Últimos Posts

  • Flavia Vivacqua e Cultura Digital Experimental

    0 comentários

    por: Maira Begalli, em Livre, RedeLabs no dia 19/08/2010

    Ainda sobre a questão “Cultura Digital Experimental”, Flavia Vivacqua respondeu a algumas perguntinhas que eu havia enviado no mês de junho depois de uma breve conversa durante o Reverberações2010/Matilha Cultural. Flavia tem 35 anos, estudou (entre muitas coisas) Artes Cênicas e Artes Visuais. Pesquisa arte, design cultural e sustentabilidade com enfoque em educação, tecnologia, economia e ecologia. Concebeu a Rede CORO – Colaboradores em Rede e Organizações – http://www.corocoletivo.org e Articula o Reverberações  http://www.reverberacoes.com.br. Dirige a Nexo Cultural- Agência de Designer Cultural e Sustentabilidade http://www.nexocultural.com.br.

    Como compreende  “cultura digital experimental”?

    Flavia – Pesquisa experimental (processual e que pode ou não ter um produto final fechado) de tecnologia que interfira no modo de vida cotidiana.

    Mas, esses projetos experimentais meio que não seriam o inverso? O dia-a-dia das pessoas gerando novas tecnolgias e improvisos na tentativa de resolver necessidades e criar algo novo? As redes tem fomentado esses processos, não?

    Flavia – Bem, vocês me perguntaram o que entendo por “cultura digital experimental” e para mim, toda “cultura digital” é algo implementado socialmente… falo dos computadores.

    E também um pouco além dos computadores, envolve uma cultura de artesanato digital/tecnologico e bricolagem. desfazer e refazer máquinas 🙂

    Flavia – Sim, sim. Porém, interessa-me mais a cultura experimental como a desconstrução e construção do conhecimento e liberdade, sem necessariamente uma apologia as máquinas ou ainda os homens-máquinas.  Nem toda tecnologia é digital ou máquinas. Penso que não é necessario ser digital para ser cultura, para ser experiemental ou ainda tecnológica. Também, podemos dizer que toda pesquisa para que avance e possa gerar uma inovação, uma tecnologia nova ou um conhecimento replicável, necessitará de dedicação cotidiana por um período justo para ser solução de algo. Conheço pessoas que fizeram das suas casas, das suas comunidades, verdadeiros laboratórios experimentais que geram soluções geniais e conhecimento compartilhado… no entanto, o uso do computador ou da tecnologia digital não estão necessariamentes incluídos no processo e isto é importante também.

    Então, mas falamos justamente desse conceito mais amplo: o que é tecnologia? Tecnologia não é processo que criou os moinho de vento, os relógios solares? a decantação de água com pedras mais grossas e mais finas?
    Flavia – Sim, a tecnologia, não necessariamente digital (realmente acredito que usar esta nomenclatura pode ser limitante para processos culturais inovadores, ou que resgatam tradições ancestrais importantes, na geração de transformações necessárias hoje), parece surgir sobre a engenhosidade útil e otimizadora do cotidiano a partir da observação da inteligência e estética da natureza ambiental e humana. Me interesso especialmente pela Permacultura para pensar/atuar sistemas complexos e integrados, onde uma ação possui muitas funções, por exemplo.

    As redes que vocês se referem são as redes sociais? Sobre redes sociais, podemos fazer considerações complexas e dizer que elas podem (mas não necessariamente) fomentar iniciativas experiementais. Mas podemos sim afirmar que as redes otimizaram os fluxos de conhecimento e informação, comunicação, mobilização e alcance social, difusão em escala, articulação a longas distâncias… mas repito, não necessariamente essas redes são plataformas de criação ou solução de algo, já experimentei muitas vezes o contrário, a apresentação de conflitos intermediado por máquinas passivéis de manipulação e difíceis de clarear.

    Talvez falar em redes “sociais” seja meio que um pleonasmo, não é?
    Flavia – Sim, tem razão, um termo equivocado.

    Acho que falamos em redes como redes de pessoas: MetaReiclagem, Submidialogia, Coro Coletivo, EL, Mocambos, BricoLabs…por aí.
    Flavia –
    Sim, pessoas em relação = rede. Mas todas estas que você cita, utilizam alguma plataforma de comunicação pela internet, certo? Consegue indicar alguma rede sem o uso dessas tecnologias da web?

    Se formos pensar em fases de trabalho, conseguiria pensar em espaços diferenciados para cada uma delas?

    Flavia – Sim. Quando você me passou essa pergunta, entendi que ela vinha com uma listagem de nomenclaturas de tarefas (?), de frentes de ação profissional, possivéis para processos coletivos de trabalho e criação… mas visualizo e utilizo outras nomenclaturas e funções também.

    Pode falar mais disso?
    Flavia – Gerar novas dinâmicas e processos implica novos conceitos e vocabulário. Por exemplo, muitos editais públicos e inclusive os técnicos contratados para a seleção de projetos, necessitam abertura para reconhecer novas terminologias e compreender conceitos já na leitura do projeto. Novas formas de gestão e governança de processos colaborativos, por exemplo, podem ter formas distintas de distribuição de recursos, ou ainda necessidades de investimento em “itens” ou “serviços” muito diferenciados dos projetos padrões. Também, o experimental pode propor um processo como produto ou ainda um produto processual, não necessariamente seguro aos olhos dos padrões mercadológicos. Criar esses “espaços” de experimentação e valorizar o trabalho profissional com essa qualidade tornou-se fundamental e urgente.

