quinta-feira, 18 de março de 2010

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Caminhos para o jornalismo do século XXI?

Web 2.0, Twitter, Blogs, P2P, Wikipedia, MySpace, Facebook, Youtube, Orkut, Iphone, Wi-Fi, jornalismo participativo… Nenhuma dessas expressões existia no dia 1º. de janeiro de 2000. Mais que termos com inspiração geek, essas palavras materializam uma modificação na relação das pessoas com o mundo e como se conformam as articulações do que se acessa, do que se produz.(Editorial Revista Ícone)

Concorda com essa idéia? Pois é, a Revista Ícone, editada pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Pernambuco, disponibilizou o seu mais recente número, intitulado “Jornalismo no início do século XXI“.
O número problematiza as tecnologias e possíveis simbioses com a prática jornalística, entrecruzado com a prática dialógica existente. E neste aspecto, os editores tem razão: as tecnologias amplificaram a relação comunicativa nas práticas jornalísticas. Quem de nós pode fechar os olhos a isso, sem deixar de fora o futuro da comunicação? Você pode até discordar, mas vale a pena a leitura das considerações deste número!

Preservação da memória da internet

A internet é acusada de ser efêmera devido ao fato de informações publicadas se perderem nas constantes atualizações. Não é de hoje, que todos nós já vivenciamos a decepção de encontrar uma sítio importante e, descobrir algum tempo depois, que ele sumiu ou mesmo não disponibiliza mais as informações que anteriormente tivemos acesso.
Um proposta nova, parece ter encontrado um solução de preservação da memória dos sítios da internet. A Biblioteca Britânica acaba de lançar o projeto UK Web Archive. Trata-se de um projeto que reúne  imagens de telas de sites coletadas desde 2004. A idéia é “coletar, preservar e garantir acesso permanente a sites importantes do Reino Unido para as próximas gerações”, afirma o projeto. 
A proposta é boa, mas tem encontrado resistências, já que nem todos os proprietários de sítios tem permitido a incorporação de suas produções ao projeto. Segundo a dica do sítio Jornalistas da WEB,o projeto tem tentado
[...] obter, junto ao governo, a autorização para capturar automaticamente todos os sites que estejam no domínio do Reino Unido. A Biblioteca Britânica e outras do mesmo gênero têm esse direito garantido pelo Legal Deposit Libraries Act, de 2003, porém, elas ainda precisam que a lei entre em vigor para prosseguirem com o trabalho.
O sítio é fácil de utilizar e permite pesquisas nas telas capturadas por datas de postagem do autor.Vale a pena pesquisar.

Como está o ensino e a investigação em jornalismo em Portugal e na Espanha?

Essa foi a proposta da Jornadas da OBCiber, que foram realizadas nos dias 4 e 5 de dezembro de 2009, com o foco na temática “O jornalismo nos novos media: ensino e investigação”. Participaram diversos professores e profissionais, alguns já conhecidos aqui pelo Brasil, quer por seus trabalhos, quer por partilharem experiências no ensino e na pesquisa.

Entre os participantes, duas apresentações julgo essenciais (já que a finalidade do que escrevo aqui no Blog Ensino de Jornalismo e no blog do Gipo é o ensino e a pesquisa): a primeira, do prof. Javier Díaz Noci, da Universitat Pompeu Fabra, em Barcelona, que apontou para a temática Pesquisa em ciberjornalismo: tendências, e, a segunda proferida pelo Prof. António Granado, da Universidade Nova de Lisboa, intitulada 10 coisas que as universidades precisam fazer para melhorar o ensino do jornalismo.
Caso prefira assistir as apresentações, coloca-as no Blog do Gipo (clique aqui para assistir). Encaro como essenciais para quem está estudando o ensino de jornalismo.

Aprendizado em 2009: 100 ferramentas para uso em sala de aula e nas redações

Nunca é demais saber como anda a “cotação” das tecnologias quanto a sua usabilidade. Foi o que Jane Hart, consultora da The Centre for Learning & Performance, disponibilizou. Trata-se de um Top 100 de mídias sociais e assemelhados.

