Archive for setembro, 2009

Se eu fôsse candidato …

terça-feira, setembro 29th, 2009

Se eu fôsse candidato …

 Se eu fosse candidato , na minha terra , eu proporia um choque de cidadania: MMC – Mínimo Múltiplo Comum. É obrigação do município garantir a sobrevivência digna de todos os seus cidadãos. Portanto:

1. Utis Possidetis. Todo cidadão tem o direito de propriedade sobre o chão que habita – sua morada. Compete ao município expedir título prioritário de propriedade a cada morador que não o tenha. Caso pertença a outrem, proceda-se à desapropriação do imóvel por títulos da dívida publica municipal.

2. Ninguém vive na União ou nos estados, todos vivemos nos municípios. É preciso uma reordenação geral que garanta à municipalidade a representação de todos os direitos de todos os seus cidadãos.

3. Contra a verticalidade, pela horizontalidade. É proibido agredir terras, montanhas e florestas, impedindo a construção arbitrária de vias, túneis e prédios no interesse do bem comum. É de baixo para cima e não de cima para baixo.

4. Cada cidadão faz jus a pelo menos um salário mínimo que é o mínimo. Abra-se uma conta poupança na Caixa Econômica Federal em que a municipalidade deposite a cada mês em favor de quem não a tenha um valor que equivalerá à prestação de 6 (seis) horas de serviços diários com direito a um dia de descanso, igualmente escalonados para servir a todos, prestadores e usuários dos serviços públicos, distribuídos em três turnos ao dia: de 7 às 13 hs, 13 às 19 hs, e 19 às 01 h.

5. Cabe ao município estimular o registro eleitoral de cada um de seus habitantes, todos devem ser eleitores, eventualmente coincidindo com o respectivo cartão municipal de crédito/poupança a partir dos 16 anos de idade.

6. Cada um só pode ter o que todos tenham. Elimine-se o que não for de acesso a todos. Compete à municipalidade estimular a construção de cooperativas em todas as áreas de trabalho, serviços e consumo para que ninguém se beneficie em prejuízo do próximo. A mais valia tem que acabar.

Parágrafo único: É terminantemente vedado qualquer tipo de trabalho a menores de 16 anos de idade que devem permanecer em tempo integral nas escolas/cieps.

7. Compete à municipalidade oferecer a preço de custo todos os serviços públicos de água, esgoto, transporte, saúde e educação, por si ou por convênios.

8. A municipalidade deve promover a reordenação urbana prioritariamente a favor de seus moradores, abolindo o petróleo no chão que é tóxico, promovendo a reciclagem e industrialização do lixo em cada canto da cidade. E implantando uma rede municipal de bondes em baixa velocidade e por energia solar, desencapando os trilhos nas ruas, e estendendo o mais barato e ecologicamente correto sistema de transporte publico.

9. É indispensável rever a disputa e a predação capitalista da livre iniciativa, que terá de se adequar a uma política de máxima melhoria de oportunidades de produção e consumo socialmente responsáveis. É proibido o uso comercial de palavras estrangeiras.

10. É proibido despender sequer um centavo publico em detrimento das necessidades dos cidadãos do município.

11. É preciso promover uma anistia ampla, geral,  irrestrita e progressiva a qualquer delito, excetuados os crimes de sangue e agressão física. É imperioso desarmar absolutamente todo o território municipal. É terminantemente proibido o porte, posse ou comércio de arma por qualquer figura publica ou privada. Desativar qualquer forma de aprisionamento de massa e assumir um amplo projeto de ressocialização dos abandonados da sorte: mendigos, pedintes, loucos e delinqüentes.

12. Transferir para fora do município, para as áreas estaduais e federais, a responsabilidade de atendimento aos criminosos de sangue e agressão física. Pela pacificação da família municipal.

13.  O município é em primeira instância responsável por todos os menores de 16 anos e todos os maiores de 70 anos, tratando de organizar-se para o atendimento de todas as suas necessidades.

