sábado, 11 de fevereiro de 2012

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In Your Mind

(Original de Junho de 1996)

I could tell you about the world
I could tell you about the love
I could tell you the price you pay
I could tell you what I say

I could tell you about everything, but you’d be surprised
Because all answers are just inside, inside in your mind

I could tell you about the sky
I could tell you about the life
I could tell you, the whole day
I could tell you what I say

I could tell you about everything, but you’d be surprised
You need nothing else if you quite trust in your mind

I could tell you about revolution
I could tell you about evolution
I could tell you about a better way
I could tell you what I say

I could tell you about everything, but you’d be surprised
And if you don’t wanna be all right, well, I don’t mind


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Just To Love You

(Original de Junho de 1996)

All my life I got used to do
Anything just to please you
Anyway, I’ll love you

Every night when I was in bed
All my minds made me very sad
Anyway, I’ll love you

Just to love you
Just to love you
I will live
Just to love you

I’ve never been like this before
I always would you more and more
Anyway, I’ll love you

Now I see love was in vain
But my heart can’t stand the pain
Anyway, I’ll love you

Just to love you
Just to love you
I will live
Just to love you


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O Dia em que a Terra Pirou

(Original de 28 de fevereiro de 2007)

Xangai não fica mais do outro lado do mundo. Xangai está em Nova York. Xangai está em São Paulo. Xangai está em Brasília. Xangai está nas esquinas das ruas do centro da cidade, não somente nos tênis da “Nike” e em outras bugigangas, mas principalmente na força de seu estrondoso mercado. Não é preciso escavacar um buraco, como imaginávamos quando criança, ou embarcar em um avião (hoje em dia essa opção é bem mais complicada) para chegar ao outro lado do planeta. Estamos perigosa e irremediavelmente conectados.

Devo estar ficando maluco ou não compreendendo mais nada. Provavelmente as duas alternativas. Depois de um enorme período de crescente ascensão, com picos incríveis do índice da Bolsa de Valores de Xangai, ontem a economia chinesa entrou em colapso, provocando uma tsunami financeira de proporção mundial. Uma economia que ano passado ultrapassou os insuperáveis (?) 120 pontos percentuais, em um dia só sofreu um tombo de quase 9%, o maior em 10 anos. O mundo, que nos últimos anos, partilhava uma deliciosa sensação de bem-estar econômico, provou um sabor amargo de uma globalização economicamente selvagem.

Ibovespa, Dow Jones, Nasdaq caíram feito as Torres Gêmeas, aliás, sofreram a maior perda desde os atentados de 11 de setembro de 2001. Até o momento ninguém sabe exatamente o que promoveu tal hecatombe. Especulações pipocam como ocorre nas frágeis Bolsas de Valores. Desde o aparente atentando sofrido pelo vice-presidente estadunidense Dick Cheney no Afeganistão, passando pela queda das encomendas de bens de consumo durável nos Estados Unidos, até as declarações de uma forte intervenção na economia pelo governo chinês (essa bem mais provável) levaram a um surto mundial de vendas de ações em alta. O negócio ficou mais esculachado que final de feira.

A loucura, já esperada, chegou a nossos “sensatos” dirigentes em Brasília. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que isso é “uma boa lembrança aos mercados de que as taxas se movem em duas direções”. Há tempos não ouvia tamanha “sapiência”. Além da queda das Bolsas, houve uma queda momentânea no juízo dos senadores. O senador oposicionista Arthur Virgílio “inverteu” de posição com o senador governista Aloizio Mercadante. Após Aloizio Mercadante cobrar um taxa Selic menor para Henrique Meirelles, Arthur Virgílio saiu em suma defesa do presidente do Banco Central.

Depois de milênios de filosofia chinesa, não estamos mais preocupados com elucubrações metafísicas. Nada mais de Yin e Yang, I Ching, Taoísmo ou Budismo. Todas essas inquietações espirituais estão ultrapassadas. O ser humano moderno não necessita mais de respostas e consolos transcendentais. Substituímos o poderoso deus espiritual por um espírito incorpóreo muito mais atualizado: o onipotente, onipresente e onisciente MERCADO. Agora toda vez quando um mandarim espirrar em algum cruzamento em Xangai, ficarei deveras angustiado.


