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ago 30

Nomes

Sim, e saias, sempre coloridas, carnaval, como que falando, ó, cidade, de nada; transbordando nas ruas, iluminando encontros, desmistificando encruzilhadas, aqui inexistentes; em casa se enclausura, se prepara pra próxima: bem-querer e esfinge. Também, prefiro me contentar com as belezas das tentativas: saber que esse eu-você, eu-ela, eu-galáxia é quase o mesmo em diferentes tons. É tipo, um azul? Mesmo assim, a imperfeição de todos esses entres é reconfortante, quase delicada e ao mesmo tempo febril; aí fica fácil te contar, é como a felicidade de ver a chuva no cerrado cheio de otimismo.

Quatro, cinco anos? Tanta distância desconversada, malversada, a intermitência do outro batendo, imagens que voltam, explodem na cabeça, entram no olho. Como aquilo tudo que virou esse tantim inda travessa?

Os futuros, os destinos, tá bom, as angústias necessárias: você terá o que nem sabe que tem e tem. Tanto pra desesconder, desescobrir e sacudir a poeira dos ais. Quando ela me vê, não vê apenas esse eu, corpo aterrado no espaço, vê esse eu mais esse conluio, essa intersecção, essa combinação que, por coincidências, cósmicas ou precisas, ela, agora, tem direitos e justiças.

Eu te amo não é bom dia, já dizia sua mãe. E de como adorávamos pincelar frases sábias de vós e mães, rascunhar no mesmo caderninho vermelho, sublinhar frases a lápis em livros de poetas que amávamos. A sabedoria das mulheres e dos poetas. Pelo menos nos dias, como esse, de sensações. Essa belezura que nasce dos respeitos.

Você, não sofra, não perca esse tempo, porque quando tiver outro, ou outra, ou outros, será tão lindo que nem a pele e o olho, em si, notarão, por tão natural que é. Ser é entender a naturalidade das coisas mesmo quando não há nossa intervenção.

Aqui, sinto, é meio pequenas belezas. Pré-conceitos que vem e não, algo de olhar, de pressentir, conhecer e papear. A transitoriedade é enganadora, ela esquece do ônibus cheio. Ela mistura territórios e sotaques. Ela desconhece diferenças. Ela não é.

Ah Você não é daqui?, pra começar o sortilégio – que eu acho lindo – de frases-clichês belamente prontas e poemas filosóficos sobre o que for. Da amplidão da alma e do céu à pequenez do ser na maquete. As pequenices? almejo-as. Ainda mais quando gentes e músicas e a importância do dançar.

O olhar visceral, grande, a íris enorme; conheci por aí pelas casualidades. O que importa é que.

Cai o pano do teatro fantástico e gargalho redondeando os toques – a vida é uma delicadeza de tão frágil, de tão forte; uma arte cuidar do Bem.

Por volta: as peles, negras, intrincadas de brios, ancestralizadas em cada curva, veias de coragens. Os velhos sentados e olhando e sabendo. As velhas, as moças e as crianças preparando, cuidando, seivando estórias porvir como que aulas sobre os Tempos.

Saias lindas, circulares e sagradas… às vezes com rodopios, êxtases e batidas no chão, às vezes como se flutuassem junto às folhas do coqueiro do quintal da casa.

Tem lutas que em qualquer lugar, vem de muito antes e é além.

Não, depois te conto mais sobre minhas impressões. Essas paradas demoram pra grudar na pele, vem depois do ressacar, semeiam pra virar flor, cores todas, as que escolhemos.

Brasília são pessoas, o resto é matemática e caos.

A gente ao menos ria. Parece que a vida nos leva pra esse compêndio, ilustração de afetos. Talvez também rezar. Aqui meio que anda entre exatidão e fé, delírio e reino.

Digo a ela sem dó, porque não nasci pra isso: me reensina a ver esse rever na folha branca. Esses sentires, essa misturança toda: a confusão do ver com a delícia do tocar com a ilusão do ouvir. A função dela é um tal cambalacho que me alumia nesse quadrado. Tô te falando.

Rir, chorar, gozar: esses estados que nos explicam; depois, é só criar fogo, inventar roda, juntar verbo e substantivo.

Sim, revi as fotos. Nós todos amigos novinhos e lindos. Projetos comuns que se esvaem pela vida. Rolou meio que uma angústia clara: carinho e indiferença. Quero que vivam pelas benfeitorias.

Não, aqui eles torcem mais pra times do Rio, mas tem de tudo também, todo lugar é igual e diferente. Toda cidade é um pouco uma fatalidade.

É só ver as coisas com calma e poder fechar ciclo, besteiras e literatices que nos ensinam nas escolas e nos encontros. Olhar nos olhos dá saber né?

A gente sempre acreditou, num foi? que essa denominação inominável: fim: era assim, uma energia circular, pra lá, pra cá, pois sempre tem depois. Pra onde for.

Não sei o que temos não.

Difícil demais essa coisa de nomear.

Impor em algo toda uma constelação.

1 comentário

  1. Camila

    não preciso dizer que gostei, senão fosse assim não teria lido até o fim. Também sempre achei: brasília são pessoas, por isso me casei, eu acho.

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