    Espaços físicos, sedes? ou zonas autônomas, impermanentes? Como enxerga isso?
    Flavia – Penso que estamos falando de processos de trabalho e pesquisa, onde podemos imaginar espaços físicos diversos e em rede, mas sobre tudo, contextos específicos que apresentam elementos determinantes ao processo.

    Algumas fases precisam de mais isolamento e outras de mais troca e convívio, ou circulação?
    Flavia – Durante os processos de trabalho há momentos de “isolamento” e outros de “troca e convívio” e outra ainda de “circulação ou difusão e distribuição” como vocês sugerem. Mas essas variáveis ficam a critério e necessidade de cada projeto, programa ou processo de trabalho.

    Como seriam esses processos de circulação? residências itinerantes entre redes?
    Flavia – O designer cultural de um projeto, programa ou processo de trabalho é criação, estrategia e tática juntos. Temos como exemplo na última década os encontros de intervenções urbanas que conseguiram estabelecer um circuito próprio no país, com um modo de fazer arte e de se organizar de formas muito próprias. O Reverberações por exemplo, o considero um festival nômade, que acontece a cada edição em diferentes lugares, com formato diferenciado e novos parceiros, trazendo conteúdo atualissímo e podendo também acontecer em diferentes cidades. Na Argentina há uma residencia para artistas que pesquisam e trabalham em contexto rural e cada nova edição acontece em uma fazenda ou localidade diferente da anterior, gerando uma rede de iniciativas, espaços e pessoas. Pensar compartilhamento de infra-estruturas é bacana também. Processos de seleção e distribuição diferenciados necessitam ser pensados. Outra coisa muito importante são os registros documentais ou mesmo criação em objetos mutiplicáveis e de alta circulação.

    Tags: , , ,

  • Vilson Vieira Sobre a mesa no Fisl

    0 comentários

    por: Maira Begalli, em Livre, RedeLabs no dia 29/07/2010

    Pessoal, caímos de pára-quedas na mesa mas foi uma honra participar. Achei muito interessante as citações, o diálogo não linear do glerm, o que Dalton disse também sobre caos e sobre sua necessidade, enfim, saí perdido mas satisfeito por saber que não era mais um debate de mesa dominadora, mas uma muvuca para fazer o lado de lá entender melhor o de cá. Peço sinceras desculpas se não sacamos o cenário já de imediato, mas vamos nessa, aprendendo aos poucos com vocês.

    Sobre os media/mídia/*/lab concordo com a visão que vocês compartilham: a realidade dos espaços de hacking lá de fora são difíceis de serem importados para cá. E acho importante dividir esses espaços em dois: os centros de pesquisa ligados/patrocinados pela academia e grandes empresas e as associações/fundações/coletivos/espaços denominados geralmente de hackspaces/hacklabs/hackerclubs e derivados, que geralmente dependem do esforço dos próprios membros frequentadores para se manter.

    No MuSA já tentamos algo voltado para pesquisa acadêmica, um “mini medialab” mas não aconteceu. Achamos que não estamos preparados para pesquisa na academia, para as demandas de publicações que se instaurou nesse cenário. E aí também entra uma discussão interessante: os congressos acadêmicos têm linhas temáticas de chamadas de trabalhos que incluam a possibilidade de laboratórios de experimentação (ou como queiram chamar isso) participar? Acho a pesquisa acadêmica importante e necessária, a faço no meu dia-a-dia como professor, mas sempre direcionando para uma área afim. A transdiciplinaridade e liberdade de experimentação encontra ainda barreiras dentro da academia.

    Pensando assim resolvemos sair dela (embora todos os membros do coletivo sejam acadêmicos de exatas) e buscar um espaço com maior liberdade para experimentar. Como comentamos, acabamos em um quarto no apartamento do Alan. E agora estamos enfrentando uma nova dúvida: como autosustentar o coletivo? Até agora fizemos tudo na base da “vaquinha”, sem incentivo financeiro externo algum. Estamos pensando desde criar uma empresa (ideia que não nos agrada), ou uma cooperativa (a exemplo do pessoal da Colivre de Salvador), ou uma associação (e essa parece ser uma boa opção, desde que possamos de alguma forma captar fundos, a exemplo da associação Python Brasil, ASL e afins).

    Baseado nisso, concordo com o que Adriano comentou, que não basta dizer “ok, já temos labs aqui, já temos hackerspaces” pois realmente temos pessoas incríveis que servem de modelo para nós e até mesmo para os espaços lá fora, só que essas pessoas ficarão quanto tempo nesse cenário? Quanto tempo conseguiremos fazer “vaquinha” para pagar as despesas? Como tornaremos esses espaços autosustentáveis? Concordo que criar super-laboratórios cheios de Mac e abarrotados de softwares proprietários não ajuda nem um pouco. Foi do medialab que saiu o Guitar Hero e alguém aí tem o esquema do circuito? Tem o código-fonte? Glerm está tendo que hackear sucata pra chegar em algo que vai além, mas com pc emprestado e código aberto.