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Os Filhos de Plutão

(Original de 25 de agosto de 2006)

Em 1930 quando um jovem aspirante a astrônomo da cidade de Kansas chamado Clyde Tombaugh descobriu a existência de um objeto trans-netuniano (além da órbita de Netuno), o qual foi classificado como o nono planeta do Sistema Solar, não imaginara que iria deixar vários órfãos bem aqui próximo, no Planeta Terra. Após dedicados e incansáveis anos a tentar descobrir tal planeta (antes mesmo de Tombaugh), mas sem sucesso algum, Percival Lowell, outro astrônomo norte-americano, contribuiu muito para que o status de planeta fosse conferido a Plutão (o nome “Plutão”, deus romano da escuridão e do submundo, irmão de Júpiter e Netuno, começa com “PL”, as iniciais de Lowell).

Porém, a vida de Plutão como planeta nunca foi fácil. Desde sua infância, várias controvérsias sobre sua identidade foram postas em debate. Talvez por motivos históricos e lobby norte-americano (único planeta descoberto por um ianque), Plutão ainda segurava o status de planeta. Finalmente, no último dia 24, a União Astronômica Internacional (UAI) decidiu por fim a esse erro interplanetário e rebaixar o já desacreditado Plutão. Na segunda sessão da Assembléia Geral da UAI foi votada a Resolução 5A, contendo as definições de Planeta do Sistema Solar e seus termos relacionados. Na Resolução ficou definido que “um planeta é um corpo celeste que (a) está em órbita em torno do Sol, (b) tem massa suficiente para que sua própria gravidade supere forças de corpo rígido de modo que assuma uma forma de equilíbrio hidrostático (aproximadamente esférica), e (c) mantenha limpa a vizinhança em torno de sua órbita”. Como na órbita do nosso frágil Plutão existem vários outros corpos celestes, ele acabou perdendo a patente.

Até aqui tudo bem. Mas o que é que um astrônomo da década de 1930, Plutão e objetos trans-netunianos têm haver com os distantes filhos órfãos terrestres? Tudo. Pelo menos para os adeptos da astrologia. Plutão e alguns outros corpos celestes do Sistema Solar influenciam a nossa vida inteira, desde o nascimento até o abotoar do paletó de madeira, de acordo com os astrólogos. Se Plutão agora não passa de um reles planeta anão, por que ele influenciaria mais do que outros como Ceres e 2003 UB313 (este maior que o próprio Plutão)? Isso, retirando 3 asteróides e 9 outros objetos trans-netunianos que estão na porta do cartório, prontos para receberem a escritura de planeta anão. Essa dor de cabeça vai ficar para os estudiosos do Zodíaco. Não sei se eles irão “re-mapear” os 360 graus da carta astrológica sem invalidar os mapas feitos até aqui. Provavelmente não assinarão o próprio atestado de imperícia, e deixarão tudo como está.

Fico triste em saber que milhares de escorpianos ficarão sem pai nem mãe, sem eira nem beira, ao leu, como filhos bastardos de um pai desconhecido. Afinal, o planeta regente – que agora não é mais planeta – do signo de Escorpião é o desmoralizado Plutão. De agora em diante, como os nascidos entre 23 de outubro e 21 de novembro nortearão suas vidas, se Plutão os abandonou? É realmente “intrigante”. Apesar de eu sempre ter achado que um carro estacionado na calçada exerça mais influência (ou atração gravitacional) do que um pequeno corpo celeste a muitos (muitos mesmo) quilômetros de distância.

Sem dúvida o estudo científico vem nos “pregando peça” a todo o instante, durante muito tempo. Até os próprios cientistas, muitas vezes, ficam em situações embaraçosas. Entretanto, as definições dos fenômenos naturais sempre serão discutidas e não apenas aceitas. Só tenho medo quando os astrólogos descobrirem que a gravidade entre astros ou quaisquer corpos que possuem massa – essa mesma gravidade que, segundo eles, exerce uma força na “ressonância” dos nossos cérebros, ou algo parecido – já “deixou” de ser uma força há muito tempo, e recebeu o conceito de curvatura do espaço-tempo. Mas isso é outra história.


