Gostei do debate surgiram ideias que fazem jus à proposta de um laboratório experimental, acho só que se a coisa tivesse fluido como uma diálogo mesmo entre os presentes talvez teria sido ainda mais rico. Espero que apesar dos desentendimentos, “eles*” tenham entendido ao menos o ponto que tentamos deixar mais claro: só faz sentido pensar os labs de cultura digital experimental de uma forma imanente, contextualizada com os movimentos que aconteceram aqui (e não são poucos, talvez ainda mais se formos sair da esfera da cultura-digital-do-MinC), simplesmente importar um modelo gringo financiado por grandes corporações é uma estratégia errada, etc, etc… Ao mesmo tempo, não se trata de dizer “nós não precisamos de medialabs”, pois já se faz tudo isso “sem apoio” – os laboratórios de mídia são importantes justamente porque reconhecem a importância de se investir em um processo cultural que já existe, tornando o Estado um catalisador – a mesma ideia que está por trás dos Pontos de Cultura.

A meu ver, o erro ”deles*” está em pensar que para se fazer um laboratório de mídia experimental basta uma sala com banda larga, hardwares de última geração (por que não a metareciclagem como princípio mesmo para os laboratórios de cultura digital?) e alguns arduínos e impressoras 3ds. Assim, leva-se toda discussão para meramente um debate sobre especificações técnicas de equipamentos ou materias – esquecendo justamente quem vai operá-los. A própria palavra laboratório { labor + oratório } remete a um espaço de dupla articulação entre matéria e espírito. e não é a toa que ele surgiu em um ambiente de grande experimentação, junto com os alquimistas (alquimídia?) [referência q também está no texto em anexo, ainda q sob outra perspectiva].

Nós também precisamos nos re-ligar! A pedra filosofal é um estado de espírito. Focando somente nas questões de infra-estrutura dos laboratórios, o debate perde muito das reflexões sobre a rede, as pessoas que estão envolvidos nestes processos (não necessariamente produtos). Daí vem toda uma discussão sobre até que ponto a máquina burocrática estatal pode lidar com uma experimentação que lida constantemente com o erro (“dublês de cientistas”), sem trabalhar em um processo linear de produção (monta o kit multimídia, instala software livre, dá suporte aos Pontos – como a rotina dos pontões de cultura digital, por ex, que o glerm citou). E o XPTA? talvez seja interessante delinear melhor o que diferencia (se é que diferencia) um labdeculturadigital do que um projeto no foco do XPTA, por exemplo, e também pensar o laboratório de cultura digital off-line, por exemplo com as bactérias que limpam rios e fazem músicas  ou a metareciclagem que gera energia.

Em anexo, tem um texto dá um panorama dos laboratórios de experimentação no mundo hoje e acredito nele fique bem didática esta diferenciação que temos aí entre um possível laboratorio de mídia do MinC com outros mundo afora, sendo quase impossível compará-los ainda que imaginariamente. No texto são citados 4 exemplos: o MIT, financiado por bancos e grandes corporações da eletrônica e telecomunicações (inclusive a Telmex, dona da Embratel e acionista da NET – quem disse que o brasil não investia em medialab? 😉 ; o caltech, na california; o rock moutain institute, que traveste o capital com um discurso ecológico de geração de renda e coloca uma situação crítica meramente como uma boa oportunidade de negócio (um bom paralelo para lembrar a temática da propriedade intelectual nos laboratorios de mídia, não somente pelo viés do direito autoral, mas também pelo de patentes); e enfim o santa fe institute, que, entre outras coisas, toca um projeto de U$ 8 mi para descobrir (inventar?) uma protolinguagem universal comum a todas culturas tradicionais. É claro que não se trata de xenofobia também, precisamos justamente conseguir interpretar essas experiências de fora e visualizar quais caminhos deveriam ser tomados levando em conta as nossas próprias demandas. e não fazendo impressora 3d ou coelhos que brilham no escuro para inglês ver…
*eles/deles somos nós.

P.S: O texto acima foi enviado por Adriano em uma troca de emails comigo e com os outros participantes da mesa realizada no FISL. Os comentários vieram como retorno do meu pedido para relatar sua visão das discussões lá suscitadas.

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