    Acho que esse é nosso papel nessa discussão: mostrar as dificuldades que estamos tendo para manter um laboratório/espaço de experimentação/prototipação/(des)construção e jogar tudo isso na roda, buscando a opinião de todxs vocês e reverberando de volta.

    P.S: O texto acima foi enviado por Vilson Vieira em uma troca de emails comigo e com os outros participantes da mesa realizada no FISL. Os comentários vieram como retorno do meu pedido para relatar sua visão das discussões lá suscitadas.

    Tags:

  • Glerm sobre a mesa no FISL

    0 comentários

    por: Maira Begalli, em Livre, RedeLabs no dia 28/07/2010

    Gostei muito de toda a condução, uma pena que FF não pôde ir e o Dalton não pôde ficar pra ver as perguntas e questionamentos da audiência moldando a conversa até chegarmos em boas sínteses e angústias necessárias pra nada ficar varrido pra baixo do tapete. Uma pergunta que ficou no quadro de giz (pelo menos sob meu ponto de vista): O que é rural?

    Agora eu apagaria o quadro e perguntaria aqui mesmo pra começar: O que é Capital? (não precisa nem responder, muito menos achar que cabe a resposta, mas para além da tecnocracia imaginar qual o LASTRO que nos posiciona frente à frente e como fazemos trabalho e terra fértil valer mais que ouro ). A pergunta “Como incentivar o experimental?” acredito que já esta sendo respondida, e já não acho tão caótico tentar olhar no microscópio e telescópio pra calcular padrões deste universo em expansão.

    E diretamente pensando em 1 projeto de metareciclagem (1 dentre infinitos padrões): quero transformar aqueles displays de caça-níquel apreendido pela PF em braços de matriz de leds para upgrade de guitarras digitais & toscolões.

    Penso num projeto que envolve desde a logística de reciclagem de um objeto em abundância em nosso lixo eletrônico, passando pela eletrônica baixo nível aplicada em entrada e saída de sinais em matrizes binárias fazendo desenhos no braço desse instrumento, desenhando acordes e cordas, convertendo analógico em digital e digital em anologias musicais e ao fim do processo o objeto se torna um lastro do processo que reinicia um novo vetor em direção ao novo lastro fazendo levantar a discussão em torna da cultura em torno destes dígitos.

    E para os mais na vertigem de não temer a discussão bipolar da diferença entre estética e uso:  VIDE ANEXO. Visualize o braço do violão “digital” em concerto – publicando em tempo real frases de nossa inteligência coletiva, notas do teatro geopolítico e flutuações no mercado financeiro. E também os “inofensivos e diletantes” nomes de acordes.

    O padrão é caótico? Mas se para algum observador a forma esta completamente bastante nítida: Onde está a equação que integra esta forma? Ali naquele Conserto e além. E isso é só 1. pense na biotecnologia que limpa água.

    P.S: O texto acima foi enviado por Glerm em uma troca de emails comigo e com os outros participantes da mesa realizada no FISL. Os comentários vieram como retorno do meu pedido para relatar sua visão das discussões lá suscitadas.

    Tags:

  • Adriano Belisário sobre a Mesa no FISL

    0 comentários

    por: Maira Begalli, em Livre, RedeLabs no dia 28/07/2010

    Gostei do debate surgiram ideias que fazem jus à proposta de um laboratório experimental, acho só que se a coisa tivesse fluido como uma diálogo mesmo entre os presentes talvez teria sido ainda mais rico. Espero que apesar dos desentendimentos, “eles*” tenham entendido ao menos o ponto que tentamos deixar mais claro: só faz sentido pensar os labs de cultura digital experimental de uma forma imanente, contextualizada com os movimentos que aconteceram aqui (e não são poucos, talvez ainda mais se formos sair da esfera da cultura-digital-do-MinC), simplesmente importar um modelo gringo financiado por grandes corporações é uma estratégia errada, etc, etc… Ao mesmo tempo, não se trata de dizer “nós não precisamos de medialabs”, pois já se faz tudo isso “sem apoio” – os laboratórios de mídia são importantes justamente porque reconhecem a importância de se investir em um processo cultural que já existe, tornando o Estado um catalisador – a mesma ideia que está por trás dos Pontos de Cultura.

    A meu ver, o erro ”deles*” está em pensar que para se fazer um laboratório de mídia experimental basta uma sala com banda larga, hardwares de última geração (por que não a metareciclagem como princípio mesmo para os laboratórios de cultura digital?) e alguns arduínos e impressoras 3ds. Assim, leva-se toda discussão para meramente um debate sobre especificações técnicas de equipamentos ou materias – esquecendo justamente quem vai operá-los. A própria palavra laboratório { labor + oratório } remete a um espaço de dupla articulação entre matéria e espírito. e não é a toa que ele surgiu em um ambiente de grande experimentação, junto com os alquimistas (alquimídia?) [referência q também está no texto em anexo, ainda q sob outra perspectiva].

