terça-feira, 29 de maio de 2012

Domingo Sangrento

(Original de 1 de agosto de 2006)

“Não posso acreditar nas notícias de hoje. Não consigo fechar meus olhos e fazer isso desaparecer.” As notícias vindas do sul do Líbano estarreceram até os mais indiferentes cidadãos ao redor do mundo. Digno de um ataque a la al-Qaeda, o massacre de 56 civis, entre eles 37 crianças, ocorrido na cidade de Qana (Canaã para quem leu a Bíblia) no domingo último, provocou indignação de toda comunidade internacional. Não somente países que na maioria são desafetos dos Estados Unidos, por conseguinte de Israel, como Irã e Síria, mas países aliados também mostraram sua repulsão, como Jordânia, Egito, Inglaterra, além de França, Alemanha, Espanha etc. Enquanto isso, a Secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice (“Condi” para os íntimos e para Bush Jr.), declarou seu “imenso pesar” sobre o “incidente”, sem antes ter declarado que “não adianta um cessar-fogo, nosso objetivo é a paz duradoura”.

“Garrafas quebradas sob os pés de crianças. Corpos espalhados pela rua sem saída.” Um edifício onde várias famílias de refugiados se abrigavam foi completamente destruído pelo exercito israelense, aniquilando qualquer possibilidade de sobrevivência. Pequeninos e frágeis corpos empoeirados sendo retirados dos escombros foram transmitidos via satélite para todo o mundo. O Primeiro-ministro israelense afirmou que os moradores do prédio foram avisados anteriormente sobre a inevitável investida, pois milícias do Hizbollah usavam o local para lançar foguetes contra o norte de Israel. Empurrando assim os libaneses para uma impossível escolha. No melhor estilo “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, os civis são notificados para deixar a região, correndo o risco de serem abatidos ao atravessarem as estradas constantemente alvejadas.

“E a batalha apenas começou. Existem muitos vencidos, mas diga-me, quem venceu?” O que podemos notar é que ambos os lados do conflito têm suas “justas” razões, e que nenhum dos lados, pelo menos por enquanto, irá dar o braço a torcer. Embora todos demostrem sua indignação com a situação, parece que ninguém quer ou se esforça para realmente resolve-la. Destinando como únicas opções para os que verdadeiramente sofrem com a guerra; juntar seus poucos pertences, abandonar seus lares e correr o risco de morrer na fuga, ou ficar em sua terra natal e enfrentar a previsível morte.

Se você não notou, as primeiras frases dos parágrafos anteriores são de uma música de uma banda irlandesa que deu título ao texto. Música de 1983 que exprime o sentimento sobre um confronto ocorrido em um domingo na cidade de Belfast, Irlanda do Norte. Apesar de antiga e ser sobre um conflito com causas um pouco diferentes, a música descreve as mesmas conseqüências sangrentas de qualquer batalha, revelando que todas as guerras sempre deixam aquela sensação de “déjà vu”.

“Por quanto tempo teremos de cantar esta canção?”


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