sexta-feira, 19 de março de 2010

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Jornalismo, formação e emprego

Paul Bradshaw, diretor do curso de jornalismo da Birmingham City University, no Reino Unido, escreveu uma reflexão bem interessante sobre a formação em jornalismo. O artigo escrito para o Online Journalism Blog intitulado Are there too many journalism courses?, apresentou uma série de competências necessárias para a formação do profissional que atua em jornalismo.
Segundo Bradshaw, a diversidade de graus possíveis para a formação em “jornalismo não existem apenas para treinar as pessoas para entrar na indústria de notícias. Esta é a diferença entre “educação” e “formação” ” e, indicou um conjunto de competências/habilidades que são desenvolvidas durante esse percurso:

* Construção do núcleo de competências acadêmicas, como a investigação, o conhecimento conceitual e as habilidades críticas;
* Desenvolver habilidades práticas, tais como a comunicação, pesquisa e produção;
* Desenvolver habilidades criativas;
* Desenvolver habilidades de gerenciamento de projetos;
* Desenvolver habilidades de trabalho em equipe e a capacidade de trabalho por iniciativa;
* Criar uma compreensão crítica dos processos de notícias e relações de poder;
* Fornecer espaço para explorar como o jornalismo ea  publicação é, e poderia ser diferente, (particularmente importante quando se está em crise);
* Permitir que as pessoas saibam se eles querem trabalhar na indústria de notícias;
* Permitir que os estudantes compreendam que conseguirão uma graduação em uma área que é  desafiadora e gratificante;
* E sim, a formação de pessoas para entrar na indústria de notícias;
* E qualquer indústria que envolve profissionais da comunicação;

 Será a formação universitária a chave para o sucesso profissional? Bradshaw afirma que, apesar de todos estudarem jornalismo, nem todos que tem “esperança de ser”, serão, por exemplo, âncoras ou titulares de editoria em grandes jornais (já que essas posições já encontram-se ocupadas), mas é extremamente importante essa formação.  Porquê? Ele afirma:
Algumas pessoas não são muito boas, algumas pessoas não se esforçam muito, algumas pessoas apenas se “encostam” ao longo do caminho,  na lei do menor esforço – não se pode conceber que, em nosso sistema de ensino, sem excluir aqueles que trabalham duro, que são talentosos e dedicado e querem conseguir grandes coisas. Um diploma não é a promessa de uma carreira bonita – é a promessa de uma oportunidade de desenvolvimento pessoal, que  é embasado em seu próprio compromisso e capacidade individuais, tanto quanto a dos professores,  do pessoal de apoio e das universidades.
É, está aqui uma visão bem sóbria da formação universitária! Ela permite “uma oportunidade de desenvolvimento pessoal”, que agregada as competências e habilidades, desenvolvidas ao longo do curso, podem dar valor ao conhecimento adquirido durante todo o processo e permitir uma melhor inserção profissional.

Universidade múltipla: visões de Castells

O Blog Novos Medios.org, destinado a estudos de jornalismo e comunicação, mantido pela Faculdade de Comunicação da Universidade de Santiago de Compostela (Espanha), disponibilizou um resumo da palestra realizada por Manuel Castells.
Manuel Castells dispensa muitas apresentações. É professor de comunicação e tecnologia em inúmeras universidades européias, além de escritor de diversos livros nessas áreas. Na palestra realizada, Castells discutiu sobre a “universidade na era da informação” e, atribuiu a essa, o papel de “instituição central do mundo em que vivemos”.
Segundo ele, a universidade teve seis funções ao longo da história, conforme citado pelo sítio:

1. A universidade que produz valores e legitimação social, própria da fase em que as escolas teológicas, centravam a atividade universitária;
2. Função de seleção de elites, através da educação e da configuração de sua rede social;

3. A universidade formadora de profissionais da própria universidade tecnológica;
4. Função de produção de conhecimento. Castells fala em universidade, científica, função tardia que começou a desenvolver-se na segunda metade do século XIX na Alemanha e, depois, importada pelos EUA no final desse mesmo século;
5. A universidade educadora de massas. A universidade generalista, que estende o direito à educação universitária a todas as pessoas. Os recursos, não crescem proporcionalmente às necessidades projetadas, pelo aumento de alunos. Trata-se, do que Castells, alcunhou como “café para todos, mas descafeinado”.
6. Função empreendedora. A universidade empreendedora gere a ligação entre o mundo empresarial e da produção de conhecimento, que se desenvolve no seu seio. É a encarregada de traçar pontes de relacionamento para que o fluxo de conhecimentos, entre a universidade e a necessidade de desenvolvimento de aplicações e tecnologias da empresa privada seja contínuo, freqüente e de qualidade.
Poderia uma única universidade abarcar esse “universo” de possibilidades? Para Castells, não. A universidade deveria primar por algumas dessas funções, mas obrigatoriamente, “a excelência deve ser um dos primeiros fins da universidade, junto com a função de serviço público (que não implica, a exclusão das universidades privadas, que tenham também um boa trabalho de serviço ao público) e a necessidade de auto-constituir-se, como espaços com autonomia própria, para servir à sociedade num ambiente de liberdade”, frisa o sítio.
Ao ler essa notícia e as perpesctivas de Castells, não pude deixar de lembrar das leituras que fiz sobre a Universidade, principalmente as propostas de Robert Paul Wolff (O ideal da universidade), Wladimir Kourganoff (A face oculta da universidade), Geraldo Moisés Martins (Universidade federativa autônoma e comunitária), Clark Kerr (Os usos da universidade) e Durmeval Trigueiro Mendes (Ensaios sobre educação e universidade). Em maior ou menor grau, as propostas de Castells passam pelo olhar e discussão desses autores, que frisam a importância da universidade como estrutura basilar de formação humanística e técnica do cidadão.