abr 11

A volta

Deixei esse blog descansando um bom tempo. Logo publicarei mais textos e poemas e aviso quando estarei lançando meus dois primeiros livros de poesia, Terras e Poemancia.

Meu contato é leonardobarbosarossato@gmail.com.

Deixo-os com o poema que estará na coletânea do Prêmio Carlos Drummond de Andrade de Poesia, do SESC DF.

Abs 😉

 

Pessoas

conexões fraternais sexuais estéticas
caminhos nômades ciganos poetas
corpos lindos sublimes vulcânicos
movimentos ousados amplos tântricos

nos tornando o que somos

diabólicas nascentes em chamas
envoltos no urgente enlaço
explosões de energias que movem
seres em um eterno lance

partos de amálgamas em transe

jul 24

Profissão

aquele papo pro ar

aquele tempo que só nosso

aquela sensação de que

tudo que se sonhe seja

cenas de vidas exponenciais cheias

de sensibilidades em combustão

o estilo zen-locão e as

fraternidades míticas

viajar é (se) descobrir

sotaque

 

filmes mudam o mundo sim.

jul 01

Encontros

É preciso que as pessoas se encontrem

que corpos e ideias transpassem

as ruas inundadas e as horas imaginárias

e que desses pontos de conexão corporal-cósmicos

amálgamas dialéticas poemas

furem as Galáxias setentrionais

e transformem as Ordens materiais

pois só somos quando Conexão.


Essas são as pessoas livres.

nov 02

Apresentação

sou do tamanho

da transcendência de um copo d’água

e só e tudo e vejo

todas as cores das multidões

a Terra é apenas uma parte

mais uma janela pro corpo

entendendo corpo

como a simples manufatura de galáxias

conjunção ardente

de todas ínfimas e infinitas

possibilidades

ago 30

Nomes

Sim, e saias, sempre coloridas, carnaval, como que falando, ó, cidade, de nada; transbordando nas ruas, iluminando encontros, desmistificando encruzilhadas, aqui inexistentes; em casa se enclausura, se prepara pra próxima: bem-querer e esfinge. Também, prefiro me contentar com as belezas das tentativas: saber que esse eu-você, eu-ela, eu-galáxia é quase o mesmo em diferentes tons. É tipo, um azul? Mesmo assim, a imperfeição de todos esses entres é reconfortante, quase delicada e ao mesmo tempo febril; aí fica fácil te contar, é como a felicidade de ver a chuva no cerrado cheio de otimismo.

Quatro, cinco anos? Tanta distância desconversada, malversada, a intermitência do outro batendo, imagens que voltam, explodem na cabeça, entram no olho. Como aquilo tudo que virou esse tantim inda travessa?

Os futuros, os destinos, tá bom, as angústias necessárias: você terá o que nem sabe que tem e tem. Tanto pra desesconder, desescobrir e sacudir a poeira dos ais. Quando ela me vê, não vê apenas esse eu, corpo aterrado no espaço, vê esse eu mais esse conluio, essa intersecção, essa combinação que, por coincidências, cósmicas ou precisas, ela, agora, tem direitos e justiças.

Eu te amo não é bom dia, já dizia sua mãe. E de como adorávamos pincelar frases sábias de vós e mães, rascunhar no mesmo caderninho vermelho, sublinhar frases a lápis em livros de poetas que amávamos. A sabedoria das mulheres e dos poetas. Pelo menos nos dias, como esse, de sensações. Essa belezura que nasce dos respeitos.

Você, não sofra, não perca esse tempo, porque quando tiver outro, ou outra, ou outros, será tão lindo que nem a pele e o olho, em si, notarão, por tão natural que é. Ser é entender a naturalidade das coisas mesmo quando não há nossa intervenção.

Aqui, sinto, é meio pequenas belezas. Pré-conceitos que vem e não, algo de olhar, de pressentir, conhecer e papear. A transitoriedade é enganadora, ela esquece do ônibus cheio. Ela mistura territórios e sotaques. Ela desconhece diferenças. Ela não é.

Ah Você não é daqui?, pra começar o sortilégio – que eu acho lindo – de frases-clichês belamente prontas e poemas filosóficos sobre o que for. Da amplidão da alma e do céu à pequenez do ser na maquete. As pequenices? almejo-as. Ainda mais quando gentes e músicas e a importância do dançar.

O olhar visceral, grande, a íris enorme; conheci por aí pelas casualidades. O que importa é que.

Cai o pano do teatro fantástico e gargalho redondeando os toques – a vida é uma delicadeza de tão frágil, de tão forte; uma arte cuidar do Bem.

