmo em uma notícia sobre a aplicação da Lei, o futuro tem relevância na forma como nos envolvemos com o presente. Dito de outro forma: o presente é modificado pela previsões futuras do que pode vir a ser, mas ainda não o é.

Para os autores,

A academia não está imune aos encantos sedutores e limitações do futuro. [...] O jornalismo vem com um conjunto contraditório de expectativas. Por um lado, a volatilidade financeira, a diminuição de receitas, as aquisições, a diminuição de audiência, as preocupações com a segurança física [...] Inversamente, espera-se florescer: a informação é abundante e, é mais acessível do que nunca, as variedades de conteúdo e forma, são inigualáveis na história, e há mais pessoas envolvidas do que em qualquer outro ponto no tempo, no jornalismo, sejam produtores e seus consumidores. A tarefa de “auguriar” um futuro vem de encontro a esses conjuntos de conflitantes expectativas sobre a próxima etapa do desenvolvimento do jornalismo.

Na antiga Roma, nada era feito sem a aprovação dos áugures e dos presságios que esses tinham a trazer. O futuro era “portado” por alguém que trazia as notícias do “portão celeste dos deuses” e as decifravam aos meros mortais. Será que o jornalista assume uma função semelhante? Não me arrisco a dizer que sim, mas pela fala dos autores, não tenho como não lembrar desse evento e da função desempenhada pelo portadores da notícia.

De qualquer forma, algo apontado pelos autores faz muito sentido no tempo que nos encontramos. Para eles,

Por um lado, projetar o futuro poderia tentar-nos a pensar sobre o que vem com mudanças, como complacência, otimismo e uma renovada fé em tudo o que nós identificamos como notícia. Por outro lado, pode intensificar as nossas preocupações, comprometer as nossas esperanças e deixar-nos saber o que fazer com um fenômeno que tem estado conosco enquanto informação, mas cuja durabilidade não é mais reconhecível ao certo.

É, esss afirmações deixam dúvidas no ar. Qual será o real papel do jornalismo e, desse portador de notícias, o jornalista? (Se é que tem algum definido ou a definir.) Qual sua “identidade”, em um tempo de indefinições e de ausências discursivas, que defendam posicionamentos claros e praticáveis? Não sei as respostas, mas tenho pistas que construo uma a uma, ao caminhar em meus estudos da área.

Dessa forma, ficam as minhas indagações e, as dos autores, sobre isso que nós chamamos de “futuro do jornalismo”:

É apenas a natureza humana a lamentar sobre o presente, de modo a manter-nos em movimento em direção a um futuro meta-orientado por nossas ações? Ou será que estamos focados em um real e relativo conjunto de problemas? [...] É o modelo de notícia europeu que liderará o projeto jornalístico? Pode uma “multiplataforma” jornalística alterar a “paisagem” da notícia? O jornalismo vai salvar-se por meio de uma reorientação para os trabalhadores e os consumidores? 

E você, o que acha disso? Deixe suas impressões sobre o que apresentamos. Será útil nessa discussão.


A liberdade de imprensa no mundo

O sítio da organização Repórteres sem Fronteiras, divulga o “Barômetro da Liberdade de imprensa 2009. Segundo os dados, até o presente momento, 33 jornalistas já foram mortos no mundo, 170 jornalistas estão presos por atividades jornalísticas, 9 colaboradores estão presos e 82 ciberdissidentes encontram-se presos em algum dos países “inimigos” da internet.
O ranking proposto pela organização em 2008, dos países de maior liberdade e defesa dos direitos de imprensa, coloca em primeiro lugar, empatados, Islândia, Luxemburgo e Noruega;  a França ficou em 35º lugar; os Eatados Unidos em 36º lugar; Israel em 46º lugar; e, o Brasil em 82º lugar, empatado com Tonga e República Domenicana. Essa colocação se deve, em grande parte, a violência e ao assédio judicial contra jornalistas e repórteres investigativos entre 1º de setembro de 2007 e 1º de setembro de 2008. A lista tem 173 colocações.
Quanto aos “inimigos da internet”, figuram na lista da organização, os países: Arábia Saudita, Birmânia, China, Coréia do Norte, Cuba, Egito, Irã, Síria, Túnez, Turcomenistão, Uzbesquistão e Vietnã. Outros países, como Austrália, Bahrein, Belarús, Coréia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Eritréia, Malásia, Sri Lanka, Tailândia e Zimbábue, são citados como locais onde a internet é vigiada.