Archive for abril, 2010

Sim e Não.

segunda-feira, abril 19th, 2010

Sim e Não. (de Sergio Santeiro).

A responsabilidade é evidentemente das autoridades dirigentes que são as primeiras a saber disso mas também é nossa que só somos solidários na tragédia. De todos que vivemos no mundo como se aqui não estivéssemos.

E claro, óbvio, a questão imediata não é de quem é a nossa culpa e sim das providências que se devem tomar o mais rápido possível  de ressarcir e compensar as perdas materiais porque as afetivas infelizmente não se tem como lidar.

Antes de mais nada é imperioso suspender e evitar o jogo político que já se insinua não fôsse este um ano eleitoral. O desafio é um programa sustentado e amplamente extensivo de habitação popular não restrito apenas às vítimas imediatas do momento, e isto já está em curso.

É obrigação plena do Estado garantir a condição de moradia para o cidadão e aí o vetor é municipal que é onde se situa a moradia. O governante tem todo o direito de demandar o financiamento imediato sem delongas do poder da União que dispõe de recursos para uma porção de coisas e não pode sonegá-los nessa necessidade básica e premente.

E que ninguém ouse atrelar essa questão a intuitos eleitoreiros de a ou b. E sòmente então podemos nós que, aliás, somos os eleitores, manter-nos atuantes em impedir que as tragédias se repitam, como já está anunciado, e que os nossos privilégios de classe não impeçam os desprivilegiados de tambem eles construirem ou reconstruirem suas vidas.

O direito à vida é o mais universal de todos e a vida é a moradia, o trabalho e o sustento dos seus. E não me falem de inclusão social porque o que não se pode admitir é a exclusão. O que se exige de nós e dos governantes é que ponhamos a mão na consciência e aprendamos a conviver igualmente com todos.

Tristemente irõnico é o fato de a água, rara em quase todo o mundo e abundante entre nós, tão necessária, venha a nos causar tanta desgraça. É claro que a tragédia é natural mas se torna social na medida em que não se pode tolerar que as desigualdades entre nós é que ameacem a própria vida.

O sofrido choro dos sobreviventes é que tem que ecoar fundo nos ouvidos de todos nós, dirigentes, dirigidos, autoridades, banqueiros oficiais e particulares, televisões, capetalistas, os que decidem com a faca e o queijo nas mãos, a máquina do poder, para fazer acontecer a superação de tantos e medonhos dramas sôbre a maioria da população.

Mande a União mais dinheiro e menos palavra, de preferencia sem corrupção nem material, nem moral, que não se exija nada não ser a imediata construção de tantos milhares de casas, usem-se os terrenos publicos e os abandonados para que o povo possa morar e trabalhar em paz, porque em paz já se locupletam os agiotas na bolsa e os cambistas governamentais. Mais para todos, todo o poder aos municípios.

Em verdade, acho que os governos deviam era trocar de lugar com os favelados trazendo-os para morar e dando-lhes a propriedade dos prédios publicos e substituindo-os nos morros com os órgãos e serviços oficiais, ministérios, secretarias, prefeituras, bancos, quartéis, hospitais e escolas para sentirem e adequarem as necessidades e refazerem a ocupação e a recuperação dos morros, evitando que mais pedras e terras rolem abaixo, natureza versus homem.

Mas se ela insistir: não também à natureza.

Sergio Santeiro (santeiro@anaterra.mus.br)

De pernas pro ar.

terça-feira, abril 13th, 2010

De pernas pro ar (de Sergio Santeiro).

Não  só a dialética, mas a sociedade. Agora é que é a hora de reverter o miserável quadro
político que nos oprime. Somos o eleitor responsáveis por não retornar ao Congresso os
300 ou mais picaretas que lá se exibem.

Escolher quem nos representa no legislativo e no executivo é a chance que temos os
cidadãos comuns para desfazer a trama burguesa que concentra o poder em suas mãos e
impede o trabalho de ver reconhecido o seu papel de esteio da vida social.

Há representantes dignos? Espero que sim, mas o que há de oportunista é uma fábula. Um
dos problemas é que os imagináveis homens de bem não queiram se aventurar na política,
embora eventualmente protestem de seus descaminhos.

Outro é o aprisionamento partidário em que ganha quem alicia mais eleitores mas a que
preços. É justo que idealmente na democracia através de agremiações estáveis é que se
pode encaminhar a questão da representação cidadã.

Infelizmente no entanto êsse não é o nosso caso brasileiro, não sei e nem me interessa
como pode ser em outros países, não vivo neles. A fragilidade dos partidos é notória, o
aliciamento de filiados e a mecânica de seu aliciamento é que determinam a dinâmica dos
partidos.