Por volta: as peles, negras, intrincadas de brios, ancestralizadas em cada curva, veias de coragens. Os velhos sentados e olhando e sabendo. As velhas, as moças e as crianças preparando, cuidando, seivando estórias porvir como que aulas sobre os Tempos.

Saias lindas, circulares e sagradas… às vezes com rodopios, êxtases e batidas no chão, às vezes como se flutuassem junto às folhas do coqueiro do quintal da casa.

Tem lutas que em qualquer lugar, vem de muito antes e é além.

Não, depois te conto mais sobre minhas impressões. Essas paradas demoram pra grudar na pele, vem depois do ressacar, semeiam pra virar flor, cores todas, as que escolhemos.

Brasília são pessoas, o resto é matemática e caos.

A gente ao menos ria. Parece que a vida nos leva pra esse compêndio, ilustração de afetos. Talvez também rezar. Aqui meio que anda entre exatidão e fé, delírio e reino.

Digo a ela sem dó, porque não nasci pra isso: me reensina a ver esse rever na folha branca. Esses sentires, essa misturança toda: a confusão do ver com a delícia do tocar com a ilusão do ouvir. A função dela é um tal cambalacho que me alumia nesse quadrado. Tô te falando.

Rir, chorar, gozar: esses estados que nos explicam; depois, é só criar fogo, inventar roda, juntar verbo e substantivo.

Sim, revi as fotos. Nós todos amigos novinhos e lindos. Projetos comuns que se esvaem pela vida. Rolou meio que uma angústia clara: carinho e indiferença. Quero que vivam pelas benfeitorias.

Não, aqui eles torcem mais pra times do Rio, mas tem de tudo também, todo lugar é igual e diferente. Toda cidade é um pouco uma fatalidade.

É só ver as coisas com calma e poder fechar ciclo, besteiras e literatices que nos ensinam nas escolas e nos encontros. Olhar nos olhos dá saber né?

A gente sempre acreditou, num foi? que essa denominação inominável: fim: era assim, uma energia circular, pra lá, pra cá, pois sempre tem depois. Pra onde for.

Não sei o que temos não.

Difícil demais essa coisa de nomear.

Impor em algo toda uma constelação.

ago 26

Terras

Não ter pra onde ir é uma forma de ficar?

Será que estava condenado a certo nomadismo, ciganismo existencial, a ficar coletizando sensibilidades, fustigando novos territórios, entre poesias de botequim, projetos sócio-culturais, politiquices inaptas, arroubos estéticos, eternos novos amigos? Será que um dia ele viraria Árvore?

Agora é aqui, tudo bem, amanhã acolá, venta? Ventre? Ele vai! Quase uma afronta à ideia de Estado-Nação, de bom comportamento, de rima. Ir nem sempre é pra frente, sociologizava com certo interesse em agradar ou mesmo só escutar em si o Outro, praticar alteridades, efusivas ou não, de acordo com o calor; forma de querer estabelecer diálogos, de Ser, pois só na Troca, mesmo que infinitesimal, mas viva, eloquente, vibrante, colorida, dizendo: ok, Deus, acho que entendi.

Sair de si é uma forma de ficar?

Se for é aonde? Na terra? no chão? na casa? na cidade? Ou pra dentro, em si, deixando entrar, tipo escorrer-se água adentro, até ser uma coisa só, plasmático, dois sendo três, esse entre, vão incinerando-se.

Ou só oi, beijos, ó, comprei o jornal, você está linda hoje, vamos sim, quero ver esse filme, você faz tão gostoso meu bem, num sei o que é o Amor pra te dizer isso, nem eu, seus amigos são legais, sotaques são charmes, há quanto tempo mora aqui, pretende ficar, trabalha no governo, então você pensa em ir embora, vamos fazer projetos juntos, me abraça, sim, gosto de café, e se você cansar de mim, sou estranho, sou estranha, já experimentei de tudo também, vamos pedir uma cerveja que vou lhe contar meu passado.

Sim, contar o passado pra alguém é reescrever o corpo no presente. Um editor de sentimentos, bons e ruins, pra complexificar andares, rugas, olhares: serei espectadora do seu onirismo, mirando-lhe o Olho, poros pra imantar seu porvir. Vem.

Enfim: cotidianidades, celular, computador, pássaros, terra, água, suor, bibliotecas. O olhar visceral, grande, a íris, preta enorme, fitando, perpassando, doendo; algumas palavras soltas, letras no ar (num precipício ou na corda bamba) como devaneios captaneados ao léu pra estabelecer o mínimo de sociabilidade, acreditar nas pessoas, nomear conceitos de felicidade, brincar de entender.