    Nós também precisamos nos re-ligar! A pedra filosofal é um estado de espírito. Focando somente nas questões de infra-estrutura dos laboratórios, o debate perde muito das reflexões sobre a rede, as pessoas que estão envolvidos nestes processos (não necessariamente produtos). Daí vem toda uma discussão sobre até que ponto a máquina burocrática estatal pode lidar com uma experimentação que lida constantemente com o erro (“dublês de cientistas”), sem trabalhar em um processo linear de produção (monta o kit multimídia, instala software livre, dá suporte aos Pontos – como a rotina dos pontões de cultura digital, por ex, que o glerm citou). E o XPTA? talvez seja interessante delinear melhor o que diferencia (se é que diferencia) um labdeculturadigital do que um projeto no foco do XPTA, por exemplo, e também pensar o laboratório de cultura digital off-line, por exemplo com as bactérias que limpam rios e fazem músicas  ou a metareciclagem que gera energia.

    Em anexo, tem um texto dá um panorama dos laboratórios de experimentação no mundo hoje e acredito nele fique bem didática esta diferenciação que temos aí entre um possível laboratorio de mídia do MinC com outros mundo afora, sendo quase impossível compará-los ainda que imaginariamente. No texto são citados 4 exemplos: o MIT, financiado por bancos e grandes corporações da eletrônica e telecomunicações (inclusive a Telmex, dona da Embratel e acionista da NET – quem disse que o brasil não investia em medialab? 😉 ; o caltech, na california; o rock moutain institute, que traveste o capital com um discurso ecológico de geração de renda e coloca uma situação crítica meramente como uma boa oportunidade de negócio (um bom paralelo para lembrar a temática da propriedade intelectual nos laboratorios de mídia, não somente pelo viés do direito autoral, mas também pelo de patentes); e enfim o santa fe institute, que, entre outras coisas, toca um projeto de U$ 8 mi para descobrir (inventar?) uma protolinguagem universal comum a todas culturas tradicionais. É claro que não se trata de xenofobia também, precisamos justamente conseguir interpretar essas experiências de fora e visualizar quais caminhos deveriam ser tomados levando em conta as nossas próprias demandas. e não fazendo impressora 3d ou coelhos que brilham no escuro para inglês ver…
    *eles/deles somos nós.

    P.S: O texto acima foi enviado por Adriano em uma troca de emails comigo e com os outros participantes da mesa realizada no FISL. Os comentários vieram como retorno do meu pedido para relatar sua visão das discussões lá suscitadas.

    Tags:

  • Sobre a Conversa no FISL

    1 comentário

    por: Maira Begalli, em Livre, RedeLabs no dia 27/07/2010

    Entre quarta e sábado da semana passada (21 a 24 de julho) aconteceu a décima primeira edição do FISL, em Porto Alegre. Eu nunca tinha participado do evento, embora desde 2008 – quando trabalhei na primeira edição do Campus Party – Sergio Amadeu, Mario Teza, Marcelo Branco e algumas outras pessoas me convidavam para interagir de alguma forma.

    Em 2010 pude participar com a Coordenação de Cultura Digital do MINC, atuando como consultora do projeto sobre Laboratórios Experimentais. Junto com o efeefe, que não esteve “presencialmente”, organizei uma roda de conversa que acabou virando um debate sobre os tais labs. Aliás, debate muito válido, que iniciou um ciclo necessário.

    Quando propusemos à Cordenação de Cultura Digital falar do projeto no FISL tínhamos ideia de duas coisas: não queríamos uma apresentação platéia-orador e não teríamos  muito o que apresentar, uma vez que nosso maior esforço até o momento tinha sido o de mapear ações, pessoas e projetos para entender o que é um lab? um lab pra quê? um lab pra quem?

    Mostrar apenas isso seria chato.

    Então pensamos em uma sessão aberta de mapeamento trazendo algumas pessoas para dar o start a uma discussão maior prevista para o final do mês que vem na Funarte_SP. O formato me colocou como “mediadora” (embora não tenha sido nem de longe esse o meu papel) entre Adriano Belisário, Vilson Vieira, Ricardo Ruiz, Glerm Soares + Simone e Dalton Martins mapeando a discussão com  o intuito de encontrar pontos de convergência entre as falas.

    Pensamos em uma moderação “introdutória” e não para cortar ou limitar as colocações dos participantes. Nesse contexto, cada núcleo representado pelos nomes daí de cima teve cerca de 10 minutos para responder a pergunta (mas poderiam falar outra coisa se quisessem):

    De que tipo de apoio espaços experimentais livres e experimentadores precisam?


    Adriano Belisário comentou sobre a necessidade de apoiar atividades que estão em curso sem a infra-estrutura formal de laboratório, de construir nós de convergência e conectividade e não apenas criar espaços para a ocupação baseados em modelos de labs da europa que são datados e aplicavéis a determinados contextos dos países em que encontram-se sediados. Pontuou objetivamente a necessidade de apoio no sentido de estímulo e suporte continuo.