Aliás, o que se pode esperar de algo que se denomina de partido, perdem para as escolas
de samba, cujo título geralmente é unidos. Melhor seria, como se propôs, admitir-se
tambem a candidatura independente, mantendo-se não obstante a partidária, seria uma nova
dinâmica.

Mesmo assim esta é no entanto a oportunidade em nossas mãos, a do eleitor.
Sintomáticamente não se conseguiu no congresso atual aprovar a tempo, empurraram  com a
barriga, uma das poucas propostas populares, garantida pelo remendão de 88, que era a
exigencia de ficha-limpa.

Imaginar que possam candidatar-se e ganhar gestão e imunidade a marginalidade criminosa é
o que atesta a pobreza política do país. Mais uma vêz, fôssem os partidos responsáveis,
eles é que não permitiriam a candidatura de eventuais filiados criminosos. O congresso
que elegeremos é que vai cuidar disso?

A máquina eleitoral por outro lado é sustentada pelo dinheiro que como se sabe é todo ele
publico só que no sistema em que vivemos é extorquido ao trabalho pela burguesia que dele
se apropria e com ele se elege para continuar dele “legitimamente” se apropriando na
mesquinha caricatura de democracia que é a burguesa.

O que precisamos é lutar dentro dela e destroná-la como em seu nascedouro se fêz com os
reis. Por mim, no campo do simbólico em que me exprimo, seria um bom sinal abolir-se o
paletó e gravata, essa ridícula marca de subserviência colonizada, o paletó pra dizer
presente nas cadeiras, e a gravata a proteger que pescoços em que invernos,ou quem sabe
sugerindo enforcar-nos.

Por que não apenas o macacão pra sinalizar no mínimo que a democracia tem que ser a do
trabalho de todos e para todos. É agora: não às vestes e aos votos burgueses e com os pés
na terra.

Sergio Santeiro (santeiro@anaterra.mus.br).

Ser comunista.

sábado, abril 3rd, 2010

Ser  comunista. (de Sergio Santeiro).

Não é fácil. Tem o centralismo democrático que é um horror, a disciplina e a autocrítica como método, exercícios difíceis de serem produtivos e certamente pouco criativos para enfrentar a mudança dos tempos.

Como não  lembrar da extraordinária mobilização da Aliança Nacional Libertadora em 1935, nascida eclética e depois liderada pelo partido comunista na perspectiva de um movimento de massa. Sabemos que sua dispersão pelo despotismo varguista acirrou o confronto com a revolta numa ilusão de momento  errôneamente  insuflada pela internacional soviética, fazendo do Brasil um temerário balão de ensaio precoce precipitada e desorganizadamente lançado ao fracasso.

Custoso e doloroso fracasso fazendo a polícia da ditadura varguista desfechar a campanha de ódio  e perseguição pelas mãos do expulso  da Coluna Prestes, então como em 64, o hediondo carrasco da esquerda massacrada nos porões da tortura.

Ninguém pode esquecer os requintes de crueldade e o calculismo frio das tomadas de poder pelas elites que sempre fazem da esquerda em sua renascida ascensão o alvo direto de sua violência e repressão.  E até 64, a esquerda, a fôrça do progresso no país era o Partido Comunista do Brasil,  o Partido Comunista Brasileiro.

Aqui em Niterói, em que foi fundado em 1922, certamente guarda o Partido a lembrança de muita gente boa da cidade, bem como dos militantes, muitos ainda  vivos, que até 64 construiram o projeto de um Brasil socialista que rejeitava a tomada do poder pelo golpe de estado e buscava erguer-se mais uma vez em um novo movimento de massa cuja consciência pudesse sustentar o progresso social junto com o desenvolvimento econômico.

E mais uma vez a sanha antipopular da elite dominante não hesita em destruir a base republicana e democrática jogando o país em décadas de repressão e barbárie, de atraso e submissão à dependência colonialista do capitalismo internacional.

Já agora são diversas as agremiações de esquerda que retomam o ideal aliancista de um país que se assuma a si mesmo na direção do progresso e das oportunidades iguais para todos na superação das desigualdades inevitàvelmente gestadas e geradas pela imposição capitalista.

Nesta conjuntura parece-me um sinal de acerto a disposição do Partido em lançar a pré-candidatura de seu secretário geral, Ivan Pinheiro, à campanha presidencial de 2010. É tempo de um dos mais antigos partidos políticos brasileiros apresentar sua definição de projeto para influir na representação do povo nos destinos do país que não podem ser malbaratados à falta de uma indispensável porque histórica participação comunista.

Espero que a disposição do Partido se expanda em todas as próximas eleições permitindo que os comunistas encontrem-se na conquista de  votos com o povo fazendo valer enfim seu inalienável direito de maioria erradicando em nossa terra a exploração do homem pelo homem.

Sergio Santeiro (santeiro@anaterra.mus.br).