A que serve o cinema

A que serve o cinema.

Leio estarrecido que no Mato Grosso do Sul milicia e pm expulsam os terena de sua terra tradicional. Em nosso mundo contemporâneo convivemos com tempos históricos diversos, sociedades em diversas condições sociais e econômicas, condições estas geradas pelo domínio do capitalismo.

E não aprendemos a conviver com os nossos iguais, gente como a gente, e alegamos mundos e fundos para nos darmos o direito de desrespeitá-los os direitos deles. Alegar propriedade sobre terra indígena, a dos nativos da terra, beira o absurdo.  Tambem não se pode esquecer que deveriam como todos nós estar sujeitos à guarda da União. Que União é essa que não consegue dirimir interesses tão básicos e deixa chegar às raias plena da violência do poder nacional contra os cidadãos naturais desarmados ante ao evidente abuso de poder do estado.

O estado não tem o direito de usar armas contra a população porque republicanamente foi ela que lhe conferiu o monopólio legítimo de defendê-la e nunca de atacá-la. Só ao estado se reconhece o poder das armas, as demais se existem são ilegítimas, o que torna o cidadão um ser desarmado frente ao estado.

Não será o estado de tão  empenhado em garantir a taxa de lucro capaz de com a rapidez com que compra dólares articular as condições de sobrevivência de seus cidadãos evitando confrontos evidentemente antes que eles ocorram. Sempre se soube que o maior fator de conflito no país é a questão fundiária com questionáveis títulos de propriedade em algum momento fraudados quem sabe no Império.

Li tal notícia em lista de discussão de cinema, em que pouco se discute e menos se resolve. Procuro circunscrever-me em minha área de trabalho, não posso dar palpite em tudo, às vêzes dou, e pelo visto não sou só eu. E isto porque dificilmente conseguimos resolver ou mesmo entender os nossos embaraços, que dizer os dos outros. Em tudo há duas partes.

Contava meu pai o causo acontecido com ele: um servidor da faculdade um dia propôs-lhe a seguinte questão: duas pessoas discutem, uma tem razão e a outra não tem; a quem o senhor daria razão? A quem tem, é claro. Errado. Quem tem já tem, não precisa. É preciso dar a quem não tem.

Talvez não seja aqui o caso mas com certeza é ao estado que incumbe zelar pela convivência ordeira de seus cidadãos, o que se torna terrível quando se parte para a agressão e a violência ao invés dos acordos e compensações necessárias sempre que as divergências se acirram.

O que mais me impressiona neste como em muitíssimos outros casos é a omissão do estado, um faz que não vê, e ao espoucar dos problemas, ao invés de resolvê-los, desembarca as tropas tanto faz se federais, estaduais ou municipais.

Um país como o nosso, abençoado por Deus  em que não creio, com sua vasta dimensão, recursos de tôda a natureza, não é possível que não caiba além de sua população originária tambem nós outros pós-chegados mas a esta altura todos igualmente contemporâneos e aqui nascidos igualmente brasileiros.

Tanta terra tem que servir a tanta gente só que não ao mesmo tempo e não no mesmo lugar. Dois pra lá, dois pra cá, será que os nossos maestros não sabem dançar?

Sergio Santeiro (santeiro@anaterra.mus.br)

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