    Vilson Vieira contou sobre o começo do MuSA em uma sala emprestada na universidade e sobre terem que sair de lá por não serem nem grupo de pesquisa, nem grupo de extensão. Relatou o “nascimento” do lab em um quarto na casa de Alfakini. Ao invés de trazer esse fato como ponto negativo sinalizou como ponto positivo para criação livre, mutante e colaborativa que nasce sem pressões, interesses de terceiros ou necessidade de apresentar produtos com resultados esperados.



    Ricardo Ruiz começou a fala que Glerm e Simone continuaram: a importância dos labs como processos que unem pessoas e inovações  para a sociedade como bem comum. Ruiz tocou em um dos pontos fundamentais dos labs, a infra-estrutura livre e sustentável – desde usar energia com geradores bricolados até estudar formas de resolver problemas como poluição e potabilidade da água. Não tratá-los como centros fetichizados de produção de conteúdo hype mas como núcleos de rede que criam cultura de raqueamento e construção livre.



    Simone reforçou a necessidade de apoiar as iniciativas que já existem e que nasceram legitimamente entre as redes, não sendo fruto de um formato ou política criada. Relatou a experiência de laboratório livre em que participou com algumas outras pessoas, sendo que na maior parte do tempo criavam e trocavam conhecimentos e projetos  remotamente. E ao se encontrarem em finais de semana imersivos alcançavam saltos exponenciais de experimentação.



    Glerm (Organismo + DeVolts)esboçou um esquema de itens na lousa da sala que pareceu caótico para muitos, mas que expressou a angústia de processos genuínos que encontram-se escondidos diante das falas mais eloquentes, das articulações políticas mais interessantes ou das interfaces do cool. Itens que mostravam a necessidade de novos formatos para apoio a experimentação no país.





    Disse que a maioria dos criadores trabalha com muito pouco e sem nenhum tipo de financiamento: “Eu faço software, mas o computador que uso é emprestado“. Sublinhou a importância de financiamento de processos, redes, cultura de experimentação livre, de desburocratizar esses fomentos por meio de pessoas físicas ao invés de jurídicas.






    Dalton finalizou a rodada ressaltando a dinâmica caótica que norteou as falas. A característica fluída e autonôma dos processos, muitas vezes não tão bem interpretados por quem fica de fora,  que não podem depender substancialmente de incentivos nem públicos, nem de privados (veja o texto do Dalton sobre o FISL aqui). Por conta do horário de seu voo Dalton teve que ir embora antes de abrirmos para interação dos que estavam na sala. A atividade  inicialmente contemplaria uma hora de duração (17hs-18hs), porém como a sala estaria vazia no período seguinte ampliamos o debate em uma hora (18h-19h).


    Durante os 60 minutos seguintes a discussão trouxe alguns pontos de atrito, como quando Ivana Bentes questionou se os Labs Experimentais que estavámos propondo não eram utópicos, uma vez que não queríamos nos basear no MIT nem nos labs de mídia da Europa. Andréa Saraiva levantou a necessidade, também citada por Glerm durante sua fala, de moedas alternativas de troca entre esses laboratórios. Apareceu uma MiMoSa e outras falas também. Esperamos o vídeo da TV Software Livre que poderá relatar melhor a diversidade de opiniões que reunimos.

    A conversa teria sido mais interessante, agregadora e menos sufocada se desde o começo tivéssemos mais tempo previsto, como aconteceu na maioria dos outros dialógos Ecossistema/Cultura reaizados entre duas ou três horas. Além disso poderíamos ter optado pelo esquema “roda de conversa” usado pela Fabs para falar de Estúdio Livre. Mais democrático, geraria menos tensão e expectativa.

    *imagens Robson Bonfim

    Tags:

  • RedeLabs – Entrevista com Raquel Rennó

    0 comentários

    por: Maira Begalli, em RedeLabs no dia 29/06/2010

    Raquel Rennó trabalhou durante três anos no MediaLab Madrid, atual MediaLab Prado. Colaborou com centros como Arteleku no País Basco, Hangar em Barcelona, além de outros pequenos centros na Catalunya e nosso próprio grupo, ZZZINC em Barcelona. Segundo a sua experiência o exemplo catalão de Lab é um dos mais interessantes:
    A estrutura politico-administrativa da região, por ter se adaptado aos constantes ataques e proibições do governo central espanhol, principalmente até a ditadura de Franco, gerou uma consciência de organização em pequenos grupo que ao mesmo tempo procurar se reunir, trocar experiências e estar unido para que a fragmentação não se traduza necessariamente em fragilidade. E o governo local apóia micro-iniciativas, o que é fundamental para o desenvolvimento de projetos emergentes. Em Madrid isso não se nota, quer dizer, existem centros grandes, com bom financiamento, mas eles ficam reduzidos a poucos e para poucos. A possibilidade de interferencia e participação real na estrutura de como operam estes centros é minima. Os centros de produção e experimentação costumam ser bem equipados, com wifi gratis e encontros de grupos abertos para discussão e intercämbio de propostas. Esses ambientes informais são fundamentais para gerar encontros casuais que vão unindo pessoas das mais diferentes areas. Isso pode parecer irrelevante, mas uma coisa que me incomoda nos centros que vejo atualmente no Brasil, quando se referem a uma produção de fundo artístico, é que ainda possuem uma estrutura de museu ou centro de arte tradicional. A própria arquitetura e organização do espaço já cria certo distanciamento por parte do público não especializado. Me parece que sempre há a necessidade do espaço imponente, branco, clean. Os espaços na minha opinião refletem o hiato que há entre as classes socioeconômicas do país: por um lado o espaço do cidadão, que está nas comunidades economicamente menos favorecidas, que muitas vezes parece um espaço efêmero, montado às pressas, quase sem espaço para trabalhos em grupos mais pequenos. Como se o coletivo engolisse o indivíduo. Por outro lado, os espaços expositivos que querem se adaptar e incorporar a idéia de espaços de produção parecem inadequados para um trabalho coletivo, em grupo. Parece ainda o espaço do artista-individual-gênio. Acredito que o importante seria tentar combinar estes perfis, porque o conhecimento que vem sendo gerado e acumulado por grupos como o Metarec, For a do Eixo, etc não podem ser ignorados. E o background dos curadores, artistas também não. Superar esta separação não é uma tarefa fácil, mas é um desafio que deveria ser assumido para o futuro. Nos grupos da Catalunha que conheço esta tarefa foi e está sendo feita com muitas discusses, algumas brigas, mas a partir do respeito mútuo e da pluralidade de propostas a coisa vem caminhando. É importante pensar que há um objetivo em comum por trás: o trabalho com a cultura digital.
    E como você entende “cultura digital experimental”?

