terça-feira, 29 de maio de 2012

Ponto de Cultura Flor do Cascalho

Por: José Paulo Neto

Flor do Cascalho

Flor do Cascalho

O Ponto de Cultura Flor do Cascalho está localizado na comunidade do Cascalho, favela de Belo Horizonte, que possui grande interferência do tráfico em seu cotidiano. O nascimento do grupo foi a 6 anos atrás quando um dos coordenadores do projeto, Ricardo, dava aulas de capoeira angola gratuitamente na comunidade. Alguns poucos anos depois o professor construiu uma parceria com o atual Gestor Júlio Souza, seu amigo pessoal, e fizeram o aluguel da casa que é a atual sede do Grupo e antiga casa do tráfico da Região.

O que antes era um projeto de parceria entre duas pessoas com a comunidade, hoje se fixa com algumas outras parcerias, que passa pela rede de supermercados DMA, dona dos supermercados EPA, que subsidiam financeiramente as suas atividades mensalmente, e grupos da própria comunidade,como a Associação de Bairro local, um sacolão parceiro que fornece frutas e verduras para a alimentação dos jovens e crianças frequentadores do local e de pessoas físicas que colaboram somente por acreditar no projeto.

Hoje, o Ponto além de realizar oficinas de capoeira angola, sua principal atividade, realiza oficinas de tear, informática e alfabetização de adultos e mantém o potencial do espaço para apropriação em novas atividades.

Ponto Flor do Cascalho - Foto: José Paulo Neto
Ponto Flor do Cascalho – Foto: José Paulo Neto

O Ponto de Cultura faz parte de um dos principais grupos de capoeira angola de Belo Horizonte, o Grupo “Eu Sou Angoleiro”, que possui atividades em diversas casas da cidade, e são guiadas pelo Mestre João, fundador do grupo.

A formação do Grupo como Ponto de Cultura mexeu e mexe com vár ias coisas em seu cotidiano e sua lógica de trabalho. Uma das coisas que os próprios gestores do Ponto declararam, sem nem mesmo serem questionados, foram de suas dificuldades com as formalizações burocráticas e prestações de contas ao Ministério. Essa atividade não somente possui uma dificuldade técnica comum a vários Pontos, como também provoca uma mudança nos hábitos, uma vez que o grupo não está acostumado em destinar grande parte do seu tempo no preenchimento de tabelas, pesquisas, prestações de contas e etc, constantemente demandadas pelo ministério e outros grupos de pesquisa.

No entanto, a entrada do Grupo no Programa Cultura Viva construiu uma nova dinâmica de atividades e potencialidades. Com o dinheiro do Programa, o Ponto pôde adquirir uma série de equipamentos para produção multimídia, com computadores e filmadoras, e equipamentos de som como caixas, mesas e amplificadores.

Ponto Flor do Cascalho - Foto: José Paulo Neto

Ponto Flor do Cascalho - Foto: José Paulo Neto

Com esses equipamentos o Ponto já produziu uma oficina de produção Audiovisual, em parceria com a “Produtora Atos” do Projeto “Documentos de Si”, junto com jovens capoeiristas da região metropolitana de Belo Horizonte. O material também proporciona oficinas de informática por três dias da Semana com jovens da comunidade e promove a produção de eventos musicais a partir da compra das caixas de som, amplificadores e mesa de som.

O contato do Ponto com a Cultura Digital até então foi o menor possível. O Flor do Cascalho, por ter sido recentemente conveniado não teve contato com a primeira fase da Ação e segundo eles, nem sabiam que havia um Pontão de Cultura Digital que realizaria trabalhos com o tema em Minas Gerais. Ainda assim, o Ponto que não possui acesso à internet, pois está fora da área de cobertura das empresas de banda-larga, possui Ubuntu/Linux em todas as suas máquinas e em duas delas possui o HD particionado com Windows..Atualmente para sanar as dificuldades de acesso, o Ponto tenta uma parceria com a Prodabel, empresa de gestão de informática da PBH.


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