Poema em linha torta (ou disfunção geosocial)
(Original de 24 de maio de 2004)
Ao perceber a silhueta redonda do globo (eu não me enquadro)
Ao deparar com a vida redonda do povo (eu não me enquadro)
Ao participar da conversa redonda das mesas (eu não me enquadro)
Ao ouvir a réplica redonda das certezas (eu não me enquadro)
Ao duvidar da segurança reta da crença (eu não me curvo)
Ao afrontar a refutação reta da ciência (eu não me curvo)
Ao questionar o axioma reto analítico (eu não me curvo)
Ao criticar o conceito reto holístico (eu não me curvo)
Ao passear na calçada quadrada das praças (eu não circulo)
Ao seguir a cadência quadrada das massas (eu não circulo)
Ao sentar na cadeira quadrada dos veículos (eu não circulo)
Ao escutar o discurso quadrado dos políticos (eu não circulo)
Ao escapar dos braços largos do mercado (eu não me afino)
Ao analisar a estupidez larga do passado (eu não me afino)
Ao acompanhar os passos largos da evolução (eu não me afino)
Ao avaliar as rédeas largas da população (eu não me afino)
Réguas e esquadros da geometria inexata do cotidiano
Compassos desregulados desenham estranhos meridianos
Da teimosa convivência nesse curto espaço euclidiano
Por certas linhas tortas, a vida, sempre continuando
Data: 05/08/2009
Categorias: Syllaba