Como era de se esperar, o Twitter ficou em 1º lugar na pesquisa. É importante entender que, em 2007 o microblogging Twitter ocupava a 43ª posição, subindo em 2008 para a 11ª e, agora em 2009, para o 1º lugar.

Já o Delicious, um serviço de compartilhamento de links favoritos, caiu para o 2º lugar em 2009. Ele vem mantendo a preferência, já que desde 2007 oscila entre 1º e 2º lugares.

Esse Top 100 é um bom guia e termômetro de como andam as diversas ferramentas, úteis na sala de aula e também nas redações. A grande questão é se, de fato, a amostra representa a realidade de usabilidade. Não consegui localizar a metodologia, nem o quantitativo dos pesquisados nesse ranking. Se alguém souber, contribua nos comentários.

De qualquer forma, vale a visualização dos resultados a seguir.


Um pouco de “I dreamed a dream”, ou o jornalismo no ano 2000

Circula em vários sites a reprodução de um texto supostamente (digo isso, pois não consegui encontrar um banco de dados com a cópia fac-símile da edição, quem souber avisa) publicado no jornal português “Jornal do Comércio”, de 25 de Fevereiro de 1868, intitulado “O jornalismo no ano 2000″.

O texto é muito interessante, pois reflete o sonho de um outro jornalismo, mais engajado (se é que ainda podemos esperar que isso aconteça de fato). Algumas “predições” são interessantes. Por exemplo, a de que o jornal

Daqui a 50 anos, os jornais publicarão uma folha, inteiramente nova, de hora a hora, e, daqui a 100 anos, de minuto a minuto, de instante a instante. Será um moto-contínuo e ainda não satisfará a curiosidade pública. Cada cidadão fará um jornal: o artigo de fundo constará sempre das notícias da sua vida pública e íntima.

Essa idéia, longe de ser a realidade no meio impresso, o é no mundo virtual da web. A cada instante temos centenas de novas informações circulando. Em poucas horas, milhões transitam freneticamente. E que dizer do jornal pessoal, que “constará sempre das notícias da sua vida pública e íntima”? Não serão os blogs, Twitter e outras comunidades sociais a resposta a essa idéia? Bem, leia e tire suas conclusões.

A seguir reproduzo o artigo que circula. Agradeço a Nuno Costa e Gabriel Silva, ambos de Portugal, pela dica.

«O Jornalismo no ano 2000

Considerando no que é hoje, observando as suas tendências, pode conjecturar-se, aproximadamente, o que virá a ser. Um curioso aprofundou esta questão e lisonjeia-se de ter descoberto, com plausibilidade, as condições em que há-de achar-se o jornalismo no ano 2000.

Há fome e sede de notícias: todos querem saber tudo – o que pode e deve saber-se e o que não pode nem deve saber-se -, a máquina reproduz em minutos o pensamento, para ser transmitido a todos os pontos da terra, e já não é só a máquina para estampar o jornal, é também a máquina para compor; inventou-se o tipógrafo-máquina e deve esperar-se, portanto, que venha a idear-se o redactor-máquina.

O jornal é hoje diário e o mais é que chega a reproduzir a mesma folha em duas ou três edições, com alguns aditamentos ou notícias. Isto será atraso e fossilismo no ano 2000. Daqui a 50 anos, os jornais publicarão uma folha, inteiramente nova, de hora a hora, e, daqui a 100 anos, de minuto a minuto, de instante a instante. Será um moto-contínuo e ainda não satisfará a curiosidade pública. Cada cidadão fará um jornal: o artigo de fundo constará sempre das notícias da sua vida pública e íntima.