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A Revolução da Vacina

(Original de 8 de agosto de 2006)

A mão-de-obra (sempre farta e de módico custo) do PCC (Primeiro Comando da Capital) pode ser obtida facilmente através das más influências sobre as nossas crianças que estão constantemente em ociosa exposição. Sem escolas de qualidade, sem estímulos certos, sem perspectivas de vida melhor, passam o dia todo, todos os dias, em locais de baixa infra-estrutura, sem a menor higiene social, abandonados pela administração pública, recebendo péssimas influências sem a mínima proteção. Alguns de nossos políticos conhecem uma antiga e eficaz receita, mas que não foi passada de geração em geração por falta de vontade em servir a sociedade e excesso de vontade de permanecer no poder. Os sintomas são variados, vão desde assaltos a banco até ônibus queimados, passando por sequestros, tiroteios seguidos de morte, e várias rebeliões em presídios, e nem com muita medicação policial parecem desaparecer, surtindo apenas um pequeno efeito placebo. Porém, existem casos raros de uma completa recuperação. Mesmo sendo a longo prazo, essa receita mostra-se funcionar magistralmente:

1) Criar um programa de ensino em tempo integral, com aulas começando pela manhã e terminando no final da tarde;

2) Acrescentar três refeições de boa qualidade por dia;

3) Incluir atividades extracurriculares (xadrez, oratória, música, informática, projetos agrícolas etc.);

4) Ir ministrando tudo com uma assistência médica eficiente;

5) Finalmente, envolver os pais carentes dos alunos em atividades que possam trazer benefícios à família.

O mais impressionante é que tudo isso por um custo, ou melhor, investimento por aluno de apenas R$ 180 por mês. Vale lembrar que de acordo com estimativas do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), cada presidiário tem um custo, em uma média nacional, de R$ 1.500 por mês, isso sem contar com os estragos provocados via celular (com perdão do trocadilho, tão nocivos quanto aquelas micro moléstias de nível celular). Não sei se os nossos candidatos sabem, mas essa receita sem contra-indicações foi aplicada no Município de Apucarana, Paraná. Realizando algumas ligeiras adaptações por causa dos “custos”, com apenas irrisórios R$ 12 por aluno, Nova Iguaçu (RJ) também implantou um programa de ensino integral.

A última radiografia do ensino fundamental no Brasil (Prova Brasil) revelou porque o Estado de São Paulo jaz agonizante com os ataques letais do PCC. Resultado de um longo descaso com suas crianças em gestões homeopáticas por governos, no máximo, paliativos. Está mais do que na hora de receitarmos o antídoto certo para curar definitivamente nossas cidades dessas mazelas sociais, imunizando todos os garotos permanentemente contra tais vírus. Quem sabe, adotando as estratégias do Dr. Oswaldo Cruz para educação – uma nova “Revolução da Vacina” – poderemos criar anticorpos definitivos.


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Domingo Sangrento

(Original de 1 de agosto de 2006)

“Não posso acreditar nas notícias de hoje. Não consigo fechar meus olhos e fazer isso desaparecer.” As notícias vindas do sul do Líbano estarreceram até os mais indiferentes cidadãos ao redor do mundo. Digno de um ataque a la al-Qaeda, o massacre de 56 civis, entre eles 37 crianças, ocorrido na cidade de Qana (Canaã para quem leu a Bíblia) no domingo último, provocou indignação de toda comunidade internacional. Não somente países que na maioria são desafetos dos Estados Unidos, por conseguinte de Israel, como Irã e Síria, mas países aliados também mostraram sua repulsão, como Jordânia, Egito, Inglaterra, além de França, Alemanha, Espanha etc. Enquanto isso, a Secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice (“Condi” para os íntimos e para Bush Jr.), declarou seu “imenso pesar” sobre o “incidente”, sem antes ter declarado que “não adianta um cessar-fogo, nosso objetivo é a paz duradoura”.

“Garrafas quebradas sob os pés de crianças. Corpos espalhados pela rua sem saída.” Um edifício onde várias famílias de refugiados se abrigavam foi completamente destruído pelo exercito israelense, aniquilando qualquer possibilidade de sobrevivência. Pequeninos e frágeis corpos empoeirados sendo retirados dos escombros foram transmitidos via satélite para todo o mundo. O Primeiro-ministro israelense afirmou que os moradores do prédio foram avisados anteriormente sobre a inevitável investida, pois milícias do Hizbollah usavam o local para lançar foguetes contra o norte de Israel. Empurrando assim os libaneses para uma impossível escolha. No melhor estilo “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, os civis são notificados para deixar a região, correndo o risco de serem abatidos ao atravessarem as estradas constantemente alvejadas.

