Dinheiros.

Dinheiros.

Como o tempo, o dinheiro não existe. É mais uma invenção  dos donos do poder para nele se
manterem a intercambiar coisas diversas. O mais raro é o mais caro ou era ou foi quando
se inventou o valor que as coisas passaram a ter.

De fato, o único valor é o de uso, se não é para usar, não adianta ter. Apoderando-se das
coisas que para si não tem valor de uso mas para os outros tem, os donos do poder
inventaram o valor de troca e para medí-lo e permutar as coisas que para eles não tem
uso, os excedentes, inventaram o dinheiro:mistificação. Inversão de valores: o que é
menos, o que não é para todos, vale mais.

Lá se vão anos, séculos, e o que talvez fizesse sentido naquele então, precisava-se
permutar os excedentes, passou a ser desfigurado, virou um valor em si, a ponto de não
mais fazer sentido algum. Hoje isto é apenas mais uma das fraudes que se impõem ao
coletivo. Alega-se a circulação de bens e produtos, o comércio.

Antes levava-se o que se produzia por uns, o que era de uso para os outros, ao mercado.
Em volta ao mercado surgiam as cidades, os serviços, que garantiam o acesso e a certeza
de que lá encontrariam o de que careciam. O que se faz, o fruto do trabalho não tem
preço. Então surgem os donos, os que se apoderam. Não são os que fazem, são os que
fraudam, os que só acumulam, os que inventam preços..

Acham que podem mandar em tudo, mandar no mundo, mandar nas gentes. Será que podem?
Empilham moedas como o Tio Patinhas, sem significado algum, só o do acúmulo de distorções
que vêz por outra como há alguns meses explodem.

Ao explodir podiam se desintegrar, mas não, novamente os donos do poder as fazem
reciclar, repassam os ônuses do valor de troca, artificial e arbitrário, para os
despoderosos que só conhecem o valor de uso, real e necessário.

Assim caminha ou melhor tropeça a humanidade: os acumuladores da desgraça alheia
espojam-se em gerar ainda mais desgraça alheia. Trinta ou mais moedas e dinheiros que a
quase todos faltam ficam cada vez mais restritos aos que fazem de tudo, roubam, matam,
para privar os demais do mínimo que lhes falta.

Solução: de cada um segundo suas possibilidades a cada um segundo suas necessidades.
Viveríamos em harmonia sem invejar o viver dos outros, valendo-nos do esfôrço do trabalho
comum, conforme às habilidades de cada qual, exercê-las é que é o maior valor da vida,
médicos, artistas e lixeiros, a nenhuns podemos dispensar, somos todos parceiros
indispensáveis à sobrevivência ainda mais quando a natureza faz das suas, tempestades,
cataclismos, furacões, enchentes, sòmente a solidariedade, a comunhão de ações consegue
enfrentar e minorar o estrago.

Institua-se o salário único. Salário é o valor diário da porção de sal necessária à vida,
tem que ser como o ar, igual para todos. Reparta-se o produto interno bruto, tudo que a
sociedade produz igualmente por tôda a população.

Não haverá mais mortes ou roubos por dinheiro,  ele não será mais só para ser inutilmente
acumulado por alguns donos do poder, estará a serviço do bem comum como tudo deve ser.
Como no início dos tempos, inexistirá.

Sergio Santeiro (santeiro@anaterra.mus.br).

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