    Raquel: Acredito que existem muitas definições possíveis para cultura digital experimental. O mais interessante na minha opinião seria seguir o que já está sendo feito, quer dizer, pensar a cultura digital de modo amplo, não ignorando a participação do Mercado nesse âmbito (até mesmo para poder dialogar com pessoas que começam a entender esse contexto e vêm com muitas idéias pré-concebidas de que a tecnologia só pode ser entendida através do uso mercadológico que se faz dela. E também criar um ambiente onde a experimentação possa apontar para diversos caminhos, desde a criação artística até desenvolvimento de software e hardware livres para usos amplos, educação e tecnologia, ferramenta educacional de base, etc.

    E, se formos pensar em fases de trabalho? Conseguiria pensar em espaços diferenciados para cada uma delas? Algumas fases precisam de mais isolamento e outras de mais troca e convívio, ou circulação?

    Raquel: O financiamento à pesquisa em artes é o calcanhar de aquiles de todas as políticas culturais de modo geral. Se financia o desenvolvimento, mas não o trabalho de pesquisa. Esse, normalmente fica órfão e tem de ser financiado pelo próprio artista. Os centros de produção e experimentação devem, por essas e outras razões, possibilitar estes momentos de desenvolvimento emergentes, pelo menos em termos de espaço de trabalho (que inclui infra-estrutura) e discussão.

    Acredito que desde a pesquisa até a construção/finalização é importante ter um espaço aberto que permita o convívio e a circulação de pessoas e grupos. No entanto, pelo que vejo, estes grupos se organizam de acordo com os interesses que possuem. Eles vão naturalmente ficando menores e mais múltiplos na medida em que vão adquirindo conhecimento e desenvolvendo projetos mais específicos. Nesse ponto o espaço precisa possibilitar isso. Obrigar a todos a trabalharem juntos pode gerar muito ruido e posterior desinteresse. Por exemplo, pode-se oferecer uma oficina de Processing, provavelmente o grupo de interessados sera grande, mas alguns vão terminar a oficina e querer trabalhar sozinhos em suas casas, outros vão querer fazer grupos mais específicos para um projeto coletivo ou individual. Não é necessaria uma grande infra-estrutura (além, claro, da básica para trabalho com tecnologia em um centro-lab ou como quer que se chame o local), mas sim lugares onde os grupos possam ir naturalmente se estruturando para encontros semanais ou o desenvolvimento de projetos. A pesquisa sempre tem um momento de reflexao individual ou quando o coletivo só trabalha entre eles (os que tëm um projeto em comum), e isso também tem de ser respeitado. Se a idéia for oferecer um espaço para isso também, deve-se contar com um ambiente menor e mais silencioso, para posteriormente poder voltar ao encontro com o grupo.

    A exibição e distribuição dependem muito do tipo de arte digital que estamos falando. Existem as que podem ser vista no PC de casa ou em espaços flexíveis, outras que exigem um espaço mais estruturado, como grandes instalaçoes. Alguns projetos de artivismo vão pedir um contato direto com o público e inclusive negar o espaço expositivo e querer ir para a rua. Eu acredito que o conhecimento de curadores em arte digital pode ajudar muito nessas idéias. Se houver uma colaboração entre centros de arte para algumas das propostas expositivas será um ganho muito importante, acho que logo de cara pensar em um grande espaço fixo para exposição pode tirar a flexibilidade que é importante nestas propostas. Principalmente porque podemos estar diante de obras em processo, projetos que não resultam em um objeto concreto a ser contemplado. Em algumas oportunidades o que eu vi é que o espaço de produção era utilizado para a criação e o intercâmbio e a parte de difusão ocorria em outra esfera. Não podemos ser ingênuos nesse campo também, há de se pensar em modos para que o que é criado de forma livre e coletiva, se resultar el algo com valor mercantil, seja igualmente distribuído a todos. No Hangar, por exemplo há a obrigação de que o que se constrói com os equipamentos de lá, a partir o apoio de professores e pessoas que acessoram gratuitamente (o centro é financiado pelo governo local), tem de ser livre, quer dizer, o software tem de ser aberto, o desenho da placa tem de estar disponível no wiki do centro, etc. Por isso também a importância de se estimular um fluxo de interacai e conhecimento com o centros de arte, para que no final o centro que se propoe aqui nao se transforme em uma fonte de trabalho gratis para artistas que assinam a obra e a vendem ou apresentam em galerias e festivais sem dar o devido valor e reconhecimento à equipe que trabalhou junto. Nesse ponto eu, como professora de arte, ciência e tecnologia tento fazer a minha parte mostrando que no âmbito do digital já não podemos mais falar do “artista-criador” do conceito  vs. os “operários” que executam.