“E a batalha apenas começou. Existem muitos vencidos, mas diga-me, quem venceu?” O que podemos notar é que ambos os lados do conflito têm suas “justas” razões, e que nenhum dos lados, pelo menos por enquanto, irá dar o braço a torcer. Embora todos demostrem sua indignação com a situação, parece que ninguém quer ou se esforça para realmente resolve-la. Destinando como únicas opções para os que verdadeiramente sofrem com a guerra; juntar seus poucos pertences, abandonar seus lares e correr o risco de morrer na fuga, ou ficar em sua terra natal e enfrentar a previsível morte.

Se você não notou, as primeiras frases dos parágrafos anteriores são de uma música de uma banda irlandesa que deu título ao texto. Música de 1983 que exprime o sentimento sobre um confronto ocorrido em um domingo na cidade de Belfast, Irlanda do Norte. Apesar de antiga e ser sobre um conflito com causas um pouco diferentes, a música descreve as mesmas conseqüências sangrentas de qualquer batalha, revelando que todas as guerras sempre deixam aquela sensação de “déjà vu”.

“Por quanto tempo teremos de cantar esta canção?”


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O Futuro a Nós Pertence

(Original de 27 julho de 2006)

Daqui a 14 anos, eu terei 45 anos, vários cabelos grisalhos, apartamento quitado, carros na garagem, substanciosos rendimentos, casas na praia e no campo, família feliz, grandes amigos, “mens sana in corpore sano”, ou seja, uma vida boa e estabilizada nas diversas áreas da felicidade individual do consciente coletivo. Isso se conseguir sobreviver às intempéries dos nossos (e de outros) governos, aos arroubos de loucura dos meus compatriotas, às grandes catástrofes mundiais (tsunamis, pandemias etc.) apregoadas pelos nada otimistas profetas-catásfrofe, e “last but not least”, a mim mesmo. Esses exercícios de futurologia são bastantes complicados quando tentamos entrever nossas próprias vidas em um futuro não tão próximo. Imagine antever como estará o Planeta Terra – incluindo nós, terráqueos – daqui a 14 anos, ano 20 do atual século. O relatório da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), “Como será o mundo em 2020″ estreou entre os 10 livros mais vendidos no país nesse mês, quesito de não-ficção (?), edição brasileira do jornalista Heródoto Barbeiro.

Muitos escritores já deram asas à imaginação “precognitiva” para recriar o futuro nas páginas de mirabolantes livros-oráculo, na tentativa de matar nossa imortal curiosidade de conhecer o porvir. Digo “recriar”, pois para esses adivinhos, o futuro é apenas um distante passado que ainda não aconteceu. Tais devaneios nos presentearam com admiráveis obras literárias. Desde invasões alienígenas em “A Guerra dos Mundos” de H. G. Wells, passando por um “Big Brother” em “1984″ de George Orwell, resvalando por uma exorbitante violência juvenil em “Laranja Mecânica” de Anthony Burgess, até as diferentes formas apocalípticas de dar cabo da raça humana em “Escolha a Catástrofe” de Isaac Asimov. Esse último autor, um dos mais incríveis “videntes” da ficção científica, nos brindou com a famosa “Três Leis da Robótica” e também com um primoroso esboço do que seria uma enciclopédia mundial livre, tal como a Wikipédia atualmente.

Voltando ao assunto da não-ficção, eu ainda não li o tal relatório da CIA, mas vi alguns comentários na mídia especializada, o que não é lá grande coisa. Excluindo a supremacia estadunidenses que ainda vai imperar solitária e soberana em 2020 (segundo a CIA), podemos retirar alguns “fatos” interessantes do relatório. A América Latina estará com a mesma importância que possui hoje, ou seja, quase nenhuma. O Brasil (leia-se país do futuro) poderá vir a ser uma grande potência, e uma boa parte da nossa infra-estrutura será privatizada, devido ao distanciamento do Estado ou mesmo ao crescimento do próprio setor privado. Aliás, ainda estaremos desejando uma vaga como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Resumindo; ou os ianques não ligam a mínima para nós que estamos do lado de baixo da fronteira do Texas, ou eles estão corretos (e também não ligam a mínima).

