É feriado.

Feriado é dia de fé ou de farra. Se, ao invés de promovê-los, o Estado parasse com esta besteira de obstruir as 40 horas de trabalho universalmente na sociedade como é o seu papel, abrindo assim não só um espaço de revitalização para os trabalhadores e suas famílias bem como ampliando vagas no mercado de trabalho para abri-lo à massa de nossos jovens para que botem a mão na massa.
E depois reclamam da garotada que não segue os princípios gloriosos da democracia capitalista republicana: roubem e sejam roubados. Eventual e infelizmente às vezes descobrem meios próprios de roubar e acabam nas roubadas. Gente sem ter o que fazer, sem trabalho, vai virando atormentada, quando muito pouco seria o necessário. Não inventaram um tal de salário mínimo? Que por sinal é descumprido como boa parte das possíveis melhores coisas desse tal de sistema econômico, que nem é sistema, é um amontoado de garranchos, muito menos econômico, só o desperdício que promove daria para alimentar toda a humanidade.

Um salário mínimo para todos os desempregados, afinal, é o mínimo. Quem sabe deveríamos cogitar de um salário máximo também. Assim entre os dois atenderia-se à suprema ambição do poder: uma enorme classe média. Pela lógica do sistema, que nem é tão lógica pois seus pressupostos são falsos, o assalariado promove o consumo que gera a produção apropriada pelo capetalista que gera a indução do consumo a seus propósitos pessoais.

Assim são as rodas da fortuna girando falsas falsamente e assim não dá para se esperar bons resultados. E a massa cresce. Graças aos seus, a população felizmente aumenta mas não consegue aumentar sua felicidade. Vivemos espremidos entre a ganância dos poderosos oficialmente dentro ou fora dos poderes. Tem as injunções, os assédios, as propinas em espécie ou em mercadoria, ou apenas simplesmente o brasileiro tapinha nas costas, o aval da facilidade. Em cumbuca fria vagabundo nenhum mete a mão, já na quente…

Aí está o Nobel que não nos deixa mentir: o problema é o desemprego. E, como já se devia ter aprendido, a única solução para os problemas são o próprio problema. Se o problema é o desemprego, a solução é o pleno emprego. Estaríamos todos os desempregados trabalhando para o Estado e assim multiplicando sua capacidade de solucionar outros problemas como a moradia com tantos e tantos espaços desocupados nas cidades e nos campos. Desocupado ou mal ocupado devia ser bem ocupado pelos milhares e espero que não milhões de transeuntes sem ou mal abrigados pela preguiça do pensar social tramitando entre os vetos e os votos.

Vejam como é a incompetência dos governos. Todo mundo vê o bagaço urbano que essa coisa virou. Aí vem um competente técnico argumentar que o saneamento nas favelas é prejudicado porque as choupanas não tem os canos. Ou será que não tem os canos porque não tem saneamento. E deixam, continuam deixando, gente pendurar-se em área de risco enquanto a especulação imobiliária cresce suas paredes de concreto, vedando luz e ar a torto e a direito, em valores abstratos, especulativos, afinal casa é casa, parede é parede, não pode ser tão mais caro, o custo é padrão e uniforme.

Quanto se ganha ou quanto se perde a cada vez que o martelo bate na bigorna, quem ganha e quem perde? Acabemos com os feriados antes que eles acabem conosco. No Japão é que é bão. Para manifestarem-se contra ou a favor basta uma interrupção de uns quinze minutos e por turnos. A máquina não pára e lembrem-se ela foi feita para poupar os humanos não para agravá-los.

É verdade que lá tem mais gente. É. Mas aqui temos muitíssimo mais chão.

*santeiro@vm.uff.br

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