Pirão, Pinhão e Chimarrão: A diversidade cultural da Região Sul

  • Nesse trabalho temos como proposta inicial construir um diagnostico do perfil dos Pontos de Cultura da Região Sul, com o objetivo de proporcionar à região e pais acesso ao perfil da política de ação cultural dos Pontos e Pontões. Acreditamos que tendo conhecimento destas informações é mais fácil que os Pontos se articulem para ampliar e fomentar o fortalecimento da rede Cultura Viva da região, através de trocas solidárias e engajadas das tecnologias sociais produzidas em cada experiência dos Pontos de Cultura. Assim como os pesquisadores e consultores que nos precederam, nos preocupamos em estabelecer diálogos e pontes entre os atores da cultura digital em meio a esta diversidade. Nos estados do Sul – Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina que totalizam uma superfície de 576.300,8 km² com população de 26.973.511 habitantes (43,50 hab./km²) – como na maior parte do Brasil, suas manifestações populares são as mais diversas. O carnaval, por exemplo, se destaca em Santa Catarina, Florianópolis, Joaçaba, Porto Alegre, Caxias do Sul, Rio Grande, Pelotas, São Lourenço, Curitiba e Ponta Grossa. Entre os vários grupos de capoeira a atuação mais forte se concentra capitais, mas também diversas regiões dos três estados se organizam rodas, encontros e seminários tanto de capoeira angola como da regional. Outra manifestação que merece destaque é o Boi-de-Mamão (Bumba-meu-boi) do litoral de Santa Catarina, e os folguedos de Terno de Reis. As festas temáticas da Uva, do Mar, do milho, e a oktoberfest; e as religiosas como a de Iemanjá, do Divino, Nosso Senhora dos Navegantes, Santo Antônio não deixam de ter suas particularidades mas se espalham também por outras regiões do país.

    A diversidade também se manifesta nas produções de eventos musicais: no samba, suingue, reggae, Hip Hop, rock, sertanejo, nativista. As redes sociais que se formam, como era de se esperar, agrupam os mais diversos grupos de interesses, de forma temática: Rede de Culturas Populares, de Software livre, de Economia Solidária são alguns dos exemplos mais ativos. Dos grupos tradicionais constituídos citamos Escolas de Samba, CTG’s, Boi de Mamão e Corais. Dos grupos autônomos (movimentos estudantis, ONGs, e outras iniciativas) podemos destacar os movimento pelo Passe Livre, Rádios Comunitária, MST, Movimento Hip-Hop, Movimento contra as Barragens. As relações governamentais, nas instâncias municipais e estaduais, do atual governo de Santa Catarina se desenvolvem através da política de “descentralização”, com uma rede de Secretarias Regionais (SDRs) pelo estado. Embora os anseios da classe cultural sejam o de uma secretaria de cultura, a pasta da cultura é administrada em conjunto com a de Turismo e Esporte em uma única secretaria. Outro motivo de tensão entre o governo estadual e a classe cultural é a administração dos fundos de cultura, turismo e esporte. Estes fundos eram geridos por mecanismos confusos de mecenato, e fundo porém, com um conselho de cultura subjugado por um comitê gestor com uma desequilibrada participação sociedade civil organizada. Cabe lembrar aqui que esta estrutura está sendo revista em 2009.

    Os municípios em Santa Catarina estão (proporcionalmente em relação aos outros estados da federação) entre os que mais assinaram os protocolos de intensão do Plano Nacional de Cultura em 2005, porem, não são todos os que possuem um conselho municipal de cultura ativo. Nesse contexto, precisa ser dito que a capital do estado, em 20 anos de existência formal de seu conselho, nunca o ativou de fato. Embora na área cultural o Governo catarinense tenha alguns tensionamentos com a comunidade artística, existem gestores abertos ao diálogo na Fundação Catarinense de Cultura – FCC e a própria Secretaria de cultura, Turismo e Esporte, que, em 2006, por exemplo, demandou uma diretriz de politica de estado para a criação de uma “Rede de Integração Cultural”, baseada em uma plataforma de relacionamento na internet. Além desta iniciativa pioneira no Brasil, outra articulação interessante é um convênio com o Ministério da Cultura – MinC para a criação do Sistema Nacional de Informações Culturais – SNIC. Este sistema servirá de modelo para a criação de uma base de dados federais. A área tecnológica mostra alguns avanços, como uma lei de Incentivo Tecnológico e o desenvolvimento do Sapiens Parque, um parque de inovação concebido para promover o desenvolvimento de segmentos econômicos como o turismo, a tecnologia e o meio-ambiente.