14.  O município é obrigado a engajar-se para prover o máximo de tecnologia de ponta, promovendo a inclusão de toda a população em seus benefícios: comunicação, energia solar, biomassa, aproveitamento de recursos naturais, chuvas e reabilitação dos cursos d´água, e proibindo a exploração comercial no município por moradores externos a suas fronteiras.

15.  Compete ao município orientar, ordenar e prevenir a evasão de recursos econômicos gerados em seu território, bem como solicitar consultoria especializada a qualquer de seus moradores em suas áreas de excelência.

Avalie-se, vote-se e cumpra-se.

Sergio Santeiro (santeiro@anaterra.mus.br).

 

 
 
 

Mesas e Cadeiras.

segunda-feira, setembro 28th, 2009

Mesas e Cadeiras.

Mesas e cadeiras pelos ares. Para que? Para passar os carros, alguns em desabalada carreira, esses doidinhos mecânicos melhores que os humanos. Não é como na pintura, duas demãos. É duas mãos: carro pra lá, carro pra cá, por cima dos trilhos, inúteis, mas centenários, históricos, não se os pode cobrir, anteriores ao tráfego, trágico, tráfico.

 Chego a temer que se pretenda arruinar o comércio local a favor da especulação imobiliária. Aviões passam no ar, querem mudar os aviões de carreira, querem mudar mesas e cadeiras, querem mudar de lugar para ficar tudo como está. E há os ambulantes, naquela época, forma primitiva do comercio colonial, oferecendo com seus pregões bens e produtos à população em suas ruas e casas endinheiradas: uma oferta circulante ao meio circulante.

 Já hoje é o esforço de fugir ao desemprego, centenas de parantes por todas as cidades, ofertam a preço vil na mais baixa cotação de lucro, minguando a mola do sistema, inviabilizando-se como oferta e oferecendo ao consumo pouco endinheirado réplicas dos penduricalhos e alimentos do consumo endinheirado. Até pelas regras do sistema, que não subscrevo, assim não dá certo pra ninguém.

 O que a federalidade, a estadualidade e a municipalidade têm que encarar é o desemprego, a despeito das ditas excelentes taxas de emprego alardeadas no país. O que se vê e vive pelas ruas contraria o auto proclamado sossego dos governantes com sua custosa propaganda só ela e seu comércio suficientes em grana para empregar decentemente a todos quantos.

 Vender mais barato é a lógica do sistema, assim é fácil. O diabo é organizar-se comercialmente o que também é da lógica do sistema. Cada um no seu cada qual, misturar águas nos vinhos, rende mais, é mais barato, mas não está direito. A ordenação urbana é o que todos queremos, respeitados cada um nos seus direitos e deveres.

 Todos têm direito ao trabalho, é papel do estado cuidar e garanti-lo, mas para que todos possam exercê-lo não pode ser dando pernada no próximo e em si mesmo. O espetáculo, triste, que por todas as cidades e a nossa se espalha é o de, além da outra, uma mendicância disfarçada, envergonhada, enquanto o poder se espoja nos deleites.

 Braços e pernas pelos ares, deram duro na rapaziada que ali estava candidata a consumidora, ordeiramente. Excessos da garotada sempre há mas há que mantê-los à parte. É preciso educar-nos a compartilhar o mundo, de preferência sem ser na porrada. Como o imortal Torelly que, numa de suas prisões políticas pelos hômi, botou cartaz na porta: – Entre sem bater!

 A tão justamente reclamada presença do poder publico infelizmente faz-se assim: proíbe, intima e espanca. A presença é pra resolver, não é pra agravar, gastem seus miolos, devem tê-los, é o poder, publico, não pode ser a Gestapo. Não se queira o sol tapar com os dedos … pelos ares. O caos instalado em que vivemos chama-se desemprego.

 Prisões àtoamente cheias, atestado de incompetência do sistema e de seus donos, certamente não é pra isso que nascemos, para viver aprisionados nas de dentro e nas de fora?

Alguém está levando algum por conta em dinheiros, em  poderes ou em mulheres.        

Sergio Santeiro (santeiro@anaterra.mus.br)

A Tôrre de Petróleo.

quinta-feira, setembro 24th, 2009

E nós que crescemos com o Poço do Visconde, de Monteiro Lobato, em muitas áreas
pioneiro, como escritor, empresário e petroleiro, quando isto ainda não havia aqui.