Ainda de acordo com o “profético” relatório, os únicos países que poderão desempenhar um papel de destaque no cenário mundial são os gigantes Índia e China. Estou seriamente pensando em virar “Hare Krishna” ou aprender mandarim. Em outros pontos o relatório “revela” sobre o futuro do Oriente Médio e do petróleo, na verdade, uma releitura quase integral do presente. Descreve também sobre o aumento da concentração mundial de renda, mesmo nos países ditos potências. Uma situação narrada bastante aterradora é que a segunda atividade criminosa mais lucrativa será o tráfico de mulheres, perdendo somente para o tráfico de drogas.

Com isso, podemos notar que o futuro – não para eles, é lógico – será um tanto nebuloso. Porém, como nada está escrito nas estrelas, ainda temos a possibilidade de arregaçar as mangas e reverter esse quadro desalentador. Repetindo os versos daquela antiga canção; “depende de nós se este mundo ainda tem jeito”. Eu vou tentar ler o livro-relatório, e aguardarei. Daqui a exatos 14 anos, se eu ainda estiver na ativa, vou reler esse texto e verificar quem acertou mais a pontaria, a CIA ou eu.

E aí, vai arriscar algum palpite?


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A Ignorância Coletiva de um Coletivo

(Original de 12 de julho de 2006)

“Estamos no ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos… Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor. E a vida não é nada fácil para as guarnições de legionários romanos nos campos fortificados de Babaorum, Aquarium, Laudanum e Petibonum…”

O prólogo das histórias em quadrinhos da conhecida personagem Asterix, o gaulês, poderia muito bem ter servido – com devidas modificações – de interlúdio à partida final desse mundial de futebol na Alemanha. Em um campo de batalha no centro da Europa, os destemidos gauleses (franceses) enfrentavam a poderosa legião romana e seus soldados (italianos), disputando assim a tão almejada conquista.

O meia francês Zinédine Zidane, uma versão calva e sem bigodes de Asterix, com sua sagacidade e inteligência ímpar dentro de campo, comandava os “gauleses” com coragem de quem nunca hesita, seja qual for a difícil missão que lhe é atribuída. E do outro lado do campo, os robustos e violentos (até demais) “guerreiros romanos” lutavam impiedosamente, comandados por seu “general” e excelente estrategista Marcello Lippi.

Como nas histórias dos franceses Albert Uderzo e René Goscinny, parecia que ao final da batalha os “gauleses” iriam levar a melhor mais uma vez. Com um começo de partida fulminante e um domínio quase completo durante o jogo, a equipe de Raymond Domenech demonstrava mais vontade de ser campeã. Porém, como que tomado pela força sobre-humana dada pela poção mágica do druida Panoramix, o nosso herói desferiu um golpe – digno de história em quadrinhos – sobre o “soldado romano” Marco Materazzi, pondo tudo por água abaixo. Nesse momento, saía de cena o sensato Asterix e entrava o seu inseparável e rude amigo Obelix, que não suporta comentários relativos ao seu peso (tal qual o nosso “fenômeno” Ronaldo).

Depois disso a história de novo se repetiu. Como Copa do Mundo não é ficção (acho eu), a conquista ficou para os “romanos”, assim lembrando o relato histórico do Imperador Júlio César chamado “Commentarii de bello gallico” (Comentários sobre a Guerra Gálica), que descreve como César fez para subjugar as tribos gaulesas.

Pois bem, terminado o mundial e esses fatos surreais, surgiram várias versões dos comentários do zagueiro italiano dirigidos para o meia francês (lhe garanto que não foi sobre o seu peso). Tirando os possíveis insultos a toda árvore genealógica de Zidane, um dos supostos insultos relatado pela impressa me surpreendeu. Materazzi teria chamado Zidane (descendente de berberes argelinos) de “argelino árabe terrorista”, logo para ele, Zizou, que sempre promoveu a tolerância racial e religiosa.

De tudo isso, o fato que realmente me espantou foi o motivo que o zagueiro italiano deu para negar o dito insulto racista (na verdade essa ofensa nunca existiu). Pasme! Ele desmentiu a notícia divulgando sua ignorância; jurou de pés juntos que não tinha a menor idéia o que significam as palavras “árabe”, “terrorista” e “islamismo”.