Como o jornalismo assume tais proporções, talvez se pense que faltará papel, porque é necessário advertir que de cada jornal se tirarão, de minuto a minuto, milhares de folhas; mas a isto há-de ocorrer-se com facilidade, porque, assim como o jornal é instantâneo, instantânea há-de ser a leitura; e o papel vai, minutos depois de lido, para a fábrica, a fim de se reproduzir [...] apenas o superfino será reservado para os brindes aos assinantes, os quais, ao cabo da sua assinatura, já possuirão uma biblioteca de 525 000 volumes, pois tantos são os minutos que tem o ano; já se vê que a cada folha acompanhará um brinde.

O telégrafo eléctrico generalizar-se-á, cada cidadão terá o seu telégrafo em correspondência mútua, de maneira que em um minuto se saberá o que se passa nos pontos mais afastados e, em Lisboa, se poderá saber, de instante a instante, até à vida caseira do mais boçal esquimó; com o que os povos hão-de folgar, deleitar-se e instruir-se.

O jornal caseiro será alheio à política; para esta haverá jornais especialíssimos e os seus redactores nem serão amigos, nem distintos, quando não forem da mesma parcialidade; quando, porém, comungarem na mesma pia (também em 2000 se darão destas), então serão inteligências robustas, caracteres provados… no que forem.

Mas como é de crer que no ano 2000 já exista a paz universal e a união entre todos os homens, acabará a política, os governos governarão sempre conforme… à nossa vontade, portanto, serão inúteis os jornais políticos; não haverá, pois, nem turibulários, nem oposicionistas; todos serão amigos e distintíssimos cavalheiros, unidos no pensamento comum de amarem a sua pátria. Assim seja.»


Jornalismo, formação e trabalho

Trabalho e emprego. Essas são duas palavras quase mágicas para todo recém-formado. O egresso acostumou-se a viver trabalhando (bicos, free, etc) e, na maioria dos casos, emprego que é bom nada! Essa é uma realidade em todos os campos de formação. A diferenciação entre as duas palavras, nem sempre, é facilmente entendida: trabalho não significa emprego. Com reestruturação do trabalho nos anos 1990, as duas palavras foram descoladas e, hoje, vivenciamos “trabalho” enquanto categoria que não significa necessariamente emprego. Entenda-se aqui emprego, como uma categoria que pressupõe carteira assinada, “direitos” (mesmo que poucos) assegurados, estabilidade, etc.
Lembro-me que, a uns 10 anos atrás já discutia com alunos da graduação a “formação para o desemprego”. Defendia na época, que o mercado modificava-se rapidamente e, a universidade também precisava entender isso e, proporcionar aos alunos, condições de competitividade. Recordo-me que foi uma guerra: fui chamado na coordenação de curso e acusado de “terrorismo”, de fazer fazer alunos desistirem da área, pois alertava os acadêmicos para a possibilidade do desemprego e da necessidade de abertura de novos espaços laborais, sob pena de ficarmos “ultrapassados” para um mercado flutuante e em constante mutação.
O que esse tempo todo mostrou? Que essa é uma certeza inegável: diversas áreas encontram-se em “crise” de identidade, por não atualizarem seu cabedal de conhecimento e suas técnicas e/ou metodologias. Novas habilidades são exigidas diariamente e, nossos acadêmicos, devem ser alertados para as potencialidades de uma mercado em mutação, que exige novas competências a todo instante.
Nessa linha de pensamento, Dina Rickman escreveu uma reflexão bem interessante no Journalism.co.uk, site especializado em jornalismo. Sob o título What does a jobs crisis mean for journalism education?, Rickman alertou para a necessidades dos futuros jornalistas serem informados sobre a “crise de emprego”. Por que esse alerta é importante? Porque tem-se um aumento, segundo ela, de 15,7% ao ano no Reino Unido no ingresso de novos acadêmicos nas faculdades. Esses tem “sonhos” ( como qualquer acadêmico de aparecer na “telinha” ou ser um editor de algum grande jornal), porém encontram a realidade de um mercado saturado.
Segundo Rickman, citando as estatísticas divulgadas pela untistats.com’s,