Hoje as vemos passar no mar as tôrres de petroleo vindas dos estaleiros que novamente
compõem mais torres para o nosso mar territorial. onde descobriu-se ainda mais fundo um
mar de óleo lacrado por sal. Coisa extraordinária. O óleo em si já é um fenômeno, como
se sabe altamente poluente e responsável em grande parte pelo aquecimento global.

Pois  não é que lá vai o homem futucar no chão do mar e encontrar essa massa informe que
ouvi dizer derivar do acumúlo milenar de fósseis. Estariam nossos avoengos incluidos
nessa cota? Estaríamos sugando-lhes o sangue negro para alimentar nossas fornalhas em
movimento? Ilusões do destino: nosso futuro é mais desgraça. Finalmente  diluiremos as
calotas polares com a incandescência destas lavas petrosálicas.

Nada irá nos deter. Nunca o homem foi detido em definitivo. Pode não acertar de prima,
de segunda, de terça. Uns se  vão, outros insistem, até que o mistério se rompe e
descobre-se o que estava encoberto.

Hoje vemos no estaleiro a construção da magnífica tôrre de gás que mais parece uma
pirâmide, monumental, e cheíssima de tubos e conexões, sistemas elétricos, até parece
uma estrêla iluminada singrando na noite da baia.

Quanta opulência, quanta jactancia, e será para o bem de todos e felicidade geral da
nação? Ouvi dizer que no Sul a Manuela propõe uma fatia de 30% dos recursos havidos com
a exploração a ser distribuida por tôda a população brasileira. Justa medida, quem sabe
nos  aproximamos da justiça total: tudo é para todos.

E a maxi-tôrre passará por baixo à ponte? Ou não precisará, já estará em posição no rumo
de Mexilhão? Ao navegar vai encher de ondas nossas praias e ao aplicar-se no local
propício vai esvaziar uma das capas submersas do planeta.

Por mais que nos açodemos e precipitemo-nos não é pra já, é coisa pra duas décadas até
que tudo funcione e resulte. E nem estamos a semear, estamos apenas a colher. Colher sem
semear? Êta mundo doido, nem semeou já quer colher, e de colher se fôr na caçamba, ou de
canudo se fôr no pré-sal como a cuia do chimarrão e a tôrre a bomba.

Estão a mexer com o equilibrio do planeta como desde a rosa de Hiroshima, o cogumelo
devastador que mostrou do que o homem é capaz: abalar a natureza da galáxia, positivo e
negativo, cabum, como num curto circuito,como os que dizem que é o início,  e já soprou
mais de cinquenta velas e ainda sobra o clarão no horizonte imortalizado como filme,
como em um filme.

Alega-se assim que vamos ganhar um montão de dinheiro que pelo menos sirva para equilibrar o ambiente empesteado pelos milhões de motores de explosão como a praga dos automóveis que tendem a imóveis ou se vai a empilhá-los quem sabe no formato de uma das tôrres que sugam seu insumo lá de baixo.
Ainda muito a terra  há de girar, mais descobertas vai se descobrir, e mais vai se saber
o que vale e o que não vale a pena de ser gasto. O que é gasto não mais existirá, não se
tem como repôr, ainda mais se fôr o sangue  fóssil de nossos antepassados.

Sergio Santeiro (santeiro@anaterra.mus.br)

Amôres

segunda-feira, setembro 21st, 2009
Amores 
.
Por Sergio Santeiro, de Niterói  
Há de todo o jeito: curtos, longos, breves, vãos, tensos, intensos, fugazes, velozes, durazes, de pronto atendimento, a perder de vista. Algo se produziu na convivência humana que nos faz chegar perto, nos faz chegar mais de uns ou de outros. Dizem que há explicações, prefiro não buscá-las: químicas, cheiros, identidades, estranhezas.

Prefiro o mistério, o que se não explica. A rigor, acho que o acasalamento devia ser mais livre, mais casual. Não era preciso chamar tanta atenção, nem sonhar tanta promessa, algo mais fluido. E assim é, de vez em quando. A maior ofensa que se faz às mulheres é não tentar seduzi-las, principalmente as que se acham. O maior elogio é deixar-se por elas seduzir, principalmente as que não se acham.

