De pernas pro ar.

De pernas pro ar (de Sergio Santeiro).

Não  só a dialética, mas a sociedade. Agora é que é a hora de reverter o miserável quadro
político que nos oprime. Somos o eleitor responsáveis por não retornar ao Congresso os
300 ou mais picaretas que lá se exibem.

Escolher quem nos representa no legislativo e no executivo é a chance que temos os
cidadãos comuns para desfazer a trama burguesa que concentra o poder em suas mãos e
impede o trabalho de ver reconhecido o seu papel de esteio da vida social.

Há representantes dignos? Espero que sim, mas o que há de oportunista é uma fábula. Um
dos problemas é que os imagináveis homens de bem não queiram se aventurar na política,
embora eventualmente protestem de seus descaminhos.

Outro é o aprisionamento partidário em que ganha quem alicia mais eleitores mas a que
preços. É justo que idealmente na democracia através de agremiações estáveis é que se
pode encaminhar a questão da representação cidadã.

Infelizmente no entanto êsse não é o nosso caso brasileiro, não sei e nem me interessa
como pode ser em outros países, não vivo neles. A fragilidade dos partidos é notória, o
aliciamento de filiados e a mecânica de seu aliciamento é que determinam a dinâmica dos
partidos.

Aliás, o que se pode esperar de algo que se denomina de partido, perdem para as escolas
de samba, cujo título geralmente é unidos. Melhor seria, como se propôs, admitir-se
tambem a candidatura independente, mantendo-se não obstante a partidária, seria uma nova
dinâmica.

Mesmo assim esta é no entanto a oportunidade em nossas mãos, a do eleitor.
Sintomáticamente não se conseguiu no congresso atual aprovar a tempo, empurraram  com a
barriga, uma das poucas propostas populares, garantida pelo remendão de 88, que era a
exigencia de ficha-limpa.

Imaginar que possam candidatar-se e ganhar gestão e imunidade a marginalidade criminosa é
o que atesta a pobreza política do país. Mais uma vêz, fôssem os partidos responsáveis,
eles é que não permitiriam a candidatura de eventuais filiados criminosos. O congresso
que elegeremos é que vai cuidar disso?

A máquina eleitoral por outro lado é sustentada pelo dinheiro que como se sabe é todo ele
publico só que no sistema em que vivemos é extorquido ao trabalho pela burguesia que dele
se apropria e com ele se elege para continuar dele “legitimamente” se apropriando na
mesquinha caricatura de democracia que é a burguesa.

O que precisamos é lutar dentro dela e destroná-la como em seu nascedouro se fêz com os
reis. Por mim, no campo do simbólico em que me exprimo, seria um bom sinal abolir-se o
paletó e gravata, essa ridícula marca de subserviência colonizada, o paletó pra dizer
presente nas cadeiras, e a gravata a proteger que pescoços em que invernos,ou quem sabe
sugerindo enforcar-nos.

Por que não apenas o macacão pra sinalizar no mínimo que a democracia tem que ser a do
trabalho de todos e para todos. É agora: não às vestes e aos votos burgueses e com os pés
na terra.

Sergio Santeiro (santeiro@anaterra.mus.br).

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