[...] os dados sobre o emprego de pessoas com cursos de graduação de jornalismo revelam algumas estatísticas preocupantes.  Uma pesquisa realizada com estudantes,  após seis meses da formatura, verificaram que, com excepção dos licenciados de Bournemouth e Kingston [universidades inglesas], nenhum curso teve mais de 40 por cento dos formandos de jornalismo trabalhando em alguma mídia associada à profissão.  Um quarto dos diplomados da University of the Creative Arts estavam trabalhando como assistentes ou caixas de vendas de varejo, em comparação com apenas 15 por cento que tinham emprego garantido na mídia ou em indústrias associadas.

O que pensam os formadores nas universidades? Sara McConnell, que dirige o curso de jornalismo na  Kingston University apontou que

[...] há “muitos cursos de ‘jornalismo no Reino Unido e é preciso haver um” debate sério “sobre o futuro do ensino de jornalismo”. Algumas universidades estão olhando apenas para  o rendimento dos estudantes e, universidades sem escrúpulos,  podem ser desonestas a respeito de perspectivas de emprego. Seria irresponsável para nós fingimos que uma graduação é uma porta de entrada para um emprego.

Independente do que pensemos, é importante sermos honestos: um diploma não é, necessariamente, sinônimo de emprego. Isso acontece lá nos Estados Unidos e aqui também no Brasil. É claro que, as chances aumentam para aqueles que possuem competências e habilidades adquiridas no espaço acadêmico, mas  não implicam em sucesso, necessariamente.

O que temos de fazer? Como formadores nas universidades, assumir o que defendi a 10 anos atrás: o mercado modifica-se rapidamente e, a universidade precisa entender isso e, proporcionar aos alunos, condições de competitividade, sobretudo, as que dizem respeito ao jornalismo digital. Não estou aqui fazendo “apologia ao mercado”, queria poder não depender dele, mas a verdade é “nua e crua”: somos peças de uma jogo bem elaborado nessa máquina capitalista. Ela sabe bem as regras, e nós?


Rádio, jornalismo e difusão de notícias

Alguns afirmam que o rádio, em tempos de internet, é coisa obsoleta. Em certo sentido, isso até poderia ser afirmado, mas a realidade de alguns locais tem mostrado que ele continua forte como um veículo de difusão de notícias.

É o que o estudo realizado por Michael W. Link, da The Nielsen Company, mostrou. Ele disponibilizou o relatório intitulado How U.S. Adults Use Radio and Other Forms of Audio.O estudo aponta para o rádio como o mais importante meio de difusão de notícias entre os adultos norte-americanos.

O estudo foi realizado com base em 752 dias de programação. Os resultados são bem interessantes. Entre esses, o estudo concluiu:

• 90% dos adultos estão expostos a algum tipo de mídia de áudio em uma base diária, com transmissão, tendo no rádio a maior parte de tempo de audição;

• A exposição ao “áudio” se dá em quatro níveis de uso, entre os ouvintes:
(1) Usa a transmissão de rádio via satélite (atingiu 79,1% diariamente; sendo 122 minutos diários entre os usuários);
(2) CDs e fitas (chegou a 37,1% diariamente; 72 minutos);
(3) Áudio portátil, tais como iPods/MP3 (chegou a 11,6% diariamente; 69 minutos), áudio digital armazenado em um computador, tais como arquivos de música transferidos e utilizados em um computador (alcance de 10,4% diariamente; utilização média de 65 minutos), streaming de áudio digital em um computador (atingir 9,3% ao dia; 67 minutos) e;
(4) Áudio em celulares (chegou a 2% diariamente; 9 minutos).