    Links:
    Mesa de discussão em que apresentou o tema dos centros de produção
    http://culturadigital.br/seminariointernacional/tag/raquel-renno/

    Apresentação no festival Pixelache em Helsinki sobre o contexto brasileiro na cultura digital

    http://bjartlab.com/read.php?237
    Sobre Raquel Rennó
    Doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2007), pós-doutoranda do departamento de fotônica da Universidade Mackenzie, professora-consultora dos cursos de extensão universitária em Arte e Tecnologia da UOC (Universitat Oberta de Catalunya), pesquisadora do CNPQ e do Institut Català D´Antropologia (ICA, Barcelona) e membro do comitê científico do festival FILE (São Paulo) e do International Center for Info Ethics (ICIE, ZKM, Karlsruhe). Participa de projetos de pesquisa e experimentação em cultura digital com artistas e pesquisadores latino-americanos e europeus na Associação Cultural ZZZINC [http://www.zzzinc.net]

    Tags: , ,

  • Chat com Gera: Cultura Digital Experimental – parte II

    0 comentários

    por: Maira Begalli, em RedeLabs no dia 12/06/2010

    mais um recorte da conversa:

    Tentei pensar vários cenários e me lembrar de muito que já vi.
    Os pontos que citei antes são mesmo os que considero mais importante para viabilizar um lab experimental: gente, ambiente, equipamento, sustento. Sozinho é viável até certo ponto e tem um monte de instituição de ensino que banca esse tipo de coisa. Acho que é muito mais difícil convencer de fazer algo que um monte de gente já faz do que propor um outro modelo, como eu disse que seria o primeiro produto. (tipo, uma galera que não quer estar na academia, mas é cheia de ideia e conhecimento, vamos bancá-los! acho bem difícil), se apoiar no discurso artístico também não convence, e já tem um monte de gente e edital bancando isso.
    O ponto ao meu ver é bancar a pessoa, produtos ela vai gerar, mas isso fica meio injusto e não é isso que a pessoa em si quer também ao meu ver, porque como dito acima, sozinho se vai até certo ponto. Por isso deve-se bancar o ambiente antes de mais nada e permitir que todos usem.
    Dois pontos cruciais:

    1. uma cultura digital experimental talvez precise de um ponto de cultura experimental ou pontão e de novo caimos em algo que já foi feito.
    2. como evitar as entidades proponentes, os atravessadores e coisas do tipo.

    Então, resumindo, ao meu ver tem que abandonar o produto, não pode se basear em protótipos, em prováveis obras de arte, isso vai acontecer, mas não pode ser o fim, nem deve ter um fim, deve ser circular:interação entre as pessoas gera produtos, produtos geram interação entre as pessoas. Possibilitar que algumas pessoas impulsionem o espaço pro círculo produto-interação funcionar“.

    Tags: ,

  • Chat com Gera: Cultura Digital Experimental

    0 comentários

    por: Maira Begalli, em MetaReciclagem no dia 11/06/2010

    Ontem (10/06) em um chat com o Gera, conversamos um pouco sobre sua visão sobre “cultura digital experimental”

    Gera: O termo “cultura digital experimental” tem um pequeno porém. Se esse é experimental, o que é o outro? Acaba criando uma situação no qual o cultura digital vai ter que se posicionar, manja? Só isso. A utilização desse termo força uma reforma, de algum tipo, no cultura digital.

    Maira: Vc diz de reformular o contexto a aplicação, e as denominações das práticas?

    Gera: Exato, as pessoas vão ter que dizer o que fazem dentro do cd. Tipo: cd economia, cd admin, cd direito, cd experimental. Uma expecialização, digamos assim. O que no contexto do que é o cd hoje, na minha opinião, não é ruim…é ruim porque divide, e atualmente procuramos somar. Mas se um especializa, não tem como os outros dizerem que apenas são

    Maira: Mas se você tivesse que dar um nome para o que faz, diante das propostas atuais do Ministério da Cultura? Poderia chamar de Cultura Digital Experimental?

    Gera: Exatamente. Cultura Digital Experimental. Estou dizendo é que isso vai ter consequências além do próprio financiamento, dentro do cultura digital. Vai bifurcar, obrigar reorganizar. Vai ter uma consequência politica dentro do cultura digital.

