Sim e Não.

Sim e Não. (de Sergio Santeiro).

A responsabilidade é evidentemente das autoridades dirigentes que são as primeiras a saber disso mas também é nossa que só somos solidários na tragédia. De todos que vivemos no mundo como se aqui não estivéssemos.

E claro, óbvio, a questão imediata não é de quem é a nossa culpa e sim das providências que se devem tomar o mais rápido possível  de ressarcir e compensar as perdas materiais porque as afetivas infelizmente não se tem como lidar.

Antes de mais nada é imperioso suspender e evitar o jogo político que já se insinua não fôsse este um ano eleitoral. O desafio é um programa sustentado e amplamente extensivo de habitação popular não restrito apenas às vítimas imediatas do momento, e isto já está em curso.

É obrigação plena do Estado garantir a condição de moradia para o cidadão e aí o vetor é municipal que é onde se situa a moradia. O governante tem todo o direito de demandar o financiamento imediato sem delongas do poder da União que dispõe de recursos para uma porção de coisas e não pode sonegá-los nessa necessidade básica e premente.

E que ninguém ouse atrelar essa questão a intuitos eleitoreiros de a ou b. E sòmente então podemos nós que, aliás, somos os eleitores, manter-nos atuantes em impedir que as tragédias se repitam, como já está anunciado, e que os nossos privilégios de classe não impeçam os desprivilegiados de tambem eles construirem ou reconstruirem suas vidas.

O direito à vida é o mais universal de todos e a vida é a moradia, o trabalho e o sustento dos seus. E não me falem de inclusão social porque o que não se pode admitir é a exclusão. O que se exige de nós e dos governantes é que ponhamos a mão na consciência e aprendamos a conviver igualmente com todos.

Tristemente irõnico é o fato de a água, rara em quase todo o mundo e abundante entre nós, tão necessária, venha a nos causar tanta desgraça. É claro que a tragédia é natural mas se torna social na medida em que não se pode tolerar que as desigualdades entre nós é que ameacem a própria vida.

O sofrido choro dos sobreviventes é que tem que ecoar fundo nos ouvidos de todos nós, dirigentes, dirigidos, autoridades, banqueiros oficiais e particulares, televisões, capetalistas, os que decidem com a faca e o queijo nas mãos, a máquina do poder, para fazer acontecer a superação de tantos e medonhos dramas sôbre a maioria da população.

Mande a União mais dinheiro e menos palavra, de preferencia sem corrupção nem material, nem moral, que não se exija nada não ser a imediata construção de tantos milhares de casas, usem-se os terrenos publicos e os abandonados para que o povo possa morar e trabalhar em paz, porque em paz já se locupletam os agiotas na bolsa e os cambistas governamentais. Mais para todos, todo o poder aos municípios.

Em verdade, acho que os governos deviam era trocar de lugar com os favelados trazendo-os para morar e dando-lhes a propriedade dos prédios publicos e substituindo-os nos morros com os órgãos e serviços oficiais, ministérios, secretarias, prefeituras, bancos, quartéis, hospitais e escolas para sentirem e adequarem as necessidades e refazerem a ocupação e a recuperação dos morros, evitando que mais pedras e terras rolem abaixo, natureza versus homem.

Mas se ela insistir: não também à natureza.

Sergio Santeiro (santeiro@anaterra.mus.br)

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