• O papel dos dispositivos de áudio portátil:
i) Importância dos players de MP3 e iPod, com média de 8 minutos de escuta por dia entre toda a amostra observada;
ii) entre os ouvintes (11,6%), o maior alcance estava entre aqueles com idade de 18-34 anos (20,8%), solteiros (18,5%), e aqueles que tendem a ser mais esclarecidos quanto ao uso da tecnologia (18,2%);
iii) Mesmo entre aqueles que usam outras formas de mídia de áudio, a transmissão de rádio ainda tem um amplo alcance. Por exemplo, entre aqueles que também ouviram o áudio portátil, tais como dispositivos leitores de MP3 ou iPod, o rádio teve um alcance diário de 81,6% e, 97 minutos de média de tempo de audição.

• A exposição ao áudio na mídia tem o maior alcance entre aqueles com níveis mais elevados de educação e renda;

• A radiodifusão é a forma dominante de mídia de áudio em casa, no trabalho e no carro;

• O “Broadcast” do rádio atinge a faixa etária entre 18-34 anos, com taxas equivalentes às de adultos em geral, ficando na faixa de 79,2% dos ouvintes, com uma média de 104 minutos por dia;

• Entre as plataformas de mídia, a televisão ao vivo foi a mais elevada do alcance e uso diário entre os pesquisados (95,3%, 331 minutos), seguida pela transmissão de rádio (77,3% alcance, 109 minutos), Web / Internet [excluindo o uso do e-mail] (63,7%, 77 minutos), jornais (34,6%, 41 minutos) e revistas (26,5%, 22 minutos); 

• Em média, as pessoas gastam quase idêntico tempo durante a semana (454 minutos) e nos finais de semana (458 minutos), usando um das cinco principais fontes de mídia.

 Nos gráficos a seguir, provenientes do Nielsen Wire, esses dados são melhor visualizados:

Outro dado que “salta aos olhos”, é referente ao tempo, nos dias úteis, de audição aos meios. O rádio é o segundo colocado, perdendo apenas para a Televisão:

Longe de estar aposentado, o rádio continua a ser um veículo importante de difusão de notícias. Mas ,é importante, pensar em como ele será reinventado e se articulará com a própria web e com o jornalismo digital.

Você pode ler o estudo completo aqui.


Mídia nos Estados Unidos: estado da arte em 2009

O Projeto Pew Research Center for Excellence in Journalism divulgou os resultados de sua pesquisa  – The State of News Media – sobre a mídia americana em 2008/2009. A pesquisa é desenvolvida desde 2004, permitindo uma série estatística dos indicadores, sendo financiada pelo Pew Charitable Trusts.

A pesquisa utiliza métodos empíricos para avaliar e estudar o comportamento da imprensa. Segundo a organização, o objetivo da realização das pesquisas na área jornalística:

[...] é ajudar os jornalistas que produzem as notícias e, os cidadãos que a consomem a desenvolver uma melhor compreensão do que a imprensa está entregando, como os meios de comunicação estão mudando, e as forças que estão moldando essas mudanças. Temos enfatizado a pesquisa empírica na crença de que, quantificar o que está ocorrendo na imprensa, em vez de simplesmente oferecer a crítica, é a melhor abordagem para a compreensão.

O que os dados de 2009 revelam? Novamente o que outros estudos tem apontado: uma crise generalizada no atual modelo de negócios da mídia. Segundo Tom Rosenstiel, jornalista que assina a pesquisa e coordena o projeto, os resultados “parecem assustadores”, pois

“as receitas de publicidade em jornais caíram 23% nos últimos dois anos. Alguns jornais estão em processo de falência e outros perderam 75% de seu valor. Estimamos que, cerca de um em cada cinco jornalistas, que trabalhavam em jornais, em 2001, não estavam mais nesse mercado no final de 2008 e 2009. [...] Ocorre uma migração acelerada do público para a Internet. O número de americanos que utilizam regularmente a Internet para acesso à notícias, de acordo com um levantamento, aumentou 19% nos últimos dois anos, sendo que em 2008, o tráfego para sites de notícias importantes aumentou 27%;

Apesar da sobrevida que as eleições americanas proporcionaram ao jornalismo impresso, a pesquisa foi enfática:

No ano passado, aconteceram duas coisas importantes que, efetivamente, reduziram o tempo restante no ‘relógio’. Em primeiro lugar, a migração acelerada da audiência para a Web, significando que a indústria da notícia deve se reinventar, mais cedo do que pensávamos, embora a maioria dessas pessoas estejam visitando os destinos tradicionais de notícias na web. Pelo menos, no curto prazo, o crescimento da audiência online tem piorado e não ajuda a situação de sites de notícias tradicionais.
Depois, veio o colapso da economia. Os números são apenas suposições, mas os executivos acreditam que a recessão, pelo menos, ocasionará o dobro de perdas de receitas no setor de mídia imprensa em 2008, e talvez ainda mais sobre as redes de televisão. Ainda mais importante, é o fato de que a recessão afetou os esforços para encontrar novas fontes de receita. Em uma tentativa de reinventar o negócio, 2008 parece ter sido um ano perdido e, 2009 ameaça ser a mesma coisa.

Alguns outros dados da pesquisa ajudam a visualizar o tamanho da crise:

1. Variação percentual da audiência de 2007 a 2008, por setores da mídia.

 

2. Variação percentual da receita de anúncios de 2007 a 2008, por setores da mídia.

3. Declínio percentual de circulação durante seis meses, período de 2003-2008.

4.  Edições impressas vs. Receita de publicidade online no período 2003-2007.

5. Visitantes únicos por mês para sites selecionados de revistas (Novembro de 2006, novembro de 2007 e novembro 2008).
Longe de assustar, eles representam a migração para uma novo modelo, que ainda é “nascedouro”, mas que dá sinais de força. Vamos esperar para ver os resultados. O relatório está disponível completo em inglês e, um resumo executivo, em espanhol.

Jornalismo subsidiado? Soluções para uma crise declarada

Foi publicado pela Columbia University um estudo que analisa estratégias para a reconstrução do jornalismo nos Estados Unidos. O relatório intitulado  The Reconstruction of American Journalism é assinado por Michael Schudson, vice-presidente do The Washington Post e professor da Arizona State University e por Leonard Downie Jr, professor de jornalismo da Columbia University . A dica foi dada pelo Blog do GJOL.
O relatório expressa bem a situação de crise que os jornais passam, reconhecendo já de saída, que a base tradicional de manutenção econômica das edições, a publicidade, está em colapso. Para os autores do relatório, a crise de receitas não afeta apenas os jornais impressos, mas também os noticiários da televisão aberta. Mas, pelo menos, algo é positivo para eles: os jornais e os noticiários não vão desaparecer, mas serão reinventados pela evolução do mundo digital. Eles atribuem um papel duplo a internet: tornou possível novos espaços jornalísticos, mas prejudicou o apoio do mercado tradicional ao jornalismo impresso.
Como eles percebem a “saída” dessa constatação? Bem, eles fazem seis recomendações, no mínimo, bem polêmicas:
1. Controle do Congresso de organizações de notícias independentes, que deveriam ser criadas ou convertidas em entidades sem fins lucrativos ou com baixo lucro, para servir ao interesse público, independente de seu “mix financeiro”, com patrocínio comercial e publicitário, permitindo explicitamemte o investimento de fundações filantrópicas nessas novas organizações híbridas;
2. Filântropos, fundações e fundações comunitárias devem aumentar substancialmente o seu apoio a organizações de notícias que têm demonstrado um compromisso substancial com os assuntos públicos e prestação de contas;
3. O público do rádio e da televisão devem ser substancialmente reorientados para fornecer informações importantes à imprensa local em cada comunidade, servidas por estações públicas e seus sites. Isso exige uma ação urgente e reforma da Corporation for Public Broadcasting, bem como um aumento do financiamento e do apoio do Congresso para a comunicação pública;

4. Universidades, tanto públicas como privadas, deverão tornar-se fontes locais de sujeitos especializados, além de notícias e prestação de contas, como parte de sua missão educacional. Elas devem explorar as suas próprias organizações jornalísticas, sendo plataformas de acolhimento de notícias sem fins lucrativos e de organizações de jornalismo investigativo e, ser laboratórios para a inovação digital na captação e partilha de notícias e informações.

