A Tôrre de Petróleo.

E nós que crescemos com o Poço do Visconde, de Monteiro Lobato, em muitas áreas
pioneiro, como escritor, empresário e petroleiro, quando isto ainda não havia aqui.

Hoje as vemos passar no mar as tôrres de petroleo vindas dos estaleiros que novamente
compõem mais torres para o nosso mar territorial. onde descobriu-se ainda mais fundo um
mar de óleo lacrado por sal. Coisa extraordinária. O óleo em si já é um fenômeno, como
se sabe altamente poluente e responsável em grande parte pelo aquecimento global.

Pois  não é que lá vai o homem futucar no chão do mar e encontrar essa massa informe que
ouvi dizer derivar do acumúlo milenar de fósseis. Estariam nossos avoengos incluidos
nessa cota? Estaríamos sugando-lhes o sangue negro para alimentar nossas fornalhas em
movimento? Ilusões do destino: nosso futuro é mais desgraça. Finalmente  diluiremos as
calotas polares com a incandescência destas lavas petrosálicas.

Nada irá nos deter. Nunca o homem foi detido em definitivo. Pode não acertar de prima,
de segunda, de terça. Uns se  vão, outros insistem, até que o mistério se rompe e
descobre-se o que estava encoberto.

Hoje vemos no estaleiro a construção da magnífica tôrre de gás que mais parece uma
pirâmide, monumental, e cheíssima de tubos e conexões, sistemas elétricos, até parece
uma estrêla iluminada singrando na noite da baia.

Quanta opulência, quanta jactancia, e será para o bem de todos e felicidade geral da
nação? Ouvi dizer que no Sul a Manuela propõe uma fatia de 30% dos recursos havidos com
a exploração a ser distribuida por tôda a população brasileira. Justa medida, quem sabe
nos  aproximamos da justiça total: tudo é para todos.

E a maxi-tôrre passará por baixo à ponte? Ou não precisará, já estará em posição no rumo
de Mexilhão? Ao navegar vai encher de ondas nossas praias e ao aplicar-se no local
propício vai esvaziar uma das capas submersas do planeta.

Por mais que nos açodemos e precipitemo-nos não é pra já, é coisa pra duas décadas até
que tudo funcione e resulte. E nem estamos a semear, estamos apenas a colher. Colher sem
semear? Êta mundo doido, nem semeou já quer colher, e de colher se fôr na caçamba, ou de
canudo se fôr no pré-sal como a cuia do chimarrão e a tôrre a bomba.

Estão a mexer com o equilibrio do planeta como desde a rosa de Hiroshima, o cogumelo
devastador que mostrou do que o homem é capaz: abalar a natureza da galáxia, positivo e
negativo, cabum, como num curto circuito,como os que dizem que é o início,  e já soprou
mais de cinquenta velas e ainda sobra o clarão no horizonte imortalizado como filme,
como em um filme.

Alega-se assim que vamos ganhar um montão de dinheiro que pelo menos sirva para equilibrar o ambiente empesteado pelos milhões de motores de explosão como a praga dos automóveis que tendem a imóveis ou se vai a empilhá-los quem sabe no formato de uma das tôrres que sugam seu insumo lá de baixo.
Ainda muito a terra  há de girar, mais descobertas vai se descobrir, e mais vai se saber
o que vale e o que não vale a pena de ser gasto. O que é gasto não mais existirá, não se
tem como repôr, ainda mais se fôr o sangue  fóssil de nossos antepassados.

Sergio Santeiro (santeiro@anaterra.mus.br)

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