Ode à Segunda-feira
(Original de 10 de maio de 2004)
Segunda-feira, numa trôpega manhã, acordo tranqüilamente morto
A batida, que no meu peito se ouvia sã, agora não mais a ouço
Levanto minha carcaça fria da cama, como ainda se fora corpo
O dia primeiro da longa semana será como qualquer outro
A ducha fria, antes muito fria, não me treme mais o dorso
A toalha felpuda pendurada na pia, não me aquece mais o rosto
A pasta de dente verde-limão, não sinto mais o gosto
Tal como o café, o leite, o pão, a manteiga e o ovo
Colegas de trabalho que para mim sorriam, respondo-lhes meio rouco
Engraçado, eles não percebiam meu cadáver decomposto
Sento-me igual a um senil corsário, me coloco um pouco torto
Concentro-me no serviço diário, me pareço tolo e tosco
No almoço, feijão, e arroz farto, nada me parece estar ensosso
Garfo, faca, colher, copo e prato, tudo ali bem posto
Toda a comida na mesa estaciona, depois que saíra do forno
Pois meu estômago não funciona, assim como meu intestino grosso
Na volta para minha “botoeira”, me contento com o retorno
Mas algo me causa estranheza, ao ver todo aquele povo
“Estarão vivos realmente?”, me pergunto com certo nojo
Segunda-feira, numa noite quente, adormeço um pouco mais morto!
Data: 05/08/2009
Categorias: Syllaba