Seduzir ou não, eis a questão. Ficar ou não ficar pra mim é muito vago, sou da antiga. É ou não é coisa na coisa. Especialmente quando se chega à decisão, um pergunta pro outro: – Pode ser ou tá difícil? É preciso perguntar, afinal a mulher é aquela coisa que quando quer quer, mas quando não quer, não quer.

Quando quer move mundos e fundos, vai até ao inferno, mas, quando não quer, finge que não viu nem ouviu – o que é um dos mais notáveis atributos femininos: faz que não entende. Quando quer atravessa o oceano, quando não, nem a rua.

Coitado ou coitada é condição etimologicamente derivada de coito que não houve? Acoitar é sinônimo de agasalhar? Agasalhar o croquete é vulgar? É feio externar as palavras que me acorrem à mente? Entubar hoje em dia é botar no youtube? Em português, no tutubo? Ou botar no teu tubo? No meu ainda não. Dizem que, depois de certa idade, tudo é possível. Pode ser, ainda não cheguei lá.

Pra mim, o doce ainda é navegar nas águas turvas da emoção. Emoção quer dizer Ê, moção? Moção como moça grande, exuberante, fornida, aumentativo de moça e não de moço, bem entendido. Aliás, entendido é também como se chama o parceiro de mesma natureza. Tudo é da natureza. Na Grécia, em Roma, nos confins da Alexandria, tudo era natural. Hoje também.

Na Grécia como os gregos, em Roma como os romanos, em Alexandria como Alexandre, como não como verbo, como como como, menos as romanas, as gregas e as alexandrinas, que estas são como verbo. Sabemos por outra que neste quesito a vida não é das mais difíceis. Sempre sobra um bem querer para o nosso querer bem.

Muitas vezes o erro ou o mal é errar com quem, ou pode-se atirar no que se viu e acertar onde não se viu, neste caso recomenda-se insistir e tomar o acerto ao invés de insistir no erro e levar um fora. Levar um fora não é lá dessas coisas, nem sempre é pra sempre, nada como um dia após o outro, com uma noite, um sonho, um travesseiro no meio, talvez quando acordar, hoje dá.

Ser aprazível, aconchegante, insinuante, audaz, desdenhoso, desejante, gaste o verbo. Tudo o que não sou. Acima de tudo, não perder a esperança jamais. Afinal, por que não eu?

20/9/2009

Dinheiros.

terça-feira, setembro 8th, 2009

Dinheiros.

Como o tempo, o dinheiro não existe. É mais uma invenção  dos donos do poder para nele se
manterem a intercambiar coisas diversas. O mais raro é o mais caro ou era ou foi quando
se inventou o valor que as coisas passaram a ter.

De fato, o único valor é o de uso, se não é para usar, não adianta ter. Apoderando-se das
coisas que para si não tem valor de uso mas para os outros tem, os donos do poder
inventaram o valor de troca e para medí-lo e permutar as coisas que para eles não tem
uso, os excedentes, inventaram o dinheiro:mistificação. Inversão de valores: o que é
menos, o que não é para todos, vale mais.

Lá se vão anos, séculos, e o que talvez fizesse sentido naquele então, precisava-se
permutar os excedentes, passou a ser desfigurado, virou um valor em si, a ponto de não
mais fazer sentido algum. Hoje isto é apenas mais uma das fraudes que se impõem ao
coletivo. Alega-se a circulação de bens e produtos, o comércio.

Antes levava-se o que se produzia por uns, o que era de uso para os outros, ao mercado.
Em volta ao mercado surgiam as cidades, os serviços, que garantiam o acesso e a certeza
de que lá encontrariam o de que careciam. O que se faz, o fruto do trabalho não tem
preço. Então surgem os donos, os que se apoderam. Não são os que fazem, são os que
fraudam, os que só acumulam, os que inventam preços..

