Quando a Liberdade Oprime
(Original de 17 de outubro de 2005)
Certa vez quando ainda criança, tentei averiguar pelo meio mais simples, e mais perigoso, o que poderia haver naqueles pequenos, redondos e brilhantes objetos grudados na parte de baixo da parede de casa, mas minha mãe, obviamente, me proibiu de colocar o meu singelo indicador dentro das ameaçadoras tomadas elétricas, às vezes até com umas boas palmadas, tentando me salvar do meu próprio ímpeto. Minha curiosidade era diretamente proporcional à minha imprudência.
Adorava ir à praia, e lá chegando, não queria esperar eternos três ou cinco minutos para me jogar naquela enorme piscina salgada e cheia de lúdicas ondas, mas minha mãe, obviamente, proibia o meu afoito ato de quase suicídio, caminhando mar adentro, às vezes utilizando daquelas velhas e boas palmadas. Minha ousadia era diretamente proporcional à minha falta de ponderação.
Há não mais de dois séculos a comercialização de pessoas era legal e permitida a todo cidadão de bem. Possuir outro ser humano como escravo era normal e dependia apenas do seu poder aquisitivo. Importavam-se e exportavam-se famílias inteiras tais quais mercadorias de consumo. Esse comércio foi tolerado até enquanto não existia uma lei proibindo a escravidão.
Em nosso sistema econômico atual, a total livre disputa de mercado impulsiona a falência e a degradação de vários pequenos grupos econômicos, nos trazendo desemprego e miséria. Medidas e leis proibitivas tentam impedir o monopólio e a ganância das grandes corporações.
A proibição do comércio da fauna e flora silvestre é uma tentativa de evitar a total depredação do nosso planeta por nós mesmos. A estúpida e desenfreada cobiça do homem o leva a tomar ações necessárias a brecar o próprio homem. Leis que proíbem aquilo, isso, ou aquilo outro, são criadas a todo instante pelo próprio ser humano em uma tentativa desesperada de fazer com que o mesmo consiga viver em sociedade. O que é lamentável.
Não pensem vocês que sou um reacionário de marca maior, sempre impelindo a liberdade, sem dúvida o nosso mais precioso bem. Até mesmo me intitulo como libertário ao extremo, e ainda chego a considerar que governo é apenas para escravos, homens livres na verdade se governam.
Porém, enquanto o próprio homem não possuir a dignidade de tratar o mundo em que vive, e sua própria espécie, com o devido amor e respeito, eu sou a favor da proibição de qualquer tipo de comércio e porte de armas de fogo. Enquanto nós, humanos, teimarmos em agir como crianças inconseqüentes (lembrando a minha própria infância), eu digo SIM à proibição.