Eu seria ingênuo por querer que um jogador de futebol possuísse um mínimo de instrução (olha o preconceito!), entretanto, uma personalidade que estava representando seu povo em um evento de tal magnitude deveria possuir. Fico imaginando qual seria o nível da educação de um cidadão médio desse país. Não estou falando somente de instrução escolar (algo que existe muito bem em paises europeus), mas também em educação social de qualidade, aquela que nos livra das algemas do preconceito, da sombra da estupidez, e do medo daquilo que não conhecemos.

Talvez por essas lacunas existentes em nossa frágil formação humana, governantes “ignorantes”, como o ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi e o atual presidente ianque George W. Bush, conduzem suas administrações públicas com base em seus ímpetos racistas. Se em nações ocidentais ditas “civilizadas” ocorre tal caso, em países atrasados cujo povo é educado através de crendices separatistas, nem se fala.

Diante de toda essa insana normalidade, lembro-me das lúcidas e quase sempre ignoradas frases que abriram todas as partidas dessa copa: “A time to make friends. Say no to racism.”


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França 10 x 0 Brasil

(Original de 2 de julho de 2006)

É isso mesmo o que você leu. Não errei o placar. França DEZ, Brasil ZERO. Mais um baile do maestro Zizou. Pena para o futebol que o nosso maior carrasco em copas do mundo vai se aposentar. Sorte para nós que não teremos que enfrentá-lo novamente. Porém, não estou aqui para falar de futebol, ou exclusivamente de futebol. O placar a que me refiro – dez a zero para a França – não está dentro das quatro linhas dos gramados, mas dentro das quatro linhas das nossas tão abandonadas lousas escolares.

Passada a euforia futebolística e após de enxugadas as previsíveis – mas nem sempre esperadas – lágrimas da derrota, todas as nossas prosaicas dificuldades, depois de quase um mês escondidas ou encobertas pelo nosso patriotismo tetra anual, estão de volta com força total. Estamos à porta de mais uma eleição nacional, e ao contrário do que acontece com a FIFA, a CBF e os cartolas do futebol, os problemas e as sujeiras do nosso país e dos candidatos a uma sonhada vaga no congresso nacional aparecem à tona. Violência, desemprego, sistema de saúde falido, reforma agrária, reforma previdenciária, reforma política, reforma penal, e tantas outras reformas irão aparecer insistentemente em todos os tipos de mídia pelos quatros cantos do país. Entretanto, existe uma reforma, que a meu entender não despende tanto (não entendo porque nossos governantes a consideram como gasto), e que em paises sérios (lembrando a suposta declaração do General-Presidente Charles de Gaulle) como a França, sempre foi uma das prioridades. Estou falando da reforma educacional.

Coloco a educação não como uma das prioridades, mas como A prioridade de qualquer nação que deseja sair da idade média do subdesenvolvimento. Nunca, eu disse nunca (sem medo de errar), um presidente da república ousou realizar um projeto completo e sério de educação em nosso país. Talvez porque projetos desse porte, como a educação, não causem efeitos em um tempo tão curto de um mandato, mas demorem, no mínimo, uns quinze a vinte anos para darem resultados concretos. Não culpo o povo brasileiro por não considerar a educação como prioridade, pouquíssimos a consideram, pois o instinto de sobrevivência de um povo tão sofrido e maltratado durante tanto tempo é inevitavelmente instantâneo, quase que impossível esperar uma geração para que o crescimento da população comece realmente a acontecer.

Liberdade. Por mais que falemos que nós brasileiros gozamos de liberdade atualmente, sem educação de qualidade a todos, ainda existirão muitos prisioneiros da ignorância e escravos da falta de estudo. Sem educação de verdade, muitos de nós não possuem liberdade para escolher, por exemplo, a carreira que gostariam de seguir.

Igualdade. Sem dúvida alguma que um povo com um desigual sistema educacional nunca se tornará uma sociedade igualitária. Sistema de cotas pode amenizar essa disparidade social, mas é apenas um pequeno paliativo. O medicamento para curar toda essa diferença só encontraremos em uma base educacional e acesso igual à informação para todos.

Fraternidade. Essa vem com o tempo. Apenas uma sociedade genuinamente educada em sua moral e ética a consegue, e isso é para poucos.