Acham que podem mandar em tudo, mandar no mundo, mandar nas gentes. Será que podem?
Empilham moedas como o Tio Patinhas, sem significado algum, só o do acúmulo de distorções
que vêz por outra como há alguns meses explodem.

Ao explodir podiam se desintegrar, mas não, novamente os donos do poder as fazem
reciclar, repassam os ônuses do valor de troca, artificial e arbitrário, para os
despoderosos que só conhecem o valor de uso, real e necessário.

Assim caminha ou melhor tropeça a humanidade: os acumuladores da desgraça alheia
espojam-se em gerar ainda mais desgraça alheia. Trinta ou mais moedas e dinheiros que a
quase todos faltam ficam cada vez mais restritos aos que fazem de tudo, roubam, matam,
para privar os demais do mínimo que lhes falta.

Solução: de cada um segundo suas possibilidades a cada um segundo suas necessidades.
Viveríamos em harmonia sem invejar o viver dos outros, valendo-nos do esfôrço do trabalho
comum, conforme às habilidades de cada qual, exercê-las é que é o maior valor da vida,
médicos, artistas e lixeiros, a nenhuns podemos dispensar, somos todos parceiros
indispensáveis à sobrevivência ainda mais quando a natureza faz das suas, tempestades,
cataclismos, furacões, enchentes, sòmente a solidariedade, a comunhão de ações consegue
enfrentar e minorar o estrago.

Institua-se o salário único. Salário é o valor diário da porção de sal necessária à vida,
tem que ser como o ar, igual para todos. Reparta-se o produto interno bruto, tudo que a
sociedade produz igualmente por tôda a população.

Não haverá mais mortes ou roubos por dinheiro,  ele não será mais só para ser inutilmente
acumulado por alguns donos do poder, estará a serviço do bem comum como tudo deve ser.
Como no início dos tempos, inexistirá.

Sergio Santeiro (santeiro@anaterra.mus.br).

Passion à la Vie

sábado, setembro 5th, 2009

Passion à la Vie.
Oficina de crítica cinematográfica do 20o.Festival Internacional de Curtas Metragens de
São Paulo.

Por Ana Araki (estudante de cinema na Unicamp).

Paródia distinta.
À primeira vista, “Passion à la Vie” pode provocar certa indiferença no espectador ao
transmitir seus signos mais óbvios: o homem maduro, a mulher mais jovem, o interesse
sexual e uma reciprocidade difusa.

Tal percepção ligeira faz com que o curta pareça um tanto embotado pela repetição de
planos e pelo “blasé” do enredo apreendido até então. No entanto, as possibilidades de
interpretação da poética do filme se abrem na medida em que se atenta a certos elementos
que.o envolvem e são envolvidos por ele.

A escolha de utilizar fotografias still evidencia ainda mais o ato de olhar, claramente
trabalhado durante o filme; os olhos do homem sempre atentos a algo que ainda não se pode
ver e, no momento seguinte, a fotografia escancara as pernas da mulher, seu objeto de
desejo – e, portanto, o objeto para o qual se olha tão fixamente que a imagem é congelada
por um instante.

Assim, a obra forja um jogo de olhares (do homem e do espectador) através de um recurso
engenhoso que, por sua essência, está relacionado com o olho humano. Outro ponto
importante é a balada bossa-novista que cinge a paisagem de um Rio de Janeiro em
preto-e-branco, remontando à década de 1950 e estimulando o imaginário do espectador
quanto à época em que vários casais de celebridades internacionais visitaram a capital e
foram flagrados pelas câmeras atentas aos seus movimentos descuidados.

Tal relação enriquece a justificativa contextual do filme, a de se fazer uma paródia à
visita de Sarkosy e Carla Bruni ao Brasil, uma vez que se trata de um casal célebre (no
filme, ele é um velho libidinoso e ela, puro desejo) envolvido numa história que incita
curiosidade e evoca uma espécie de jogo sensual.
Dessa forma, a paródia ocorre sutilmente, mas com primor, através da ótima e invulgar
escolha de recursos para elaborar seus significados, que livram o filme da possibilidade
de uma avaliação “blasé”.
(para vêr o filme acesse www.youtube.com/sergiosanteiro