Pessoal, caímos de pára-quedas na mesa mas foi uma honra participar. Achei muito interessante as citações, o diálogo não linear do glerm, o que Dalton disse também sobre caos e sobre sua necessidade, enfim, saí perdido mas satisfeito por saber que não era mais um debate de mesa dominadora, mas uma muvuca para fazer o lado de lá entender melhor o de cá. Peço sinceras desculpas se não sacamos o cenário já de imediato, mas vamos nessa, aprendendo aos poucos com vocês.

Sobre os media/mídia/*/lab concordo com a visão que vocês compartilham: a realidade dos espaços de hacking lá de fora são difíceis de serem importados para cá. E acho importante dividir esses espaços em dois: os centros de pesquisa ligados/patrocinados pela academia e grandes empresas e as associações/fundações/coletivos/espaços denominados geralmente de hackspaces/hacklabs/hackerclubs e derivados, que geralmente dependem do esforço dos próprios membros frequentadores para se manter.

No MuSA já tentamos algo voltado para pesquisa acadêmica, um “mini medialab” mas não aconteceu. Achamos que não estamos preparados para pesquisa na academia, para as demandas de publicações que se instaurou nesse cenário. E aí também entra uma discussão interessante: os congressos acadêmicos têm linhas temáticas de chamadas de trabalhos que incluam a possibilidade de laboratórios de experimentação (ou como queiram chamar isso) participar? Acho a pesquisa acadêmica importante e necessária, a faço no meu dia-a-dia como professor, mas sempre direcionando para uma área afim. A transdiciplinaridade e liberdade de experimentação encontra ainda barreiras dentro da academia.

Pensando assim resolvemos sair dela (embora todos os membros do coletivo sejam acadêmicos de exatas) e buscar um espaço com maior liberdade para experimentar. Como comentamos, acabamos em um quarto no apartamento do Alan. E agora estamos enfrentando uma nova dúvida: como autosustentar o coletivo? Até agora fizemos tudo na base da “vaquinha”, sem incentivo financeiro externo algum. Estamos pensando desde criar uma empresa (ideia que não nos agrada), ou uma cooperativa (a exemplo do pessoal da Colivre de Salvador), ou uma associação (e essa parece ser uma boa opção, desde que possamos de alguma forma captar fundos, a exemplo da associação Python Brasil, ASL e afins).

Baseado nisso, concordo com o que Adriano comentou, que não basta dizer “ok, já temos labs aqui, já temos hackerspaces” pois realmente temos pessoas incríveis que servem de modelo para nós e até mesmo para os espaços lá fora, só que essas pessoas ficarão quanto tempo nesse cenário? Quanto tempo conseguiremos fazer “vaquinha” para pagar as despesas? Como tornaremos esses espaços autosustentáveis? Concordo que criar super-laboratórios cheios de Mac e abarrotados de softwares proprietários não ajuda nem um pouco. Foi do medialab que saiu o Guitar Hero e alguém aí tem o esquema do circuito? Tem o código-fonte? Glerm está tendo que hackear sucata pra chegar em algo que vai além, mas com pc emprestado e código aberto.

Acho que esse é nosso papel nessa discussão: mostrar as dificuldades que estamos tendo para manter um laboratório/espaço de experimentação/prototipação/(des)construção e jogar tudo isso na roda, buscando a opinião de todxs vocês e reverberando de volta.

P.S: O texto acima foi enviado por Vilson Vieira em uma troca de emails comigo e com os outros participantes da mesa realizada no FISL. Os comentários vieram como retorno do meu pedido para relatar sua visão das discussões lá suscitadas.

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