Brincar de entender pode ser a coisa mais bonita desse mundo, como dormir na rede, carinho na nuca, ler poema e se salvar, batuques desordenadamente fluídos.

Porque tem hora que só com o pé cheio de terra pra por as ideias no lugar, conexão direta com algo que está aí e não,  quando o não-falar é o entender, marrom-vermelho-terroso contrastando com a saia branca, que gira e encobre a Terra; uma especialidade rara e completamente vulgar essa: Existir.

(Gosto quando diz amenidades, não me importo com o ficar dele, corpóreo ou existencial, me importo com a criação de estáticas, pequenuchos fogaréus. Homem, segura o segundo como a seu destino)

Os espíritos vêm e conversam, ele não lhe vê, nos destinos longos são pontos, nós de luz, potentes, desbravadores, enigmáticos, tesudos; mas pontos: se comprometendo apenas em não decantar as belezas das possibilidades, estrelas fodendo o Cosmos. Um ínfimo infinito.

A gente sai de mão dadas, reenergizados, terreirando. Saraivados de luzes, nos vemos nem olhamos

O que fazer com esse aceitar imensidões, essa quentura, esse nós? vermelhidão existencial desse céu do cerrado que te rasga, que só perdoa quem sabe. Amém?

Amar é uma forma de ficar?

Aquele silêncio.

Aquele silêncio que não incomoda, que só é burilado por um ranger de porta, uma tosse, um motor suave ao fundo; aquele silêncio inventado como forma de dizer Obrigado.

Você escovará os dentes, fechará o livro que pegou na biblioteca da melhor amiga pra estender-lhe melhor o mundo, me beijará dizendo boa noite com meus lábios, sonhará com alguma coisa que só diz respeito a seu íntimo (aquela parte que se guarda pra nunca se perder de si) e acordará em outro espaço-tempo. Vem.

Nesse apocalipse tranqüilo, entre o começo e o fim dos Tempos, transcendendo e tecendo divindades corpóreas entrelaçadas. Você diz que não sabe dançar só pra tirar o foco da humanidade, pra parecer alma perdida, anja torta, Iemanjá terrena. Queremos um nOutro é remembrar esse primeiro sentir; nosso plano é enganar o Futuro, desleixar com o tempo.

Uma maldição salva a outra?

Ele só queria aprender a plantar a flor pronta; impaciente (por isso deambula?), porque a planta, a flor, a árvore ficam, mesmo indo, mesmo sendo. Você solta o cabelo, diz que ele o liga a sua feminilidade, sua mãe-terra incrustada na cabeça, sua veia xamã-feminista, subconsciência corporal-política do que representa estar mulher nesse mundo. Abram-se, alas.

Sim, tem algo no ar; você, horizonte, sol se pondo, filosofias: provaremos ao universo, aos santos, às danças, aos toques, aos deuses, aos poetas, aos chefes, às horas, às árvores, que sim.

Meio raízes rizomas ambulantes.

Espera aí, eu vou pousar.

Vem.

ago 26

Respiro

o bar-cátedra

o livro-fé

a rua-mundo

os olhos

brilhando incertos

desejosos por amanhãs:

aquela linda sensação de que o presente não é o suficiente

sendo

ago 26

Agora

só divido as coisas entre
as que me emocionam
ou não
só adjetivo o Mundo
e produzo cores etéreas
que adornem Ideias
só o Canto
que transforme
a Dança
que toque

agora só cérebros em chamas estrelando a Terra

ago 26

Transcendência

Nunca esquecer de enterrar as rimas corretas & os bocejos das Certezas
(pôr o pé no chão/ ver o dia nascer/ coletar encantamentos)
Desencanar na tarde
tranquilo e azul e beijos nas costas e amigos sorrino com o sol doeno entre sons viscerais indecentes
(olhar-luar na saia-luz)/ para assim:
divino, maravilhoso:
– Enlaçar um beck
Desengavetar lirismos
Poetar cores sensíveis/ amores hábeis/ beijos tácteis

Sei lá,
talvez esquecer um pouco a imensidão do Abstrato.

mar 10

Testamento

Flanar pela cidade

um pouco trôpego

infringido leis universais da infâmia.

 

Amores antropomágicos

mitificando passos & amassos.

(solidões se comunicando)

Ideias coloridas latejando nas veias de tesão telúrico.

Céu rasgante multicolorido sem fim.

 

Transmutar o estilo

poético-desencanado

em danças lunares.

Apaixonar-se por olhos e verdades.

Aceitar a própria insanidade.

Apostar na turma.

Fruir o endiabrado ritmo das saias.

Acreditar na psicodelia cósmica das sensibilidades.

Ter em si a imensidade da Ternura.

Sonhar sem dó.

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