Mesas e Cadeiras.

Mesas e Cadeiras.

Mesas e cadeiras pelos ares. Para que? Para passar os carros, alguns em desabalada carreira, esses doidinhos mecânicos melhores que os humanos. Não é como na pintura, duas demãos. É duas mãos: carro pra lá, carro pra cá, por cima dos trilhos, inúteis, mas centenários, históricos, não se os pode cobrir, anteriores ao tráfego, trágico, tráfico.

 Chego a temer que se pretenda arruinar o comércio local a favor da especulação imobiliária. Aviões passam no ar, querem mudar os aviões de carreira, querem mudar mesas e cadeiras, querem mudar de lugar para ficar tudo como está. E há os ambulantes, naquela época, forma primitiva do comercio colonial, oferecendo com seus pregões bens e produtos à população em suas ruas e casas endinheiradas: uma oferta circulante ao meio circulante.

 Já hoje é o esforço de fugir ao desemprego, centenas de parantes por todas as cidades, ofertam a preço vil na mais baixa cotação de lucro, minguando a mola do sistema, inviabilizando-se como oferta e oferecendo ao consumo pouco endinheirado réplicas dos penduricalhos e alimentos do consumo endinheirado. Até pelas regras do sistema, que não subscrevo, assim não dá certo pra ninguém.

 O que a federalidade, a estadualidade e a municipalidade têm que encarar é o desemprego, a despeito das ditas excelentes taxas de emprego alardeadas no país. O que se vê e vive pelas ruas contraria o auto proclamado sossego dos governantes com sua custosa propaganda só ela e seu comércio suficientes em grana para empregar decentemente a todos quantos.

 Vender mais barato é a lógica do sistema, assim é fácil. O diabo é organizar-se comercialmente o que também é da lógica do sistema. Cada um no seu cada qual, misturar águas nos vinhos, rende mais, é mais barato, mas não está direito. A ordenação urbana é o que todos queremos, respeitados cada um nos seus direitos e deveres.

 Todos têm direito ao trabalho, é papel do estado cuidar e garanti-lo, mas para que todos possam exercê-lo não pode ser dando pernada no próximo e em si mesmo. O espetáculo, triste, que por todas as cidades e a nossa se espalha é o de, além da outra, uma mendicância disfarçada, envergonhada, enquanto o poder se espoja nos deleites.

 Braços e pernas pelos ares, deram duro na rapaziada que ali estava candidata a consumidora, ordeiramente. Excessos da garotada sempre há mas há que mantê-los à parte. É preciso educar-nos a compartilhar o mundo, de preferência sem ser na porrada. Como o imortal Torelly que, numa de suas prisões políticas pelos hômi, botou cartaz na porta: – Entre sem bater!

 A tão justamente reclamada presença do poder publico infelizmente faz-se assim: proíbe, intima e espanca. A presença é pra resolver, não é pra agravar, gastem seus miolos, devem tê-los, é o poder, publico, não pode ser a Gestapo. Não se queira o sol tapar com os dedos … pelos ares. O caos instalado em que vivemos chama-se desemprego.

 Prisões àtoamente cheias, atestado de incompetência do sistema e de seus donos, certamente não é pra isso que nascemos, para viver aprisionados nas de dentro e nas de fora?

Alguém está levando algum por conta em dinheiros, em  poderes ou em mulheres.        

Sergio Santeiro (santeiro@anaterra.mus.br)

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