    No Rio Grande do Sul a utilização do Software Livre tem sido debatida e aplicada no estado pelo menos há 10 anos, pelo governo Municipal e Estadual. Além do I Fórum internacional de Software Livre, o Governo de Olívio Dutra, iniciava, em Porto Alegre, o Fórum Internacional Software Livre – 2001 que reuniu 2.047 congressistas, 150 palestrantes, representantes de 10 países, de 21 estados da federação e de 746 instituições em 36 horas de debates. Este encontro, na sua segunda edição, foi um marco na construção do movimento software livre internacional. O resultado alcançado pelo Fórum fortaleceu as premissas fundadoras deste movimento inspirado pelos conceitos de liberdade da Free Software Foundation, e balizou a construção de uma alternativa concreta de inserção da questão tecnológica na construção de um mundo com inclusão social e igualdade no acesso aos avanços tecnológicos. Definimos este evento como mais uma marcha de protesto e busca de alternativas ao neoliberalismo na construção do Fórum Social Mundial.

    No Paraná, a Secretaria Especial para Assuntos Estratégicos foi recriada em primeiro de janeiro de 2003. Tem como finalidade dar apoio institucional ao desenvolvimento de projetos específicos de inclusão. Além disso, atua no acompanhamento da política pública de tecnologia de informática do Governo do Estado do Paraná. Telecentros estão presentes em 207 Bibliotecas equipadas com o Paranavegar – programa de inclusão digital do governo do Estado. O Paraná já atingiu a marca de 139 telecentros instalados em todas as regiões, com destaque para as localidades de menor Índice de Desenvolvimento Humano – IDH. Também são beneficiados: sedes de entidades assistenciais, de entidades de atenção à portadores de necessidades especiais e de núcleos habitacionais. Segundo o balanço do Programa de Inclusão Digital, apresentado pela Companhia de Informática do Paraná – Celepar, são mais de 100 mil os usuários cadastrados. Em 2008 foram registrados mais de 1,5 milhão de acessos aos computadores dos telecentros. Nos próximos dias serão inaugurados mais oito salas de acesso. Além da Secretaria de Acompanhamento Econômico – SEAE e da Celepar, responsáveis pelo treinamento de monitores, instalação e manutenção de redes, máquinas e programas, os telecentros contam com a parceria de várias entidades comunitárias, prefeituras e instituições como o Banco do Brasil e a Caixa Econômicas Federal. O Paraná Digital foi criado pela Secretaria da Educação e é o maior programa nacional de informatização escolar. Ao todo, 12 mil computadores e 44 mil terminais já foram adquiridos. Cada computador alimenta quatro terminais independentes, graças à tecnologia multi-terminal desenvolvida por técnicos e professores da Universidade Federal do Paraná. Esse sistema possibilita que quatro conjuntos de periféricos – monitores, teclados e mouses – sejam ligados a um único computador, formando, assim, quatro estações de trabalho independentes. O software utilizado é de sistema livre, o que permitiu uma economia significativa para a gestão pública. O projeto Prefeitura Livre® é uma solução desenvolvida pela OpenGEO e seus parceiros, contando com o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – FAPERJ. A rede de parceiros da OpenGEO oferece suporte técnico em todo o Brasil. Foram investidos pela Copel oito mil quilômetros de fibra ótica na rede estadual.

    Na região sul identificamos as seguintes Casas Brasil: no Paraná a Casa Brasil Jardim Paraíso e a Casa Brasil Xapinhal; em Santa Catarina, a Casa Brasil Jarivatuba, a Casa Brasil Aventureiro, a Casa Brasil Famesc – Federação das Associações de Moradores de Santa Catarina, a Casa Brasil Vidal Ramos, e a Casa Brasil Blumenau Instituto Gene; e no Rio Grande do Sul, a Casa Brasil Porto Alegre, a Casa Brasil Chácara das Flores, a Casa Brasil Bom Pastor, a Casa Brasil Reolon e a Casa Brasil Dunas AMIZ – Unidade de Formação e Capacitação Humana e Profissional – que fica em Pelotas. Totalizando 12 unidades.