O nosso atual Presidente abandonou o projeto educacional que prometera em campanha, e o ex-Ministro da Educação e ex-Senador, agora em campanha, promete uma revolução no campo da educação, levando esse objetivo como uma bandeira, e finalmente colocando a educação na mesa de debate.

Para todos esses pretendentes ao cargo máximo da república brasileira, dou um conselho. Depois da posse no dia primeiro de janeiro de 2007 escale imediatamente o jogador francês Thierry Henry para comandar o Ministério da Educação ou Ministério dos Esportes. Ele poderá alcançar o que acho mais do que óbvio e essencial. Permitir que todas as nossas crianças estudem das sete horas da manhã às cinco horas da tarde, como o mesmo declarou ser o método na França. Assim, quem sabe, com tempo integral de estudo aos nossos garotos, ele nos ensine a como fazer gol, não unicamente nos gramados sul-africanos em 2010, mas também nas mesas e bancos escolares. Que na próxima Copa do Mundo, após mais um mandato presidencial, possamos trazer não somente o hexa, mas principalmente a dignidade para todos nós, brasileiros de coração.


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Caricatura Sapiens

(Original de 11 de fevereiro de 2006)

Desde que o mundo é mundo, gente é gente e deuses são deuses, o embate celestial é travado por entre os jardins terrenos do éden sem a menor cerimônia (mas com muitos cerimoniais), e sem o menor pecado, estejamos do lado de cima ou do lado de baixo do equador. Em meio a semideuses, oráculos, nereidas, centauros, ninfas, cavalos alados, e toda sorte de deidades, uma parte da civilização começou a lutar pelo seu oportuno pedaço de ramo de oliveira. Enquanto isso, os irmãos mais ao sul do planeta estavam literalmente enrolados em ataduras e bálsamos, na leve esperança que seus corações fossem, no máximo, tão pesados quanto uma pena, ao mesmo tempo em que eram mais cortantes que uma espada. Mais ao oriente, a batalha era para manter a harmonia universal, “Tao” qual em suas vidas, ou melhor, seguindo os seus próprios anseios, não importando quais seriam os anseios de seus vizinhos mais próximos.

Do momento em que substituímos a braquiação (deslocamento com os braços, de galho em galho) pela locomoção bípede no solo, descobrimos o manuseio do fogo, começamos a construir habilmente ferramentas, ganhamos a postura totalmente ereta, até algum momento antes dos nossos globalizados dias, nos disseminamos pela Terra, disseminando os nossos diferentes costumes por todo o planeta, sem nos importarmos em tolerar limites antropológicos. Afinal, o mundo era bastante grande, e comportava todo e qualquer tipo de divindade, sendo ela infinita ou não.

Porém, felizmente (ou infelizmente), apareceram o telégrafo, o telefone, o rádio, a televisão, os satélites, a rede mundial de computadores, e o serviço postal melhorou (?), enfim, a modernidade e nossa cultuada globalização fizeram aquilo que nos parecia grande, se tornar pequeno o bastante para nos aproximar contra a nossa vontade, nos afastando cada vez mais como nós sempre desejamos, revelando ao evoluído homem, nossos instintos mais primitivos. Foi uma traumática mudança para aqueles deuses que viviam em reinos distintos, onde cada um somente ouvia falar no outro sem maiores alardes. De repente, estavam habitando no mesmo condomínio, porta com porta, obrigados a se suportarem. Agora, qualquer comemoração mais efusiva de um dos inquilinos, é respondida, pelo menos, com uma cara de poucos amigos pelos demais moradores.

A publicação oficial ou não de insultos de qualquer uma das partes, o desrespeito mútuo, a intolerância sócio-cultural fazem o ser humano, um animal notoriamente social, torna-se um deus solitário no alto de seu monte olimpo, arremessando raios e trovões de intransigência. O medo do isolamento em um mundo selvagem e hostil faz as nossas igualdades ainda mais iguais e nossas diferenças muito mais diferentes. A incerta certeza de uma verdade absoluta nos enquadra em facções completamente apartadas. O sentimento de (des)união entre irmãos me traz uma certa nostalgia dos tempos de braquiação.

Caricaturas à parte, nessa briga de foice sagrada, quem sempre irá sair perdendo, somos nós pobres mortais, caricaturas de nossas próprias inseguranças, caricaturas de nós mesmos.


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