5. Um fundo nacional de notícia deve ser criado com o dinheiro do Federal Communications Commission, que poderia ser coletado dos usuários de telecomunicações, televisão e de radiodifusão sonora licenciados ou prestadores de serviços de internet, administrados por conselhos locais de notícias.

6. Mais deve ser feito por jornalistas, organizações sem fins lucrativos e governos para aumentar a acessibilidade e a utilidade das informações coletadas pelo público em âmbito federal, estadual e local, facilitando a captação e difusão da informação pública por parte dos cidadãos, ampliando o reconhecimento público das muitas fontes.

É, as propostas são fora do “convencional”, para um país capitalista. Retiram da mão de poucos o poder da informação e fragmenta em pequenas comunidades. Mas, a situação é muito mais complexa do que aparenta e, por mais que essas recomendações forneçam um caminho, vão enfrentar muitas críticas. De fato, mal o relatório tornou-se público, David Carr, William Carleton, Dan Gillmor e Jeff Jarvis, criticaram as posições assumidas. 

Era digital?

É possível falarmos em “Era digital”? Essa é uma boa questão. Mas o que determina o uso da palavra “Era”? Em muitos casos, após passado um conjunto de tempo cronológico e, com um distanciamento histórico, é possível dizer que os impactos ocorridos durante um período específico, marcou profundamente o espaço.
Dizemos dessa forma, que houve uma “Era”, que variará conforme os impactos reais ou imaginários. Por exemplo, para os paleontólogos, a Era Glacial abrange um período de milhares de anos; já para os historiadores, como Eric Hobsbawn, a idéia de “era”, teve curtos e fragmentados espaços de tempo, tais como a Era das Revoluções (1789-1848), a Era do Capital (1848-1875) e a Era dos Extremos (1914-1991).
De qualquer forma, seja qual for a visão, a pergunta persiste: É possível falarmos em “Era digital”? Procurando na internet, algumas idéias surgem. Em uma artigo da Wikipedia, fala-se de Era Digital (ou Era da Informação), tendo por base Peter Drucker e Daniel Bell, colocando-se o início entre os anos de 1946 e 1956, com as modificações tecnológicas iniciais. O artigo é interessante e os autores basilares, mas ainda fico com dúvida sobre isso. Digo assim, porque me agrada mais a idéia de Hobsbawn das eras “curtas e fragmentadas”, profundamente marcadas no tempo.
Assim assumindo, a marca da “Era Digital” seria a presença da própria internet. É a partir dela que as noções de “globalização”, “mundialização” e “planetarização”  deixam de ser palavras rebuscadas de sociólogos da acadêmia, para serem vivenciadas no dia-a-dia da dona de casa que vê um produto “made in China” , assiste uma novela “made in México” e não grita mais “Fora FMI” como nos anos 1980, pois agora é o Brasil que empresta dinheiro a ele e “entende”, mesmo com uma série de limitações, o que isso é. É a internet e toda a “parafernália ferramental” desenvolvida por ela, que alimenta e é alimentada pela sociedade.
O infográfico a seguir, disponibilizado via Comunicadores, me faz pensar assim:
A comparação entre a propaganda nos anos 1980 e agora em 2009, me faz pensar que é a internet a “pedra de toque” para o início da “Era Digital”. Aonde ela nos conduzirá? Ninguém sabe ao certo. Não arrisco previsões, mas algo é certo: daqui a mais 30 anos, se formos comparar o avanço tecnológico, talvez rebatizemos a “Era Digital” como outro período, onde o que vivenciamos hoje como “tecnologia de ponta” será apenas um jogral de crianças.