    O programa GESAC na Região chegou a ter um total de 657 pontos de presença. No Paraná 209 pontos e três Pontos MinC. No Rio Grande do Sul: 287 pontos e seis Pontos MinC; em Santa Catarina 161 pontos sendo um Ponto do MinC. Apenas três são os implementadores para toda a região sul em uma rede de 654 pontos de presença GESAC. Fazendo um cálculo-ficção, considerando as orientações do Programa para o trabalho de visita aos Pontos o que se apresenta é uma espécie de recenseamento qualificado, mas jamais um trabalho consistente na promoção da inclusão digital. O número de implementadores insuficientes em relação aos Pontos a serem atendimentos na Região não garantiu condições para o desenvolvimento de cada Ponto de Presença – PP, na medida em que é humanamente impossível para esses implementadores garantir apoio aos projetos, promoção de atividades e formação de pessoas da comunidade.

    Quando olhamos para os Pontos de Cultura, do Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura – MinC o número de conveniados por editais federais foi: no Paraná (21) Pontos de Cultura, (2) Pontões de Cultura e (12) Pontos de Rede; em Santa Catarina (17) Pontos de Cultura e (1) Pontos de Rede e no Rio Grande do Sul (30) Pontos de Cultura, (3) Pontões de Cultura e (5) Pontos de Rede.

    Em Santa Catarina um edital estadual vai selecionar 60 Pontos de Cultura. No Rio Grande do Sul, por questões de políticas, foram inviabilizados editais em parceria com o governo federal. Para superar esse impasse foram selecionados por edital público Pontos de Cultura e Saúde numa parceria com o Grupo Hospitalar Conceição – GHC: o edital contempla os Pontos de Cultura na região dos postos de saúde que são atendidos. Nesse edital, que teve como uma das exigências a criação de telecentros em formato livre, foram selecionados 16 Pontos de Cultura. No Paraná um edital estadual conveniará 70 Pontos de Cultura. São 13 os Pontos de Cultura espalhados em municípios no estado do Paraná, são eles: Cambé, Cantagalo, Cascavel, Cornélio Procópio, Curitiba, Maringá, Paranaguá, Pinhais, Ponta Grossa, São José dos Pinhais, São Miguel do Iguaçu, Sertanópolis, Almirante Tamandaré. Santa Catarina conta com 10 municípios beneficiados: Barra Velha, Canoinhas, Florianópolis, Itajaí, Joaçaba, Lages, Rio do Sul, São Francisco do Sul, Pinhalzinho, Sombrio. Os Pontos de Cultura em municípios do Rio Grande do Sul são 14: Antônio Prado, Bagé, Alvorada, Caçapava do Sul, Canela, Entre-Ijuís, Pelotas, São Leopoldo, São Lourenço do Sul, São Miguel das Missões, São Nicolau, Veranópolis, Viamão e Santa Vitoria do Palmar. Temos Pontos de Cultura Municipais em São Lourenço do Sul, Caçapava do Sul, Santa Vitória do Palmar e São Leopoldo – Rio Grande do Sul – e a Rede de Pontos da Prefeitura de Londrina e de Curitiba no Paraná. Em Santa Catarina não existe nenhum Ponto de Cultura Municipal.

    Outro programa federal relacionado a Cultura de importância na região Sul do Brasil é o projeto Ação Griô Nacional. A principal proposta da ação Griô, do Programa Cultura Viva é reaprender com os griôs e mestres da tradição oral o jeito de construir o conhecimento integrado à ancestralidade. A Ação contempla um total de 13 projetos na região, formando uma rede de transmissão da cultura popular oral. Participam dessa ação Pontos de Cultura Chibarro-RS, Odomode-RS, Vila Santa Rosa-RS, Quilombo do Sopapo-RS, Musicarte-RS. Os Pontos da sociedade civil que passaram a integrar a Rede dos Pontos através da Ação Griô Nacional são o Clube Floresta Aurora-RS, Ilha da Pintada-RS e 14 de Agosto-RS. Em Santa Catarina temos o Ponto de Cultura Anima Bonecos, organização da sociedade civil, a Associação. Cultural Matakiterani, Instituto Boimamão–Preservação e Fomento da Cultura, a Associação Grupo Teatro Mágico e a Associação Intercultural de Projetos Sociais no estado do Paraná. O sucesso da ação griô segundo edital no Rio Grande do Sul foi marcado pelo trabalho em Rede articulada com o Pontão Minuano e a Rede Mocambos do Sul. Na sede do Minuano ocorreram as oficinas do edital Ação Griô 2008 em que foram construídos projetos em conjunto de forma a garantir a vivência efetiva da Rede dos Pontos. Essas oficinas foram as primeiras ações em rede entre os Pontos de Cultura, Pontão Minuano e implementadores do GESAC. Cerca de 90% dos projetos foram aprovados.

