Vejam o video abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=3TlCGh5Pc90
O resultado é impressionante, não? Passado o êxtase inicial, comecei a pensar nas possíveis implicações éticas do uso de uma ferramenta como esta no trabalho jornalístico/documental.
Basicamente, o que o software faz é reconstruir o video original, alterando perspectiva, movimento, proporções. O video líquido. Por um lado, pode ser uma ótima ferramenta para “salvar” aquele vídeo gravado (literalmente) na correria. Por outro, imaginem uma cena de guerra que se parece mais com “O Resgate do Soldado Ryan” do que com uma guerra de verdade. Qual o efeito desse video no público que o vê? Será ele mais ou menos impactante? E mais: será ele real? Será confiável?
No fundo, penso que a discussão é a mesma que se impõe à manipulação de fotografias. A ética está no profissional, e não na ferramenta. O problema é que nem sempre essa é uma perspectiva otimista.
(vídeo descoberto no “mirá!“)
Ale Praça 4 de agosto
A discussão ética sobre manipulação de imagens em documentários não é nova. Chris Marker e Bill Viola são grandes mestres do assunto (muito antes das ferramentas digitais aparecerem). Indo mais para trás, Leni Riefenstahl fez isso como ninguém em Triumph of the Will – o nazismo convertido em cenas poéticas. Por sinal, nos primórdios do cinema se usava muito de reconstituições para mostrar fatos “reais” – e o público aceitava como tal.
O dilema nesse caso está menos na técnica usada, e muito mais na transparência e honestidade do documentarista. O diretor tem um compromisso com a audiencia de dizer que o que se vê é real (a diferença entre um documentário e um filme de ficção). Portanto, a “manipulação” de imagens deve ser indicada e ficar clara para o público como parte desse contrato implicito. Quando isso é quebrado (e a história mostra que a verdade invariavelmente acaba vindo a tona) quem sofre as consequencias acaba sendo o próprio documentarista que tem o seu bem mais importante indo pro lixo: a credibilidade.
[Reply]