Ser comunista.

Ser  comunista. (de Sergio Santeiro).

Não é fácil. Tem o centralismo democrático que é um horror, a disciplina e a autocrítica como método, exercícios difíceis de serem produtivos e certamente pouco criativos para enfrentar a mudança dos tempos.

Como não  lembrar da extraordinária mobilização da Aliança Nacional Libertadora em 1935, nascida eclética e depois liderada pelo partido comunista na perspectiva de um movimento de massa. Sabemos que sua dispersão pelo despotismo varguista acirrou o confronto com a revolta numa ilusão de momento  errôneamente  insuflada pela internacional soviética, fazendo do Brasil um temerário balão de ensaio precoce precipitada e desorganizadamente lançado ao fracasso.

Custoso e doloroso fracasso fazendo a polícia da ditadura varguista desfechar a campanha de ódio  e perseguição pelas mãos do expulso  da Coluna Prestes, então como em 64, o hediondo carrasco da esquerda massacrada nos porões da tortura.

Ninguém pode esquecer os requintes de crueldade e o calculismo frio das tomadas de poder pelas elites que sempre fazem da esquerda em sua renascida ascensão o alvo direto de sua violência e repressão.  E até 64, a esquerda, a fôrça do progresso no país era o Partido Comunista do Brasil,  o Partido Comunista Brasileiro.

Aqui em Niterói, em que foi fundado em 1922, certamente guarda o Partido a lembrança de muita gente boa da cidade, bem como dos militantes, muitos ainda  vivos, que até 64 construiram o projeto de um Brasil socialista que rejeitava a tomada do poder pelo golpe de estado e buscava erguer-se mais uma vez em um novo movimento de massa cuja consciência pudesse sustentar o progresso social junto com o desenvolvimento econômico.

E mais uma vez a sanha antipopular da elite dominante não hesita em destruir a base republicana e democrática jogando o país em décadas de repressão e barbárie, de atraso e submissão à dependência colonialista do capitalismo internacional.

Já agora são diversas as agremiações de esquerda que retomam o ideal aliancista de um país que se assuma a si mesmo na direção do progresso e das oportunidades iguais para todos na superação das desigualdades inevitàvelmente gestadas e geradas pela imposição capitalista.

Nesta conjuntura parece-me um sinal de acerto a disposição do Partido em lançar a pré-candidatura de seu secretário geral, Ivan Pinheiro, à campanha presidencial de 2010. É tempo de um dos mais antigos partidos políticos brasileiros apresentar sua definição de projeto para influir na representação do povo nos destinos do país que não podem ser malbaratados à falta de uma indispensável porque histórica participação comunista.

Espero que a disposição do Partido se expanda em todas as próximas eleições permitindo que os comunistas encontrem-se na conquista de  votos com o povo fazendo valer enfim seu inalienável direito de maioria erradicando em nossa terra a exploração do homem pelo homem.

Sergio Santeiro (santeiro@anaterra.mus.br).

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