    Em setembro de 2007, o projeto Brasil Memória em Rede foi escolhido por edital federal do Ministério da Cultura – MinC para vir a ser um Pontão de Cultura. Este projeto prevê a criação de novos pólos regionais de cultura em diversos pontos do Brasil – além dos já existentes a partir do trabalho do Ponto de Cultura Expedição do Redescobrimento. Na região sul foram selecionados 4 Pontos que são agora também Pontos de Memória em Rede.

    Em Porto Alegre o Museu Comunitário Lomba do Pinheiro, conta com um Projeto de Educação Patrimonial que visa resgatar a memória do bairro e fortalecer a identidade local, além da valorização e preservação da extensa área de mata nativa encontrada no bairro. Os moradores participam com sugestões de exposições e pautas para o Museu, são voluntários no resgate de sua própria memória, na conscientização da valorização do patrimônio local material e imaterial. Colaboram por meio da oralidade ou doando objetos e documentos que compõem o acervo do Museu.

    Além dos Museus, as escolas também são espaços de construção da identidade cultural do país. Não é atoa que se criou o Prêmio Escola Viva para as melhores inciativas de cultura nas escolas pelo Brasil afora. Os Pontos que receberam o prêmio no Rio Grande do Sul são o ArtEstação – nos Trilhos da Cultura, Instituto Kaingáng, Ponto de Cultura Espelho da Comunidade, Rede de Pontos de Cultura do Município – da Universidade Católica de Pelotas, Ponto a Ponto, Tecendo Cidadania, Ponto de Cultura GLBT RS. No Paraná são: Vivenciando Cultura PR, Caixinhas de Memórias, Projeto, Olho Vivo PR. Em Santa Catarina foram selecionados os projetos Anima Xokleng, Escola de Artes: idealizando um sonho, Grupo Circo-Escola e Teatro de SC e o projeto Bonecos Gigantes. Cultura essa que é mantida e divulgada também com o trabalho dos Pontões de Cultura que devem ser instrumentos de promoção do intercâmbio e difusão da cultura brasileira em suas mais diversas linguagens e formas, no âmbito regional ou nacional, geridos por ente público ou privado sem fins lucrativos, com o objetivo de desenvolver ações de capacitação e formação de agentes culturais vinculados aos Pontos de Cultura; criação e apresentação de obras artísticas realizadas em conjunto por mais de um Ponto de Cultura; realizar a distribuição, comercialização e difusão dos produtos culturais produzidos pelos Pontos de Cultura; e organizar atividades que promovam a troca de experiências e a articulação entre os Pontos de Cultura. Aqui, faz-se necessário falar dos Agentes culturais acima citados. Essa foi uma outra Ação que se articula ao Ponto de Cultura para despertar no jovem o interesse em iniciar, futuramente uma profissão relacionada à cultura. Na primeira etapa da Ação Agente Cultura Viva foi estabelecida uma parceria entre o Programa Cultura Viva e o Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego, do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE. Na prática esse projeto só trouxe problemas aos coordenadores dos Pontos de Cultura, pois, o processo de seleção dos agentes foi extenso, criando espectativa da comunidade em relação aos Pontos, mas não se efetivou na integra. O projeto apresentou problemas de gestão: várias foram as denúncias de desvio de recursos públicos. Logo foi cancelado! Esta Ação mal sucedida gerou uma descrença nos Pontos de Cultura por aqueles que tradicionalmente trabalham com cultura popular ou vivenciam o que há de mais genuíno nessa tradição. No Rio Grande do Sul, na cidade de Porto Alegre, mais precisamente, está localizado o Pontão de Cultura Digital que tem como proponente Associação Software Livre.Org – organizadora do Fórum internacional Software Livre. O projeto oferece cursos de áudio, vídeo, metareciclagem e produção gráfica – com um mês de duração EAD com oficinas presenciais. Fomenta núcleos de estudo e articulação de redes temáticas que trabalhem o Conhecimento Livre – Rede Mocambos, Feira Estadual de Economia Solidária, Ação Griô, Mídias Livres e Rádios Comunitárias. Em Santa Catarina o Pontão é o Ganesha de Florianópolis que trabalha na capacitação em jornalismo cidadão e em ferramentas de gestão interna e externa entre os Pontos de Cultura, as unidades Casa Brasil, rádios comunitárias e produtores culturais. Esta capacitação é feita em locais estratégicos, localizados entre os núcleos citados (Pontos de Cultura, Casa Brasil). O Pontão Ganesha também tem como proposta fornecer ferramentas colaborativas online desenvolvidas pela própria Alquimídia – entidade proponente. Além dos Pontões Digitais existem Pontões Temáticos na região Sul. São eles: o Pontão FOCU, no Rio Grande do Sul, que promove capacitação em audiovisual para Pontos de Cultura de toda a região, através da realização de oficinas em cidades pólos de cada estado. Tem como objetivo além da formação técnica a realização de obras e peças audiovisuais de forma colaborativa. O Pontão Kuai Tema, no Paraná. Soy Loco por ti Nasceu na Universidade através da articulação do Festival de Cultura da Universidade Federal do Paraná que está indo para a quarta edição este ano e tem a missão de articular a rede de Pontos de Cultura do Paraná. A forma de trabalho desse Pontão é bastante peculiar e vale ser descrita: primeiro acontece o Mapeamento de demandas dos Pontos, depois, considerando as demandas, se realizam seminários técnicos – em três macro regiões – para se articular dentro da rede duas grandes áreas: formação política e comunicação. Eles têm ainda como objetivo criar um Portal onde os Pontões poderão criar seus blogs associados a web rádio; organizar uma conferência estadual dos Pontos; apresentar Série de Documentários; e organizar a Cartilha da Cultura.

