Amôres

Amores 
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Por Sergio Santeiro, de Niterói  
Há de todo o jeito: curtos, longos, breves, vãos, tensos, intensos, fugazes, velozes, durazes, de pronto atendimento, a perder de vista. Algo se produziu na convivência humana que nos faz chegar perto, nos faz chegar mais de uns ou de outros. Dizem que há explicações, prefiro não buscá-las: químicas, cheiros, identidades, estranhezas.

Prefiro o mistério, o que se não explica. A rigor, acho que o acasalamento devia ser mais livre, mais casual. Não era preciso chamar tanta atenção, nem sonhar tanta promessa, algo mais fluido. E assim é, de vez em quando. A maior ofensa que se faz às mulheres é não tentar seduzi-las, principalmente as que se acham. O maior elogio é deixar-se por elas seduzir, principalmente as que não se acham.

Seduzir ou não, eis a questão. Ficar ou não ficar pra mim é muito vago, sou da antiga. É ou não é coisa na coisa. Especialmente quando se chega à decisão, um pergunta pro outro: – Pode ser ou tá difícil? É preciso perguntar, afinal a mulher é aquela coisa que quando quer quer, mas quando não quer, não quer.

Quando quer move mundos e fundos, vai até ao inferno, mas, quando não quer, finge que não viu nem ouviu – o que é um dos mais notáveis atributos femininos: faz que não entende. Quando quer atravessa o oceano, quando não, nem a rua.

Coitado ou coitada é condição etimologicamente derivada de coito que não houve? Acoitar é sinônimo de agasalhar? Agasalhar o croquete é vulgar? É feio externar as palavras que me acorrem à mente? Entubar hoje em dia é botar no youtube? Em português, no tutubo? Ou botar no teu tubo? No meu ainda não. Dizem que, depois de certa idade, tudo é possível. Pode ser, ainda não cheguei lá.

Pra mim, o doce ainda é navegar nas águas turvas da emoção. Emoção quer dizer Ê, moção? Moção como moça grande, exuberante, fornida, aumentativo de moça e não de moço, bem entendido. Aliás, entendido é também como se chama o parceiro de mesma natureza. Tudo é da natureza. Na Grécia, em Roma, nos confins da Alexandria, tudo era natural. Hoje também.

Na Grécia como os gregos, em Roma como os romanos, em Alexandria como Alexandre, como não como verbo, como como como, menos as romanas, as gregas e as alexandrinas, que estas são como verbo. Sabemos por outra que neste quesito a vida não é das mais difíceis. Sempre sobra um bem querer para o nosso querer bem.

Muitas vezes o erro ou o mal é errar com quem, ou pode-se atirar no que se viu e acertar onde não se viu, neste caso recomenda-se insistir e tomar o acerto ao invés de insistir no erro e levar um fora. Levar um fora não é lá dessas coisas, nem sempre é pra sempre, nada como um dia após o outro, com uma noite, um sonho, um travesseiro no meio, talvez quando acordar, hoje dá.

Ser aprazível, aconchegante, insinuante, audaz, desdenhoso, desejante, gaste o verbo. Tudo o que não sou. Acima de tudo, não perder a esperança jamais. Afinal, por que não eu?

20/9/2009

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