O Conto da Estrelinha Vermelha
(Original de 30 junho de 2005)
Era uma vez uma legenda política chamada Estrelinha Vermelha, ela morava com sua mamãe, Dona Oposição, em uma casa muito, muito distante, que ficava na outra extremidade do bosque Verde-Amarelo. Lá, elas viviam muito felizes, apesar das dificuldades e dos trabalhos árduos do dia-a-dia. Plantavam esperanças, colhiam votos, enfim, realizavam todo o fardo dos serviços do campo, utilizando uma foice e um martelo, mas nunca se afastavam do bloco leste do bosque.
Embora levassem uma vida humilde, ano após ano, elas batalhavam, lutavam, guerreavam, sem a menor sombra de desistência, para que suas vidas e de todos os companheiros do bosque melhorassem de forma igualitária. Entretanto, naquela mata existia um bicho muito feroz e matreiro, sempre à espreita para impedir qualquer manifestação de sucesso da nossa heroína. Ele se chamava Tucano-Mau.
Em uma linda tarde de sol, Dona Oposição chama sua filhinha e diz:
- Estrelinha, precisamos tomar alguma atitude, vovó Republica está muito adoentada e necessita de cuidados urgentes!
- Mas mamãe, o que poderemos fazer? – retruca Estrelinha.
- Tenho uma idéia, vou fazer uma cesta bem grande de ética e mudança para que você possa levá-la para a vovó. – responde mamãe Oposição toda contente.
Mal sabia Estrelinha, mas teria de enfrentar todo tipo de agruras e improvisar as mais sórdidas alianças até chegar à casa da vovozinha, que ficava bem longe, em cima de um amplo planalto.
Seguindo pela rampa de tijolos amarelos (?), Estrelinha caminha exultante, cantando: “Pela estrada afora, não vou mais sozinha, tenho alguns partidos na minha caixinha”. Quando de repente, o Tucano-Mau aparece (disfarçado de neoliberal pós-moderno) e pergunta:
- Estrelinha, para onde você está levando essa enorme cesta?
- Estou levando para a vovozinha, assim ela irá ficar boa logo e todos iremos ser felizes para sempre. – responde inocentemente.
- Ah, muito bem! Porém, tome cuidado com os perigos da floresta. – dissimula o Tucano.
- Muito obrigado. Observo que o senhor tem sorte, pois com esse par de asas, pode voar tranqüilamente sobre a mata fechada. – conclui Estrelinha.
- Ho, ho, ho! Minha filha, estas asas já não batem mais. Estão cobertas de lama desde meu último vôo pelo Planalto.
O Tucano-Mau começa a perceber que está dando com a língua no bico, então se despede de Estrelinha Vermelha, que docemente continua sua longa caminhada ao lar da vovó.
Chegando à soleira da casa da vovó República, Estrelinha bate na porta, toc, toc, toc, e uma voz rouca e cansada rebate lá de dentro:
- Quem está aí?
- Sou eu, vovozinha, Estrelinha Vermelha!
- Pode entrar, minha querida.
Estrelinha entra sem perceber os perigos que poderiam existir ali, pois está muito encantada, afinal havia chegado ao seu destino. Ela encosta-se ao lado centro-esquerdo da cabeceira da cama e diz:
- Vovozinha, veja que bela cesta eu trouxe para a senhora!
- Oh, minha querida, deixe-me ver! Mas… Mas não tem nada nesta cesta? – surpreende-se a vovó (ou melhor, o Tucano-Mau vestido de vovó).
- Desculpe, vovozinha, como eu tive de me coligar com algumas outras siglas, a cesta ficou muito pesada, então joguei tudo que estava dentro em um barranco aqui perto, junto a alguns bicheiros, ou melhor, bichos.
- Queridinha, estou muito velha, e não consigo ouvir você direito, se aproxime mais um bocadinho, por favor.
- Vovó, que olhos enormes a senhora tem! – assusta-se Estrelinha.
- É para lhe enxergar melhor. – responde o Tucano-Mau.
- Mas vovó, que bico enorme a senhora tem! – continua Estrelinha.
- É para dialogar melhor, minha querida. – continua o Tucano.
- Epa! Peraí! Que monte de deputado é esse aí debaixo das cobertas? – assombra-se Estrelinha.
- É para descontar aquela enxurrada de CPI do meu governo!
Bem, o resto da história vocês já conhecem, o caçador provavelmente fugiu para uma ilha da fantasia-fiscal e todos nós vivemos “felizes” como sempre.
FIM?
(Que os irmãos Grimm me perdoem!)