    Sobre a atuação estadual em relação ao Software Livre, o panorama que se apresenta é o bastante diversificado, mas a região sul é responsável sem dúvida por eventos e mobilizações das mais significativas na área em todo o território nacional. O FISL – Fórum Internacional de Software Livre, teve sua primeira edição realizada no ano 2000, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em sua sexta edição, no FISL 6.0, em 2005 foram mais de 4.300 os inscritos, de acordo com o site oficial. No ano seguinte, o evento contou com a presença de Richard Stallman e inaugurou discussões sobre a GPLv3. Em 2007, marcado pela presença de empresas como a Sun Microsystems, IBM e Intel e de personalidades como Jon “maddog” Hall da Linux International, Keith Packard da X.org, Simon Phipps da Sun e Louis Suarez-Potts da OpenOffice.org. O FISL reuniu 5.363 participantes inscritos. O número cresceu ainda mais no ano passado atingindo 7.417 inscritos de 21 países diferentes.

    De acordo com o integrante da Central de Movimento Populares, Everton Rodrigues, o movimento a favor do Software Livre está presente nos debates desde a primeira edição do Fórum Social Mundial – FSM. “A partir do segundo Fórum Social Mundial em 2002, começamos a achar que precisávamos praticar aquilo que estávamos dizendo”. Segundo Everton, as inscrições, por exemplo, sempre foram feitas com sistemas desenvolvidos com tecnologia livre. Neste ano, o site do FSM foi migrado para software livre. Atividades auto-gestionadas, ou seja, organizadas pelas entidades participantes, foram todas inscritas por meio de programas com essa tecnologia. Santa Catarina, embora não tenha relação direta com o Programa Cultura Viva, ou até mesmo o Ministério da Cultura, possui uma experiência interessante relacionada a Ação Cultura Digital via Rede de Integração Cultural – RIC. A RIC teve início em março de 2006, sob a coordenação direta da Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte – SOL, com a nomeação oficial de um comitê gestor e oito grupos gestores regionais, situados nas cidades de Criciúma, Florianópolis, Itajaí, Blumenau, Joinville, Joaçaba, Lages e Chapecó (Portarias n.º 056 e 057 – DO/ 10.03.2006) e a criação de um portal na Internet (www.ric.sc.gov.br). Os gestores nomeados eram pessoas que participaram ativamente do processo das conferencias de cultura, ocorrido no ano anterior.