    Maira: E falando de recursos: o que precisa pra fazer? recursos humanos? intercâmbio? coisas? do que estamos falando?

    Gera: Estou em oficinas já faz um tempo, minha opinião e o que eu venho colocando em prática nas minhas oficinas é o seguinte: um ambiente de produção experimental ou não atualmente pode romper com todos os modelos. Romper os modelos significa diminuir ao máximo o numero de regras dentro do ambiente

    Maira: O que é um ambiente? o LabMis ou uma praça?

    Gera: Não importa o fim, o produto, quanto tempo a pessoa fica lá. A pergunta certa é: Sendo o LabMis e a praça ambos ambientes, o que eu consigo experimentar em cada um com o que eles me oferecem? O que eu estou dizendo é que se não há regras a desejos. O Glerm é puro desejo [pra entender o que estou dizendo]. Não importa onde eu estou, se eu quero experimentar eu vou usar o que eu tenho. Mas se meu experimento precisa de um computador onde está a tomada na praça?

    No Campus Party conversando com Glerm eu achava que o melhor lugar para o encontro da MetaReciclagem era o octógono da Hoosevelt – a parte de cima da Rooselvet, sabe? Um ambiente ótimo, com tomada inclusive. O ambiente vai determinar as pessoas que vão querer experiemntar nele também. E os recursos que esse ambiente possui vai determinar mais algumas pessoas também. A soma do ambiente, recursos e desejos vai determinar o tipo de resultado que o lab em questão vai criar. Uma praça pode resultar em coisas muito mais interessantes para questões ambientais enquanto o LabMis vai resultar em coisas mais interessantes para um tipo de arte.

    Enquanto espaço físico e estrutura:

    1-um lab precisa permitir a circulação de pessoas, precisa ter espaço sobrando. A circulação de pessoas é crucial para a experimentação. A pessoa precisa levantar de onde ela está e ir ver o que o outro está fazendo;
    2-um lab deve possuir os equipamentos necessários para que as pessoas experimentem. Mas também deve permitir que as pessoas levem seus próprios equipamentos. Isso é crucial, porque precisa ter dois tipos de circulação de pessoas: dentro do ambiente, mas também deve ser livre para visitação. Isto é, deve ter circulação de pessoas tanto dentro quanto de dentro pra fora e de fora pra dentro.Por isso, eu devo poder levar meu equipamento, sentar com a galera e ir embora e nunca mais aparecer se quiser;
    3-paredes e chão também devem fazer parte do ambiente enquanto espaço a ser ocupado e utilizado.
    4-O tempo que as pessoas ficam nesse ambiente deve ser livre. Você já foi em algum encontro tipo submidia ou pdcon? Tipo imersão?
    Todos tem um problema em comum:os processos auto-organizativos do tipo que o submidia é principalmente demora em média uns 4 dias no mínimo para funcionar mesmo, para engrenar e a produção e interação entre as pessoas gerar além de empatia.Porém esses encontros duram em média 6 dias, o que faz com que eles tenham uma ascendente, um topo razoavelmente curto e um fim abrupto. Esse é um dos motivos que sempre fica um gosto de quero mais, mas tambem de “faltou algo”. Um espaço de experimentação tem que ser pensado para que o topo do processo seja permanente.
    5 – pessoas com diferentes níveis de conhecimento: só um exemplo, o Henrique, que trabalha aqui comigo me mandou um site pra eu dar uma olhada, super simples.aí ele disse: fui eu que fiz. quando eu olhei tinha uma única linha de código!
    Pra recapitular e responder a sua pergunta Praça, LabMis ou intercâmbio…

    O intercâmbio deve ser uma coisa natural e deve ser previsto, mas um lugar de referência, na minha opinião, é o essencial. Intercâmbio deve acontecer o tempo inteiro, isso deve ter ficado claro quanto ao que disse sobre as pessoas poderem entrar e sair, se existirem 6 labs em todo o brasil, massa, que troquem de pessoas entre eles dado a distância. Mas um lugar é fundamental (pelo mesmo pro modelo que eu estou pensando)
    e inclusive, definindo o modelo, o tamanho pode variar a vontade. Quanto menor o espaço, menos pessoas e apor aí vai. Vamos dizer que já tem um modelo- incluisve, este é o primeiro produto: o modelo! sério –
    Um modelo de intersecção social visando a difusão do conhecimento e produção cultural entre diversos atores , utilizando a tecnologia em diversos âmbitos e aspectos como fio condutor, proporcionará uma diversidade de aparatos podendo variar do ineditismo total até a releitura e transformação de objetos cotidianos. Como existe uma diversidade de atores variando desde membros da comunidade tecnológica até produtores culturais a sociedade estará recebendo constantemente em retorno essa produção, não relegando as mesmas a uma relação museológica mas ao uso social dos mesmos.

    Tags: ,

  • ponto de partida

    1 comentário

    por: Maira Begalli, em Livre, MetaReciclagem, RedeLabs no dia 26/06/2009

    abri esse blog faz algum tempo, mas até  então [por mil motivos] estava desativado.

    a partir de agora vou usá-lo para compatilhar os passos que daremos no RedeLabs.

    RedeLabs? saiba mais aqui.