    Durante o ano de 2006, ocorreram os seminários de implantação da rede nas mesorregiões do Estado, com a presença de representantes do Ministério da Cultura – MINC e especialistas de nível nacional. Os seminários desencadearam o inicio de um trabalho em rede, com o cadastramento dos 293 dirigentes municipais de cultura, a adesão de centenas de usuários-participantes, o aporte de conteúdos para organizações não governamentais e a disponibilização de uma grande agenda de divulgação dos eventos culturais de todas as regiões. Paralelamente, esse trabalho estimulou a criação de diversos conselhos municipais de cultura foram criados, além de alguns fundos, conferencias e fundações municipais. A Rede se tornou, nesse mesmo ano, uma diretriz de politica de estado estabelecida na Lei 13.792/2006 que criou o Plano Estadual de Turismo, Cultura e Esporte – PDIL. Em 2007, a continuidade do programa RIC deu-se em várias frentes: gestão compartilhada do programa RIC com a organização não-governamental Instituto Cultura em Rede, amparada em termo de cooperação técnica, publicado no Diário Oficial de n.º 18.164, de 6/7/2007; com a agregação tecnológica do antigo site para um novo (www.culturaemrede.org), com características de portal e capacidade para suportar fluxos on-line de conteúdos multimídia; com o desenvolvimento dos seguintes projetos setoriais com recursos captados e incentivados pelo FUNCULTURAL: Construção do portal de conteúdos e relacionamento: www.culturaemrede.org; geração de uma ferramenta de divulgação – portifólios multimídia para profissionais, empresas, órgãos públicos e associações culturais; criação do Ambiente Virtual de Aprendizagem com a disponibilização de cursos a distância; geração do programa semanal “Bem Cultural” para a rede aberta de televisão, no formato revista cultural, em parceria com a TV Barriga Verde – TVBV/Band. Em 2008, todos os resultados alcançados, isto é, os conteúdos em texto, áudio e vídeo, e os cursos de capacitação elaborados, foram postos a publico neste DVD, como um retorno à sociedade do trabalho desenvolvido pelas equipes, gestores regionais e colaboradores da rede. Em 2009 o Plano Estadual de Turismo, Cultura e Esporte – PDIL será regulamentado. O Sub-Programa RIC passa a ter seis eixos de atuação definidos: apoio a ações de formações e capacitações via Internet; estimulo a realização de inventário, cadastro e divulgação das manifestações culturais e da produção artística regionais; incentivo a disponibilização dos inventários regionais em rede informática de âmbito estadual; fomento à elaboração e divulgação do calendário cultural catarinense do sub-programa; estímulo à criação de espaços virtuais destinados a divulgação do calendário cultural catarinense. O Sub-Programa irá apoiar via FUNCULTURAL projetos que viabilizam soluções para estas demandas. Embora conceitualmente bem desenvolvida, a RIC não conseguiu ainda ser explorada ou mesmo conhecida em todo o seu potencial pela comunidade cultural em Santa Catarina. Uma possível causa disto talvez seja a falta de investimento em sua divulgação. Outro programa importante de Inclusão Digital em Santa Catarina é o Beija-Flor, que iniciou
    suas atividades em 31 de novembro 2004 quando teve seu lançamento oficial. Em 04 de dezembro
    inaugurou seu primeiro telecentro comunitário, localizado na comunidade rural Barra do Tigre,
    Escola Estadual Básica Dogello Goss, no município de Concórdia. A rede tem atualmente 129
    unidades implantadas, ou seja, 44% dos municípios do estado que assim formalizaram parceria com
    a Secretaria de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Rural. Seguramente, o Programa Beija-
    Flor se consolidou graças ao empenho de inúmeras instituições parceiras, que atuam no viés da
    responsabilidade social institucional, mas, possuem em seus quadros, capital humano sensível às
    questões sociais. Governos, iniciativa privada e terceiro setor estão unidos e presentes nas ações de combate à exclusão social e digital desenvolvidas pelo Programa de Inclusão Digital Beija-Flor.

    Da mesma maneira, o GESAC com o Programa Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão do Governo Federal em parceria com o Programa de Inclusão Digital Beija-flor, realizaram via os implementadores Luciano lopes, Petersom Danda e Paulo César Barbosa realizaram oito oficinas com duração de cinco dias de 40h. As oficinas ocorreram nos pólos de Concórdia, Ituporanga, Canoinhas, Itajaí e Laguna, contemplando 118 educadores dos Núcleos de Educação Tecnológica. Foram ministradas conteúdos em software livre para os professores que trabalham com computadores, adaptados ao Linux Educacional. Universalizar e permitir o acesso às tecnologias da informação e da comunicação é apenas um dos objetivos do Programa, que, enquanto ação de governo eletrônico, busca proporcionar ao cidadão acesso livre e gratuito.

    O Projeto Rede de Pontos de Cultura do Município de Pelotas é desenvolvido junto ao Laboratório de Acervo Digital da ESIN/UCPel, concebido a partir do Grupo de Pesquisa Acervo Digital – GrAD (cadastrado no CNPq), vinculado ao Núcleo de Apoio a Projetos de Informática (NAPI) da Escola de Informática da UCPel (EsIn/UCPel). Este grupo, de caráter multidisciplinar, tem como objetivo principal a aplicação da Informática a serviço da preservação do Patrimônio Histórico e Cultural. A estrutura da Rede de Pontos de Cultura é constituída com um Ponto Administrativo, localizado na Escola de Informática da UCPel e responsável por organizar as atividades dos demais Pontos; o Ponto de Cultura Fica Ahí Prá Ir Dizendo, um clube de etnia negra que este ano completou 86 anos; a Sociedade Musical União Democrata, mais conhecida como Banda Democrata, uma banda centenária, fundada em 1896; e a Colônia dos Pescadores Z3.  Nesta localidade, o Ponto de Cultura localiza-se na Escola Municipal Almirante Raphael Brusque.

    Em todos os Pontos foram adaptadas salas que receberam computador multimídia, scanner, impressora e mobiliário. Nas atividades iniciais, priorizou-se oficinas de software livre, educação patrimonial e organização de acervos. Os acervos destas comunidades estão sendo digitalizados e organizados em um sistema (Sistema de Gerenciamento de Pontos de Cultura) desenvolvido pela equipe do Ponto Administrativo. No projeto Pontos de Cultura da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) que recebeu o prêmio Escola Viva, o projeto atua com oficinas de software livre nas comunidades da Colônia de Pescadores Z-3, Banda Democrata e Clube Cultural Fica Ahi, além de oficinas de educação patrimonial e organização de acervos. O projeto trabalha também com o programa MetaReciclagem, que recondiciona computadores doados para serem utilizados nas comunidades dos Pontos.

    Na articulação da Rede Mocambos na Região Sul o Ponto de Cultura que se destaca é o Odomode. As principais ações do projeto são: preservação e transmissão de conhecimentos, habilidades e bens cultuais das raízes de nossa história. Estaremos articulando com personagens importantes cultura gaúcha Portoalegrense para trazerem seu acúmulo para as novas gerações em parceria com esse Ponto que promove e divulga a cultura negra no Estado do Rio Grande do Sul, no Brasil e no exterior, proporciona a jovens e crianças de rua a aprendizagem e a prática da cultura afro-brasileira e gaúcha, através de cursos, oficinas e vivência cotidiana. Ganhador do Prêmio Ludicidade. Foram premiados no total 22 projetos, e a região sul foi a que teve menor número de projetos apresentados em relação a outras regiões do país.

    Outro ponto que merece destaque pelo seu projeto de multiplicadores culturais é o Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo, incorporando 50 agentes culturais a partir do segundo semestre desse ano de 2009, em quatro turmas sucessivas através do Prêmio Escola viva, há integração entre as Escolas da rede pública municipal da região e da cidade com a rede de telecentros de Porto Alegre; há também o cyber espaço, o projeto e o Cultura Digital: integração com a rede de telecentros de porto alegre, o cyber espaço, o projeto Casa Brasil. A Casa Brasil de Pelotas-RS articula da Rede Vidadania, e se destaca por garantir espaços educativos públicos e comunitários, presenciais e “on line”, dentro e fora das rotinas dos sistemas oficiais. O sitio www.uniperiferia.org.br/uniperiferia é utilizado como espaço de formação e capacitação em Educação a Distância, usado na realização de nossos trabalhos e articulações globais da nossa iniciativa local, como por exemplo o Fórum Social Mundial e articulação de Fóruns Sociais da Periferia; o sitio www.casabrasil.gov.br é utilizado nacionalmente para troca de informações e articulações nacionais que dizem respeito à inclusão digital brasileira. Voltando o olhar para o trabalho realizado pela Ação Cultura Digital na região em 2006 foram realizados cursos com os Pontos de Cultura do Rio Grande do Sul, que funcionam em Alvorada e Porto Alegre que tiveram como tema o uso de software livre e abordaram as áreas de vídeo, áudio, gráfico e meta-reciclagem, com o reaproveitamento de partes de computadores para a construção de novos equipamentos. Foram realizados também Encontros de Conhecimentos Livres em Porto Alegre, em Lages, em Rio do Sul. A avaliação é que os Encontros e oficinas do Cultura Digital possibilitaram o contato entre os Pontos da região que, apesar de estarem localizados na mesma cidade, ainda não se conheciam, ampliando as possibilidades de trocas de informações e experiências de processos criativos em torno da Cultura Digital como ferramenta para fortalecer as ações dos Pontos de Cultura.

    Consideramos mais importante vivenciar o processo de construção coletiva do que a obtenção de um produto final. O uso do Software Livre pelos Pontos de Cultura na Região Sul (principalmente em Santa Catarina e Paraná) é ainda precário, embora exista disposição das equipes dos Pontos de Cultura em aprender e usar SL. A existência de agentes especializados para instalar e ensinar SL é muito pouca para as demandas sendo urgente aumentar o número de oficinas e estabelecer um trabalho contínuo de manutenção e suporte destes conhecimentos. Foi criada uma lista de e-mails [Articula Sul – articulasul@listas.internetlivre.org] para a articulação dos Pontos de Cultura, unidades do Projeto Casa Brasil, movimentos sociais e parceiros da região sul. Embora não tenha uma indústria ou mesmo mercado consolidado, Santa Catarina possui um dos maiores editais para a produção audiovisual. São R$ 1.900.000,00 para a produção de vídeos, roteiros, curtas, médias e longa-metragens. Esta conquista da classe cultural – principalmente pela atuação da Cinemateca Catarinense –, aliada a existência de duas Faculdades de Cinema no estado, contribuiram muito para o aumento da produção audiovisual Catarinense na última década. As entidade que se destacam em Santa Catarina são a Cinemateca Catarinense, a TV Floripa – Canal Comunitário de Florianópolis, Associação Cultural Alquimídia. Os Eventos em Santa Catarina são SOLISC – Congresso Catarinense de Software Livre. O Congresso já teve três edições e caminha para a sua quarta em 2009.

    De uma maneira geral, podemos dizer que a Cultura Digital da Região Sul alcançou objetivos no que se refere a mobilização, estímulo à pesquisa de novas possibilidades de utilização da tecnologia livre. Conseguiu estabelecer algumas redes, importante elemento na produção de conhecimentos livres, articulando oficinas e encontros, porém, para o desenvolvimento do trabalho do dia-a-dia, faltam profissionais qualificados e remunerados. A região sul tem deficiência de implementação da Cultura Digital, desde o início do Programa, já que os kits multimídia do Programa Cultura Viva não foram utilizados com eficiência pela falta de formação e suporte no uso das ferramentas livres. Agora, com a implantação dos Pontões de Cultura Digital, pretende-se recuperar essa deficiência com planejamento estratégico de ações voltadas para a formação e capacitação.

    Pensando em planejamento e formação, no “Encontro de Cultura Digital” organizado recentemente em Rio do Sul (SC), foi proposto pelos articuladores da Ação Cultura Digital que o site do evento (www.redesul.org.br) tivesse um uso contínuo como ambiente agregador das ações das Unidades Casa Brasil, Pontos e Pontões de Cultura, Representação Regional Sul do Minc e as ações dos próprios articuladores da Cultura Digital, o que tornará o processo de produção de relatórios e diagnósticos mais vivo e colaborativo, pois contará com a participação direta dos atores citados.

    A metodologia utilizada para realizar este mapeamento diagnostico dos Pontos de Cultura da Região Sul que envolve os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, foram estudados vários instrumentos que de uma forma ou outra, oferecem informações que auxiliam na elaboração deste produto, para retratar um perfil dos Pontos e Pontões de Cultura do Programa Cultura Viva na Região Sul. Os instrumentos investigados foram o produto elaborado por Patricia Dorneles,consultoria, (contrato n.º 2007/000346) no âmbito do PRODOC BRA/04/051, sistema de Apoio as Leis de Incentivo Cultura – Salicnet, o questionário do Laboratório de Políticas Públicas – LPP da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, o Mapysys, o link do Instituto de Pesquisa e Projetos Sociais – IPSO, Estúdio livre Pontos do Sul e Mapeamento Regional construído pela Representação Regional da Região Sul do Ministério da Cultura. Além da consulta aos diagnósticos, foram contactados diretamente alguns dos Pontos e Pontões de Cultura da Região Sul.

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